Construir Resistência

10 de março de 2022

“Estados Unidos manipulam, controlam e decidem tudo na Ucrânia”, diz Glenn Greenwald. 

Por Cintia Alves da GGM “A propaganda que a mídia e o governo americanos estão fazendo sobre proteger a democracia e liberdade na Ucrânia é uma mentira”, afirma Glenn Greenwald A cobertura da mídia internacional sobre a guerra na Ucrânia tem sido a “pior” já vista até aqui pelo advogado constitucionalista e jornalista Glenn Greenwald. É pior do que na época em que a imprensa se alinhou ao governo dos Estados Unidos para justificar a invasão ao Iraque, disse Glenn em entrevista exclusiva à TV GGN. “Por que os EUA têm tanto interesse na Ucrânia? Não tem petróleo lá, não há recursos que interessam. Eles querem dominar a Ucrânia porque é um importante País para enfraquecer a Rússia. Isso mostra que a propaganda que a mídia e o governo americanos estão fazendo sobre proteger a democracia e liberdade na Ucrânia é uma mentira. É uma democracia só no nome. A realidade é que os Estados Unidos estão manipulando, controlando e decidindo tudo na Ucrânia.” Famoso pela série de reportagens do caso Snowden e também pela Vaza Jato, Glenn afirmou na conversa com o jornalista Luis Nassif que a democracia da Ucrânia é “manipulada” pelos Estados Unidos e que a imprensa tem “medo” de questionar as narrativas do governo norte-americano e da OTAN contrárias à Rússia. “O incrível é que, durante 20 anos, foi completamente comum ouvir de gente do mainstream, alinhada ao governo dos Estados Unidos, que era muito perigoso crescer a OTAN até as fronteiras com a Rússia e deixar a Ucrânia entrar na OTAN. Isso iria gerar violência, sempre foi dito”, lembrou Glenn. Agora, segundo ele, os jornalistas que tentam apresentar essa crítica ao Ocidente são uma minoria na grande mídia. Uma minoria que passou a ser vista como dissidente ou até mesmo “traidora da pátria” apenas por tentar buscar expor o lado da Rússia no conflito. “Olhando para tudo que está acontecendo hoje na questão da guerra na Ucrânia, eu preciso dizer que [a cobertura da mídia] está muito pior, no sentido de impedir dissidências. Todo mundo tem medo de questionar a narrativa dos EUA e OTAN”, afirmou. ESTADOS UNIDOS CONTROLAM A UCRÂNIA Sempre prezando pela independência jornalística, Glenn deixou o The Intercept e rompeu com outros meios de comunicação após ter sido censurado por grupos que não quiseram melindrar o democrata Joe Biden em meio à disputa eleitoral para derrotar o republicado Donald Trump. O artigo de Glenn que a imprensa dos Estados Unidos tentou abafar falava justamente sobre o potencial escândalo de corrupção envolvendo Hunter Biden, filho do hoje presidente americano, e seus negócios no ramo de energia da Ucrânia. Glenn contou ao GGN que Hunter Biden recebia uma média de 50 mil dólares ao mês para trabalhar em uma área em que ele não tinha experiência nem formação à altura. Para o jornalista, os pagamentos se deram para que os empresários ucranianos tivessem acesso a Joe Biden. Isso indica, na visão de Glenn, que os Estados Unidos têm ascendência dentro do governo ucraniano há muito tempo.   “(…) a questão mais interessante para mim é por que esse contrato foi feito, por que a empresa queria pagar o filho do Joe Biden? Isso mostrou que quem está governando a democracia na Ucrânia não é a Ucrânia, mas sim os Estados Unidos”, disparou Glenn.   Matéria publicada originalmente no link abaixo: https://jornalggn.com.br/entrevista/estados-unidos-manipulam-controlam-e-decidem-tudo-na-ucrania-diz-glenn-greenwald-assista/   Assista a entrevista completa:     CONTRIBUA COM O CONSTRUIR RESISTÊNCIA NO ANIVERSÁRIO DE UM ANO Colabore com qualquer quantia para que continuemos disponibilizando informações gratuitas aos nossos milhares de leitores. PIX 11 997268051 em nome de Simão Félix Zygband ou conta bancária Itaú agência 4086 cc 09438-2 CPF 035540088-00

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A fofoca de Campina Grande

Por Luis Otavio Barreto Pois que a sogra do prefeito de Campina Grande, uma senhora conservadora, moralista, defensora dos bons costumes, religiosa, e, claro, Bolsonarista, foi filmada cheirando cocaína, com uma nota de 100 reais fazendo as vezes de um inalador, no ‘derrière’ de outra senhora. Olha, a despeito da intimidade do sujeito, existe um fator seríssimo: o capricho da vida. Nada fica encoberto por muito tempo. Esse tipo de coisa, então, não fica em sigilo mesmo. Há fatores e circunstâncias que regem e organizam a revelação dos fatos, seja em que tempo for. Não somos donos de nada, de situação nenhuma. Nem mesmo do sigilo. Aliás, sigilo?! Certas perturbações são capazes revelar, usando expedientes, inclusive, de ordem psíquica, segredos que jamais revelaríamos. A única maneira de não ser escravo de um segredo ou de uma situação como essa eh, e com efeito, não ter segredos. Isso não significa que vamos sair por aí dizendo nossos fetiches, taras, nossas indignidades ou o que fizemos naquele outono de 2017 sob a luz negra, claro que não, mas, também, não vamos sair por aí bancando a Perpétua ou a régua da moral. Cada um com seu cada qual. A vida não deixa barato, sobretudo, para a hipocrisia. Nada me tira da cabeça que o autor da lenda mamadeira de Pirok não a concebeu e teve ali muito prazer, mamando litros de leite. Nunca se viu um governo tão sexualmente mal resolvido e concupiscente. A começar pelo presidente e terminar por eleitores escondidos atrás de óculos de sol… aliás, depois vou escrever sobre isso. Eu não tenho um ditado ou uma boa frase para terminar o texto, aliás, tenho; “Freud explica.”   Luis Otavio Barreto é músico pianista e professor de língua portuguesa

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A velhinha do Sex Shop

Por Sonia Castro Lopes  Caía uma chuva fina e eu caminhava por Copacabana à procura de um táxi quando me deparei com o centro comercial mais antigo das redondezas, ali na esquina da Avenida Copacabana com Siqueira Campos. Viajei no tempo e lembrei-me da época em que ia à praia de ônibus e não tendo paciência para chegar a Ipanema – a princesinha do mar de minha adolescência – ficava por ali mesmo me torrando ao sol do posto 4. Copacabana já andava meio decadente e não havia shoppings como os de hoje. Como boa menina da zona norte, eu juntava os restinhos de mesada, dinheirinho ganho no natal e no aniversário para fazer compras naquele centro comercial onde havia lojas com roupas descoladas a bom preço.  Quantas mini-saias, mini-blusas, calças saint-tropez comprei ali para usar nas festinhas de fim de semana… Assim que era possível lá ia eu com as amigas do colégio a bordo do ônibus 416 gastar meus cobres em Copa numa alegria infinita, verdadeira festa de consumo que se repetia ao menos duas ou três vezes por ano. Hoje o velho shopping está irreconhecível, repleto de lojas que vendem tudo a 1,99, modestos ‘salões de beleza’, estabelecimentos que oferecem cosméticos e artigos para cabeleireiro, roupas e bijuterias baratas, um verdadeiro camelódromo. Curiosa e com tempo sobrando resolvi fazer uma excursão aos andares superiores. Mal cheguei à sobreloja, dei de cara com uma sex shop. A porta de vidro jateado impedia a visão no interior da loja, mas no exato momento em que eu estava passando ela se abriu e de lá saiu um homem que, num gesto cordial, manteve a porta aberta à espera que eu entrasse. Pude, então, ver uma cliente realizando o pagamento de suas compras e, por trás do balcão, uma senhorinha que julguei ser a vendedora. Não vou mentir aos leitores. Sempre tive curiosidade de conhecer esse tipo de loja, mas nem em Amsterdam onde visitei o Red Light District me atrevi a tal, apesar da visita que fiz ao Museu Erótico. Em Buenos Aires, ali pela altura da Corrientes e mesmo em Paris, nas proximidades do Moulin Rouge, ao pé de Montmartre, eu as olhava de soslaio, curiosíssima, mas por falta de companhia ou incentivo, nunca visitei nenhuma, me contentando apenas em apreciar as vitrines. Voltando à sex shop da Siqueira Campos. A senhorinha, que aparentava uns sessenta e muitos, talvez setentanos, parecia ser a vendedora, gerente, ou mesmo a dona da loja. Cheguei a essa conclusão pelo desembaraço com que manipulava notas fiscais e outros documentos que se encontravam sobre a escrivaninha que ocupava bem atrás do balcão. Ao perceber minha presença, perguntou polidamente: Posso ajudá-la? Visivelmente constrangida, apontei para uns objetos que estavam numa estante atrás da mesa. — A senhora quer ver um desses? Com ou sem vibrador? Murmurei um “sem” pouco convincente e ela prosseguiu: temos nos tamanhos pequeno, médio e grande, mas o material não é dos melhores. Os mais perfeitos são os de silicone, só que um pouco mais caros. Absolutamente constrangida, peguei as peças para examinar.  Tentei disfarçar, dizendo que não era para mim, mas para uma colega, diante do olhar incrédulo da velhota. Vaguei alguns minutos pela loja e volta e meia me dirigia a ela que, totalmente absorvida pelo exame das notas fiscais, já não me dava a mínima. Peguei uma peça reluzente, metálica com uma grande pedra cor de rosa e voltei a interpelá-la: — O que é isso? Secamente, a velha respondeu:  “Plug anal” para, em seguida, com cara de poucos amigos me perguntar se não iria levar nada. Desconcertada, apontei para um ‘brinquedo’ de borracha (os mais baratos) e perguntei, espantada, se aquele era tamanho médio. Sim, me garantiu, são só 14 centímetros, demonstrando conhecimento de causa. Antes de passar o cartão resolveu me perguntar se também levaria a cinta para adaptar o apetrecho que comprara. Nesse momento, me deu uma olhada de alto a baixo e quis saber se “minha amiga” tinha meu corpo ou era mais gorda. Caso fosse, a cinta poderia ficar apertada. Desesperada para sair dali, acabei comprando as duas peças. Naquela altura, minha orientação sexual era o que menos importava. Afinal, a  excursão ao sex shop,  não saíra assim tão cara… Voltei para casa intrigada: O que fazia num sexshop aquela senhorinha com aparência de cândida vovó do Meier e adjacências? Daquelas que preparam macarronada e bolo de chocolate para os netos aos domingos. Baixinha, toda trabalhada no conjuntinho de liganete (não sabe o que é? Dá um google), cabelinhos brancos, curtos, oclinhos redondos, a vovó dos livros infantis, a vovó dos nossos sonhos… Poderia ser dona de um armarinho no subúrbio, mas ali, naquela loja, manuseando aqueles “brinquedos” e dando informações técnicas, precisas como se estivesse a vender tomates na feira… Dentro do taxi, pensei em voltar outro dia para entrevistá-la. Seria viúva, solteira ou casada? Teria filhos? Netos? O cidadão que saiu da loja na hora em que eu, indecisa, não sabia se entrava ou não, seria seu companheiro?  Um tipo meio esquisito, esse sim com cara de dono de sex shop. Qual sua relação com aquela senhorinha? Seriam muitas as perguntas, mas, decididamente, bom-humor não era o forte da velhota. Ao  contrário, seca demais, prestava as informações necessárias sem muita conversa e com um visível ar de enfado. Sem chances. O jeito era usar a imaginação. Depois de muito refletir fiquei pensando como somos preconceituosos e ligados em estereótipos. Por que a doce senhora não poderia ser proprietária de uma loja como aquela? Com certeza, por que o sexo e o prazer estão no plano de tudo que é proibido,  pecaminoso e  sujo. Logo, a doce velhinha não podia fazer parte daquele submundo por ser mulher, por ser idosa, por ter cara de matriarca de família suburbana. Dias depois tive acesso a um vídeo que corre na internet a respeito de uma respeitável senhora, religiosa, mãe de família e bolsonarista – sogra do prefeito de Campina Grande, na Paraíba –

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Barong Vermelho, o musical na luta contra a Aids

Do Instituto Cultural Barong Como parte das celebrações do dia #ZeroDiscriminação, o UNAIDS apoiou o lançamento do musical Barong Vermelho, uma iniciativa do Instituto Barong, que reuniu 46 participantes, entre representantes de movimentos sociais e ativistas que atuam na resposta ao HIV nas mais diversas áreas de atuação. Gravado em dezembro de 2021, o musical foi dividido em quatro videoclipes com músicas brasileiras muito conhecidas: “Pro Dia Nascer Feliz”, de Cazuza e Roberto Frejat, “Pescador de Ilusões”, de Marcelo Yuka/O Rappa, e “Juízo Final”, de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, além de um pout-pourri com a combinação das três músicas. As composições foram especialmente escolhidas para reforçar a necessidade da zero discriminação e de dar uma resposta ativa ao estigma e à discriminação, especialmente quando afeta as pessoas vivendo com HIV e AIDS, todos os dias e em todos os ambientes. “Barong Vermelho, o Musical” estreou no YouTube e nas redes sociais do Barong e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Dia Mundial de Zero Discriminação, comemorado em 1º de março. Até o dia 7 foram exibidos, diariamente, quatro videoclipes e três vídeo-depoimentos, alternadamente. O UNAIDS promove a iniciativa Zero Discriminação desde 2014 para de celebrar o direito de todas as pessoas a uma vida plena, digna e produtiva, não importando origem, orientação sexual, identidade de gênero, sorologia para o HIV, raça, etnia, religião, deficiência e tantos outros motivos de discriminação. A iniciativa busca demonstrar que todas as pessoas podem e devem se informar e agir ativamente para acabar com seus preconceitos a fim de atuar na promoção da tolerância, do respeito, da empatia e da paz. “Para nós, do UNAIDS Brasil, o musical Barong Vermelho é muito importante pelo fato de reunir personalidades emblemáticas da sociedade civil, da gestão, de parcerias multilaterais, com um engajamento histórico na resposta ao HIV. Isso é celebrar a vida e a amizade e é o verdadeiro sentido de zero discriminação”, explica Ariadne Ribeiro, assessora para Comunidade, Gênero e Direitos Humanos do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil. Em dezembro, ativistas, gestores e profissionais de saúde, pesquisadores, representantes de ONG e pessoas vivendo com HIV/aids, foram reunidos para as gravações do “Barong Vermelho, o Musical”. Foram 51 crianças, mulheres, jovens, adultos e pessoas mais experientes, de 25 organizações governamentais e não governamentais, em torno da ideia de fazer de todos os dias do ano o Dia Mundial de luta contra a AIDS. “O resultado mostra o que nos torna iguais: nossa humanidade, que a música expressa tão bem”, festeja Marta McBritton, presidente do Barong. Além dos clipes musicais, há também outros três vídeos, que trazem depoimentos das pessoas participantes sobre arte e HIV/AIDS nestes 40 anos de pandemia. “Para estas pessoas, para todas nós, o Dezembro Vermelho, quando se celebra o Dia Mundial da AIDS, na verdade é o ano todo”, diz Adriana Bertini, diretora de projetos do Instituto Barong. “Esta é a proposta do Barong Vermelho: trazer o Dia Mundial da AIDS para o ano todo. Nada melhor do que começar isso no Dia de Zero Discriminação”, diz. “Esta ação é muito importante para acabarmos com o estigma e com a discriminação que ainda há em relação às pessoas vivendo com HIV”, diz Alexandre Gonçalves, da coordenação do Programa Estadual de IST/Aids de São Paulo, em seu depoimento, depois de participar da gravação de duas das canções reunidas nos videoclipes. Assista o clipe de Pro Dia Nascer Feliz, primeira parte do musical Barong Vermelho. A série de quatro videoclipes musicais e três vídeos-depoimentos foi exibida nas redes sociais do Barong no Dia Mundial de Zero Discriminação, 1º de março, às 18h, prosseguindo diariamente até o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Todos os vídeos continuam disponíveis no canal do Barong no YouTube, que estão no link abaixo:   http://Bit.ly/canalbarong        

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