Construir Resistência

21 de junho de 2022

Este é o Brasil que queremos

Por Simão Zygband   É inegável que não faltam motivos para a indignação. É uma sucessão de péssimas notícias, uma atrás da outra, que parece que o pesadelo não tem mais fim. Talvez por que haja hoje a existência deste mundo virtual, que tirou muita sujeira de debaixo do tapete e nos jogou a realidade nua e crua diariamente, diante dos nossos narizes. Semana retrasada foi um Policial Rodoviário Federal asfixiando um cidadão comum, um trabalhador inocente, com gás, na traseira de uma viatura, somente por que ele transitava sem capacete em sua motocicleta. ok Já na semana passada foi a brutalidade do assassinato dos defensores da floresta, o indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, esquartejados, incinerados e com restos mortais enterrados em uma cova no meio da floresta. Ontem mesmo, a estupidez e insensibilidade de uma juíza de Santa Catarina, Joana Ribeiro Zimmer, que tentou convencer uma criança de 11 anos, vítima de um estupro, a levar adiante sua gravidez e desistir do seu direito ao aborto. Seria mãe do filho do seu estuprador, vejam só. Claro que todos estes são sintomas de uma sociedade doente, que desembocou na eleição de um sádico genocida, um imprestável militar reformado (não servia nem para servir o Exército), que por sua vez incentiva o pior lado dos sentimentos humanos. É desnecessário elencar tantos males que o elemento nocivo que ocupa a cadeira presidencial trouxe com seu cheiro insuportável de enxofre ao cotidiano de todos os brasileiros. É insuportável que alguém que ocupe o cargo a que chegou, sorria e ironize a tragédia humana que ele promoveu, castigando o povo, inclusive aquele que o elegeu. São tantas as desgraças que vêm diariamente à tona, que uma acaba encobertando a outra, até que  surja uma nova fresquinha, para que esqueçamos a que passou. Será que era isso que nós, brasileiros, desejávamos para os nossos filhos e netos? Era este país que queríamos, como teve a pachorra de veicular a maior emissora brasileira em uma campanha denominada “Que Brasil você quer para o futuro?”, onde cidadãos gravavam um vídeo relatando suas expectativas? Esta campanha, realizada pela emissora que encabeçou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, rasgando a Constituição brasileira, ocorreu exatamente no ano em que ela acabou ajudando a eleger o candidato da extrema direita para governar o país, um desgoverno que acabou castigando os brasileiros e legitimando atos como de policiais que asfixiam com gás pessoas inocentes, pescadores amazônicos que esquartejam defensores da floresta e juízas que acham normal uma criança de 11 anos dar a luz a um bebê fruto de um estupro. É evidente que a toda ação existe uma reação e elas começam a despontar com muita clareza. Formou-se para contrapor a este descalabro uma frente de oposição com 7 partidos que jamais pensariam em estar juntos se não fosse para lutar contra o fascismo. Outro sintoma da resistência foram as mais de 4 milhões de pessoas que participaram da Parada LGBT+, dando uma demonstração de que todas elas não querem mais o atual (des)governo, um totalitarismo homofóbico, misógeno, racista e entreguista. Também na América Latina os ventos sopram mais prazerosos com a vitória da esquerda no Chile, com Gabriel Boric e na Colômbia, pela primeira vez, com Gustavo Petro, esta ocorrida neste último final de semanas. Em outubro, se as pesquisas se confirmarem, teremos Lula Presidente. O Brasil não vê a hora de se livrar de Bolsonaro e de todos os serviçais do Bolsonarismo.  

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Amigo secreto

Por Virgilio Almansur Pré lançamento estourou! A rapidez com que a república de Curitiba foi desmascarada se deve, muito, ao hacker Delgatti. Mas não se fala nele… A idéia é o recorte da Vaza Jato, mas com suporte técnico, até à caída da ficha dos homúnculos do supremacista tribunal que pensou na justiça e na CF/88! A explosão, desde o The Intercept Brasil (TIB), em 09/06/19, premiou a muitos. Em que pese essa revelação ter seu imediatismo como acelerador da justiça, esta já vinha sendo acionada pelos inúmeros profissionais que se destacaram em seus meios. Tecnicamente, havia a percepção de um formalismo capenga. A sentença, exarada pelo juiz ladrão, não encontrava respaldo na denúncia do MP. O Direito requer sua forma. Sem esta, o conteúdo, não raro, caminha para o arbítrio. E foi isso que assistimos nos vários informes que surgiam no meio jurídico e por alguns jornalistas mais dedicados. AMIGO SECRETO vem colocar esses e outros aspectos em cheque e em tela, rememorando aqueles pequenos heróis que se dedicaram na busca dos materiais agora vistos na telona… A rotina dos jornalistas Leandro Demori, do The Intercept Brasil, Carla Jiménez, Marina Rossi (El País) e Regiane Oliveira, é apresentada. É a excelência do vaza-jatismo como reportagem que conseguiu expor os meandros da operação criminosa que catalisou corações e mentes com a cumplicidade golpista dos jornalões e TVs abertas. O Brasil retratado ali é o país num verdadeiro lamaçal! É a vigarice das instituições e de seus golpismos instantâneos sendo vistos numa nova perspectiva que “O Processo” da mesma diretora não pôde revelar. Esse salto para o “Amigo Secreto” faz de Maria Augusta alguém que passa a limpo seus fantasmas desconcertantes n’O Processo ainda em voga, como documentário que revela o impeachment de Dilma e seus bastidores sem intromissão. Aqui, hoje, as cenas estão trabalhadas e a interferência (sólida e com aporte técnico invejável) da diretora parece ao sabor de outras obras com sua assinatura. A investigação da “justiça” injusta ou propriamente injustiça, tem na prisão de Lula um foco especial e que começa a antecipar toda a inquietação que toma curso na película. Produzido por Nofoco Filmes, Docmakers e Gebrueder Beetz Fimproduktion, tem também co-produção pela Vitrine Filmes que distribuirá por aqui. A operação criminosa do escritório curitibano é esmiuçada nas condutas de juizes e procuradores cujo escândalo observamos à conta gotas… Eram manipuladores — e cometeram ilegalidades jurídicas que são elencadas no filme.   Virgilio Alamnsur é médico, advogado e escritor.

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Ex-ombudsman faz duras críticas à Folha de S. Paulo

Por Mario Vitor Santos A Folha, mais antipetista dos veículos “imparciais” brasileiros, coloca agora também na rua o estribilho a ser tocado pelo bolsonarismo e seus aliados nestas eleições. O movimento envolve a criação de uma nova classe de cidadãos plasmada na medida para servir ao caso do ex-presidente Lula. Trata-se do sujeito “inocente, mas não inocentado”. Só mesmo o jornal da ditabranda seria capaz de tanto. Em geral, perante a Justiça, como se sabe, “todos são iguais perante a lei”. Além disso, “todos são inocentes até prova em contrário”. Ou seja, na regra legal válida para qualquer brasileiro, todo cidadão pode ser considerado ou inocente ou culpado. A Folha, num texto “didático” (“Entenda por que Lula é inocente sem ter sido inocentado”) assinado por Flávio Ferreira, inventa uma nova categoria de cidadãos, inexistente até agora: exatamente a do “inocente não inocentado”. Na verdade, uma forma de dizer que, para o jornal, Lula não é totalmente inocente. Seria mais culpado, por ter saído inocente de um julgamento sem, na verdade, o ser. Um criminoso em dobro por impunidade. Em geral, na vigência de um estado regido pela lei, o sujeito que não foi, por qualquer ilegalidade, considerado culpado, está automaticamente inocentado. Ou seja, o Estado considera que não foram obtidas, pelos métodos legais, provas da culpa da pessoa. Assim, a pessoa se mantém na condição de inocente e, portanto, também de inocentada. Provou-se no julgamento de Lula que as acusações contra ele eram ilegais na forma (depoimentos obtidos por coação, por exemplo, ocultação de provas, evidências forjadas, direcionamento de tribunais) e no mérito. No julgamento de Lula, como de outros, ficou evidenciado que as motivações das acusações eram perseguições políticas e que as provas e depoimentos foram manipulados com esse fim. Para chegar na tese esdrúxula, a Folha valeu-se de uma declaração genérica do ministro Luis Fux, do STF, misturando o ex-deputado Geddel Vieira Lima, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco com o mensalão e a Lava Jato, para dizer que anulação formal não invalida “provas”, como as malas de dinheiro no apartamento do parlamentar ou as dezenas de milhões de dólares devolvidos pelo ex-funcionário da petroleira. Mas como? Os casos são incomparáveis. Nem Geddel nem Barusco foram inocentes nem inocentados em seus julgamentos. Foram, ao contrário, culpados por corrupção. Mas, afinal, o que quer o jornal? A Folha se dedica a torturar as categorias da Justiça para, de fato, influir no processo eleitoral contra Lula, o líder das pesquisas de opinião, de quem ela é velha inimiga, a quem sempre se opôs sem tréguas e perseguiu diuturnamente no poder e fora dele. O jornal quer dar o tom e fornecer base pretensamente jurídica para alimentar as acusações dos adversários de Lula, principalmente Bolsonaro, que com certeza virão durante a campanha eleitoral. Não é novidade. Contra Lula e o PT, a Folha formatou o chamado escândalo do mensalão, a partir da farsa de pagamentos falsamente ilegais difundidos pelo notório Roberto Jefferson, hoje em prisão domiciliar. A condenação do tal mensalão veio na forma de uma declaração histórica de votos da ministra Rosa Weber: “Não tenho provas, mas tenho convicção”. O relator do processo também inovou ao tentar impor a chamada “teoria do domínio do fato”. A Folha, como se sabe, participou da Lava Jato, na linha de frente do consórcio de toda a mídia corporativa brasileira. Serviu, numa campanha vergonhosa de jornalismo de promiscuidade, ao ex-juiz julgado parcial Sergio Moro comandante da República do “lawfare” de Curitiba. Moro foi condenado. E a mídia? Da campanha da Lava Jato, digna de um livro-texto sobre o que não se deve fazer em jornalismo, pelo caráter oficialesco e politicamente motivado, o jornal e seus cúmplices na mídia brasileira jamais fizeram a devida autocrítica. Agora, ao contrário, mostrando que se mantém fiel ao mesmo espírito de justiçamento da condenada e anulada Lava Jato, a Folha a reafirma. Renasce o que nunca foi sepultado: a campanha política de perseguição pessoal a Lula servindo ao extremismo de direita. Na política, esse refrão serve ao bolsonarismo, a quem a Folha rejeita qualificar como “extrema direita” e de quem ela é tão aficionada na economia. Alheia ao jornalismo de verdade, honesto, sincero, transparente, fiel aos fatos, a mídia “equidistante” segue se fingindo inocente, sem que, ela sim, tenha sido inocentada.   Mario Vitor Santos é jornalista e ex-ombudsman da Folha de S.Paulo  

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Terrivelmente enrolado

Por Alceu Nader QUEM BANCOU PÉRIPLO DESPORTIVO DE KASSIO NUNES MARQUES NA EUROPA? CABE IMPEACHMENT? SIM, CABE.   O jornalista Rodrigo Rangel, do portal “Metropóles”, de Brasília, assina reportagens expondo escândalos de Brasília há pelo menos vinte anos. Pelos jornais (ESTADÃO, GLOBO, CORREIO BRAZILIENSE) e revistas (VEJA, ÉPOCA, ISTOÉ) que passou, colecionou prêmios que certificaram a qualidade de seu trabalho. Várias de suas reportagens inspiraram os concorrentes para a busca de pormenores que davam forma e acabamento para suas revelações. Esse passado virtuoso, porém, não está sendo considerado na sua recente reportagem “Exclusivo: bancado por advogado, ministro do STF vai de jatinho a Paris para final da Champions”. Apenas um grande jornal regional acompanhou a repercussão, que, desta vez, ficou a cargo de blogs e sites considerados “de esquerda”. Sua reportagem do “Metrópoles” trata do intenso périplo desportivo pela Europa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, a bordo de um Citation X, jatinho particular do advogado Vinícius Peixoto Gonçalves, que atua no Rio de Janeiro, e tem escritório com vários processos tramitando no STF. Além de assistir ao emocionante Real Madrid 1 x Liverpool 0, o ministro, que levou pelo menos um acompanhante, assegura a reportagem, conheceu o templo do tênis de Roland Garros e deu uma esticada ao vizinho Principado de Mônaco para assistir a tradicional corrida de Fórmula 1. A preços do mercado, o custo do transporte aéreo, por passageiro é de cerca de R$ 250 mil. O ministro ganha, limpos, R$ 29,7 mil, por mês.   JORNALÕES NA MUDA. MEDO? O ministro desmentiu a reportagem, mas não disse quem pagou pelo circuito esportivo. Diz que conheceu o dono do jatinho durante a viagem, mas deixa a dúvida: quem bancou? A coluna de Cristina Serra, na FOLHA de hoje, “A farra aérea de Nunes Marques”, aponta prevaricação e traz lua sobre possível impeachment por quebra de decoro, segundo “as regras estão estabelecidas na Constituição Federal combinada com a lei 1.079/1950.” ESTADÃO e GLOBO continuam na muda. Cristina Serra acrescenta: “O Brasil rebaixou-se a um grau de derretimento ético tão profundo que a publicação da farra de Sua Excelência reverberou quase nada entre autoridades, instituições, imprensa. Como interpretar tamanho silêncio? Permissividade com a transgressão? Lassidão moral? Cumplicidade? Corporativismo? Medo? Tudo junto?” Em um país minimamente sério, Vossa Excelência “terrivelmente evangélica” estaria terrivelmente ameaçado de perder o cargo por quebra de decoro. Link para a reportagem: Exclusivo: bancado por advogado, ministro do STF vai de jatinho a Paris para final da Champions https://www.metropoles.com/colunas/rodrigo-rangel/exclusivo-bancado-por-advogado-ministro-do-stf-vai-de-jatinho-a-paris-para-final-da-champions   Alceu Nader é jornalista. Trabalhou no Senado Federal, na chefia de Reportagem da TV Globo e nos impressos JT, Estadão e revista Veja    

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