Construir Resistência

26 de janeiro de 2022

Ciro sendo Ciro

Por Cláudio Viola  Me dei ao trabalho de ouvir a entrevista do Ciro Gomes na rádio Gaúcha hoje pela manhã. As ideias econômicas do Ciro não são ruins, pois a vertente dele é o nacional-desenvolvimentismo. O problema do Ciro é o EGO incontrolável. Já se lançou candidato para a presidência e mais uma vez vai perder. Ciro é verborrágico e no decorrer da entrevista, entre momentos de lucidez no que tange à economia, ele se perde pelo rancor e pelo mau caráter. Sua obsessão por Lula é deprimente. Jamais vou esquecer que Ciro menosprezou Lula enquanto este penava numa cela da Polícia Federal em Curitiba, numa prisão revestida de irregularidades jurídicas e de cunho essencialmente político. Ciro ratificou mais de uma vez a prisão de Lula e se regozijou com isso. No momento mais crítico da DEMOCRACIA brasileira em 33 anos, o coronel abandou as trincheiras e foi tomar champanhe em Paris. Deveria ter ficado, deveria ter dado uma trégua em seu ódio por Lula e o PT, deveria ter se comportado como um democrata e lutado contra o neofascismo representado por Bolsonaro. Ele preferiu virar as costas para o Brasil que agora se apresenta para defender. Hoje ouvi da boca de Ciro que Lula e Bolsonaro estão combinando que não vão participar dos debates eleitorais em 2022. Ridículo. Lula tem em sua facilidade absurda de comunicação e em sua vasta obra social/econômica, de cunho inclusivo, os pilares de sua candidatura. Lula tem história e Ciro tem intenções. Ouvi da boca de Ciro que os governos de Lula foram um desastre. Que tipo de desastre é esse onde um presidente sai com 87% de aprovação em seu último mandato? Que tipo de desastre é esse quando um presidente coloca seu país no patamar de SEXTA economia do mundo e entrega o Brasil com reservas cambiais acima de 300 bilhões de dólares? Que tipo de desastre é esse onde um governo presidido por Lula tira milhões de brasileiros a linha da miséria absoluta e cujo programa social de transferência de renda (bolsa-família) se torna um referência para o mundo? Que tipo de desastre é esse que diminuiu a inflação, que proporcionou investimentos públicos para geração de emprego e renda num país entregue aos pedaços for Fernando Henrique Cardoso em janeiro de 2003? Que desastroso governo foi este em que Ciro foi ministro e teve seu momento de glória no ministério da Integração Nacional? Ciro deveria, por coerência com sua pretensão democrática, atacar a extrema-direita e a centro-direita que ajudou a colocar o bode JAIR na sala em 2018. Mas Ciro Gomes, o homem que passou por SETE PARTIDOS políticos e que obteve acolhimento no PDT (pobre Brizola se revirando no túmulo em pleno centenário), prefere atacar LULA e o Partido dos Trabalhadores, evocando o mantra cansativo de que o PT destruiu o Brasil e de que ele, CIRO GOMES, será a salvação. Não dá pra engolir meu caro Ciro. Sei que alguns te seguirão, mas bastaria uma breve olhada em tua biografia para ver as tuas origens e a dicotomia entre teu discurso e tua prática. Vais perder a quarta eleição. Te sugiro reservar, novamente, um hotel em PARIS para o segundo turno. Não farás falta alguma.   Cláudio Viola  é profissional de marketing, economista e cartunista.

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Um necrológio do c***lho

Por Andre Freixo  Não lamento a morte de um facínora que há muito testava o militante antimanicomial que existe em mim. Longe disso! Mas não há nada o que se comemorar. Para mim, a morte do tal “C* lavo pra C***lho” – uma pessoa doente, desonesta, cruel, maquiavélica, privilegiada e branca, sádica, ignorante – não desfaz o imenso estrago chamado Brasil, em que vivemos. Acho até que agora a barafunda na qual estamos pode até piorar, afinal é ano eleitoral e os apóstolos dele digladiarão entre si pela “palavra e o verbo” do velho falcatrua de Virgínia na luta quixotesca contra a “ameaça” vermelha. Ou fundarão uma religião (tudo vira religião no Brasil mesmo), um “Apostolado C*-lavista do C***lho”, ou mais um tipo de (neo)sebastianismo, com a promessa de retorno do “Rei”. Sei lá… Isso ainda deve render, gente. Falando um pouco mais sério (ma non troppo)… Eu vejo a morte deste estelionatário um pouco como vi a morte de Carlos Brilhante Ustra, conhecido agente da morte e torturador que atuou nos porões da Ditadura Empresarial-Militar Brasileira. Apesar de identificado e condenado, ele viveu longamente (como quis, aonde quis, falou o que quis, publicou livro, disseminou seu veneno), e morreu sem conhecer o peso da lei pelos crimes que cometeu. Em uma palavra: a impunidade prevaleceu. Como sociedade, toleramos isso tudo. Toleramos o tal do “guru” também. O estrago de “C* lavo”, diga-se de passagem, não é originário da pessoa, nem de seus escritos. Vejo-o como um oportunista, muito mais consequência do que causa de qualquer coisa (como bem analisou Álvaro Bianchi – da Unicamp). Havia uma estrutura bem receptiva ao tipo de publicações dele, em colunas de jornais de grande circulação, depois na acolhida de seus livros (prefaciado por gente que ainda se diz jornalista e ainda atua na mídia) incensando a pseudofilosofia de um pseudoastrólogo reacionário e do-en-te (não cansarei de frisar isso). Inclusive, o estrago está na conta do tal do “brasileiro” (mas eu não vou escrever sobre isso aqui nem agora), desse “caldo” que vive de cozinhar em banho-maria, até ferver e entornar. Enfim, eu lamento muito que esse perfil doente e doentio (hoje orgulhosamente mugindo em “rebanhos”/”manadas” por aí) não tenha sido efetivamente processado e preso, como manda a lei, e que nossa sociedade mais uma vez não possa saber como é, nem como se parece, a tal da justiça (só a burguesinha, burguesinha, burguesinhaaaa… Só no filé!). A morte deste canalha é mais uma lembrança de que a Lei e a Justiça no Brasil chegam apenas quando interessa e a quem interessa. Temos alguém empoleirado na cabeça do Poder Executivo que não me deixa mentir. Seus ex (e atuais) Ministros de Estado idem. A gente não pode se esquecer que o genocídio é real. A morte de  “C* Lavo do C***lho” não vai redimir as mortes de mais de 600 mil pessoas. Eu quero acreditar que não! Lamentavelmente, essa morte me recordou da cena final da novela Vale Tudo (de Gilberto Braga), lembram? Aquela cena do Marco Aurélio (Reginaldo Faria) dando uma “banana” para o Brasil num avião rumo aos “istêitis”. É isso que eu lamento: que não seja ficção apenas, nem  mera coincidência.  Esta madrugada a “banana” C*-lavista foi a derradeira, ironia pura um negacionista morrer do que ele dizia não existir, mas não deixa de ser uma saideira meio ao estilo “highway to hell”. Se isso lhe conforta, ótimo. Aproveitem o “grande dia!”, mas sejamos cautelosos. Contudo, a morte para estes tipos é sempre uma saída fácil demais (para eles). Esse senso de catarse é curto, fraco, precário e vai passar rápido, acreditem. Esse é o meu ponto. E os problemas causados e agravados por ele e sua corja continuam e continuarão aqui, conosco. Piorando o mote que diz ser a morte um problema dos que ficam, “C* Lavo pra C***lho” morreu e deixou os problemas “para quem fica”, enquanto ele saiu de cena permanentemente. Não são poucos os nossos problemas. Nem desaparecerão com ele, e nem tão cedo, lamentavelmente. Segue a luta. Andre Freixo é professor de História da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

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