Construir Resistência

8 de abril de 2022

“União para reconstruir o Brasil”, diz Lula após indicação do nome de Alckmin

Do Instituto Lula Foto: Ricardo Stuckert Na cerimônia de apresentação do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como nome do PSB para compor como vice a chapa do ex-presidente Lula à Presidência da República, Lula e Alckmin ressaltaram a necessidade histórica de união das forças progressistas para fazer frente ao momento político que o Brasil vive e reforçaram o compromisso de ambos com a democracia e a reconstrução do Brasil. Lideranças dos dois partidos se reuniram na manhã de hoje (8) em um hotel na capital paulista, por ocasião de apresentação do nome de Alckmin pelo PSB. A indicação será analisada pelo PT e demais partidos que comporão a aliança em torno do nome de Lula. O ex-presidente disse ter certeza que o nome do ex-governador será aprovado pelo partido e que a união entre eles é uma demonstração de que é plenamente possível duas forças com projetos diferentes, mas princípios iguais se unirem num momento que é de interesse do Brasil. “O selamento desse acordo, dessa proposta, é uma demonstração do esforço na perspectiva de construir o melhor da política brasileira para que a gente possa ganhar essas eleições de 2022. Eu queria estabelecer um critério de relação com Alckmin. Daqui para frente você não me trata como ex-presidente e eu não te trato como ex-governador. Você me chama de companheiro Lula e eu chamo você de companheiro Alckmin”, disse Lula, agradecendo o PSB pela indicação e acrescentando que, nos tempos em que polarizava com Alckmin, como então candidato do PSDB, assim como com outros candidatos do partido, a disputa era civilizada e harmoniosa. “Hoje isso não é possível, porque não está estabelecida na disputa a polarização civilizada”, afirmou. Assim que a chapa for formalizada, disse o ex-presidente, o PSB será convidado a ajudar a construir o plano de governo. Ele repetiu que, numa eventual nova gestão, governará para todos, mas novamente priorizando os mais necessitados. “Nós vamos conversar com toda a sociedade brasileira, com grandes empresários, com médios, pequenos e microempresários e com o povo trabalhador. Vamos tratar com o mesmo respeito o catador de papel que está na rua e o maior empresário desse país, o trabalhador Sem Terra e os grandes fazendeiros. Nós queremos governar para todos, mas o nosso coração estará voltado para os que mais necessitam”. Lula disse que, juntos, ele e Alckmin farão das experiências um instrumento para recuperar o Brasil e recuperar os direitos do povo. “O povo quer ter o direito de morar, o povo quer ter direito de estudar, o povo quer lazer, água limpa, usufruir daquilo que ele produz. É só ler a Constituição, a Bíblia e a Declaração Universal dos Direitos Humanos que vocês vão ver que tudo isso está garantido, mas o povo não tem”, disse, pontuando ainda que ganhar as eleições talvez seja mais fácil do que o desafio de recuperar o país. Alckmin agradeceu a confiança do PSB e disse que o momento não é de egoísmo, mas de grandeza política para reconstrução do Brasil. Segundo ele, a política não é arte solitária, mas de somar esforços pelo bem do país. Segundo ele, o Brasil hoje atenta contra a democracia e contra as instituições e vive uma autocracia cujo resultado é a maior crise das últimas décadas, com violência, fome e desemprego. “Eu que entrei na vida pública, presidente Lula, como o senhor, para redemocratizar o Brasil, vemos hoje um governo que atenta contra a democracia e atenta contra as instituições”, afirmou. O ex-governador ressaltou que chega para somar esforços ao presidente Lula para gerar emprego, renda, combater carestia absurda e trabalhar para que os brasileiros possam ter dias melhores. “Chega de sofrimento para o povo do brasil. É com esperança, com entusiasmo e com amor que vamos colocar nosso nome à disposição para que a gente trabalhe pelo Brasil. É com honra e entusiasmo”. Na carta de apresentação do nome de Alckmin, endereçada à presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que o Brasil vive o momento mais difícil do período da redemocratização e que, para fazer frente às ameaças concretas e objetivas que o momento apresenta, se restabelece uma parceria antiga entre os dois partidos. “Não temos qualquer dúvida de que é o companheiro Lula quem reúne as melhores condições para articular forças políticas amplas, capazes de dar à resistência democrática a envergadura que permitirá enfrentar e vencer o bolsonarismo. Para somar potência e amplitude à resistência contra o autoritarismo que será liderada pelo companheiro Lula, o PSB propõe para compor a chapa o nome do companheiro Alckmin. Suas qualidades são conhecidas e reconhecidas, dentre as quais cabe destacar uma vida pública longeva e honrada, a perseverança na defesa da democracia e das práticas que lhe correspondem, o equilíbrio daqueles que acreditam no diálogo entre diferentes, a tranquilidade dos que almejam o bem público”. “Recebemos com alegria e carinho a indicação do PSB. Como disse Alckmin, quando se filiou ao partido, todos temos lealdade com o futuro do país. É isso que nos leva a esse movimento”, disse a presidenta do PT.            

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São Paulo pode eleger Lula ou dar mais quatro anos ao miliciano

Por Walter Falceta Nosso grande problema, aqui em Pindorama, é a rejeição atávica ao raciocínio matemático. Ao desprezar São Paulo, parte da militância pensa na quantidade de estados da Federação, e não no número de eleitores em cada um deles. Os nove estados nordestinos juntos têm cerca de 40,5 milhões de eleitores. São Paulo, sozinho, tem 33 milhões de eleitores, o que corresponde a 81% da massa eleitoral do Nordeste. Em 2018, como seria se São Paulo tivesse dividido os votos entre o cafajeste e Fernando Haddad? Vamos lá… O miliciano arrebatou 15,3 milhões de votos. Nosso candidato, apenas 7,2 milhões, perdendo em 631 dos 645 municípios. Imagine agora um hipotético empate aqui. O genocida teria 8,1 milhões de votos a menos. É muito! Mas como é muito? Vamos lá, de novo. A eleição nacional terminou com 57,797 milhões para o larápio e 47,040 milhões para o petista. Ou seja, uma diferença de 10,757 milhões de votos. Retire a vantagem de 8,1 milhões de votos obtida pelo canalha em São Paulo e sua imensa vantagem nacional cai para meros 2,6 milhões de votos. Vale dizer que o voto paulista influencia decisivamente parte do eleitorado no norte do Paraná, no Sul de Minas e no Leste do Mato Grosso do Sul. A coluna vertebral do reacionarismo que roubou o Brasil, destruiu a Amazônia e matou, até agora, 660 mil brasileiros, se estende de Presidente Prudente a Santos, passando por Marília, São José do Rio Preto, Bauru, Jaú, Ribeirão Preto, Campinas, Grande São Paulo, São José dos Campos e Taubaté. Essa é a trilha do terror político, dominada em parte pelo evangelistão da bíblia bandeirante. O Paraná Pesquisas é um instituto que trabalha por encomenda para raposas da velha política. Dá, aqui, 34,2% para Lula e 31% para o crápula. Praticamente um empate. Os números reais não são esses, mas o estudo indica um real viés de alta para o safardana e um viés de estagnação para o barba. Daí, corretíssimo o pensamento de Lula ao atrair para o posto de vice o sujeito que, até meses atrás, era o primeiro colocado na disputa ao Palácio dos Bandeirantes. Palatável, sempre, para os descendentes de Borba Gato. Quando começar a campanha, qualquer fatia de eleitorado conquistada pelo ex-governador, mesmo que estreita, representará enorme ganho para as pretensões eleitorais do metalúrgico. Nem é preciso o voto. Um aceno alckmista que apenas desestimule o voto no vagabundo, por abstenção ou anulação, já rende enormes benefícios matemáticos para a candidatura civilizada. O mesmo vale para a disputa ao governo estadual, em que o tio do pavê já começa a simpatizar com o infame, tosco e ignorante Tarcísio de Freitas. Antes de disparar fogo amigo, convém, no mínimo, pensar e fazer contas. A eleição não está ganha. E São Paulo, em parte conservadora e irresponsável, pode, sim, estender por mais quatro anos o sofrimento do povo brasileiro. Walter Falceta é jornalista e um dos fundadores do Coletivo Democracia Corintiana (CDC)

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Lula e as valas clandestinas

Por Simão Zygband   Qualquer pessoa minimamente antenada sabe os desafios que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que transpor caso seja reeleito para dirigir os destinos do país a partir de janeiro de 2023 e que se confirmem os números das mais variadas pesquisas de intenção de votos para as eleições de outubro e que o trazem na liderança. Primeiro, há de se admirar a disposição de um político de 76 anos de idade, que já poderia estar tranquilamente desfrutando de um merecido descanso, ao lado de sua companheira, a Rosangela da Silva, a Janja, que nem precisará trocar o sobrenome de casada (e nem é obrigada por lei), pois ela já é da Silva, como seu futuro marido. O casal anunciou que pretende se casar em maio. Lula, é bom lembrar, amargou 580 dias de prisão ilegal, vítima que foi de uma armação política de seus inimigos, que teve no ex-juiz criminoso, Sérgio Moro, um dos seus algozes. Isso seria cruel para qualquer pessoa. Mas o ex-presidente tem consciência do papel político que representa e está se transformando na única alternativa para derrotar o fascismo. E ele sabe muito bem desta fundamental tarefa militante e cidadã. Não é qualquer um que gostaria de presidir o país nas condições em que ele se em encontra, totalmente destruído pelo bolsonarismo. É, sem dúvida, um exemplo de amor à pátria. Mas o que Lula encontrará pela frente caso se reeleja presidente da República? Um Brasil totalmente arrasado pelo golpe de estado de direita e, mais do que isso, tomado pelos militares lesa pátria, o narcotráfico e as milícias. Portanto, não basta apenas o ex-presidente vencer as eleições (que já não será tarefa fácil), de fazer seus adversários aceitarem o resultado e eleger junto com ele uma grande bancada de deputados federais e senadores alinhados com as propostas do novo governo. Lula herdará um país de terra arrasada pelo genocida miliciano Jair Bolsonaro, um desqualificado colocado no poder por inconsequentes como ele, que caíram no canto da sereia de uma mudança baseada no mais leviano antipetismo, onde o então candidato miliciano anunciava aos quatro ventos, inclusive na campanha eleitoral, que iria “metralhar a petralhada”. Resultado da insanidade coletiva: em menos de quatro anos de governo, a miséria proliferou para todos os cantos do país, os preços das tarifas, combustíveis e alimentos dispararam, se desregulamentou totalmente as relações de trabalho e se inviabilizou a aposentadoria dos brasileiros. Milhões de famílias estão endividadas e não ganham para a sobrevivência, diante do desemprego, do achatamento dos salários e das aposentadorias. Seria pouco considerar um caos a situação do Brasil. Tudo isso, evidente, Lula terá que enfrentar de frente mas que, dentro de alguns anos, com medidas políticas e econômicas adequadas, se poderia, se não resolver, ao menos atenuar a grave situação. Mas o que parece o mais complicado é, sem dúvida, atacar a criminalidade e a presença das milícias que estão enraizadas nas instituições brasileiras e, com grande parcela de responsabilidade do atual mandatário, na política nacional. Tudo isso tem reflexo no cotidiano dos brasileiros. O banditismo toma conta de várias comunidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e demais estados, criando um estado de calamidade e insegurança pública. É comum o cidadão andar armado e ameaçar quem quer que seja em uma banal briga de trânsito. A violência se tornou uma marca dos governos fascistas, inclusive no Brasil. A juventude, sem emprego ou mercado de trabalho, acaba sendo facilmente cooptada pela criminalidade. O Brasil já se assemelha e muito ao que acontece na Colômbia e no México, onde as milícias e o narcotráfico controlam as comunidades. Quem incentiva a violência, além do próprio miliciano no poder? qualquer deputadinho mequetrefe de direita, componente das chamadas bancadas da Bala, se autoriza a ameaçar a vida do candidato da Frente Ampla, Luiz Inácio Lula da Silva, sem nada lhes acontecer. O Judiciário também está apodrecido e contaminado por este clima de banditismo que tomou conta do país. O jornal Folha de São Paulo traz grave denúncia que mostra que foram encontradas em São Paulo e no Rio de Janeiro 40 valas clandestinas contendo 201 mortos. Enquanto muitos brasileiros ficam chocados com imagens da guerra da Rússia contra a Ucrânia, mal sabem que episódios semelhantes estão diante de seus narizes, a poucos quilômetros das suas casas. É como disse o jornalista Sérgio Leopoldo Rodrigues, em texto para o Construir Resistência, antes mesmo de estourar a denúncia das valas clandestinas; “Bucha e Donbas são aqui”. Não resta a menor dúvida. Força presidente Lula. Conte com o nosso apoio para tirar o país do caos.        

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