Construir Resistência

21 de maio de 2022

Peça “Sapathos” discute violência, preconceito, transfobia e racismo estrutural

A peça “Sapathos”, da cia os Zzzlots, estreada em março de 2020, na Sala Hilda Hilst, Unidade Roosevelt da SP Escola de Teatro, e com temporada interrompida, em razão da Covid-19, volta agora pra completar as apresentações. Em dezoito cenas curtas, o espetáculo discute violência, preconceito, transfobia e racismo estrutural. Feito de recortes de jornal, as notícias são disparadas em ritmo frenético, incluindo no enredo fatos históricos que causam vertigem. O formato remete às “palestras-performances”.  A trupe  Os Zzzlots se formou em 2010, e explora as diversas linguagens teatrais, privilegiando erros e equívocos, como ingredientes fundamentais do gesto criativo. O coletivo se situa na zona de borda entre o campo das artes e a letra de Freud. Buscando a poesia oculta, nos tristes dias que correm, as irrelevâncias são tomadas pelo grupo como bússola.  Além de temporadas com espetáculos de seu repertório, outros eventos da Cia Zzzlots são participações em festivais de teatro, leituras dramáticas – e cursos, palestras, conferências e debates em instituições e escolas de teatro de São Paulo (entre outros espaços, estivemos no SESC, na SP Escola de Teatro, no MAM, na Casa do Saber…). Ficha técnica Texto: Sergio Zlotnic  Direção: Gabi Costa, Ricardo Koch Mancini, Sergio Zlotnic e Paula Barros Diva Assistência de Direção: Tom Vieira e Day Willain   Elenco: David Wendefilm, Day Willain, Fernando Falci, Flávio Borzi, Gabi Costa, Luciano Falcão, Mah Martins, Ricardo Koch Mancini, Sergio Zlotnic, Tom Vieira e Xexéu Aguiar SERVIÇO SAPATHOS – Para maiores de 12 anos. Sextas e sábados às 20 hs  De 20 de maio até 25 de junho de 2022. Duração: 70 minutos SP Escola de Teatro – Térreo – Praça Roosevelt, 210 – Sala Alberto Guzik – Centro – SP – tel 11 – 37758600 – São Paulo Ingressos R$ 40,00 inteira e R$ 20,00 meia.

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Ciro Gomes como ícone de arrogância e baixeza moral

  Ciro Gomes é um seguidor ruim de Protágoras, o sofista. O grego sentenciou: “o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.   Na visão do homem de Pinda, “Ciro é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.   Parece, pois ter-se educado no tratado de erística de Schopenhauer, aquele adorado por Olavo de Carvalho, cujo objetivo é fornecer meios para se “ganhar qualquer discussão, mesmo sem ter razão”.   O ex-militante do PDS, partido que sucedeu a Arena, partido da Ditadura Militar, mostrou seus explosivos dons de argumentação belicosa no encontro virtual com o humorista Gregorio Duvivier.   Primeiramente, vale destacar que não se promoveu um debate de verdade, mas uma espécie de second react ou um monólogo com coadjuvante.   Ciro monopolizou a palavra e interrompeu o convidado sempre que este tentava concluir um raciocínio. Esse tipo de interdição do discurso alheio é típico das personalidades autoritárias, que procuram calar no vozeirão inflamado o interlocutor divergente.   Como sempre, Ciro mistura dados, confunde informações e as deforma até que caibam em seus conceitos pré-estabelecidos e nos padrões da autopropaganda. Foi o que fez para sustentar sua tese de que Bolsonaro teve 70% dos votos na eleição de 2018.   Advertido sobre a incorreção, adulterou o enunciado, restringindo sua observação ao Rio de Janeiro. Afinal, Ciro nunca pode admitir o erro.   O candidato do PDT afirmou ainda que a votação expressiva de Bolsonaro se devia exclusivamente à rejeição ao PT e a Lula. Esqueceu-se de mencionar a imensa aprovação do ex-presidente ao fim do segundo mandato e o sucesso de suas políticas de desenvolvimento econômico e inclusão social. Ciro atribui, desonestamente, a Lula a degradação resultante do movimento do golpe, iniciado ainda em 2014.   Sem qualquer registro das falas do adversário, Ciro acusou Duvivier de ser racista, com base nas críticas deste às ideias e práticas do Cabo Daciolo.   Trata-se obviamente de um crime de Ciro Gomes, ao praticar calúnia, conforme estabelece o artigo 138 do Código Penal, que renderia, no regime de normalidade jurídica, multa e pena de detenção de seis meses a dois anos.   O mesmo vale para os graves insultos de Ciro Gomes a Lula, que chamou de “ignorante” e “corrupto”, fazendo coro com as piores turbas do bolsonarismo fascista. O gritalhão insiste da tese, compartilhada pelo capitão, de que o metalúrgico não é inocente, mesmo com a extinção dos processos viciados constituídos por Dallagnol e Moro.   Mitômano, Ciro Gomes, arrogou-se o salvador do Plano Real, o único a ter um projeto para o país e o derradeiro brasileiro vivo com condições morais de exercer a presidência.   O candidato que foi curtir luxos europeus, no segundo turno do pleito de 2018, berra agora que vai vencer a eleição e crucifica seu inimigo “baixinho”, como representante de uma suposta esquerda caviar que nada sabe do povo brasileiro.   Se fosse realmente honesto, Ciro reconheceria os avanços obtidos na Era Lula, como o aumento real do salário mínimo, o aquecimento da economia, a expansão das universidades, o aumento da capacidade de produção de energia, a erradicação da fome e o fortalecimento do SUS.   Prefere, no entanto, desconsiderar a realidade e exaltar suas supostas façanhas, como os 116 dias tumultuados no Ministério da Fazenda que ele valoriza como quatro anos de incríveis proezas, em ufanismo constrangedor.   O que resta do debate é a certeza de que Ciro Gomes não tem estrutura moral e emocional para reger o país, especialmente pelo hábito deletério de moldar os fatos a seus propósitos e à satisfação de sua alucinação narcísica.   O que se pode elogiar do encontro é a paciência estoica de Gregório Duvivier, que, como muitos de nós, viu do outro lado apenas uma pessoa “desagradável”. Que o humorista tenha recuperado a paz de espírito ao colocar a filha para dormir.

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Na estrada com Lucélia Santos, querida aniversariante

  Ocorreu há 36 anos. Varamos dia e noite na estrada, eu e meus irmãos de vida Humberto Scavinsky e Juraci de Souza. O objetivo era cerrar fileiras com o povo ocupante da Fazenda Annoni, em Sarandi, no interior do Rio Grande do Sul.   O que acontecia ali era, na prática, a organização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, hoje o mais importante coletivo popular de nosso país.   Vale contar um tantinho… Depois da estruturação do famoso acampamento da Encruzilhada Natalino, obra constituída com forte apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da igreja católica, decidiu-se pela ocupação de terras ociosas da região.   E tudo começa na madrugada de 29 de Outubro de 1985, quando agricultores de 33 cidades do Alto Uruguai e Missões, em mais de 150 ônibus e caminhões, começam a se aglutinar nas beiradas da RS 324, entre Passo Fundo e Ronda Alta.   O passo seguinte é ocupar a fazenda Annoni, desapropriada em 1972, largada ao tempo, no aguardo de um arranjo burocrático entre o executivo e o judiciário. Eram 9 mil hectares improdutivos e sete mil bocas famintas, com braços dispostos ao trabalho duro.   Ali, começou a saga. No ano seguinte, em Outubro de 1986, teve início o assentamento provisório. Logo, a polícia cercou a área, ameaçando desalojar as famílias. Muita gente foi para lá, tributar apoio aos trabalhadores, entre eles, o companheiro Jair Meneguelli.   Pois, também participamos! Era manhãzinha enevoada e fria. No bosque, diante da fogueira, tomamos café e chimarrão com aquela gente boa de resenha. O pão com manteiga forrou o estômago.   Mais tarde, naquele dia, haveria um ato religioso ecumênico, com procissão pela terra em processo de plantio. O líder local, no entanto, Josino Rodrigues, havia sido preso. Soubemos que, na cadeia da cidade, sofria tremendamente com a gastrite.   Quem soube disso também foi a dupla Lucélia Santos e Paulo Betti, que acabara de chegar ao assentamento.   Bem, vale dizer que Lucélia é de Santo André, no ABC paulista, nascida em 20 de maio de 1957 (agora com 65 anos), filha do operário Maurílio Simões dos Santos. Adquiriu, desde cedo, consciência política e social.   Na época, eu era repórter de Veja, embora estivesse lá como militante. Contei ao Paulo e a Lucélia o que se passava. Ela surtou, um surto do bem. “Não, de jeito nenhum, isso não pode ficar assim”, sentenciou. “Vamos para lá agora mesmo”.   Ela seguiu numa caminhonete que logo levantou poeira no estradão. Segui atrás, numa Kombi, com o Paulo. No centro de Sarandi, ela comprou vários litros de leite para o líder adoentado.   Dei carteirada de jornalista, mas o delegado não quis falar comigo. Por uma janelinha lateral, então, ouvi o escrivão adverti-lo: “Doutor, e agora o que fazemos, pois está vindo aí a Sinhá Moça?”   Eu ri. Era a personagem que Lucélia interpretava numa novela da Rede Globo de Televisão. A autoridade, então, definiu: “não entra mais ninguém, porque isso aqui não é bagunça; só vai entrar a Sinhá Moça”.   Ela foi para a cela e tentou consolar e animar o companheiro detido. Nisso, soubemos que a procissão ia ter início. Retornamos ao assentamento. Nossa companheira atriz permaneceu na cidade, articulando-se com advogados, fazendo ligações para promotores, juízes e gente da imprensa.   Lembro que seguíamos em oração por um campo inclinado, e o vento da tarde, ondeava o trigo, conferindo-lhe o desenho cinético das ondas marinhas. De repente, um estrondo, um buzinaço. Do lugar onde o sol começava a se deitar, um caminhão despontou, trazendo Lucélia e o líder, agora liberto, pronto a participar da cerimônia.   Foi das cenas mais belas da vida. E, não raro, entrego-me ao pranto lembrando desses momentos. Em minutos, todos se juntaram na procissão, canto pungente e uníssono. Era possível sentir a energia no ar, a força da comunhão, o perfume doce da esperança.   Aquele dia terminou assim, com vitória. No dia seguinte, nos despedimos do povo. Acenamos para Marli, Josino e Rose, entre outros. Ficaram para trás, a fim de fazer história.   No ano seguinte, em um protesto próximo da BR-326, na mesma Sarandi, um caminhão guiado por um fascista projetou-se contra os sem terra, que faziam uma manifestação pela reforma agrária.   Resultado: 14 agricultores feridos e três mortos. Tombaram Lari, de 23 anos; Vitalino, de 32; e a brava Rose, na época com 33 anos e mãe de três filhos.   A companheira deixou um bebê de um ano e meio, Marcos Tiaraju, cujo nome era homenagem ao líder indígena resistente das Missões.   O menino foi bem criado. Aos 19 anos, foi estudar Medicina. Onde? Em Cuba! Formou-se em 2012, ano em que foi aprovado no Revalida. No ano seguinte, apresentou-se ao MST para atuar no atendimento aos sem terra. Depois, tornou-se também supervisor acadêmico do programa Mais Médicos.   Lucélia Santos seguiu fazendo sucesso, literalmente mudando o mundo, viajando para espalhar a palavra de solidariedade, amorosidade e justiça social. Ainda viveríamos experiência semelhante em outro episódio, aquele de Xapuri, no Acre, terra de Chico Mendes. Mas a narrativa deste “causo” fica para outro artigo.

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Sonia Castro Lopes

Regulamentação do ensino domiciliar: até quando vamos suportar tanto retrocesso?

EDUCAÇÃO Por Sonia Castro Lopes O ensino domiciliar que, de forma pedante, vem sendo denominado homeschooling, tem sido uma das pautas prioritárias do atual governo. De acordo com esse modelo de ensino, crianças e jovens recebem aulas em suas casas com o apoio de adultos que assumem a responsabilidade pela aprendizagem. Em geral, são os próprios familiares ou um grupo de pais/responsáveis que se organizam e dividem entre si o ensino dos diversos componentes curriculares. Há ainda a possibilidade de contratação de professores particulares. Os defensores do ensino domiciliar argumentam que estão em jogo questões religiosas, princípios e valores familiares que devem ser preservados, insatisfação com o ambiente da escola por ser um local de violência e bullyng, além da convicção de que esse modelo contribuirá para aumentar a qualidade de ensino dispensado aos seus filhos. Até então não havia legislação específica sobre o assunto. Na verdade, não há proibição, pois de acordo com a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases, a educação é “dever do Estado e da família.” Por outro lado, essa mesma lei prevê que a educação dos filhos é dever dos pais ou responsáveis, cuja obrigação é “efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos quatro anos de idade.” E se não há legislação específica, é possível recorrer à justiça e obter autorização para educar em casa.  Em setembro de 2018, o STF decidiu que a educação domiciliar só deveria ser admitida quando houvesse legislação que regulamentasse o assunto. Na última quarta feira (19) a Câmara de Deputados regulamentou o ensino domiciliar por meio de um acordo entre os interesses de deputados bolsonaristas que defendiam total ausência de regras para a realização dessa modalidade de ensino e propostas de parlamentares do Centrão.  Representante da ala radical,  o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-PR) argumentou que professores formados apenas em cursos de ensino médio são uma realidade no país, portanto bastava aos  professores domiciliares esse nível de instrução. Sob a batuta do líder do governo, Ricardo Barros(PP-PR), acabou prevalecendo a proposta da relatora Luisa Canziani (PSD-PR) que prevê a necessidade das crianças estarem matriculadas em escolas que controlariam sua frequência e rendimento por meio de encontros e avaliações semestrais. O que, então, ficou decidido?  Pais que tenham ensino superior ou educação profissional tecnológica podem educar os filhos em casa, desde que nunca tenham sido condenados por crimes de violência contra a mulher, tráfico de drogas e todos aqueles previstos no ECA (estatuto da Criança e do Adolescente). O currículo a ser desenvolvido deve ser baseado na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) vigente e trimestralmente devem ser enviados à escola relatórios das atividades pedagógicas realizadas. Quem for reprovado duas vezes consecutivas ou três vezes não consecutivas nas avaliações realizadas pelas escolas deve retornar ao ensino regular. O texto vai para o Senado e, se aprovado, deverá entrar em vigor em regime de urgência. Nós, professores, repudiamos este projeto que vem recebendo diversas críticas  Em primeiro lugar, teriam os pais ou responsáveis habilitação/qualificação adequada para ensinar? Terão eles conhecimento pedagógico suficiente para educar as crianças segundo a pauta da BNCC que lhes servirá de apoio? A prática dessa modalidade, de fato, melhorará a qualidade do ensino? Tudo muito incerto e subjetivo. Além disso, e esse me parece o argumento mais forte, é fato que a escola constitui um espaço de socialização onde os estudantes devem conviver com grupos diversos em constante diálogo, além de ali aprenderem habilidades e competências que em casa não podem ser desenvolvidas como, por exemplo, trabalhar em equipe ou desenvolver uma boa comunicação oral. E mais,  apenas as famílias com alto poder aquisitivo poderiam optar pela educação domiciliar, já que ela pressupõe disponibilidade dos responsáveis para orientar os estudos ou a contratação de professores para ministrar os conteúdos curriculares. Isso sem mencionar os possíveis abusos sofridos por crianças que, em sua maioria, são cometidos por membros da própria família ou por pessoas que frequentam sua residência. Uma das mais graves consequências da pandemia para o cenário educacional foi justamente a exposição da terrível desigualdade a qual estão submetidas nossas crianças e jovens. Aulas domiciliares, remotas ou híbridas ministradas por boas escolas privadas para as camadas abastadas. E para os alunos pobres, os usuários de escolas públicas? Por possuírem dificuldades em acompanhar as aulas remotas e por total falta de acesso aos meios digitais ficaram em casa, muitas vezes sozinhos, porque os responsáveis precisam sair para trabalhar, ou na rua expondo-se à violência e à contaminação. Estamos de volta a um passado elitista e escravocrata quando os filhos da aristocracia dispunham de preceptores para lhes ministrar tanto o ensino das primeiras letras quanto o conteúdo das cadeiras necessárias à preparação para o prosseguimento de estudos em bons colégios e nas poucas universidades do país, onde invariavelmente formavam-se médicos ou advogados. Aos pobres e remediados restava o ensino público, carente de escolas e professores para acolher a população em idade escolar. Não por acaso chegamos a meados do século passado com um índice de analfabetismo que beirava 50% e até hoje, sete décadas depois, ainda não foi zerado. Ou seja, todas as iniciativas e propostas desse governo no campo educacional visam à exclusão e à perpetuação das desigualdades. Impossível pensar nos dias de hoje, diante de uma sociedade multifacetada, numa educação que não contemple diferenças, que não acolha, que não combata preconceitos e práticas autoritárias. Que valores queremos passar aos nossos jovens? Que cidadãos queremos formar? Vivemos hoje, na educação, um retrocesso  estarrecedor.

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As homenagens ao gigante Alexandre Teixeira

Com imensa tristeza a CUT-Rio recebeu a notícia do falecimento de um dos mais ativos militantes do Rio de Janeiro, Alexandre da Costa Teixeira, líder do movimento Lula Gigante, petista combativo e incansável, faleceu na noite desta sexta-feira (20). Alexandre Teixeira participava do Encontro Nacional de Comunicação, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP), promovido pela Central de Mídia das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em que a CUT-Rio também estava presente. O Lula Gigante foi criado a partir do movimento #LulaLivre, quando o ex-presidente ficou preso injustamente em Curitiba. Alexandre fez da imagem do Lula inflável um marco gigante para denunciar o golpe contra a democracia. Sua presença nas manifestações nas ruas do Rio desde 2018 se tornou um símbolo de força para todos que não desistiram de lutar pela liberdade de Lula e por um país mais justo. Perspicaz e dono de uma irreverência ímpar, Alexandre se destacava pela alegria e vontade de fazer o Brasil ser feliz de novo. A CUT-Rio manifesta profundos sentimentos à família do companheiro Alexandre Teixeira, especialmente à companheira Marta e aos seus filhos Magno e Adônis. Nós seguiremos sua luta por aqui. Alexandre Teixeira, presente!      

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Os interesses que querem impedir Lula de virar presidente

Por Simão Zygband   Estive ontem com um grande amigo jornalista. Um sujeito que atua muito na área do jornalismo investigativo. É daqueles que acredita que a profissão é um sacerdócio e que não importa o risco de buscar informações. É um exímio pesquisador de dados de internet, de vídeos, de tudo aquilo que trafega pelas redes sociais. Não sei se não está um tanto paranoico, como muitos de nós estão, mas o que seria do mundo se não fossem estes tipos obstinados, que descobrem que de fato existem pelos em ovos? Evidente que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado com setores de centro, é o franco favorito para vencer as eleições de 2 de outubro. É uma referência de bom governo, que promoveu o crescimento econômico do país e de fato melhorou a vida do povo. Ricos e pobres ganharam dinheiro com Lula na presidência e milhões de brasileiros saíram da miséria, através de implantação de programas sociais. Bem diferente do desastre completo que se assiste hoje. O elemento que atualmente ocupa ilegalmente a cadeira presidencial sabe que não vai ganhar as eleições. Em condições normais de pressão e temperatura, não existem possibilidades políticas e econômicas que o façam  reverter os milhões de votos que o seu adversário têm na frente. É uma vantagem robusta, que se mantêm há meses em um patamar elevado, acima dos 40%, com chances inclusive de vitória no primeiro turno. Para desgosto do elemento que se diz atualmente presidente da Repúblicas, Lula está feliz, recém-casado com uma pulsante companheira, tem apoio de praticamente toda a classe artística e não há um único show sequer que a plateia não vá ao delírio com o “Fora Bolsonaro” ou “Bolsonaro vai tomar no **”. A felicidade é tudo que estas pessoas de alma nazifascista mais detestam. É o segredo da longevidade, dizem os orientais. Como não conseguem ser feliz, os invejosos conservadores planejam a infelicidade alheia. É fundamento da psicanálise, teoria da psicologia de massas. Lula, enfim é uma festa. Demonstra a alegria de estar novamente em liberdade, após passar 580 dias em constrangedora prisão ilegal. E este sentimento contagia a campanha do ex-presidente, que é o mais importante para qualquer vitória. Tudo seria muito bom se não existisse o lado de lá com a característica pouco palatável de pessoas que não prezam a democracia, que fazem todo e qualquer movimento para manter seus interesses mesquinhos, mesmo que para isso seja necessário novamente jogar milhões de brasileiros novamente na miséria, o que de fato já está acontecendo. As pesquisas do meu amigo jornalista (voltando a ele) mostram que a extrema direita não aceitará tão fácil a vitória de Lula. Há muitos interesses envolvidos para a manutenção de atual (sic) presidente no poder. O capitão reformado une em torno de si uma amálgama do mal que não apenas ele conseguiu construir (até por que não tem capacidade intelectual para isso), mas recebe importantes reforços internacionais que não querem ver Lula na presidência. E não medirão esforços para isso. Não é a toa que o todo poderoso Elon Musk, o homem mais rico do mundo, esteve no Brasil para fechar acordos para atuar na Amazônia. Lógico que ele tem interesse nos minérios existentes naquela região, sobretudo em reservas indígenas. Justamente ele cuja família enriqueceu explorando jazidas de diamantes em pleno Apartheid, na África do Sul. Um homem, portanto, de formação (deformação?) escravocrata. Está pouco se lixando se para tomar os minérios no Brasil seja necessário dizimar os indígenas. Isso é só a ponta do iceberg. O atual presidente pretende sim melar as eleições caso não saia vitorioso. Mas, antes disso, utilizará todos os meios possíveis e imagináveis para inviabilizar Lula. Há muito dinheiro interno e externo para regar a campanha do atual elemento que desgoverna o país. São milhões de dólares e reais oriundos dos interesses mais diversos, como os que almejam os minerais da Amazônia, o petróleo brasileiro, a venda de armas no Brasil (indústria bélica), poderosos grupos nazifascistas mundiais, milícias organizadas, o narcotráfico, empresários que lucraram com a quebra da economia nacional, militares que nunca ganharam tanto dinheiro  e que ocupam cargos na máquina de governo regiamente remunerados, entre outros tantos grupos. É tudo isso que a felicidade de Lula e seus milhões de admiradores e eleitores enfrentarão em outubro. É necessário mais do que impor-lhes uma robusta derrota nas urnas, mas se preparar, de fato, para defender o Brasil.                

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Do outro lado das montanhas, dos quintais, dos trilhos e…

Por Miriam Waidenfeld Chaves A Mantiqueira era mágica. Seu paredão verde, ao impedir  que eu enxergasse a paisagem que existia atrás da serra, me excitava. Mirava ansiosa para suas montanhas, mas, infelizmente, meu olhar não conseguia  ultrapassar aquelas alturas incomensuráveis. Rápida, do banco traseiro do carro de meu pai, tentava uma última vez.  Voltava a cabeça para que antes da próxima curva, ainda pudesse vislumbrar, de outro ângulo, o lugar que há poucos instantes  não conseguira captar. Tarefa inglória. Inventava, então, lugares imaginados. Uma casa perdida, um curral e um cachorro latindo.  Quem sabe, alguma alma solitária fritando uma linguiça. Buscava até por alguma fumaça no céu. Depois, concluía que por aqueles rincões só poderiam existir árvores, campos  em declives e rios tortuosos. Passei, assim, a caçar o outro lado. Dos quintais. Das janelas. Dos trilhos e rios. Enfim, para minha alma infantil, imaginar os lugares que eu não conseguia avistar, entrar ou atravessar, se transformou na  minha brincadeira favorita. Na casa de meu avô Alberto, por exemplo, sonhava em escalar o muro alto do quintal para saber de onde vinham as pereiras e os abacateiros, cujos galhos  insistiam em acenar para mim. Convidavam-me para uma estripulia. Mas, a minha miudeza, a falta  de uma escada gigante e a vigilância de minha avó me impediram. Assim, pisei naquele terreno apenas em minha imaginação. Era carregado de árvores, sombrio e frio. Sem o sol do lado de cá, que insistentemente batia sobre os dois pés de café e as inúmeras flores que coloriam o jardim, regado toda santa manhã por minha tia. Era lindo, mas fácil de ser desbravado! Quando minha avó não estava na cozinha dando suas instruções para Helena, me levava até a estação de trem. Moradora do Rio de Janeiro, nos meus oito anos arregalava os olhos para ver  aquela máquina  chegar devagarzinho, apitando e  soltando fumaça. Maria da Fé, Itajubá Velho, Piranguinho,  povoados minúsculos que nunca conheci. Apenas na minha fantasia. Quando o trem partia, de soslaio eu olhava para além dos trilhos para admirar a Boa Vista. Eu morava no Morro Chic. Sempre quis atravessar aqueles trilhos. Saber como vivia aquela gente que habitava o outro lado da estação. Nos domingos, quando minha mãe e tias perdiam a missa das 10:00 horas, na Matriz, atravessávamos aqueles trilhos apressadas para ir à Igreja de São José do Operário. No caminho, olhava para as casinhas, sem alpendre, janelas na calçada. Para minha tristeza, ainda fechadas, naquele dia de descanso. Idealizava, então, chãos vermelhos, tetos com telhas aparentes, colchas de crochê e fogões a lenha. Na missa, encontrava seus moradores. Inventava  suas vidas,  enquanto o padre rezava em latim. Lá  na casa de minha outra avó, a brincadeira era diferente. Corria para o quintal. Primeiro, me dirigia a uma Nossa Senhora em uma pequena gruta, rezava uma Ave Maria e zarpava para o galinheiro. Depois, chegava ao  quintal, nos fundos. Corria por entre mangueiras, jabuticabeiras, pereiras e goiabeiras. Enquanto descansava sob a parreira, sondava as árvores possíveis de serem escaladas. Buscava pela árvore melhor posicionada para bisbilhotar o quintal do vizinho: sombrio, cheio de árvores e folhas secas no chão. Quase abandonado. Um dia pulei a cerca para caminhar por aquele paraíso perdido. O latido do cachorro me fez retornar às pressas. Só me restou subir na goiabeira, bem ali na fronteira,  escolher o melhor galho para me aboletar e, de lá, poder sonhar com aquela terra perdida. Na roça, tinha a Mantiqueira me engolindo com suas araucárias centenárias. Andar a cavalo ou a pé pelas picadas tortuosas, frente a morros e estradinhas coalhadas de curvas, era uma festa. Meus olhos se adiantavam e  vislumbravam a paisagem que estaria por vir logo ali depois da próxima curva. Assim, continuava por horas. Quando chegava à beira do rio, sua correnteza impedia a minha travessia para o outro lado. Perigosa,  aquela terra de ninguém, na outra margem, era coberta por copas de árvores gigantescas. Era ameaçadora e impenetrável.  Cheia de porcos do mato, cobras e anus gigantes. Sempre mais mágica do que o lado de cá. Resignada, meus olhos voavam para o outro lado e eu imaginava. Cresci, mas não me emendei. Continuo atrás de uma curva, uma janela aberta. Um rio, um trilho, uma montanha para atravessar.   Miriam W. Chaves é contista e professora da UFRJ.  

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