Construir Resistência

16 de junho de 2022

Que controle o Brasil tem hoje sobre a Amazônia?

No início da noite, realizei a rápida varredura diária dos jornais estrangeiros. O que mais salta aos olhos? Quase todo mundo questiona o controle do governo brasileiro sobre a maior parte da Amazônia. Ou seja, parece terra sem dono, sem patrulha, sem monitoramento, sem nada. Se havia gente interessada em tomar conta de parte do nosso território, esse desejo cresceu com as demonstrações de incompetência do capitão e de sua tropa de botinudos viagreiros.Enquanto os lambedores de Leite Moça seguem enchendo os pacovás do Tribunal Superior Eleitoral, vastas porções de terra foram entregues a traficantes, contrabandistas, madeireiros, garimpeiros e outros bandidos comuns, das mais diversas nacionalidades.Convém repensar também o sistema de divisão federativa do Brasil, com estados tão imensos que são ingovernáveis. As mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips alçaram às manchetes globais o município de Atalaia do Norte, sobre o qual a maioria dos brasileiros nunca tinha ouvido falar.Sua área, pasme, é maior do que a de Holanda e Bélgica somadas. E veja que é apenas o sétimo maior município brasileiro em área. Dentro de Altamira, no Pará, o maior de todos, cabem juntos Portugal, Croácia, Andorra e Liechtenstein.Atalaia do Norte fica a 1.136 quilômetros de Manaus, capital do Estado. Para se ter uma ideia, a distância entre Rio e Brasilia, também em linha reta, é de 934 quilômetros.Se formos falar de caminhos, terrestres ou fluviais, Atalaia fica a 1.620 quilômetros de Manaus. Para se fazer uma comparação, é mais rápido e seguro ir de carro de São Paulo a Assunção, no Paraguai: 1.350 quilômetros.É certo que o Brasil precisa de uma nova organização federativa, capaz de estabelecer o controle do território e oferecer mínimo bem-estar aos moradores de rincões distantes. Esse redesenho administrativo também é fundamental para garantir a sobrevivência dos povos originários e a preservação dos recursos naturais. A alternativa é entregar de vez esses nacos imensos do território à administração de um consórcio mundial. Essa é, porém, a pior solução, pois é o caminho mais curto para que as mega corporações se apossem do coração do planeta. O tempo é escasso. 

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Futebol, homofobia e civilidade: os três pontos em jogo

O Corinthians é literalmente minha vida, minha história e meu amor. É nele que vejo representados os mais altos valores do meu ethos familiar e social. Não é a sétima maravilha do mundo. É a primeira.Mas é justamente por isso que precisamos ser EXEMPLO de respeito, generosidade e civilidade. Somos o clube surgido do anarco-povão rebelado, em 1910; que enfrentou a federação para inscrever negros no campeonato, em 1915; dos operários que mudaram o Brasil a partir da Greve de 1917; do compa Walter Fazzoni, que lutou contra os nazis na II Guerra Mundial; do Delizoicov e da Helenira Preta, resistentes que deram a vida na luta contra os botinudos; do goleiro Diogo que tinha uma metranca contra os milicos, nos anos 1960; da turma intrépida que ajudou a derrubar a Ditadura Militar, no início dos anos 1980, com Sócrates, Wladimir e Casão.Por isso, sinto-me ofendido em cinco gerações ao ver uma cambada de imbecis que, vira e mexe, tem se manifestado em nossa arena, em Itaquera. Os eventos de 22 de Maio último não podem passar sem punição.Para você que não sabe, o Corinthians foi denunciado nesta quinta-feira, 16 de Junho, pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) por conta dos cânticos homofóbicos de parte da torcida no empate por 1 a 1 no clássico contra o São Paulo. O julgamento será realizado no próximo dia 23. Que se aplique a lei. O certo é o certo, e acabou. Fim de papo. O Código Brasileiro de Justiça Desportiva é claro sobre atos discriminatórios, desdenhosos ou ultrajantes relacionados a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade ou deficiência. Diz que se o ato for praticado “simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva” deve-se determinar a “perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente”.Caso os torcedores sejam identificados, “ficarão proibidos de ingressar na respectiva praça esportiva pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias”.Há gente por aí, movida pelo clubismo, afirmando que o código não tipifica o caso específico de homofobia. Na boa, é uma tentativa vergonhosa de defender o indefensável. O termo “sexo” ali resume também o preconceito relativo a orientação sexual e afetiva. Que seja aplicada a lei e que sirva de experiência educativa para essa parte da torcida que ainda não aprendeu a ser verdadeiramente corinthianista.

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A voz que mandou passar a boiada

Por Fernando Castilho Este articulista, quando se senta em frente a um teclado de computador, costuma se perguntar com que órgão vai escrever. Se com o coração, com o cérebro, o fígado, o estômago ou os intestinos, seja o delgado ou o grosso. Prefiro sempre o cérebro, dando algumas chances ao coração também. Ao ser informado em primeira mão pelo jornalista Simão Felix Zygband, editor do Construir Resistência, da notícia do assassinato de Dom e Bruno, que todos nós já aguardávamos, posto que já não havia mais esperanças de encontrá-los com vida, meu primeiro impulso foi o de escrever um artigo. Mas não consegui. As ideias dançavam e insistiam em sair do cérebro, descendo até o intestino grosso, a última etapa da digestão, responsável pela escatologia. Melhor evitar. Foi preciso desistir e aguardar até que a organização do pensamento se desse de maneira um pouco mais racional, porém não de todo. O culpado pelas mortes violentas de Dom e Bruno não é aquele apresentado pela imprensa, cujo nome nem me recordo, tamanha a desimportância da pessoa. Embora não seja possível atribuir diretamente culpa, podemos inferir que a nascente que veio dar nesse rio violento está ocupando, ainda que por mais alguns meses, o Palácio do Planalto. Foi um monstro, parido por um país desejoso do fim do processo civilizatório, desejoso da truculência e do preconceito, desejoso da entrega da Amazônia para o agronegócio, o responsável indireto, mas principal pelas mortes, não só de um jornalista ambientalista e de um indigenista, mas também de milhares de indígenas que hoje se encontram sob a mira de garimpeiros, madeireiros e grandes produtores rurais. Ou não foi m monstro que mandou liberarem a Amazônia para o garimpo ilegal, botarem fogo na floresta, tentarem vender madeira ilegal para os Estados Unidos, enfim, passarem a boiada? Coautor ou autor? A grande imprensa noticia o ocorrido, culpa o autor direto pelas mortes de Dom e Bruno, mas poupa o coautor. Se furta a responsabilizar a quem deu sinal verde para os assassinatos. É cúmplice, portanto. Enquanto isso, o fato repercute na mídia internacional que corretamente o enxerga como resultado das políticas de destruição implementadas desde 2019 pelo Capitão Morte. Por estarmos enclausurados numa bolha, não conseguimos um olhar do todo, mas tenho certeza de que grande parte da população brasileira acompanhou os dias angustiantes das buscas, se sensibilizou com o trágico desfecho e está se perguntando até onde vai a responsabilidade daquele a quem segue como um mito. Aquele que possui uma casa num condomínio no Rio, mesmo local onde vivia o miliciano preso como assassino da vereadora Marielle Franco. Na cabeça das pessoas as peças se encaixam, de maneira não muito consciente, mas se encaixam. As instituições não punirão o presidente que à esta altura deve estar se chafurdando por aí, como faz em todos os feriados prolongados (a agenda presidencial não registra nenhum compromisso e a imprensa não divulgou), mas o povo, ah, o povo, o fará, tenham certeza. Acreditamos, de um ano pra cá, que, apesar do inúmeros malfeitos do capitão, cerca de 30% da população integra o núcleo duro que o apoia. É um engano. O núcleo duro está contido dentro desses 30%, portanto é menor. Certamente há quem agora já chegou a seu limite e abandonou o barco. E se não o fez, é porque também é cúmplice. As próximas pesquisas dirão se essa massa se reduziu ou não. Acho que sim. Será o início das punições àquele que é, mas nunca deveria ter sido. Não será reeleito. As outras virão em cascata. Fernando Castilho é arquiteto e professor. Criador do blog Análise e Opinião      

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Brasil do Luto

Por Viviane Cabrera Imagem – Sérgio Lima    Brasil em consternação. A barbárie toma forma e feição De um crime cruel. Mas é só mais um em nosso painel. Quem vai contra os mecanismos infames, Contra os auto-proclames De um governo vil Vira alvo de um imenso canil. Paga com a vida numa emboscada E sua reputação com mentiras criadas é manchada Como a justificar E garantir que culpados possam vir a se safar. Violência atrás de violência, Não vemos justiça e sim conivência Para que tudo caia no limbo do esquecimento Sobrando aos familiares a dor e lamento. Perdemos Chico, Dorothy, Bruno, Dom, Marighelas, Margaridas e Marielles. São negros, índios, LGBTQIAPN+, homens e mulheres Na luta por direitos e dignidade, Combativos contra uma política de calamidade. é   Viviane Cabrera é formada em Jornalismo, Geografia e tem Pós em Docência do Ensino Superior. É autora do livro-reportagem ‘Flores do Asfalto – histórias de duas favelas paulistanas’ e do livro de poemas ‘Memoriamístico’. Participou das antologias ‘Infâncias’, ‘Um Dólar por Dose’, ‘Comer é Um Ato Político’, ‘Retrospectiva 2021 Poesia Contemporânea’ e ‘Poemas de Natal’, do projeto TOMA Aí UM POEMA; e da antologia ‘Pela Janela do Quarto: Visões da Quarentena’, da Editora Voz de Mulher. Em 2022 participará das antologias ‘Cartas Para o Futuro’, do Selo Off Flip, e ‘1001 Poetas – A Maior Antologia de Poesia Contemporânea da História do Brasil’, da Casa Brasileira de Livros.  

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O amor de Dom pelo Brasil foi mortal para ele

Por Lúcia Helena Issa     Tristeza imensa. Meu coração está devastado como jornalista e como mulher. Logo que cheguei ao Rio, para morar e trabalhar como correspondente internacional, fiz uma das coberturas que me marcariam para sempre, assim como a cobertura de campos de refugiados palestinos no Oriente Médio, de mulheres palestinas massacradas e expulsas de sua terra por Israel há décadas. O imenso momento que testemunhei e cobri ao chegar ao Rio foi a Conferência Internacional RIO + 20 , sobre a Amazônia, a destruição das florestas, o aquecimento global, etc. Foi exatamente naquela primeira semana de evento que pude conhecer e conversar por alguns minutos com Dom Philips. Foi um encontro rápido, mas que ficaria tatuado em mim para sempre pela forma emocionada como Dom me falou sobre a Amazônia. Dom Philips dedicou grande parte de sua existência a dar voz aos indígenas, aos povos originários e a denunciar a destruição da CASA de todos nós. Dom Philips, assim como eu, era um jornalista da palavra escrita e não da imagem, um jornalista que amava escrever as histórias de indígenas que lutam contra o genocídio, assim como eu amo escrever histórias de mulheres palestinas refugiadas que lutam contra o genocídio do povo palestino por Israel. Dom Philips queria tornar visíveis e humanos todos aqueles que a sociedade havia desumanizado. Amava a Amazônia como muitos de nós amam, mas de uma forma visceral e essa dedicação tornou- se MORTAL para ele e para o indigenista Bruno Pereira. Mortal desde o instante em que o próprio presidente do Brasil afirmou que os indígenas eram apenas ” vagabundos”, que não teriam mais “um centímetro de terra demarcada ” e transformou a Amazônia em terra sem lei. Mortal desde o instante em que um presidente transformou a FUNAI em fundação de ódio aos indígenas e não mais de proteção a eles. O amor de Dom pelo Brasil foi mortal para ele. Perdoe- nos, Dom, por termos nos tornado uma nação mortal para todos os jornalistas que, como eu e você, decidiram lutar contra a sua mais desumana destruição.     Lúcia Helena Issa é jornalista e colunista do Monitor do Oriente Médio (MEMO)

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Construir Resistência: 700 mil visualizações contra o autoritarismo e o fascismo

Por Simão Zygband – editor do Construir Resistência O site Construir Resistência, que atingiu esta significativa marca produzindo e reproduzindo notícias e análises que a grande mídia privada oculta e omite, só tem a agradecer a todos os jornalistas, produtores de conteúdo, colaboradores, apoiadores, incentivadores pelo êxito do projeto. Já são 462 dias (desde 8 de março de 2021) travando o bom combate contra o autoritarismo e o fascismo, levando informação de qualidade para mais de 1,5 mil pessoas por dia. Só temos a agradecer. Continuem divulgando o Construir Resistência. Ajudem a manter financeiramente o Construir Resistência fazendo um pix de qualquer quantia para o número 11 997268051 em nome de Simão Félix Zygband. Vamos à luta. Vamos vencer com Lula Presidente!

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