O fator mundo cão

Por Simão Zygband   A entrada do apresentador José Luiz Datena na disputa por uma vaga ao Senado em São Paulo deve ser analisada com carinho pelos estrategistas da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e certamente terá algum efeito durante o horário eleitoral de rádio, TV e internet. Na minha modesta opinião, é necessário construir imediatamente a estratégia da Frente Ampla de Oposição para indicar a vacina, o antídoto para fazer frente ao fator Datena. Se fosse eu o estrategista, mostraria ao staff de campanha que o mais viável é já deflagrar a campanha ao Senado e é Márcio França (não se descartando a possíbilidade de ser também o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad) o candidato. Enfim, já passou da hora de ter esta definição. Se forem seguidas as regras que estipularam previamente, que quem estivesse pior situado nas pesquisas renunciaria em favor do outro, o ex-governador de São Paulo, Márcio França deveria ser o candidato da Frente ao Senado pelo estado. Mas, é necessário se debruçar sobre os números e fazer um acordo político. Se o quadro se mantiver como está, Haddad deve ser ele o candidato a Governador. Claro que qualquer um dos dois têm cacife para disputar os dois cargos, com  chances de vitória. E caso derrotados, poderão compor um eventual futuro ministério do governo Lula. Mas nenhum dos dois perderá, na minha avaliação, pois Bolsonaro afundará qualquer candidatura. Datena, sabe-se lá por quais razões, se bandeou para o lado de Bolsonaro (não se sabe, mas se imagina). Ele é um apresentador que foi, com o passar do tempo, contaminado pelo mundo cão que levou ao ar por anos, defendendo o ódio, o massacre de pobres que, muitas vezes por desespero, preferiram seguir no péssimo caminho do crime, uma opção equivocada e que, em geral, leva à morte. Este exercício diário de trazer tragédias para as telas das famílias brasileiras, de propagar o discurso de ódio, não só ajudou a deformar a alma do povo brasileiro (em essência, pacato e solidário) mas também do próprio jornalista. Tenho um grande amigo que trabalhou por muito anos com o Datena na TV. Conviveu com o apresentador ainda na época em que ele era “humano” e “amigo”. Mas, com o passar do tempo, ele mesmo acompanhou a transformação do apresentador em um sujeito intolerante, que prega a pena de morte. Um homem que já votou anteriormente no Lula e agora, para marcar o fim do poço em que ele chegou, se alia ao pior presidente que o Brasil já teve, um ser insensível, responsável pelo massacre do povo mais humilde, seja pela falta de vacina durante a pandemia (que matou mais de 660 mil brasileiros), seja por construir um país de desempregados e famélicos. O José Luiz Datena se torna, assim, a arma do desespero do bolsonarismo no principal colégio eleitoral do país. Por fazer um governo catastrófico, Bolsonaro precisava de algo para tentar reverter a intenção de votos em São Paulo e, com certeza, este será o fator Datena. Lula terá o rude apresentador quase todos os dias contra si no horário eleitoral, assim como nas redes sociais. É um discurso que tem eco junto ao eleitorado menos escolarizado, de classe baixa e média baixa. É necessário construir logo a vacina eleitoral. Passou da hora da Frente Ampla de Oposição formatar seu candidato. Aquele que fará frente ao Datena e que deverá deixar ele de fora do Senado, onde não deverá levar seu discurso de ódio  contra o eventual governo Lula.  

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