Construir Resistência

30 de março de 2022

Precisamos conversar seriamente sobre outubro

Por Walter Falceta  A pesquisa do PoderData não é das mais confiáveis, feita por telefone. Ainda assim, lança um alerta, pois seus resultados exibem uma tendência replicada por outros institutos. Lula parece ancorado nos seus quarenta por cento, com um viés de estagnação. Bolsonaro, no entanto, tem um evidente viés de alta, detectado em praticamente todas as pesquisas. No PoderData, a distância entre um e outro ficou em somente 9 pontos. No caso do segundo turno, Lula já impôs, em janeiro, uma diferença de 22 pontos. Essa vantagem caiu para 12 pontos. Mas o que está acontecendo, afinal? Lula já não tinha ganho essa eleição? Começando pelo final. Não tinha sacramentado vitória, não. Longe disso. Agora, vamos às causas. A máquina do governo é muito, muito poderosa. E, muitas vezes, faz a diferença. O presidente da República assina cheques, libera gordas verbas, oferece mimos, estabelece acordos, sussurra ameaças e promove propaganda dia e noite, com apoio explícito do Centrão. Não é somente o Auxílio Brasil. É muito mais. É liberação dirigida de recursos para regiões estratégicas. É iniciativa casada com a vasta corja de deputados e senadores fisiológicos que formam o parlamento. Além disso, as pesquisas mostram vantagem de Bolsonaro sobre Lula entre os mais ricos. Bem, os endinheirados são construtores de opinião pública. Eles influenciam o voto por meio de suas empresas, de suas pilantropias e, principalmente, por seus meios de comunicação, próprios ou alugados. Conta por último o fortíssimo avanço do milicianismo digital, uma indústria de fake news e peças de deseducação política, com ênfase na moagem de reputações. Os agentes reais ou robotizados estão em todos os redutos da Internet, nas redes sociais, nos veículos da direita e nas áreas de comentários de toda a grande imprensa corporativa. Operam lá, dia e noite, difamando Lula e exaltando o genocida. Nós, ao contrário, confiantes na vitória, ou preguiçosos demais para o debate de campo, preferimos o conforto da concordância em nossas bolhas. Pregamos para convertidos. Neste momento, precisamos arregaçar as mangas e trabalhar. Qualquer comentário debaixo das matérias da mídia burguesa tem importância, relevância e alcance. Tape o nariz e escreva. É fundamental trabalhar também com quatro setores: profissionais ligados à área de segurança (pública ou privada), empreendedores de todos os tipos (do dono do supermercado ao pipoqueiro da esquina), a juventude trezista (ainda convicta de que o levante dos 20 centavos é uma referência da virtude) e, principalmente, a imensa massa de evangélicos. Atenção especial aos pentecostais. Por fim, convém avaliar se ainda vale o fogo amigo interno em torno das coalizões com a centro-direita. Enquanto disparamos em futuros aliados prováveis, o bolsonarismo segue reconquistando eleitores. É hora de botar o pé no chão, escolher o caminho da sensatez e, sobretudo, abrir frentes para livrar o Brasil do fascismo. Você faz toda a diferença. Lembrando: faltam pouco mais de seis meses. Outubro é logo aí.   Walter Falceta é jornalista e um dos fundadores do Coletivo Democracia Corintiana (CDC)

Precisamos conversar seriamente sobre outubro Read More »

Para azar dos EUA, Rússia previu ofensiva da Otan e otimizou economia e força militar

Por Vicky Peláez do Sputnik/La Haine   Além de profissionalizar forças armadas, Moscou reorientou setor energético ao oriente; até 2025, gasoduto Poder da Sibéria levará 50 bi m³ de gás à China   Durante mais de 500 anos, o Ocidente tentou sem resultado conquistar e subjugar a Rússia para apoderar-se de suas imensas riquezas naturais. Napoleão e Hitler tentaram militarmente e agora os EUA com seus satélites incondicionais da OTAN. Já disse Zbigniew Brzezinski, assessor de Segurança Nacional dos EUA: a Ucrânia é um pivô geopolítico porque sua própria existência como país independente ajuda a transformar a Rússia. Sem a Ucrânia, a Rússia deixa de ser uma potência da Eurásia. Washington e seus aliados tinham o plano preparado para utilizar a Ucrânia nazificada e bem armada pelo ocidente para desencadear uma guerra contra a Rússia e fazer fracassar seu projeto de um novo sistema mundial multipolar que punha fim à hegemonia da América do Norte. Quando Moscou conseguiu descobrir em tempo as intenções do Ocidente viu-se obrigado a lançar em 24 de fevereiro último uma operação militar preventiva na Ucrânia com o propósito de desmilitarizar e desnazificar este país que se tornara um perigo para sua segurança nacional. Já desde o início do golpe de estado do Maidan na Ucrânia, que fora concebido em Washington em 2008 e que custou à América do Norte cerca de 5 bilhões de dólares, a Rússia começou a tomar medidas para preparar-se para o futuro enfrentamento com Kiev, que nos últimos oito anos abraçou o neofascismo na forma particular de ucronazismo sob a tutela de Washington. Em 2019, um dos mais influentes dos mais de 1.500 think tanks estadunidenses, a Rand Corporation, que está a serviço do Pentágono, confirmou a intenção dos EUA de dobrar a Rússia em seu informe de 5 de setembro de 2019 – Plan of Overexpanding and Unbalancing Russia (Plano para distender e desequilibrar a Rússia). Neste documento, os estrategistas da corporação indicavam a Ucrânia como o ponto externo mais vulnerável da Rússia e aconselhavam o Governo dos EUA a armar e preparar a Ucrânia para um confronto militar com Moscou. O plano definia o setor energético russo como o outro flanco vulnerável, porque a economia do país dependia em 45% da exportação de gás e petróleo. Então o que Washington tinha que fazer era obrigar os europeus a diminuir sua importação de gás (até 60%) e de petróleo (35%) deste país e, ao mesmo tempo “recorrer a drásticas sanções comerciais e financeiras contra Moscou para solapar o país”. O projeto incluía também a criação de estímulos financeiros para organizar protestos internos na Rússia, promover a imigração de jovens talentos e “solapar o país no exterior”. Aconselhava-se também um deslocamento de armas nucleares para todos os países membros da OTAN que têm fronteira com a Rússia. Concluindo, os autores deste documento advertiam que “as opiniões previstas neste plano na realidade são apenas variantes da própria estratégia de guerra, cujo preço em sacrifícios e riscos, pagamos todos nós”. Não há nenhuma dúvida de que o projetado conflito militar que a Ucrânia iniciaria em Donbass e na Crimeia estava concebido não tanto no interesse de Kiev como no de Washington, que precisa esmagar a Rússia para abrir caminho para a China e assim voltar a dominar o mundo como no século XX. Moscou já sabia desses planos de Washington com muitos anos de antecipação e tomou suas própias medidas. Além de rearmar e profissionalizar suas forças armadas, reorientou seu setor energético do ocidente para o oriente. Em 2014, foi assinado um contrato de 400 bilhões de euros com a China para fornecer 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano a partir de 2018 (China consome anualmente cerca de 180 bilhões de metros cúbicos). Em 2023 – 2025 entrará em funcionamento o gasoduto Poder da Sibéria, projetado para levar ao gigante asiático outros 50 bilhões de metros cúbicos.   Em 4 de fevereiro de 2022, em uma declaração histórica de 5.300 palavras, Xi Jinping e Vladimir Putin concordaram em formar um novo sistema de “governança global” que uniria Europa e Ásia através de uma “conectividade de estruturas, alta velocidade ferroviária e distribuição colaborativa de recursos energéticos”.  Neste documento os dois líderes anunciaram que o mundo está passando por mudanças transcendentais, criando uma redistribuição do poder. Também planejaram fusionar a União Econômica Euroasiática com a Nova Rota da Seda com mais de um trilhão de dólares. Ao mesmo tempo, funciona desde 2014 na Rússia o Serviço de Transferência de Mensagens Financeiras (SPFS), o análogo russo do SWIFT, que facilita operações bancárias no país e entre a Rússia e a China. Em 2016, a Rússia salvou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e informou-o de uma tentativa de golpe militar. Este fato facilitou a implantação em 2020 do Turkish Stream, o gasoduto que une a Rússia à Turquia e que tem uma capacidade de 63 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, é mais do que a Rússia bombeia para o Ocidente pelo gasoduto da Ucrânia. Os carregamentos de petróleo já comprometidos da Rússia que não encontram compradores na Europa estão sendo adquiridos pela Índia. As transações de petróleo em rúpias, renminbis chineses, rublos russos e riales sauditas representam um golpe no petrodólar norte-americano. Então, do ponto de vista financeiro, uma possível perda do mercado europeu, devido às sanções que os europeus aceitaram submissamente, não produziria um colapso econômico na Rússia, como esperava Washington. E mais, os EUA até agora não conseguiram encontrar substituição para os 178.550 barris diários de petróleo que importava da Rússia. Ao mesmo tempo, só em 2025 a Alemanha poderia substituir o gás russo pelo gás norte-americano liquefeito (GLP, a um preço muito mais alto), quando terminaria a construção projetada de dois terminais para GLP. Tudo isso mostra que a operação especial que a Rússia iniciou na Ucrânia sob a consigna de destruição construtiva foi bem concebida e representava a única alternativa para Moscou de frustrar os planos antirrussos do Ocidente utilizando Kiev. Para muitos observadores ocidentais

Para azar dos EUA, Rússia previu ofensiva da Otan e otimizou economia e força militar Read More »

Bolsonaro não privatizará a Petrobras

Por Fernando Castilho É sempre muito difícil decifrar não só as falas, mas também os atos do presidente Jair Bolsonaro. Mas vamos a mais uma tentativa. Descontente por ser cobrado quanto ao aumento dos combustíveis, o capitão trocou o comando da Petrobras em 28 de maio de 2021. Saiu Roberto Castello Branco para entrar o General Silva e Luna. Pronto, os problemas seriam, enfim, resolvidos. A gasolina, o diesel e o gás não subiriam mais de preço e o presidente poderia voltar a praticar jetski e a fazer campanha eleitoral antecipada com dinheiro público à vontade. Mas Luna e Silva foi mais do mesmo. Com um salário de 223 mil reais por mês, foi informado pelo pessoal de carreira que deixar de aplicar os reajustes fere o estatuto da companhia e alterá-lo daria muita dor de cabeça, por isso, tratou de repassar todos os aumentos internacionais do barril tipo Brent para o povo brasileiro e desfrutar da vida. Foi mais de um ano assim. E pelos ótimos serviços prestados aos acionistas, muitos deles estrangeiros, ainda recebeu um bônus de 1,3 milhão de reais. Novamente cobrado pela população, Bolsonaro agora volta a terceirizar o problema trocando de novo o comando da empresa. Agora entra em campo Adriano Pires, diretor-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que assessora empresas e associações do setor de energia. Percebe-se, pela sua função, que uma raposa foi colocada para tomar conta do galinheiro, pois, vai poder repassar informações privilegiadas às empresas que assessora. O argumento de Bolsonaro para nomear o consultor que é figurinha carimbada no Jornal Nacional, onde costuma emitir suas opiniões sobre a politica de preços da Petrobras, é de que, caso seja reeleito, ficará com Adriano a tarefa de privatizar a companhia. Seus olhos devem ter se arregalado e só viram cifrões à frente. Essa ideia só reforça a enorme incapacidade do governo de administrar a  alta dos preços dos combustíveis. Ora, se eu não consigo resolver o problema, embora seja a autoridade máxima do país e tenha poder para isso, como não tenho a competência necessária para o cargo, a solução mais fácil é me livrar dele porque me dá muita dor de cabeça. Simples assim. Esse discurso privatista agrada a muita gente que quer abocanhar seu quinhão no assalto aos cofres públicos, mas, ao contrário do que afirmam seus adeptos, é responsabilidade do governo nacional controlar os preços de áreas estratégicas que interferem diretamente na condição de vida da população, como os de energia e combustíveis. Fala-se muito em incompetência da companhia e a própria mídia nos últimos anos tem se empenhado em incutir no imaginário das pessoas a ideia de que a estatal é uma bagunça onde todo mundo rouba. Porém, pesquisa feita em maio de 2018 revelou que somente 30% dos brasileiros são contrários à privatização! É por isso que, segundo o Uol, Bolsonaro teme revelar publicamente sua intenção até as eleições. A Petrobrás possui tecnologia única para a extração de petróleo, como a desenvolvida para extração em águas super profundas, como o pré-sal. Ela gera centenas de milhares de empregos e é uma das maiores financiadoras de projetos culturais no país. Grande parte dos valores gerados por ela retornam à União, Estado e Municípios em forma de royalties. Com a privatização, esses royalties serão enviados para o grande capital internacional. Mas, e o grande problema do qual Bolsonaro quer se desvencilhar, os repasses de preços? Se a companhia for privatizada, não há dúvidas de que, sem nenhum controle estatal, os preços ficarão totalmente livres para subir à vontade dos acionistas, mas isso não livrará o governo de sua responsabilização. Muita gente ganhará dinheiro enquanto o povo brasileiro  continuará a arcar com os aumentos abusivos. Em que porta os caminhoneiros, motoristas de aplicativos e empresas de entregas baterão? Na porta do governo. Mas o capitão, com a maior cara lavada depois de tê-la queimado pelo ministro Milton Ribeiro, dirá que não é sua responsabilidade! O país, numa eventual greve de caminhoneiros, parará e caberá ao governo tão e somente a repressão do movimento, pois não poderá resolver o problema! Vejam a irresponsabilidade de um homem que não tem a menor ideia do que seja governar! Por fim, é preciso registrar a postura contemplativa dos grandes veículos de imprensa diante da notícia da troca do comando da Petrobras. Não há uma análise sequer das conseqüências da privatização da companhia. Ninguém analisa, ninguém é contrário. Estamos nas mãos de uma mídia cúmplice do maior roubo a que este país será submetido caso Bolsonaro seja reeleito. Precisamos lutar para que não seja! Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Criador do Blog Análise e Opinião. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade do autor.

Bolsonaro não privatizará a Petrobras Read More »

Inflação, carestia e eleições

Por Paulo Kliass    A persistência da equipe do aprendiz de banqueiro em menosprezar o fenômeno da retomada da inflação como um assunto sério e com graves consequências em termos sociais e políticos começa a incomodar aquele que é candidato à sua própria reeleição ao Palácio do Planalto   As páginas de economia dos jornalões e as telinhas dos grandes meios de comunicação não conseguem mais deixar de mencionar a escalada de preços que vem ocorrendo em nossa sociedade ao longo dos últimos meses. Ao que tudo indica, até mesmo o quarto ano consecutivo da presença do todo-poderoso-super-ministro Paulo Guedes no comando da economia vai se revelar um desastre completo. Aquele que era saudado por grande parte das elites tupiniquins e dos operadores do mundo do financismo como o redentor de todos os nossos pecados, na verdade vai entrar para a história como o destruidor do Estado e o desmontador das políticas públicas. Mas também vai ficar reconhecido por sua mais completa incompetência para solucionar problemas macroeconômicos básicos em conjuntura adversa. A se confirmarem a expectativas do próprio sistema financeiro para o ano em curso, o quadriênio 2019/22 deverá registrar um crescimento nulo das atividades econômicas medidas pelo PIB. A persistência da equipe do aprendiz de banqueiro em menosprezar o fenômeno da retomada da inflação como um assunto sério e com graves consequências em termos sociais e políticos começa a incomodar aquele que é candidato à sua própria reeleição ao Palácio do Planalto. Os responsáveis pelo Ministério da Economia e pelo Banco Central insistem em considerar o aumento do IPCA como mera consequência de um aumento desproporcional da demanda sobre a oferta. Assim, a única solução que conseguem enxergar em sua miopia econômica é o esfarrapado recurso ao aumento da taxa oficial de juros. E foi exatamente o que fizeram. Ao longo dos últimos 12 meses, a Selic saiu do patamar de 2% ao ano para chegar aos atuais 11,75%. Mas ao contrário do prometido pelo povo do financismo, a inflação não arrefeceu. Muito pelo contrário, os preços continuaram a subir. Essa insistência da realidade em negar os modelitos de planilha dos neoliberais de carteirinha terminou por provocar – ora, vejam só! – uma reação inusitada do Presidente do Banco Central. Para Roberto campos Neto, a grande dúvida permanece sendo a busca de uma explicação razoável para a ausência de crescimento de nosso PIB, mesmo depois de eles terem implementado a agenda das reformas. É provável que daqui a pouco ele também venha a público para colocar a dúvida sobre as razões para tal persistência da inflação, apesar da explosão da taxa de juros. É a tal da teimosia do fenômeno real, que insiste em incomodar as certezas das simplórias explicações de gabinete da tecnocracia. Inflação prejudica os mais pobres. Ocorre que a conjuntura dos últimos anos tem promovido a cruel combinação de um aumento generalizado nos preços com a permanência de desemprego em níveis bastante elevados. Acrescente-se a esse quadro a redução significativa na renda das famílias, em especial aquelas situadas na base de nossa pirâmide da desigualdade. Essa radicalização da crise social encontra sua expressão mais trágica no aumento da violência urbana e da marginalidade, com a ampliação do número de famílias em condições de fome e de miséria. De acordo com cálculos do Dieese, o salário mínimo reajustado para 2022 não consegue comprar nem mesmo 2 cestas básicas em grande parte das capitais do País. As gerações mais novas talvez não estejam muito habituadas ao termo “carestia”. De acordo com o dicionário Houaiss, as alternativas de definição seriam: (…) “carestia: 1. escassez de víveres ou de determinado produto; 2 p.ext. encarecimento do custo de vida” (…) Infelizmente, essa combinação de escassez de acesso aos produtos, o aumento de seus preços e a redução da renda disponível das famílias é fenômeno social recorrente em nossa sociedade. Há quase 50 anos atrás, durante a ditadura militar, o Brasil conheceu o fortalecimento de um amplo movimento para denunciar e enfrentar esse aprofundamento do quadro de crise social. Durante a década de 1970 foi organizado o “Movimento Contra a Carestia” (MCC), que aglutinou diferentes setores e entidades por todo o território. Com forte presença nos movimentos populares nas periferias das grandes metrópoles, o MCC também era conhecido por Movimento do Custo de Vida (MCV) e contribuiu para formação de importantes lideranças e chegou a encaminhar ao governo do General Geisel e ao Congresso Nacional um abaixo assinado com mais de 1 milhão de assinaturas, um recorde à época. A proposta era de congelamento dos preços de alimentos e itens de maior necessidade, além da reivindicação de mais creches e escolas. Ora, a aproximação da data das eleições faz com que as dificuldades enfrentadas por Bolsonaro nas esferas política, econômica e social se reflitam também na liderança de Lula na preferência da população quando indagada a respeito de suas intenções de voto. A dificuldade do governo em retomar o ritmo de crescimento da economia, a existência de um nível preocupante de desempregados, a memória recente das mais de 600 mil mortes pela covid 19, os sucessivos escândalos públicos de corrupção na antessala do Presidente e o nível estratosférico dos preços de alimentos e derivados de petróleo são fatos mais do que evidentes. No então, o que mais surpreende os analistas é que eles não estejam encontrando a contrapartida adequada em termos das denúncias da oposição e do quartel general da campanha de Lula. A estratégia de priorizar os contatos e articulações “por cima” para assegurar a vitória na disputa de outubro acaba por deixar relegada a um segundo plano a tarefa política fundamental e emergencial de organizar os setores mais afetados pelo aprofundamento da crise econômica e social. A opção do ex presidente por “jogar parado” implica uma aposta arriscada e equivocada de que a eleição já estaria definida “a priori” e de que tudo deve ser feito para evitar qualquer tipo de acirramento da conjuntura. Ocorre que a distância de pouco mais de 6 meses que nos separa do primeiro

Inflação, carestia e eleições Read More »

Lula define “núcleo duro” da campanha; Gleisi será coordenadora-geral

  Por Luciana Lima no portal Metrópoles Foto: Ricardo Stuckert   O nome do sergipano Márcio Macedo é o mais cotado para a função de tesoureiro, uma das posições mais delicadas da campanha.   O núcleo duro da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está formado, e terá como coordenadora-geral a presidente nacional da legenda, deputada Gleisi Hoffmann (PR). As funções de cada um foram definidas nesta semana. Alguns nomes confirmados já exercem esse papel dentro da pré-campanha do ex-presidente. É o caso dos ex-ministros Franklin Martins e Luiz Dulci, que seguem com a tarefa de cuidar, respectivamente, da comunicação e da agenda de Lula. O ex-ministro Aloizio Mercadante, atual presidente da Fundação Perseu Abramo, será o responsável pelo programa de governo. A fundação já realizou uma série de discussões sobre vários temas e mantém reuniões regulares com um grupo de 86 economistas que já trabalham na elaboração de uma proposta. Em busca de um tesoureiro Outro nome apontado no grupo é o de Márcio Macedo (PT-SE), ex-tesoureiro do PT Nacional. Ele é o nome desejado pelo ex-presidente para assumir a tesouraria da campanha. Macedo, no entanto, ainda não confirma se assumirá a função, e espera resolver essa questão na próxima semana, depois de assumir sua vaga na Câmara e também de se reunir com integrantes do partido, em São Paulo. Mesmo sendo o nome de maior confiança de Lula para a função, no momento, o petista quer tentar se reeleger e, nesse caso, ficaria inviável assumir a tarefa de cuidar das finanças da campanha. “Vamos falar sobre isso lá na frente, mas quem decide é Lula”, disse o deputado ao Metrópoles. Interlocutores de Lula dizem que o ex-presidente não aceita muito a ideia de ter como tesoureiro, uma das tarefas mais difíceis da campanha, alguém que esteja disputando cargos. “Caiu nas graças” Macedo passou a tomar conta da tesouraria do partido em 2015, quando João Vaccari Neto deixou a função após ser preso pela operação Lava Jato, sob suspeita de corrupção, desvio e lavagem de dinheiro na Petrobras. Em outubro do ano passado, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu anular ação penal que condenou Vaccari Neto a 6 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto. Ele havia sido condenado, em 2016 pelo então juiz Sergio Moro. Segundo petistas próximos a Lula, Macedo caiu nas graças de Lula por sua atuação nesta fase crítica do partido. Além disso, o deputado sergipano também coordenou as caravanas de Lula pelo Nordeste. Para a função de tesoureiro, neste ano, Lula não pode mais contar com José Di Fillipi, eleito prefeito de Diadema, município da região metrópolitana de São Paulo. Filippi foi tesoureiro da campanha de reeleição de Lula em 2016 e da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010.  

Lula define “núcleo duro” da campanha; Gleisi será coordenadora-geral Read More »

Rolar para cima