Construir Resistência

13 de maio de 2022

Ele tentará o golpe

Por Fernando Castilho É difícil tentar não ser mais do mesmo, mas é inevitável que, devido aos movimentos dados nos últimos meses pelo presidente Jair Bolsonaro, os militares mais próximos a ele e parlamentares que lhe dão sustentação, que tenhamos certeza de que o golpe será tentado, embora não signifique que terá êxito. Provavelmente não terá. O capitão é um homem despreparado e totalmente incapaz de planejar qualquer coisa, sobretudo uma ruptura institucional dessa envergadura. Não basta querer romper com o processo eleitoral, é preciso estruturar o antes, o durante e o depois. No último 7 de setembro, Bolsonaro, guiado somente por seu ímpeto, sem nenhum planejamento, tentou o golpe, mas teve que refugar porque o apoio com o qual ele contava não veio. Foi preciso se humilhar diante do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ou seja, não planejou o antes e o durante. Imaginem planejar o depois. Imaginem ter que segurar as pontas da inflação e do preço da gasolina. Imaginem governar após um golpe sem apoio da população, da imprensa e da elite econômica e financeira que verá os investimentos no Brasil serem cortados. Nem os EUA apoiam o golpe. Mas os meses passaram e as eleições se aproximam cada vez mais. E com elas, as manifestações insanas do capitão sugerindo a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas e deixando claro que não aceitará nenhum outro resultado que não sua vitória. Ao mesmo tempo, o atual ministro da defesa põe as manguinhas pra fora ao exigir ser o representante das FFAA na Comissão de Transparência das Eleições, atribuição que constitucionalmente não compete à instituição. O ministro do TSE, Edson Fachin reagiu rejeitando novas sugestões dos militares ao processo eleitoral, embora seja o grande responsável por essa barafunda ao incluir a caserna entre aqueles que poderiam contribuir para o aperfeiçoamento das urnas. Ora, se há 100% de segurança, se há a possibilidade de auditoria dos votos e se o hackeamento é impossível, por que pedir às FFAA uma verificação do sistema? Já faz 6 meses que Lula e Bolsonaro mantém praticamente os mesmos índices nas pesquisas e o mesmo distanciamento. O único fato novo significativo e com algum poder de alterar esse estado de coisas é o evento de lançamento da pré-candidatura Lula/Alckmin ocorrido no sábado com sucesso tão grande que pode dar a Lula mais alguns pontinhos. Bolsonaro é burro, mas não tanto a ponto de insistir em ficar mais 4 anos no poder pelo voto. Vai perder e até o general Heleno sabe disso. O capitão não quer dar um golpe, somente. Ele precisa dar um golpe para continuar no poder e não ser preso. Quase todos os ministros já deixaram o governo para tentar um cargo legislativo porque sabem que podem ser presos em caso de derrota do capitão, mas todo aquele pessoal que ainda está com ele vai embarcar na aventura. Resta saber se ele terá forças para a tentativa. O 7 de setembro deve ter servido de lição. Muito possivelmente já haja um bom contingente de milicos a apoiá-lo, mas ainda não deve ser a maioria dos quartéis. E é isso que pode causar um confronto extremamente perigoso. Será que Bolsonaro planejou o depois? Vai fechar o STF e o Congresso? Como lidar com a resistência que deverá vir? Quais seriam as consequências do ato impensado? Mais um monte de mortes? Diante dessa grande ameaça, vamos fazer como muita gente fez antes do golpe contra Dilma Rousseff? Vamos duvidar e confiar nas instituições e no Estado de Direito? É preciso que os partidos que se uniram à chapa Lula/Alckmin, os sindicatos, os movimentos sociais e a sociedade civil fortaleça o apoio ao TSE e ao STF, hoje as primeiras trincheiras da resistência contra a ameaça de ditadura que está se desenhando. É também imprescindível uma conversa e uma costura com setores das FFAA que não fecham com Bolsonaro para tentar neutralizar qualquer movimento mais arrojado da ala golpista. Interlocutores há para isso, como o ex-ministro da Defesa durante os governos Lula e Dilma, Nelson Jobim, o ex-ministro da Defesa durante o governo Dilma, Aldo Rebelo e o ex-ministro da Defesa durante o governo Temer, Raul Jungmann. Todos eles têm bom trânsito entre os militares. É preciso que as forças que defendem a democracia não esperem, mas que se antecipem. Em tempo: nossa grande imprensa, que depende da democracia para manter a liberdade de expressão, imprescidível aos jornais, embora certamente não apoie o golpe, parece não ter compreendido ainda a ameaça que está por vir. Faz ares de quem quer ostentar uma neutralidade político-partidária que só favorece sua futura destruição. Se a ficha não cair logo, será apontada no futuro como cúmplice de mais um período sobrio e cruel de nossa história. Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo Fernando Castilho é arquiteto e professor.  Criador do Blog Análise e Opinião.

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Cinemateca Brasileira renasce com Zé do Caixão

Por Arthur Bandeira O paradoxo do título leva a reflexão sobre o estranho momento em que vive o cinema nacional. Ele foi destacado nesse desgoverno como o grande inimigo nacional. Inimigo rico porque existe uma grande verba represada na ANCINE e nestes 4 anos de nenhum filme foi produzido. Agora, no apagar das luzes, estão querendo produzir filmes que valorizem o porte de armas! A mostra que reabre as atividades da Cinemateca Brasileira chama-se O cinema sem medo de Mojica, curiosamente numa sexta feira 13. A mostra conta com alguns filmes do cineasta como Encarnação do Demônio (94 min), Trilogia de Terror (101 min) O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos) (92min) Exorcismo Negro (100 min) e no primeiro dia será exibido A Última Praga de Mojica (17 min) e A Praga (52 min), filmes feitos a partir do restauro da obra do artista feito pela Cinemateca Brasileira. Estranhamente (como tudo com o Mojica) não será exibido o clássico A Meia-Noite Levarei Sua Alma, o primeiro filme do realizador e onde que surgiu o personagem Zé do Caixão. O personagem que no filme chama Josefel Zatanás, o coveiro e agente funerário de uma pequena cidade num interior, foi apelidado de Zé do Caixão pela população local. Como narra o livro Maldito, de André Barcinski e Ivan Finotti, fundamental e delicioso para quem gosta do cinema brasileiro, o papel principal do roteiro era para ser vivido por outro ator e ele chamou alunos de um curso de interpretação. Foram mais de seis horas de testes, um por um, os alunos desfilaram na frente de Mojica. Eles gritavam, rogavam pragas, faziam caretas pavorosas e invocavam as forças do mal, mas nenhum foi capaz de interpretar um vilão convincente, – Esse Zé do Caixao de vocês não assusta nem barata, reclamou Mojica e profetizou – Chega de testes! Querem saber de uma coisa. Eu mesmo vou fazer o papel! E assim nasceu este gênio do nosso cinema. No dia 14 as 16 horas acontece uma mesa sobre o cineasta com André Barcinski, Dennison Ramalho e Paulo Sacramento O crítico e cineasta Jairo Ferreira diz: O NATURAL E TÃO FALSO COMO O FALSO, SOMENTE O ARQUI-FALSO E REALMENTE REAL. E continua: Antigamente eu respeitava os cineastas brasileiros simplesmente porque conseguiam fazer seus filmes. Hoje eu reconheço os que fazem o seu cinema. A meia Noite Levarei sua Alma pertence à classe dos filmes especiais: não interessa se é bom ou ruim; o filme e forte! Destaco entre os filmes que irão ser exibidos, O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos) filme lisérgico do cineasta, lisérgico mesmo, o filme que trata da descida aos infernos e/ou paraísos da percepção. A fita (como os cineastas chamavam antigamente o filme) ficou por muitos anos parada na censura e por causa dela eu conheci o José Mojica Marins, curiosamente não na Boca do Lixo do cinema, mas num bar ao lado do Cineclube da GV, cineclube que foi referência para cinéfilos nos anos 70-80. Nesta época, eu estava fazendo um filme com o cineasta e videomaker, Gofredo Telles Neto, que ajudou financeiramente o Zé do Caixao a tirar a cópia final deste polêmico filme.  Sem cópia não tem filme. O Zé era uma figura sorridente e falante com suas aterrorizantes unhas, tomava um rabo de galo, que ele brincava ser sangue, e esbanjava sua inteligência arguta. Gofredo, que era filho de Lygia Fagundes Telles (que nessa reinauguração da Cinemateca recebeu o nome da sala em que se reúne o Conselho da Cinemateca) fez seu primeiro filme de curta metragem, Fogo Fátuo com o Zé do Caixao estrelando e foram grandes amigos. Para terminar uso o texto do inspirado Jairo Ferreira que diz: O personagem do Zé do Caixão está seguramente para José Mojica Marins como Carlitos para Charles Chaplin ou Antônio das Mortes para Glauber Rocha. E não me parece necessário explicar, basta afirmar com todas as letras, Zé do Caixão é tranquilamente o mais fascinante personagem jamais surgido em todo cinema latino americano, a encarnação do experimental em nosso cinema. Viva a Cinemateca Brasileira!!!! Livros de referencia: Maldito de Andre Barcinski e Ivan Finotti Cinema de Invenção de Jairo Ferreira Arthur Bandeira é jornalista, cineasta e produtor de vídeos

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Os faniquitos violentos do ministro Adolfo Salsicha

Por Walter Falceta O que se sabe do novo ministro das Minas e Energia? Que é misógino, preconceituoso, patife, fascista, mentiroso compulsivo e que tem problemas de comportamento, dado a ataques histéricos e violência. Essas fotos aí, por exemplo, o mostram em dezembro de 2014, promovendo baderna enquanto o Congresso votava o projeto de lei que abatia da conta da meta orçamentária as desonerações tributárias e os investimentos no PAC. Seu grupo repetia “Fora PT”, “Vai pra Cuba” e “Fora Dilma”. Em dado momento, começaram a gritar “vagabunda” para a senadora Vanessa Graziotin, do PCdoB do Amazonas, enquanto batiam nas cadeiras. Depois, proferiram outros insultos contra a deputada Jandira Feghali, que chamaram de “puta comunista”. Depois de pedir respeito várias vezes, sem sucesso, Renan Calheiros ordenou a retirada dos fascistas. Adolf Salsicha continuou a berrar insultos, recusou-se a sair e entrou em choque com os seguranças da casa. Nas galerias e nos corredores, protagonizou um espetáculo deprimente. Esse tipo de maluco descompensado agrada o miliciano e os botinudos. É esse sujeito que promete privatizar a Eletrobras e a Petrobras. É esse sujeito que sugere o fim da licença maternidade e que repete sem parar que Hitler era de esquerda e que o PT é um partido semelhante ao nazista. Era para estar preso ou numa camisa de força. Mas virou “autoridade” e se empenha firmemente em arruinar o Brasil. Walter Falceta é jornalista e um dos fundadores do Coletivo Democracia Corintiana (CDC)

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