Construir Resistência

5 de janeiro de 2022

Luft

Por Luis Otavio Barreto Lya Luft, ao se arrepender, saiu com o argumento: “Não havia nada melhor”. Pois bem, outra vez volto àquele pensamento sobre as prioridades. Quais eram as de Luft?! Certamente não eram como as de uma outra escritora, Carolina Maria de Jesus. Não, com efeito, não eram! O arrependimento de Lya não me convence e se não compro essa história eh porque respeito duas coisas: inteligência e franqueza. Lya era inteligente e Bolsonaro, franco. Ninguém, jamais, poderá dizer que ele mentiu sobre o que e quem era e sobre o que pensava e que pretendia fazer. Lya teve oportunidades na vida; estudou, viveu e comeu muito bem. Morreu em paz, no conforto do lar. Que bom pra ela. Lya era loura, olhos claros, sabia assinar cheques, devia ter cartões com bons limites, ser cliente personalitté… Não, nada disso é crime ou imoral… desse jeito, com essas possibilidades, as prioridades mudam, a coisa vai pra outro aspecto que prefiro que você interprete como lhe convier. Nelson Rodrigues escreveu que a um morto se perdoa; não obstante, a mesma inspiração deu-nos: um caráter não se improvisa. O caráter de ontem, portanto, é o de hoje e será o de amanhã. Que Lya descanse, enquanto a gente trabalha pra limpar a besteira que ela ajudou a fazer. Foto: Lia Luft (1938-2021)   Luis Otavio Barreto é músico pianista e professor de língua portuguesa.

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Bellas Transgressões

Por Coca Trevisan Sim, bellas, com dois “eles” de Bell Hooks (Gloria Jean Watkins, 1952-2001), escritora negra norte-americana que publicou dezenas de livros sobre racismo, feminismo, educação entre outras questões humanas. Escrevi esse texto dia 15 de Dezembro, dia em que ela partiu desse mundo. Apaixonada por Paulo Freire. Aliás, com exceção dos “intelectuais” da Jovem Pam, o mundo reverencia Freire. Nesse dia fatídico, proponho homenagear a luta de Bell contra o racismo e comentar algumas de suas teses. Ela ousou transgredir normas impostas na educação inovando com coragem para acordar o sonolento. Transgredir não apenas nas salas de aula, mas no cotidiano, com “vontade” de poder. Sempre analisando os obstáculos de nosso ensino, ela desnuda imposições viciadas e revela dificuldades racistas que ela própria enfrentou. Bell reforça necessidades e uma evolução crítica atuando como uma rebelde ao controle, recusando a mesmice. Para nós, brasileiros, a luta recrudesce diante da atual crise de nosso ensino com um governo que prefere armar a sociedade. Nossa “conscientizacão” (já que falei de Freire), é essa, uma luta cotidiana e reconhecendo as salas de aula como espaços fundamentais, mas não podemos esquecer que a educação pode ter caminhos complexos. Conscientização no sentido de conscientizar mesmo, como Franz Kafka diz “quando nossa consciência passa por sofrimentos, isso é bom, porque fica mais sensível buscando estímulos”. Por outro lado, Augusto Cury * sugere disciplinas nas escolas, campos, construções com teor e temáticas sobre o comportamento emocional e tratando crises que afetam vidas estudantis e profissionais. A semelhança de Cury está no corpo discente, onde os alunos devem ser mais participativos (isso todos já sabem), mas a insistência é obrigatória. Ela realça ações refletindo nosso mundo educacional. Como vivemos no planeta Terra. Cury segue o diálogo sempre reforçando o psíquico com uma preocupação especial em busca de alunos libertos emocionalmente. Afinal, uma mente doente pára o processo, além do mal em si. Quem quiser somente receber ordens que vá para os quartéis onde ensinam antigas lições, de morrer… Ah, e sempre de olhos abertos, atentos com as instituições punitivas de Foucault, como o próprio quartel. Quantos jovens desvalorizam a Educação ao passar por dificuldades emocionais? A ansiedade e as perturbações emocionais trancando uma vida estudantil. Eu mesmo reconheço que poderia “tirar” mais da minha graduação. Deixei escapar grandes livros, textos imperdíveis, não aproveitando estruturas que minha universidade oferecia. Perda de tempos valiosos. Quem sabe ainda não iremos aproveitar mais o conteúdo de Freire ao invés de ficar fazendo arminhas. Bell Hooks se entregou nessa luta, almejou escolas com alegria, prazer, distante daquele monotonia escolar. Aquele tédio, espaços sem prazer, um ensino viciado enfim todos esses elementos que pedem transgressões. Girar os espaços funestos que sangram as almas estudantis onde a angústia permanece diariamente. Pois acreditem, não faz muito tempo, sabedorias da educação não permetiam inovações pois poderiam quebrar a atmosfera escolar. Como Bell disse “certas pessoas acham que aqueles que apóiam a diversidade cultural querem substituir uma ditadura do conhecimento por outra”. Que visão errônea. Além do mais, quem se preocupa com as emoções dos professores? Ora, um professor sem entusiasmo, cansado, sem perspectivas não terá respostas positivas em suas disciplinas. Cury dá a receita enquanto Hooks e Freire ampliam o leque. E ainda assim, com todas as dificuldades, nosso ensino sempre traz novidades como a Nova História Cultural com suas didáticas críticas. O colonialismo dá suas cartas e o neocolonialismo segue reprimido textos críticos. O eurocentrismo e a imposição dos EUA se reproduzem no latino dominado. Sua estima desaba e sua inocência aceita dogmas em sua vida de vira-lata. E temos que enfrentar Weitraubs da vida, uma ignorância total no Ministério da Educação. Como sempre digo, somos resilientes, e como Bell Hooks lembrou, Martin Luther King tinha um sonho (e nós também), então…é isso, vamos inovar, mudar e transgredir sem medo, afrontar o sistema…ousar. * Augusto Cury – Médico, psicoterapeuta e escritor. Desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal que estuda o funcionamento da mente e o processo de construção do conhecimento. Foto: Bell Hooks (internet)   Coca Trevisan é jornalista e escritor.

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Brasil em desespero diante da explosão de epidemias

Por Simão Zygband   O brasileiro está literalmente largado à própria sorte diante de uma nova explosão de epidemias. Mesmo com a população 70% vacinada, estão sendo frequentes as filas em hospitais e pronto-socorros do país. Todos procuram se salvar das doenças. É melhor prevenir, do que remediar, já diz o ditado popular. As pessoas procuram as unidades de saúde para tomar vacina, conseguir testagem para detectar doenças ou mesmo para tentar controlar uma gripe avassaladora, como é a H3N2, que apesar de não ser letal, provoca extremo mal-estar, febre e dores pelo corpo. Com a proximidade do Carnaval, as prevenções contra as epidemias (Covid, Ômicron, H3N2 e vários tipos de influenza), que já estão presentes na vida do brasileiro, parecem estar sendo ignoradas. É compreensível que todos, depois de meses de reclusão, tenham este arroubo de falsa liberdade. Mas não dá para bobear. Já são sentidos os resultados dos Natais e Anos Novos em família e com os amigos. Não dá para se culpar ninguém, a não ser os governantes. É evidente a falta de orientação governamental, em todos os níveis, que deveriam ter sido mais explícitos na gravidade, todos eles pressionados pela questão econômica. Novos lock downs (confinamentos) foram sumariamente descartados e, desta forma, o quadro epidemiológico virou um salve-se quem puder. Confesso que acho recomendável que as pessoas evitem aglomerações e até contatos mais próximos com amigos, familiares e parentes. Algumas capitais, de maneira mais do que lúcida, cancelaram os carnavais de rua. Em São Paulo, a Prefeitura estuda levá-los para o autódromo de Interlagos (que diferença faz?). Em geral, estão mantidos os desfiles em sambódromos. Fruto de pressão da rede hoteleira, bares, restaurantes e toda a cadeia produtiva envolvida com o Carnaval. Mas, objetivamente, há um desencontro de informações que estão sendo prejudiciais à população, que já não sabe como agir e qual o real quadro das epidemias. Já não bastasse o governo federal sonegar informações das doenças, os meios de comunicação também parecem querer amenizar o quadro. Claro que não se deve provocar o pânico, se é que ele internamente já não existe dentro das pessoas.   Filas gigantes Veja este relato do empresário Carlos Henrique Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Agências de Comunicação (Abracom), realizado em postagem de Facebook: “Cena na farmácia em Pinheiros. Fui comprar meus medicamentos do mês e me deparei com uma farmácia cheia. Pelo menos umas 15 pessoas em fila. Esperavam pelo teste de Covid. Enquanto estava em atendimento no balcão, saiu um moço de uns 30 anos, olhos vermelhos, com teste positivo. No caixa, a atendente me disse que foi o sétimo caso só na manhã de hoje. E que nos últimos dias além da procura por testes aumentar o número de positivos só cresce. Resultado das festas de fim de ano, do relaxamento e de muito negacionismo. Assustador”. Capturei no também no Facebook a postagem do experiente jornalista, Fernando Coelho, que se deu o trabalho de reproduzir a imagem que capturou assistindo o Bom Dia Brasil da Rede Globo (que utilizei como ilustração desta matéria). Ele mesmo trabalhou por anos nesta emissora. Veja o que ele diz: “Amanhece! O povo em todo o Brasil em desespero. Nas filas gigantes. Sintomas de gripe, de COVID. Poucos médicos, sem testes, sem leitos, atendimento precário derruba milhões. O povo brasileiro é humilde. O povo chora nas portas das UPAS e AMAS. Não tem acolhimento adequado, não tem mordomia, não tem médicos exclusivos, não são transportados por avião fretado. Comove pela penúria, pelo desprezo e pelas condições duras de esperar horas no sol e na chuva. Os donos do dinheiro amontoados no Congresso Nacional e nos ministérios, deviam ter um mínimo de vergonha na cara”. Não precisa falar mais nada. Ele sintetiza tudo aquilo que estamos passando, sobretudo por terem colocado um genocida no poder. Um grupo de pessoas desalmadas, com coração de pedra, que trazem a infelicidade para milhões de brasileiros. Vamos nos livrar deste pesadelo!   Imagem do Bom Dia Brasil, TV Globo    

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