Construir Resistência

1 de abril de 2022

BBB Rodrigo é vítima da precarização do trabalho

Por Bruno Rico Rolando a tela aqui do Facebook vejo duas notícias que me atentaram para o mesmo problema. A primeira falava do acidente de carro com o BBB Rodrigo, onde o motorista do serviço de aplicativo disse que provavelmente cochilou ao volante. A segunda notícia falava das denúncias de trabalhadores de fast food de SP que reclamavam que estavam fazendo 14 horas de trabalho, sendo que nem sentar eles podiam. É impossível ver essas duas notícias e não associar com a precarização do trabalho no Brasil e as recentes reformas trabalhistas, aquelas que lá atrás diziam que era só dialogar com o patrão que ia ficar tudo certo, que o funcionário ia ter moral e seria ouvido. É lógico que o cidadão que dirige em aplicativo vai se sobrecarregar vendo o combustível caro, contas exorbitantes pra pagar e família pra criar, aliando tudo isso ao stress, é fato que vários vão cochilar ao volante ou não vão fazer um bom atendimento. Mesma coisa com o atendente daquela lanchonete famosa que você entra cheio de fome, o mesmo que às vezes você nem cumprimenta e ainda quer arrumar barraco quando teu lanche demora; além das exaustivas horas de trabalho pra ganhar menos de mil Reais, ele ainda tem um transporte público totalmente esculachado e caro, mas você vai querer que ele esteja sempre com um sorriso no rosto. A real é que pessoas que nunca trabalharam na vida, nunca pegaram um transporte público, estão criando leis para a classe trabalhadora, quando na verdade isso nunca vai nos beneficiar em nada; e aí quando alguns se revoltam e vão para as ruas protestar contra isso, chega um e chama de vândalo, e boa parte da massa ainda compra esse discurso. O lema do coach é “trabalhe enquanto eles dormem”, né? Só que tem gente que já está trabalhando enquanto dorme, e nem dinheiro está vendo, e aí, como faz? No mais, fique sempre atento ao seu motorista de aplicativo, principalmente em viagens longas, e use sempre o cinto, porque alguns vão cochilar mesmo. Quanto ao atendente da lanchonete que você chega cheio de pressa, tente ser, ao menos, uma pessoa gentil, pois qualquer ato de gentileza e empatia já pode melhorar o dia caótico daquela pessoa.   Bruno Rico é jornalista e colunista da Brazilian Report  

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A mentira de Moro deve ser derrotada nas urnas

Por Simão Zygband   A sociedade se incumbiu de expurgar um câncer da disputa da presidência da República que seria a eventual candidatura do ex-juiz Sérgio Moro, que já foi até considerado um super-herói pela direita conservadora e era o sonho de consumo da TV Globo e demais redes de Comunicação, assim como parte do poder econômico (leia-se bancos, indústria, agronegócio etc) para se constituir em uma terceira via que se contrapusesse à polaridade da disputa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual usuário da cadeira presidencial, o sádico Jair Bolsonaro. Mas depois de ter sua atuação como juiz desmascarada pelo cidadão Walter Delgatti, que ficou conhecido como “hacker de Araraquara” e suas conversas mafiosas com o seu “sócio”, o ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, reveladas pelo jornalista Glenn Greenwald no The Intercept Brasil (e posteriormente encampada pela grande mídia), a candidatura de Sérgio Moro à presidência subiu no telhado, não ultrapassou os dois dígitos e ele teve que amargurar concorrer a deputado federal por São Paulo onde, aliás, ele jamais morou. Moro é o exemplo de péssimo exercício da profissão de juiz e, se vivesse em país sério, já deveria estar preso por abuso de autoridade e pelo crime clamoroso de forjar provas contra o réu, no caso Lula. Mas como mostrou o documentário realizado pelo jornalista Joaquim de Carvalho “A grande farsa – como Moro enganou o Brasil e ficou rico”, ele era recorrente nesta prática desleal quando julgou casos no Paraná, seu estado de origem. O documentário do Joaquim de Carvalho deve ser divulgado para que todos possam conhecer de quem se trata o juiz farsante Sérgio Moro, responsável direto pela chamada operação Lava Jato, lesiva aos interesses do país, que liquidaram diretamente 4,4 milhões de empregos e proporcionando um prejuízo de R$ 172,2 bilhões não investidos na economia; R$ 85,8 bilhões de perda de massa salarial; 3,6% a menos no PIB (2014/2017). Moro, supostamente a serviço de interesses estrangeiros no país, conseguiu com sua maléfica operação quebrar empresas brasileiras que prestavam serviços para a Petrobras e liquidando com a pungente indústria naval, que literalmente ficou a ver navios (desculpe o trocadilho) nos governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro. A sua atuação é considerada Lesa Pátria. Ao produzir provas contra seus réus, Moro age como aquele policial que prende um suspeito nas ruas e para extorqui-lo, forja provas contra ele, colocando drogas ou armas em seus pertences. Por esta prática desleal, o ex-juiz deveria responder na Justiça. O ex-presidente Lula foi inocentado em 23 processos pela Justiça, depois que o ex-juiz foi declarado imparcial e incompetente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).   Resumo de cada uma das 23 vitórias judiciais de Lula 1. Caso Triplex do Guarujá – A defesa provou que Lula nunca foi dono, nunca recebeu nem foi beneficiado pelo apartamento no Guarujá, que pertencia à OAS e foi dado em garantia por um empréstimo na Caixa. Vitória: caso anulado pelo STF em duas decisões, restabelecendo a inocência de Lula. 2. Caso Sítio de Atibaia – A defesa provou que Lula nunca recebeu dinheiro da Odebrecht para pagar reformas no sítio, que também nunca foi dele. A transferência de R$ 700 mil da Odebrecht, alegada na denúncia, foi na realidade feita para um diretor da empresa, não para obras no sítio. Vitória: caso anulado pelo STF, restabelecendo a inocência de Lula; 3. Tentativa de reabrir o Caso Sítio de Atibaia – Tentativa de reabrir o Caso Sítio de Atibaia – A defesa provou que não é possível reabrir a ação penal contra Lula pelas reformas no sítio, que jamais pertenceu a ele. A juíza da 12ª. Vara Federal de Brasília acolheu os argumentos da defesa e rejeitou o pedido do procurador da República Frederico Paiva de abrir uma nova ação penal em relação ao caso perante a Justiça Federal de Brasília, para onde os autos foram remetidos após decisão do STF que anulou o processo originado na Vara de Sérgio Moro em Curitiba. Vitória: decisão mantida, Lula inocentado. 4. Caso do Terreno do Instituto Lula – A defesa provou que o Instituto nunca recebeu doação de terreno, ao contrário do que diz a denúncia da Lava Jato, e sempre funcionou em sede própria. Vitória: caso anulado pelo STF. 5. Caso das Doações para o Instituto Lula – A defesa provou que as doações de pessoas físicas de mais de 40 empresas brasileiras e de outros países para o Instituto, entre 2011 e 2015, foram todas legais, declaradas à Receita Federal, e jamais constituíram qualquer tipo de propina ou caixa 2. Vitória: caso anulado pelo STF. 6. Caso do Quadrilhão do PT – Esta é mais grave e a mais irresponsável de todas as acusações falsas feitas contra Lula; a de que ele seria o chefe de uma organização criminosa constituída para drenar recursos da Petrobras e de outras empresas públicas. A 12ª. Vara da Justiça Federal de Brasília arquivou a denúncia por verificar que o MPF fez a gravíssima acusação sem ter apontado nenhum crime, nenhum ato ilegal ou de corrupção que tivesse sido praticado por Lula, seus ex-ministros ou por dirigentes do PT acusados junto com ele. O juiz afirmou que a denúncia simplesmente tentava criminalizar a atividade política. Vitória: caso encerrado, Lula absolvido. 7. Caso Quadrilhão do PT II – Uma segunda denúncia no mesmo sentido da anterior foi simplesmente rejeitada pela 12ª. Vara da Justiça Federal de Brasília. Caso encerrado e arquivado, Lula inocentado. 8. Caso Delcídio (obstrução de Justiça) – A defesa provou que era falsa a delação do ex-senador Delcídio do Amaral. A denúncia era tão frágil que sequer houve recurso da acusação contra a decisão da 10ª. Vara da Justiça Federal de Brasília que absolveu Lula. Caso encerrado, Lula absolvido. 9. Caso das Palestras do Lula – Inquérito aberto em na Vara Federal de Sergio Moro em dezembro de 2015, com objetivo de acusar Lula de ter simulado a realização de palestras, em outra farsa da Lava Jato. A defesa provou por

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Me rendo a autoajuda

Por Ricardo Soares   Todos os dias agradeço por existir vinho, arte e poesia mesmo que eu não esteja a altura ou não tenha dinheiro para desfrutar disso   Todo dia quando abro os olhos toda manhã a primeira coisa que agradeço é por estar vivo ao redor de tanta coisa e tanta gente morta. Figurativa ou literalmente falando. E agradeço as chances que tive e até as que perdi. Todo o dia agradeço os amores que consolidados e os que perdi, o filho que fiz e a filha que criei e na minha contribuição pra autoajuda mequetrefe eu diria que demora pra gente perceber que é preciso pouco pra ser feliz porque vivemos numa sociedade em que todo dia se cultua o muito. E muito de muito é pouco. Quase nada. Então por quase nada a gente perde amigos e oportunidades por ter dito aquilo que devia ter sido calado. Somos uma imensa legião de criaturas querendo fugir dos mal-entendidos, sempre engolfados em julgamentos e julgando. Por tudo isso agradeço todos os dias por abrir os olhos me percebendo vivo mesmo que a primeira coisa que eu veja seja uma lagartixa agonizando ou um galho que apodrece na árvore vizinha. Um galho que cumpriu o seu caminho. E o galho passou e eu passarinho. Todos os dias agradeço por existir vinho, arte e poesia mesmo que eu não esteja a altura ou não tenha dinheiro para desfrutar disso. Mas agradeço a paisagem, o vento úmido de chuva em meio ao caos, a sensação de saudade e de nostalgia, a visão de velhos viadutos que contam a história da minha cidade. Todos os dias agradeço por ter sobrevivido a um grave acidente de carro aos 21 anos, uma quase queda de cavalo aos 16, um infarto aos 57 . E acendo simbolicamente velas perfumadas para celebrar e iluminar o caminho da vida mesmo que você, amável leitor, ache essas imagens de uma pieguice fraudulenta. Sinceramente por mais que eu respeite os que me leiam a essa altura estou cada vez menos me importando com juízos de valores diante da escrita que cometo. Escrevo porque preciso já diria Leminski o poeta paranaense. E diante desse riscado aumento meu grau de tolerância com os escritos de autoajuda porque mesmo que sejam piegas e tolos partem de um pressuposto positivo. Olhar a vida com outros olhos. Mais doces, mais generosos, bem abertos como os que tento manter todos os dias quando levanto mesmo sabendo que não me faltariam motivos para permanecer deitado. Cada vez mais o desafio para todos é ter disposição de se manter firme e ereto ao cair da cama. Sim, cair, porque é um movimento de queda quando devemos converte-lo todos os dias em movimento de ascensão e glória. Por tudo isso me rendo a autoajuda.     Ricardo Soares é escritor, cronista, roteirista e jornalista. Publicou 9 livros, dirigiu 12 documentários. Fala sobre livros em 1 minuto no Instagram @naredecomsede

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Mostrando a verdadeira Lava Jato no Dia da Mentira

Da Redação da revista Pirralha   Vários chargistas se reuniram para preparar um flashmob (uma ação combinada onde todos atuam ao mesmo tempo) marcado para às 18 horas do dia 1º de abril usando o humor gráfico como meio para reconhecer a importância de Walter Delgatti – que ficou conhecido como o “hacker de Araraquara” – no processo de restabelecimento da verdade sobre a ação mafiosa de Sergio Moro e dos procuradores da força tarefa que, além de organizar toda a perseguição política ao ex-presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores, foram responsáveis pela eleição de Jair Bolsonaro (ao encarcerar Lula que era o franco favorito à reeleição), praticamente destruir toda a cadeia produtiva da engenharia nacional ao inviabilizar o funcionamento das grandes empresas do setor (que disputavam o mercado internacional) e causar desemprego em massa e prejuízos econômicos. Os desenhos servem como um verdadeiro desagravo ao cidadão Delgatti que, segundo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), foi a pessoa que “denunciou as delinquências da Lava Jato, mudou a história do país. Ele possibilitou as punições, ainda brandas, que estamos vendo e mostrou quem era Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e sua turma”. Além de reconhecer publicamente a importância de Delgatti, o senador apresentou um projeto para anistiá-lo das ações que correm contra ele na justiça o qual conta com o apoio dos participantes. A ideia do movimento foi de Eduardo Londrina, organizador da rede social POSTe que uniu-se a Revista Pirralha, a Grafistas Associados do Rio Grande do Sul (Grafar), Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP), Coletivo Pavio Curto, a revista digital Duas Bandas e um Conjuntinho e dezenas de chargistas independentes para aproveitar o dia 1º de abril, Dia da Mentira, e desmascarar toda a lorota contada sobre a Operação Lava Jato. Para esclarecer o público sobre o objetivo do movimento as entidades organizadoras elaboraram um manifesto a ser divulgado conjuntamente com as obras que serão compartilhadas nas redes sociais com as tags #WalterDelgattiAnistiaJá, #AnistiemWalterDelgatti e #MoroDalagnolNaCadeia.   Manifesto de 1º de abril   Hoje é primeiro de abril, conhecido como o dia da mentira. Escolhemos este dia para lançar este manifesto porque não dá mais para aceitar esta ”Era da pós-verdade”, quando a desonestidade e enganação sejam normalizadas na vida contemporânea, e a verdade, a realidade pouco importam. Embora sempre tenha havido mentirosos, as mentiras geralmente eram contadas com hesitação, uma pitada de ansiedade, um bocado de culpa, um pouco de vergonha, e, pelo menos, alguma timidez. Agora, assistimos criminosos sem nenhuma vergonha, mentindo descaradamente, enquanto pessoas que nos mostraram a verdade e a realidade estão atrás das grades, impedidas de falar. No caso de Assange, nem no dia de seu casamento pudemos ver uma foto sequer do estado em que ele se encontra, nas masmorras da rainha. Snowden teve que se exilar na Rússia para não cair nas mesmas masmorras em que caíram Assange, Chelsea Manning – e Walter Delgatti, aqui em nosso país. Para restabelecermos a verdade, é urgente que seja concedida a anistia a Walter Delgatti. Ele foi o hacker que denunciou as delinquências da Lava Jato, mudou a história do país, possibilitou as punições ainda brandas que estamos vendo e mostrou quem são Sergio Moro, Deltan Dallagnol e sua turma. Não fosse Walter, Lula e qualquer outro que ousasse ir contra o projeto criminoso da quadrilha de Curitiba estariam presos, os lavajateiros estariam bilionários e líderes nas pesquisas pra todos os cargos que quisessem, ainda posando de heróis. É hora de retomar o projeto que o senador Renan Calheiros apresentou para anistiá-lo, é hora do povo brasileiro ter acesso à íntegra da Operação Spoofing – é importante para mostrar como funcionavam as articulações da Lava Jato e da força-tarefa com Moro. E passou da hora de Moro, Dalagnol e seus comparsas do judiciário estarem atrás das grades. Subscrevem este manifesto os cartunistas da Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul), a AQC – Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo, a revista Pirralha, o grupo POSTe, revista digital Duas Bandas e Um Conjuntinho, Coletivo Pavio Curto e artistas independentes. O POSTe (veja no Facebook) é um grupo público – inspirado no costume de pendurar informações nos postes para que a população pudesse ter acesso – criado por Eduardo Londrina onde qualquer pessoa pode participar e deixar seu recado. A Revista Pirralha irá publicar, após às 18 horas do dia 1º de abril, as charges enviadas pelos artistas. Veja no link abaixo: https://revistapirralha.com.br/mostrando-a-verdadeira-lava-jato-no-dia-da-mentira ———————– Foto de abertura: montagem feita por Guto Camargo a partir de fotograma retirado de entrevista concedida por Walter Delgatti ao portal Brasil 247    

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Lembrai-vos de 64!

Por Sonia Castro Lopes Ontem (31/3), o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e futuro candidato a vice-presidente na chapa do capitão, teve a coragem de expedir uma ordem do dia afirmando que a “gloriosa revolução de 64” foi responsável pela implantação de um período de “estabilização, segurança, crescimento econômico e  amadurecimento político”. Precisamos rebater as mentiras contadas à nossa juventude. O que foi o Golpe de 64? Como definir a ditadura que se instalou no país por mais de duas décadas? A história nos ensina que houve censura aos meios de comunicação, implantação do bipartidarismo (partido do sim e do sim, senhor), controle dos sindicatos, perseguição, prisão e tortura dos opositores ao regime, abertura da economia ao capital internacional, inflação descontrolada. Tudo isso para deter a “ameaça comunista que pairava sobre o Brasil” e ainda há quem tenha saudade de tudo isso. E o pior: os velhos que viveram essa desgraça contaminam os jovens que, desconhecedores da história recente do país, acreditam nessa mentira deslavada. Antes de tudo, é preciso lembrar que no início dos anos 1960, As reformas de base propostas pelo presidente João Goulart, o Jango, atemorizavam a classe empresarial e as camadas médias. Durante seu governo houve o fortalecimento da doutrina da segurança nacional gerada no seio da Escola Superior de Guerra (ESG) cujo objetivo seria treinar pessoal de alto nível para exercer funções de direção e planejamento da segurança nacional. A ESG chegou a ser apelidada “Sorbonne” pela excelência dos cursos, frequentados não só por militares, mas também por civis. Órgãos como o IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) que congregavam intelectuais conservadores e empresários articularam-se a ESG partilhando a idéia de que só um movimento armado poderia por fim à anarquia e combater o avanço do comunismo. O comício da Central do Brasil realizado no Rio de Janeiro a 13 de março e a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em São Paulo alguns dias depois deram o tom à crise na qual se debatia o governo. Paralelamente, o apoio de Jango aos militares de baixa patente (marinheiros e sargentos) em sua luta pela melhoria de soldos e garantia de direitos provocaram os oficiais de alta patente, ciosos da hierarquia. Em fins de março, quando Jango veio ao Rio de Janeiro discursar numa assembleia de sargentos, o golpe já estava armado. Em 31 de março o general Olímpio Mourão Filho com apoio do governador Magalhães Pinto mobilizou as tropas sob seu comando sediadas em Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro. No dia seguinte, as tropas comandadas por Amauri Kruel também se deslocaram do Vale do Paraíba em direção ao Rio. João Goulart, para evitar um conflito de maiores consequências, viajou para Porto Alegre e de lá para o Uruguai. Consumava-se o golpe.  Urdido nas fileiras militares com apoio moral e financeiro das camadas médias, do empresariado nacional e do capitalismo internacional, o golpe civil-empresarial-militar (assim deve ser denominado) inaugurou no país uma ditadura cruel, formalmente encerrada em 1985. Quem viveu esse pesadelo sabe o perigo que nos espreita. Lembrai-vos de 64! Nunca é demais recordar e narrar, especialmente para os mais jovens, os horrores vividos no país a partir desse golpe, cujos desdobramentos feriram as instituições democráticas e aniquilaram os direitos, a honra e a vida de tantos brasileiros. O recurso à memória nos fortalece, reafirma nossa identidade e nos impele à resistência.   Foto: WordPress.com /Grupo Tortura Nunca Mais    

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