Construir Resistência

23 de março de 2022

Dólar em queda: o efeito reverso da crise artificial criada na Ucrânia.

Por Rogério Guimarães Oliveira Ao se atirar na aventura bélica contra os russos, Biden deu um tiro de AK-47 no pé de seu país   Biden exigiu e o mundo começou a atendê-lo: o petróleo começa a ser negociado em outras moedas em intensidade cada vez maior e crescente. Isto retira do dólar o lastro que ele vinha mantendo nas transações globais de petróleo desde 1991, ano no qual o anterior lastro em ouro foi abandonado pelos estadunidenses. Na medida em que o petróleo deixa de ser comercializado em dólares, a moeda estadunidense perde demanda. Baixando a demanda, aumenta a oferta. E, como todos nós sabemos da escola neoliberal, havendo oferta de alguma coisa em demasia, o seu valor cai. Desta forma, a crise da Ucrânia, gerando o calote dos estadunidenses na dívida externa da Rússia, somado aos boicotes que os países ocidentais estão impondo aos russos, por pressão estadunidense, tudo isso somado a um contexto de retomada da economia mundial com o fim da pandemia, resultado em um quadro muito ruim para a moeda estadunidense, que enfrenta índices de inflação recente cada vez maiores. E tudo isso ocorre no momento em que o mundo todo, interessado adquirir petróleo, o comprará do jeito que for, na moeda em que ele seja negociado. Assim, rubros e yuans, além de euros, passam a ser as moedas mais utilizadas depois do dólar nas transações do comércio mundial do petróleo. Biden exigiu sanções e bloqueios contra os russos e está sendo atendido. A própria compra de petróleo pelos EUA, feita dos russos na proporção de 15% do que o país consome, deixou de ser feita. Os russos, no entanto, encontrarão compradores para este volume que antes era adquirido pelos ianques. E mais um detalhe significativo: o yuan, a moeda chinesa, possui lastro integral em ouro. Isto significa que quem tem yuans, pode trocá-los pelo equivalente em ouro. E quem tem dólares, tem apenas papéis impressos, cujo valor oscila conforme a música que estiver tocando na economia no momento, como ocorre com todas as demais moedas não lastreadas planeta afora. Em linguagem técnica: ao se atirar na aventura bélica contra os russos, Biden deu um tiro de AK-47 no pé de seu país. E colocou o dólar em rota de desvalorização acelerada. Parodiando aquele filme famoso, resta dizer aos estadunidenses: – Apertam os cintos, o piloto é o Biden! Circulam análises que definem Biden como um líder fraco, o qual acostumou-se na carreira política a expressar o que seus assessores durões pedem. E que ele não tem ideias nem iniciativas próprias como os estadunidenses imaginam. Ele, definitivamente, não é um autêntico líder político. Então, se as coisas já haviam ficado muito ruins por lá com a ascensão ao poder do boquirroto e falastrão Donald Trump, que também não era um líder político, mas um ricaço fanfarrão, agora, parece vão piorar. Há muito mais aspectos e setores da economia daquele país que serão duramente afetados sob a condução democrata do Governo Biden. Se eu tivesse dólares, os venderia logo. A ver.   Rogério Guimarães Oliveira é advogado e jornalista      

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Quem é Milton Ribeiro ou com a educação não se brinca e, com Deus, menos ainda

Por Luis Otavio Barreto É a vergonha do púlpito da igreja presbiteriana, é a vergonha do magistério, é a vergonha da educação brasileira, é a vergonha da política do Brasil, é a vergonha de muitos evangélicos, é a vergonha de alguns dos membros da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, em Santos – SP, é a vergonha do ministério da educação, é mais uma vergonha do ministério pastoral. Milton é aquele que ofende a educação, que ofende a acessibilidade, que ofende a democracia do ensino, que ofende os especiais, que ofende um direito básico, previsto em constituição, seja ele o da educação, ofende a profissão, os ministérios da palavra e da educação. Ofende o Brasil, ofende a igreja Presbiteriana e também ofende a atualmente mui enlameada categoria dos pastores. Milton ofende os professores, os alunos, os institutos, as universidades, os colégios, os concursos e vestibulares. Milton deve ofender a própria família e mais, Milton, em sua existência, ofende a si. É um horror que um homem tão despreparado moralmente, com um caráter tão defeituoso, tenha um púlpito, tenha ministérios, proteste credibilidade e se meta a falar em nome de coisas tão poderosas, como Deus e educação. Crente que sou naquela ideia de “com isto não se brinca”, posso lhes dizer que o fim de Milton Ribeiro, quer seja na educação, quer seja no ministério pastoral, quer seja na vida, não será bom. Alguém que se mete a mexer com forças poderosas e delas dispor sem o menor compromisso com as coisas retas, olha…sei que adotei um viés místico, perdoem, é o que acredito. Termino com uma frase: – Com a educação não se brinca. Com Deus, menos ainda. Luis Otavio Barreto é músico pianista e professor de língua portuguesa

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A Brecht o que é de Cícero César, um poema

Por Cícero Batista Compartilhado do Blog Bem Blogado Mais um episódio da coluna “A César o que é de Cícero”, do doutor em Literatura Cícero César Sotero Batista. Neste capítulo, Cícero César mostra um seu poema “Á maneira de… Brecht” e manda uma singela cartinha para este editor, Washington Aráujo. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence (Bertolt Brecht) “Beija-flor, 17 de março de 2022. Meu caro Wash, o poema a seguir faz parte de uma série intitulada “À maneira de”. Eu tinha acabado de ler os poemas de Bertolt Brecht em uma cuidadosa tradução de André Vallias. Cheguei a escrever uma carta para ele, mas não creio que ele a tenha lido. Paciência. Enfim, fiquei tão encantado com os poemas do alemão que resolvi criar os meus tendo como base os dele – daí o motivo do título “À maneira de”. No geral, achei curioso o fato de Brecht não escrever poemas difíceis. As rimas eram relativamente simples, ao alcance de qualquer poeta mediano. O vocabulário, também muito usual. Entretanto, os poemas eram por demais expressivos. O que quero dizer com isso é que nem sempre a palavra mais altissonante, a rima mais rebuscada, trará à luz e aos ouvidos o efeito desejado. Fica aqui o alerta: não basta repetir (no sentido de replicar) Brecht. Ser simples não é o mesmo que ser simplista. Era o início da pandemia, 2020. Como muitos de nós, eu sabia que enfrentaríamos uma tempestade perfeita: crise mundial, efeitos locais. Faço parte daqueles trabalhadores que ficaram temporariamente em “home office”. Tentei dar aulas de inglês para a garotada e manter a esperança lá em cima, a deles e a minha.  Não dá para contar aqui tudo o que vivi e o que não vivi sendo professor em tal situação. Por enquanto, não. Quanto ao poema, esta versão é diferente da original. Eu tenho o costume de mexer muito nos textos, especialmente os que são em verso. Fico lendo em voz alta até encontrar um ritmo que me pareça adequado, pelo menos para mim. Enfim, alguma coisa mudou, ainda que a ideia tenha permanecido praticamente a mesma. Que os poetas saibam encontrar com seus próprios recursos as formas mais necessárias de cantar e transformar o seu tempo. DIÁLOGO DE REMADORES Estamos na mesma canoa furada Que afunda Já temos água pela bunda Mas seguimos remando a mando do homem de frente Que se acha mais homem que a gente Estamos na mesma canoa furada Que a muito custo flutua Com água já pela cintura Mas seguimos remando, acelerando Enquanto o homem de frente foge nadando Estamos na mesma canoa furada Os mais velhos e os mais moços Com água já pelo pescoço Mas seguimos remando, sem mando porém Sem homem de frente, sem ninguém Estamos na mesma canoa furada Sem boias e sem coletes, sem nada Com água já pelo nariz Boiaremos que nem toletes? Afundaremos que nem um país?”   Sobre o autor Radicado em Nilópolis, município do Rio de Janeiro, Cícero César Sotero Batista é doutor, mestre e especialista na área da literatura. É casado com Layla Warrak, com quem tem dois filhos, o Francisco e a Cecília, a quem se dedica em tempo integral e um pouco mais, se algum dos dois cair da/e cama. É autor do petisco Cartas para Francisco: uma cartografia dos afetos (Kazuá, 2019) e está preparando um livro sobre as letras e as crônicas que Aldir Blanc produziu na década de 1970.

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