Construir Resistência

23 de abril de 2022

Bolsonaro desvia o foco das desgraceiras 

  Por Altamiro Borges Utilizando uma técnica aplicada pelos neofascistas no mundo, Jair Bolsonaro faz de tudo para desviar o foco e evitar o debate dos grandes temas nacionais. Na sua tática diversionista, ele provoca e destila ódio. Nos últimos dias, o “capetão” indultou um criminoso condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a atacar as instituições democráticas e o sistema eleitoral e fez insinuações golpistas sobre as Forças Armadas – que “não dão recado e sabem como proceder”. Ele também disparou acusações levianas contra Lula, falou sobre a “ameaça comunista” e abordou a pauta conservadora de costumes. Enquanto isso, as injustiças e contradições se acumulam no Brasil das trevas bolsonarianas. Nesta quinta-feira (21), o jornal Estadão noticiou, sem maior alarde, que “cerca de um terço dos brasileiros teve redução ou perda total de renda” nos últimos seis meses – ou seja, já depois da pior fase da pandemia da Covid-19. A reportagem tem como base uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Entre a população mais pobre, com renda familiar de até um salário mínimo, o quadro é ainda mais dramático. O percentual vai a 47%. Já a Folha desmontou mais uma fake news do presidente, que nunca assume as suas responsabilidades e sempre joga a culpa nos outros pelas desgraceiras no país – ora nos governos estaduais, ora na guerra da Ucrânia ou nas esquerdas e no Lula. Segundo a denúncia, a gasolina no Brasil está entre as mais caras do mundo. O preço do litro está cerca de 15% acima da média praticada em 170 países, segundo levantamento feito pela consultoria internacional Global Petrol Prices. Outra notícia gravíssima foi publicada pelo jornal Valor e traz um estudo da Organização Mundial de Saúde. De acordo com projeção da OMS, o número de mortes por Covid no Brasil pode ser até 50% maior do que o registrado oficialmente. A pesquisa tem como base os óbitos computados em dezembro do ano passado – que bateram em 619 mil. Para o órgão, esse número trágico teria sido de mais de 1,24 milhão de mortes causadas pela doença e pela irresponsabilidade do governo genocida. Mas não há só notícias “ruins” no Brasil de Jair Bolsonaro. A Folha informa, também sem maior alarde, que “4 dos 10 bancos mais rentáveis do mundo são brasileiros”. Na lista aparecem a filial brasileira do espanhol Santander, o Itaú-Unibanco, o Banco do Brasil e o Bradesco. Isto explica porque os abutres financeiros seguem dando apoio ao “capetão”, apesar das tragédias no país. O fascista, com suas técnicas de desvio de atenção, suas ameaças golpistas e seus milicianos das Forças Armadas, ainda é funcional à cloaca burguesa! Altamiro Borges é jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e editor do Blog do Miro

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Como perder um país

Por Cristina Serra – na Folha de S.Paulo Ilustração de Fausto A indulgência cúmplice de Arthur Lira e de Rodrigo Pacheco legitima Bolsonaro contra o STF O perdão de Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), um dia depois da condenação pelo Supremo Tribunal Federal, leva o país ao limiar da anarquia institucional, seja qual for o desfecho de mais essa crise, calculada com o propósito de elevar a tensão entre os poderes, às vésperas da campanha eleitoral. O ato de Bolsonaro, antes mesmo do trânsito em julgado da sentença, afronta os magistrados, o STF, a democracia, a Constituição e o Estado de Direito. Bolsonaro está mostrando a seus comparsas que o crime compensa e que podem contar com a proteção da maior autoridade do Executivo, disposta a esticar a corda e deixar que ela arrebente. Bolsonaro age com método e estratégia para desmoralizar as instituições e incendiar o país. Engana-se quem acha que tudo vai se resolver, como num passe de mágica, com as eleições de outubro. Chegaremos até lá? Já não está claro que a extrema direita tentará um golpe? Só um impeachment poderia evitar a catástrofe no horizonte. Mas essa é uma esperança perdida. A indulgência cúmplice de Arthur Lira e de Rodrigo Pacheco legitima Bolsonaro no enfrentamento com o STF. Discute-se a decisão do presidente do ponto de vista de uma querela jurídica quando se trata, essencialmente, de uma questão política. O procurador-geral da República, Augusto Aras? Foi visto flanando em Paris. Tudo isso acontece num ambiente de degradação democrática do qual não escapa nenhum mecanismo institucional. A Lei Rouanet, destinada a fomentar a cultura, tornou-se instrumento de promoção do armamento da população. Autoridades sentem-se à vontade para zombar de quem foi torturado na ditadura, com declarações cínicas e desavergonhadas. Quando se chega a esse ponto e tudo fica como está é porque a sociedade naturalizou o inaceitável, perdeu a capacidade de se indignar e de cobrar o mínimo de decência das instituições e das autoridades que as representam. E é assim que se perde um país.

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O Tal Elemento 🧲🧲🧲🧲

Por Virgilio Almansur As reações à postura do tal milico engalanado Gomes Mattos, não surpreendem. Tampouco sua disciplina tatibitate, afinada aos princípios teletubbies de péssimo mau gosto. Escreveu há dias, o ex ministro Roberto Amaral, acerca da indigência acompanhada da pusilanimidade que carregam esses nefastos sujeitos que maculam a própria carreira, a militar. Num misto que também carrega indignidade, faz com que a sociedade civil tenha por mister reagir à péssima qualidade desses incompetentes, tornando tal tema inadiável. Seu texto “Indignidade/indigência militar, um tema inadiável”, faz-se acompanhar da própria noção que acólitos dessa turba, ainda consigam provocar — e provar! — naquilo que assistimos durante a CPI da Covid. Qual seria o resumo dessa escumalha muito mais afeita ao esgoto? Incompetência, roubalheira e pusilanimidade! Sustentam-se e ficam em guetos, prontos para o bote das oportunidades de feitio miliciano. Roberto augura e nos remete à régua da História, no que concerne à formação da milicada: “… Era de se esperar — se a lógica fosse a mestra da História — que o ensino e a vida militar (incluindo os cursos no exterior) formassem, na caserna, cidadãos mais ou menos qualificados como os egressos das universidades públicas brasileiras, esta entidade fundamental para nosso desenvolvimento que o atual governo intenta destruir”. Quanto ao específico discursinho vagabundo daquelas 4 ferraduras, Roberto Amaral avançou na intimidade da formação mobralesca que rege a incompetência. “Há algo de podre nesse ensino que recebeu esse oficial ainda quase menino, no colégio militar, para hoje nos entregar um general em conflito com o vernáculo e a História, desafeito ao civismo e aos princípios que regem nossa Constituição.” Ao invés de estrelas, ferraduras… O tosco generaleco é expressão dessa gentalha que ora repete seus auto-esculachos. Mais um pouco teria saído a nini, recém-morto que relinchava mais que seu pangaré. São covardes os julgadores, talvez analfabetos como esse troncho do STM atual, mas que propiciaram herança nefanda, já que o energúmeno — que não teve sua páscoa mutilada —, demonstra o grau de indigência que o peito reluz em tampinhas. São covardes aqueles que se assentam no poder e carregam no coldre aquilo que os diferenciam da sociedade civil — e por isso mesmo namoram a ditadura. Mais covardes os que se locupletam pelo assalto que promovem dando clareza ao espetáculo que assistimos na conjunção empresarial-civil que se mantém noutra perspectiva, também disruptiva. O balbucio desse recém-alfabetizando é tão desconexo que beira a estupidez! Roberto alude ao estilo tosco de um general no topo da carreira — “retirado da reserva para as benesses da magistratura militar” — para pensarmos quê formação é dada a essa gente… Impõem-se pensar que deva, o nobre milico, ser “muito apreciado pelos colegas”… O artigo de R. Amaral passeia pelas escaramuças na feitura da anistia, traz à lembrança o Parasar, reproduz algumas torturas e suas sequelas e desaparecimentos, além de nos fazer pensar no custo militar num país pobre e aviltado pela desigualdade cada vez maior. Na fala do general juiz, fica patente (como gostam das patentes…) sua responsabilidade pela disciplina e hierarquia (um meio que lhes parece ser um fim, cf. Roberto) da tropa. Fala com a boca cheia a estupidificar um compromisso professoral, mas se nega a enxergar o primeiro dever, qual seja, o respeito e obediência às leis! R. Amaral aponta algo interessante que me faz pensar nas consequências. Se o primeiro dever de obediência é às leis da pátria, “da qual se julgam mães e pais”, lei mesmo inexiste. Numa formação híbrida, quase hermafrodita, com quem nossos soldados se identificam? Quê identidade carregam? Jamais se desvencilharão da tutela incestuosa; carregam o promíscuo natural; indiferenciados se revelam indistintos e à ordem moral que suscita obediência à Lei, esta, em tempo algum, carregará a noção de que torturar é crime. Se a sociedade civil assiste a essa mistura, ao entra-e-sai nas hostes do poder, sem as devidas discriminações, mais perto estaremos de uma imposição totalitária e indiscriminada. Está na origem!   Virgilio Almansur é médico, advogado e escritor.

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Por amor

Por Miriam Waidenfeld Chaves Cadeira de balanço, óculos, xale, caixinha de madeira, linhas brancas, amarelas, rosas, verdes, vermelhas, azuis, roxas, marrons para os troncos, agulhas, dedal, tesoura, lençol, fronha, desenhos, flores, árvores, pássaros, sol, nuvem. Uma pipa, um menino. Flores com alto relevo, ponto pequinês, linhas rosas, vermelhas, roxas, dedal, agulha mágica. Sol amarelo, ponto russo, dedal, agulhas longas. Passarinhos, bordado pelo avesso, agulha com dois olhos, azul claro, escuro. Árvores, linhas verdes, marrons, dedal, agulha mágica. Pipa, menino, agulha longa, ponto pirulito. Linhas marrons, rosas, verdes. Agulha, dedal, ponto cheio, linha azul, querido neto. Tábua de passar, ferro, papel de seda branco, laço de cetim amarelo. Caixa branca. Feliz aniversário!   Miriam W. Chaves é contista e professora da UFRJ

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Olga Benário, Presente!

Por Edmundo Aguiar Em 23 de abril de 1942, Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica, que fora deportada para a Alemanha durante o governo de Getúlio Vargas, é executada pelo regime nazista num campo de extermínio. Olga Benário tornou-se uma revolucionária, lutava para ver o fim das desigualdades e das injustiças sociais. Em 1929 foi para a cidade de Berlim, junto com seu namorado, o militante comunista Otto Braun. Foi acusada de atividades subversivas e presa. Depois de solta foi para a União Soviética, onde fez treinamento militar na intenção de fomentar guerrilhas em outros países, para estabelecer governos socialistas, seguindo as determinações da Internacional Comunista. Nesse mesmo período, Olga conheceu o brasileiro Luís Carlos Prestes que desde 1931 estava residindo na União Soviética. Em 1934, Prestes foi eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista e encarregado de voltar ao Brasil e liderar o levante que instalaria um governo socialista no país. Olga Benário foi destacada para fazer parte do grupo de estrangeiros que iriam acompanhar Carlos Prestes em seu retorno ao Brasil e responsavel por sua segurança. Mas não ficou só  nisso, apaixonaram-se. Olga Benário e seu companheiro Luís Carlos Prestes chegaram ao Brasil em 1935, mantendo-se na clandestinidade. Em novembro do mesmo ano uma revolta armada insurgiu na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, e deveria ser estendida por todo o país, mas apenas as unidades do Recife e do Rio de Janeiro se levantaram contra o governo de Getúlio Vargas, que estava preparado para esmagá-la. A intentona fracassou e todos os organizadores, entre eles, Olga Benário e Carlos Prestes foram presos. Mesmo grávida Olga foi deportada para a Alemanha nazista e entregue a Gestapo. Foi levada para um campo de concentração, onde nasceu sua filha Anita Leocádia Prestes, que depois de várias campanhas, foi entregue a sua avó paterna, D. Leocádia. Em 1942 Olga Benário foi enviada para o campo de concentração de Bernburg, Alemanha, onde foi executada na câmara de gás no dia 23 de abril de 1942. Camarada Olga, presente! Luiz Edmundo Aguiar é professor titular do IFRJ e membro do Conselho de Educação do Sinpro-Rio

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