Construir Resistência

27 de julho de 2022

Chacina como política de (in)segurança

Por Lier Pires Ferreira Compartilhado do Jornal da Cidade  www.jornaldacidadepi.com.br Na madrugada do dia 01 de julho, as polícias de fronteira do Marrocos e da Espanha mataram 40 imigrantes africanos para proteger o modo de vida europeu. Para o premier espanhol, Pedro Sánchez, a responsabilidade pela chacina foi dos criminosos que traficam homens e mulheres da África para a Europa. As polícias foram elogiadas pelos cadáveres. Julho também foi um mês sangrento no Brasil. No Rio de Janeiro, pelo menos 19 pessoas foram mortas em uma operação policial no Complexo do Alemão entre os dias 21 e 22. Dentre os mortos estão 02 moradores e 01 policial. Pobre custa pouco. Desde que foi efetivado no governo, Cláudio Castro, evangélico, protagonizou 03 das 05 maiores chacinas policiais da história fluminense: 28 pessoas foram mortas no Jacarezinho, dentre as quais 01 policial. Outras 25 pereceram na Vila Cruzeiro. Agora, são 19 no Alemão. Todas essas chacinas ocorreram em áreas controladas pelo Comando Vermelho (CV). Pura coincidência. Herdeiro da política do “tiro na cabecinha” de Wilson Witzel, Castro, o insosso, é politicamente vinculado ao clã Bolsonaro, e, como o capitão-presidente, parece inapto a governar. Por isso, smj, delegou a política de segurança pública do estado às polícias civil e militar, sem mediações, sem controle político e social. Não há MP, nem Judiciário… A chacina no Alemão revela um político despreparado, que concede a esmo “licença para matar”. Diante da alegada “guerra” contra o crime, é compreensível que um cidadão comum acredite que Castro é um governador enérgico, que não faz concessões ao crime. Também é compreensível que acredite que operações policiais devem ser recorrentes. Afinal, o crime não pode controlar territórios, não pode prevalecer sobre a lei. Contudo, as coisas não são tão simples: segurança pública não é para amadores. Primeiro, é importante repisar que o Rio de Janeiro não está em guerra: traficantes, milicianos e outros não são soldados; são criminosos. Segundo, há indícios que o governo Castro negocia, sim, com o crime organizado. Para sustentar essa hipótese, vale recordar o caso do então secretário de administração penitenciária do estado, Dr. Rafael, preso (e já solto) quando negociava acordos de pacificação com traficantes do CV no Presídio Federal de Catanduvas/PR. Por fim, em segurança pública, operações policiais são ações tópicas, frutos de inteligência, que visam a cumprir objetivos pré-definidos em locais específicos. Logo, não podem ser banalizadas, devendo ser julgadas por seus resultados. A operação no Alemão mobilizou mais de 400 agentes, 10 blindados e 04 aeronaves, para apreender 04 fuzis, 02 pistolas e 01 metralhadora. Além disso, dos 05 criminosos presos, nenhum estava entre os alvos da operação. Com resultados pífios, custando milhões de reais, sem contribuir para a elucidação dos crimes e sem mudar a vida nas comunidades, posto que o crime ainda as domina, por que a chacina persiste como política de (in)segurança pública? Primeiro, elas produzem imagens, narrativas e dividendos eleitorais. E disso pouco políticos abrem mão. Igualmente, movimentam a economia do crime, tanto para firmas de segurança, câmeras de vigilância e transporte de valores, quanto para policiais corruptos, contrabandistas e narcotraficantes. Além do mais, produzem notícias e medo, muito medo. Mas é na geopolítica do crime que as “operações-chacinas” brilham mais. Elas permitem deslocar o controle territorial de grupos recalcitrantes, como o CV, para outros, quiçá “colaborativos”, como os comandos “amigos”, as milícias e os CAC’s, o novo desafio (ainda) oculto da (in)segurança pública. Elas também valorizam o arrego, desacreditam a polícia e corrompem o sistema de Justiça. Suas necropolíticas queimam “arquivos”, inibem investigações e desestimulam a boa polícia. Elas só servem ao crime. Portanto, fica a dica: matar não é política de segurança. Chacina não gera paz social. Há 40 anos o Rio sustenta uma insana “guerra contra o crime”. Só piorou… e, até aqui, a maior vítima é o cidadão.   Lier Pires Ferreira é professor do Ibmec, Fiurj e Cp2. Pesquisador do Lepdesp. E-mail: lier.piresferreira@gmail.com    

Chacina como política de (in)segurança Read More »

Fachin elogia livro sobre urnas eletrônicas

Da Redação do Sindct Na última segunda (25/07), o SindCT foi recebido em audiência pelo Ministro Fachin, presidente do TSE. Na oportunidade, fizemos a entrega de um exemplar impresso do livro sobre a urna eletrônica e afirmamos o compromisso do SindCT com o serviço público e a defesa da democracia. O ministro Fachin, em sua fala, elogiou a obra, enalteceu o trabalho de pesquisa da nossa jornalista Fernanda Soares e elogiou a iniciativa do SindCT.   Mas Fachin foi além, elevou a importância do livro na defesa da democracia e a impulsionou a um patamar que nem nós havíamos percebido: disse se tratar da mais importante obra de esclarecimento da sociedade para os aspectos da segurança e confiabilidade do sistema de voto eletrônico. Por último, revelou já ter lido o livro por meio eletrônico, apontando o capítulo sobre a redução de votos nulos como um aspecto importante do sistema de voto eletrônico para dar voz e voto aos analfabetos. E encerrou se comprometendo em disseminar o livro junto aos outros ministros do TSE e do STF. Fotos: Antonio Augusto/Secom/TSE   Nota do editor: A jornalista Fernanda Soares é participante do grupo Construir Resistência. Motivo de orgulho tê-la na linha de frente do combate ao fascismo. Seu trabalho ganha a merecida notoriedade, pois desafia a insistente temática de depreciação que o atual ocupante da cadeira presidencial faz contra o maior símbolo da Democracia do nosso país. Parabéns, Fernanda!  

Fachin elogia livro sobre urnas eletrônicas Read More »

Ex-capitão da seleção brasileira, Raí visita maior assentamento do MST no RS

Por Miguel Stédile – Brasil de Fato Visita aconteceu no último sábado (23), no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre Educação e direitos sociais têm sido a preocupação do ex-jogador Raí Souza Vieira de Oliveira, ou simplesmente Raí, desde que deixou os gramados. Esta foi a motivação para a criação da Fundação Gol de Letra, que trabalha com jovens nas periferias de São Paulo e no Rio de Janeiro. E a motivação também para conhecer a experiência de um assentamento de reforma agrária no Rio Grande do Sul. Atualmente fazendo um Mestrado em Ciência Política na França, Raí visitou o Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, na região Metropolitana de Porto Alegre. Com 376 famílias, é o maior assentamento de reforma agrária do estado em extensão, com mais de 9 mil hectares. É ali também que se concentra a maior área de produção do arroz agroecológico. O ex-jogador visitou também o Instituto de Educação Josué de Castro, onde pode conhecer as experiências de escolarização e capacitação profissional / Divulgação A visita incluiu o Instituto de Educação Josué de Castro, onde o ex-jogador pode conhecer as experiências de escolarização e capacitação profissional e também falou sobre os programas desenvolvidos pela Gol de Letra nesta área. Raí visitou ainda famílias de produtores de hortigranjeiros que atendem as dezenas de feiras orgânicas da região e conheceu a agroindústria de beneficiamento de arroz do assentamento. Raí recebeu uma cesta de famílias de produtores de produtos orgânicos da cooperativa do assentamento / Divulgação “Ele pode ver praticamente todo o processo de produção do arroz, da preparação da terra ao produto pronto para comercialização” conta Cedenir de Oliveira, da direção do Movimento Sem Terra, “e também conheceu as diversas formas de cooperação que um assentamento desenvolve, de um grupo informal, de uma compra conjunta de máquinas, passando por grupos de mulheres até uma cooperativa”. Ele também conheceu a agroindústria de beneficiamento de arroz do assentamento de Viamão / Divulgação “Neste momento em que vivemos é importante conectar todas estas experiências que buscam a transformação social para que passo a passo a gente possa mudar o país”, afirmou Raí, “vim aqui sobretudo para aprender”. O ex-capitão da Seleção Brasileira ainda pretende visitar assentamentos em outras regiões do país e conhecer o campo de futebol da Escola Nacional Florestan Fernandes que leva o nome do seu irmão, Doutor Sócrates, em Guararema (SP). Raí quer reunir estas experiências para desenvolver um novo projeto social na região Nordeste do país.

Ex-capitão da seleção brasileira, Raí visita maior assentamento do MST no RS Read More »

Movimentos organizam evento Político, Cultural e Gastronômico antifascista

Dos organizadores Será no dia 10/9 no Sindicato dos Metroviários em São Paulo     🚨🚨🚨 Finalmente saiu nosso flyer, tem algum tempo que sociólogos como Rudá Ricci vem nos alertando que o formato de manifestação de rua mudou, e que precisamos acompanhar essas mudanças. Que apenas nos agarrarmos em atos em forma de procissão que repele uma parte do povo e ele explica que em muitos lugares o formato é de ocupação de espaço, onde consigamos agregar protesto, gastronomia , política, arte, cultura na ocupação de praças, quadras, sindicatos etc. Baseados nessa ideia, os coletivos Bloco Tricolor Antifa, Saint George Cultural, Vozes da Leste , que compõem a Casa Abaporu Coletivo Cultural Elza Soares e a Feira Esquerda Livre com apoio do Esquerda Compra de Esquerda e institutos como o Cultiva, além de sindicatos dos Bancários e Metroviários,  acolhendo o Boteco Socialista, trazem o ESQUENTA PARA NOVA PRIMAVERA, que tem como seu maior intuito reforçar a necessidade do voto em Lula no 1 turno, eleger Haddad como governador de São Paulo e deputados federais e estaduais e senador de ESQUERDA . Nesse dia será feita a leitura dos manifestos dos coletivos antifascistas dos clubes de futebol em apoio ao VOTO NO LULA NO PRIMEIRO TURNO e já anunciando a força total para entrarmos de cabeça na campanha! Então é com muito orgulho que convidamos a TODXS para esse que será o nosso primeiro evento político, Cultural e Gastronômico antifascista .  

Movimentos organizam evento Político, Cultural e Gastronômico antifascista Read More »

Um típico cidadão de bem

Por Mouzar Benedito no Brasil de Fato   Eu gosto de lembrar de gente boa, de amigos, mas de vez em quando me lembro também de umas figurinhas de quem quero distância. Hoje eu me lembrei de um cara assim, o Mumunha, que foi meu colega de trabalho. Mau-caráter total. Quando alguém ia se casar, por exemplo, ele fazia uma lista pegando dinheiro com amigos, para o noivo gastar da lua-de-mel. Aí, pegava todo o dinheiro e dava um cheque pro o noivo. Só que o cheque sempre era sem fundos. Embolsava a grana toda! Como sou formado em Geografia, ele me contou que tinha trabalhado no Instituto Geográfico e Geológico, o IGG, onde eu tinha feito estágio. Uma dia, precisava comprar uns mapas e fui ao IGG. Aproveitei para visitar o pessoal com quem tinha trabalhado e contei que conheci um cara que tinha trabalhado lá. Perguntaram quem era, contei, e fez-se um silêncio danado, ficou todo mundo me olhando esquisito. Um dos colegas me chamou pra tomar café e me disse: “Não fale esse nome aqui, que pega mal”. E me contou um monte de golpes que o Mumunha tinha dado lá. Conto só um aqui: um dos colegas do Mumunha, um dia chegou abatido no trabalho, com a notícia de que a mulher dele estava com câncer. Naquele tempo, sem plano de saúde e com hospitais públicos meio precários, o tratamento custava caro. No dia seguinte ele chegou anunciando que queria vender uma Enciclopédia Barsa, uma coleção de uns vinte volumes, que ele tinha comprado e foi entregue naquele dia mesmo. Tinha custado, em dinheiro de hoje, uns R$ 2 mil reais. Vendia pela metade do preço, porque precisava de dinheiro. O Mumunha se opôs: “Não faz isso… Se a gente fizer uma rifa de cem números, a 50 cada número, você consegue 5 mil”. Mas o cara tinha vergonha de sair vendendo rifa. Isso é que o Mumunha queria: “Deixa que eu vendo. Traga a Enciclopédia aqui pra mostrar que é novinha, deixa comigo que eu resolvo”. Fez a rifa e saiu vendendo pra todo mundo, e todos compraram, em solidariedade ao colega. Bom… O cara que ganhou a rifa não recebeu a enciclopédia. E o que era dono dela e estava com a mulher doente, não viu a cor da grana. O Mumunha ficou com a enciclopédia e embolsou o dinheiro. Ah… o Mumunha costumava se apresentar como o que hoje chamam de “pessoa de bem”. E era mesmo, se o conceito de “pessoa de bem” for o que os bolsonaristas se proclamam. Mouzar Benedito é escritor, geógrafo e contador de causos  

Um típico cidadão de bem Read More »

Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito! Assine aqui!

Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos Cursos Jurídicos no País, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais. Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal. Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular. A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral. Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude. Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos. Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições. Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional. Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão. Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática. Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições. No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições. Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:   Estado Democrático de Direito Sempre!!!!   Assine você também a Carta   Faça parte dessa história. Assine a Carta.     CONFIRA LISTA DE SIGNATÁRIOS

Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito! Assine aqui! Read More »

Rolar para cima