Construir Resistência

4 de março de 2022

Luiz Pinguelli Rosa: uma trajetória exemplar

Por Roberto Leher O Brasil e a ciência mundial perderam hoje uma liderança acadêmica e intelectual que contribuiu para tornar o Brasil uma nação inserida, por meio de suas universidades públicas, nos circuitos mundiais da ciência e da cultura comprometidos com o porvir dos povos. Por seu engajamento nos debates dos grandes dilemas da humanidade, como as mudanças climáticas, o prof. Pinguelli concorreu para forjar um outro mundo possível, mesmo em tempos em que as teias do ‘presentismo’ turvam a própria possibilidade de futuro. A paixão que moveu sua vida sempre teve como objeto do desejo o “fazimento” de uma universidade pública comprometida com a soberania nacional, base e fundamento de um projeto de nação que pudesse erigir um porvir digno para todo povo. Compreendeu que a soberania energética era um pilar decisivo para o futuro dos povos. Amparado nos ombros de um outro gigante, o prof. Coimbra, se engajou, de corpo e alma, na vida universitária guiado pela ideia motriz de que a universidade pública deveria ser uma instituição, simultaneamente, de formação humana sofisticada e rigorosa das novas gerações, e de inquebrantável compromisso ético com os problemas nacionais e dos povos. Questionou e alargou cânones acadêmicos possibilitando que a COPPE e, mais amplamente, a UFRJ, se caracterizassem como espaços pulsantes de produção de conhecimento com novas miradas epistemológicas, sobretudo na busca da interdisciplinaridade própria da vida social dos povos. Agiu para combater a ditadura empresarial-militar, contribuindo de modo axial para organizar o conjunto dos docentes e, assim, viabilizar um agir coletivo, desde o cotidiano do fazer universitário. Neste sentido, atuou ativamente para construir a Adufrj e a ANDES – sendo seu segundo presidente (1982-84). Por diferentes vias, seguiu comprometido com as grandes lutas do país. No período em que tive a honra de ser reitor da UFRJ, o prof. Pinguelli sempre se notabilizou pela solidariedade ativa e inspiradora, mesmo em um período de ruptura com a já frágil democracia, encorajando a voz pública das universidades em prol da educação pública, da ciência, do desenvolvimento tecnológico e da democracia política e econômica. Ao longo de toda sua profícua vida acadêmica, nosso Emérito demonstrou para as novas gerações que o agir científico é incompatível com o medo difundido pelas forças destrutivas, pois o temor almeja silenciar as instituições universitárias, justo quando as suas polifônicas vozes são necessárias para fomentar uma nova vontade nacional e popular transformadora. Um país é forjado também pelo exemplo e pelas contribuições dos seus grandes intelectuais-organizadores. No panteão dos grandes, irmanado com lideranças sociais, cientistas, artistas, Pinguelli seguirá cintilando, nos instando à ação e ao movimento de construir o novo em um contexto em que as forças destrutivas querem silenciar as universidades no manto do medo e da indiferença. Pinguelli, presente, hoje e sempre! Rio, 3/3/22 Roberto Leher é Professor Emérito da UFRJ

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Quem são os neonazistas ucranianos

Por Francesco Bortoletto, via Europa.today   No país existem formações de ultradireita ativas, que também lutam contra os separatistas em Donbass. Kiev os explorou em uma perspectiva anti-russa, mas eles podem ser uma faca de dois gumes.   O presidente russo, Vladimir Putin, disse que queria “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia, enviando o exército para proteger “as pessoas que foram intimidadas e massacradas pelo regime de Kiev por oito anos” e para “garantir a execução daqueles que cometeram vários crimes sangrentos contra civis ”nas autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, recentemente reconhecidas pelo Kremlin. A referência é às formações políticas e paramilitares de extrema direita que se multiplicaram e se fortaleceram no país desde sua independência da União Soviética em 1991. Nos últimos anos, algumas delas foram apoiadas, mais ou menos explicitamente, por Kiev em um papel anti-russo e se tornaram protagonistas dos combates nas províncias separatistas contra os rebeldes. “Desnazificar” Ucrânia Há meses, a propaganda russa vem denunciando a presença de elementos de ultradireita entre os combatentes nas áreas disputadas do leste da Ucrânia, chamando-os de “dignos herdeiros” das brigadas que, lideradas por Stepan Bandera, contribuíram para o ataque à URSS (precisamente na Ucrânia) durante a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de criar um estado independente aliado à Alemanha de Adolf Hitler. Para lutar ao lado dos alemães, essas brigadas se organizaram no exército de insurreição ucraniano. A partir disso, foi criada uma divisão da SS (a 14ª Waffen SS Galicia), que agitou a antiga bandeira ucraniana amarela e azul, proibida pelo regime soviético. De Bandera a Euromaidan As formações de ultradireita ucraniana lutaram posteriormente contra os russos em várias ocasiões: ao lado dos georgianos em 1993, contra os separatistas abecásios apoiados por Moscou e em 1994 junto com os chechenos. Em ambos os casos, eles se viram no “lado perdedor”, mas na Rússia a memória dos “nazistas ucranianos” está longe de desaparecer. Em 2004, os nacionalistas reapareceram (embora com um papel marginal) na chamada Revolução Laranja na Ucrânia, que levou o pró-ocidental Viktor Yushchenko a assumir a presidência. Mas foi em 2014 que grupos ultranacionalistas recuperaram a centralidade nos assuntos ucranianos. Durante as semanas do Euromaidan, grupos como o Pravyi Sektor [Setor Direito], os Patriotas da Ucrânia e os Batalhões de Defesa Territorial erguem-se às barricadas para derrubar o presidente Viktor Yanukovych. E desde que os separatistas exigiram a autodeterminação do Donbass, essas formações tomaram a linha de frente em confrontos com rebeldes e foram acusadas (não apenas pelos russos) de graves abusos e violações dos direitos humanos, inclusive contra civis. Nos últimos anos, no entanto, a influência política exercida por esses grupos da direita radical também se expandiu substancialmente. Apesar de não poder contar com uma grande representação no parlamento, a ultradireita ucraniana ainda consegue influenciar a classe dominante graças às suas raízes nas ruas. Segundo muitos observadores, por exemplo, Kiev nunca aplicou os pontos dos protocolos de Minsk que previam um entendimento com os separatistas também devido à pressão dessas forças nacionalistas e neonazistas. O batalhão Azov Entre os grupos neonazistas ucranianos, o mais forte é certamente o chamado batalhão Azov. O corpo nasceu em maio de 2014 em Mariupol, cidade ucraniana com vista para o Mar de Azov, por Andriy Biletsky, um soldado conhecido pelo apelido de “Führer Branco” e defensor da pureza racial da nação ucraniana. Foi inicialmente uma milícia irregular composta por ultras neonazistas que lutaram contra os rebeldes ucranianos, sendo culpados de inúmeras atrocidades, por diversas fontes (incluindo a Anistia Internacional e a OSCE, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) também contra a oblasts orientais, de Kharkiv a Lugansk.   Em outubro do mesmo ano o batalhão tornou-se tão grande que foi colocado na Guarda Nacional, sob o controle do Ministério do Interior, para aproveitar ao máximo as milícias que se mostraram cruciais para conter o avanço dos rebeldes no Donbass. Biletsky ganhou o posto de coronel e uma medalha de bravura por liderar o esquadrão sem dúvida mais eficaz para a frente. Agora o Azov, que tem cerca de 1.260 soldados, é um regimento de forças especiais e é treinado por instrutores da OTAN, mas manteve as insígnias que traçam os emblemas da SS nazista acima do chamado sol negro, outro símbolo caro a Hitler. Desde fevereiro de 2019, ele foi implantado novamente no Donbass e provavelmente estará na linha de frente contra as forças armadas russas nas próximas horas. As ligações europeias O movimento tem tentáculos em toda a Europa e além: junto com outras organizações, forma uma rede internacional de recrutamento que atrai neonazistas e supremacistas brancos de ambos os lados do Atlântico (inclusive via Facebook), ganhando o apelido de “Legião Negra Ucraniana”. Centenas de jovens vêm de diferentes lugares para a Ucrânia para lutar entre suas fileiras e, uma vez que retornam ao seu país, mantêm a conexão com os centros de recrutamento ucranianos. Na Itália, o batalhão teve vários contatos com a galáxia de grupos de extrema-direita (também destacados através das investigações sobre as redes de neoterrorismo) e em particular com os militantes da CasaPound, alguns dos quais teriam participado dos treinamentos do Azov. O partido Mas Azov não é apenas um regimento: é também um movimento político, que se estrutura ao longo do tempo. Seu fundador Biletsky criou um partido, o National Corps, em outubro de 2016 e publicou um livro, As palavras do Fuhrer Branco, que serve como um manual de treinamento para recrutas. O campo de ação de Azov se expandiu, a ponto de incorporar outras galáxias de extrema direita, como os Patriotas da Ucrânia (que foram acusados ​​de atacar imigrantes e estudantes). Entrevistado pela Repubblica, Biletsky declarou-se um homem de direita, mas não se considerava nem nazista nem fascista. Quanto aos crimes de guerra de que seu regimento é acusado, ele não os reconheceu e, de fato, disse que seus homens “sempre se comportaram como cavaleiros, ao contrário dos russos”. Alguns “departamentos nacionais” (costelas de Azov) concorreram às eleições parlamentares de 2019, mas não atingiram a votação

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O dia em que entrevistei Luiz Pinguelli Rosa

Por Walter Falceta Jr. Nos anos 1990, entrevistei Luiz Pinguelli Rosa, um dos mais brilhantes intelectuais brasileiros de todos os tempos. O tema inicial da conversa não tinha relação com política. Eu produzia uma matéria sobre Teoria do Caos e Ciências Não Lineares. Então, era um tema mix de ciência física com filosofia. Primeiramente, o que me impressionou foi a sensatez do Luiz, um polímata, capaz de raciocinar de forma transdisciplinar, misturando todas as áreas possíveis do conhecimento. Conversamos um tempão e, de repente, a Teoria da Relatividade já encaminhava a troca de ideias para o campo da universalização de direitos e sobre as (então, propostas) quotas nos institutos de formação superior. O professor contou ter iniciado a vida na caserna, ainda jovem na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Se não me engano, saiu de lá como oficial das FFAA. Depois, foi para o Instituto Militar de Engenharia. Então, conhecia os intestinos do poder, desde a época da Ditadura Militar. Tinha essa capacidade de unir pontas. Teve um livro que, de novo, se não me engano, versava sobre tecnociência e humanidades. Era um físico com romântico afeto pela metafísica. Depois, tornou-se uma figura conhecida no campo das mudanças climáticas, que enxergava de maneira formidavelmente estrutural. Teve cargos nos governos petistas, mantendo sempre a independência crítica, com moderação e sensibilidade. Lembro de que falamos sobre fractais. E ele me pareceu um menino, feliz da descoberta de um lúdico desenho. Um desenho sem fim. Acho que hoje, depois do último suspiro aqui, ele viajou para lá. Walter Falceta é jornalista e um dos fundadores do Coletivo Democracia Corintiana (CDC)

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ABI e SBPC repudiam a extinção das rádios MEC AM e Nacional do Rio de Janeiro

Em nota , a Associação Brasileira de Imprensa e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência conclamam a população brasileira a “pressionar o governo federal para que volte atrás nessa decisão” Leia a íntegra: NOTA CONJUNTA DA ABI E DA SBPC Indignados, tomamos conhecimento de que o coronel Roni Pinto, diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), comunicou a gestores da estatal que, no prazo de um mês, a Rádio MEC AM e a Rádio Nacional do Rio de Janeiro serão extintas. Esse projeto, nocivo aos interesses do povo brasileiro, não é de agora. Em 2019, um ano depois de o atual presidente, Jair Bolsonaro, tomar posse, o seu governo ensaiou liquidar a Rádio MEC AM. Diante da resistência, acabou recuando. Agora, volta à carga. A MEC é a mais antiga emissora de rádio do Brasil, tendo sido criada em 1923, com o nome de Rádio Sociedade. Conquistou respeito generalizado devido à qualidade da sua programação. Já a Rádio Nacional foi o mais importante veículo de comunicação do País em meados do século passado, tendo também uma extensa folha de serviços ao povo brasileiro. A única explicação possível para a medida anunciada é a conhecida aversão do atual governo a tudo o que é público. A ABI e a SBPC manifestam seu repúdio a ela e conclamam a população brasileira a se pressionar o governo federal para que volte atrás nessa decisão. Paulo Jeronimo – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) Renato Janine Ribeiro – Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)  

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