Construir Resistência

23 de dezembro de 2021

Uma trégua de Natal no meio da guerra

Por Francisco José Nunes Alguém poderia imaginar que durante uma guerra os dois exércitos oponentes fariam uma trégua para celebrar o Natal? Pois é, isso aconteceu! Tem um filme que recuperou este acontecimento histórico. O filme #FelizNatal” (2005) é uma ficção baseada em fatos reais. Trata-se de um episódio importante ocorrido durante o Dia de Natal de 1914. O cenário é a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), nas trincheiras entre a Alemanha e a Bélgica. Logo após o início da guerra, havia uma hipótese de encerramento, dessa mesma guerra, antes do Natal de 1914. Neste período ocorreu uma “guerra de trincheiras”, porque nenhum dos lados conseguia avançar. De modo geral, as trincheiras inimigas ficavam com uma distância de 100 metros. Isso permitia metralhar inúmeros soldados de ambos os lados, mas também possibilitava fazer provocações verbais devido à proximidade. Em dezembro de 1914 ocorreu um inverno rigoroso, tornando mais difícil o deslocamento das tropas. No dia 24 de dezembro, as tropas de ambos os lados receberam árvores de natal, bebidas e alimentos. Um dos lados começou a entoar hinos de natal, sendo prontamente seguido de hinos natalinos do outro lado. Um dos soldados do lado alemão era o tenor Nikolaus Sprink, que estava com sua esposa, a soprano Anna Sörensen e começaram a cantar as músicas “Noite Feliz” e “Adeste Fideles”. Em seguida, espontaneamente, foi decretada uma trégua e começou a confraternização entre as tropas inimigas. Trocaram presentes, mostraram as fotos de suas esposas e namoradas, falaram o que conheciam sobre os países e suas cidades, especialmente Paris. Neste clima, um padre anglicano, que atuava como enfermeiro, celebrou uma emocionante missa, embalada pela soprano que cantou “Ave Maria”. Os soldados ainda aproveitaram a trégua para jogar futebol. Também realizaram o enterro dos soldados mortos e no dia seguinte a guerra continuou. Entretanto, os soldados e o padre sofreram severas punições. A tropa alemã foi enviada para os campos de batalha contra a Rússia e o padre recebeu ordens diretas de um bispo anglicano para retornar para a Escócia.  O diálogo entre o padre e o bispo é revelador sobre o uso perverso que é feito da mensagem de Jesus. Ao ser advertido pelo bispo sobre a missa que celebrou junto com as tropas inimigas, o padre disse:“Foi a missa mais importante da minha vida”. Em seguida o bispo vai celebrar uma missa para as tropas britânicas e inicia com o Evangelho de Mateus onde diz: “Não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt 10, 34). E segue com sua pregação: “Vocês são os defensores da civilização. As forças do bem contra as forças do Mal. Essa guerra é na verdade uma Cruzada. Uma guerra santa para salvar a liberdade no mundo. Na verdade eu lhes digo: que os alemães não agem como nós e nem pensam como nós. Porque eles não são como nós, filhos de Deus”. Não consta no filme, mas sabe-se que no dia 7 de dezembro de 1914, o #PapaBentoXV fez um apelo a todos os líderes da Europa pela realização de uma trégua durante o Dia de Natal. Ele disse: “Que as armas possam cair no silêncio pelo menos na noite em que os anjos cantam”. Mas os chefes de Estado não deram ouvidos ao Papa. Entretanto, os subalternos realizaram “A Trégua de Natal”. A Primeira Guerra Mundial causou um grande impacto no Brasil e na América Latina. Atingindo a economia, a política, a cultura, as relações internacionais e as práticas religiosas. Depois da triste associação entre a cruz e a espada durante os primeiros séculos de colonização do Brasil, agora a Europa que se impunha como modelo de sociedade para o mundo, fracassou enquanto “civilização ocidental cristã”.  Será que em meio a essa “guerra híbrida” que estamos vivendo no Brasil desde 2013, teremos uma trégua neste Natal de 2021? Qual será o comportamento dos líderes das igrejas cristãs? Continuarão apoiando publicamente ou silenciosamente esse governo genocida? Quantas crianças morrerão por falta de vacina? Será que o povo conseguirá realizar uma confraternização, mesmo a contragosto dos poderosos? É importante lembrar que após essa “Trégua de Natal” realizada em dezembro de 1914, os chefes militares proibiram qualquer outro tipo de confraternização nos campos de batalha. Inclusive, nos anos seguintes, no Dia de Natal, eles mandavam aumentar os bombardeios. Mesmo assim, ocorreram tentativas de confraternização durante a Páscoa e em outros momentos. Enquanto isso, no final de 1917, os comunistas conquistaram o poder na Rússia com o lema: “Paz, Terra e Pão”. Eles retiraram a Rússia da guerra, fizeram a Reforma Agrária e proporcionaram pão para os pobres. Desde já, Feliz Natal queridos leitores e leitoras! Que tomemos fôlego, porque o ano de 2022 terá que ser um ano de luta acirrada contra o fascismo brasileiro. Foi durante a Primeira Guerra Mundial que Hitler começou a sua carreira, juntamente com vários oficiais alemães.  É preciso estar atento e forte! Feliz 2022, com muitas lutas e muitas vitórias! Serviço: Filme: Feliz Natal (2005) – 116 min. Direção: Christian Carion Plataforma: HBO Francisco José Nunes é Mestre em Ciências Sociais – PUC-SP; Graduado em Filosofia; Professor na Faculdade Paulista de Comunicação – FPAC.

Uma trégua de Natal no meio da guerra Read More »

Votarei no Lula no primeiro turno!

Por Amanda Moreira Aproveitando o clima natalino, já vou adiantando aqui a minha posição sobre a tática eleitoral para 2022. VOTAREI NO LULA NO PRIMEIRO TURNO. NUNCA votei no PT no primeiro turno (sem querer transmitir aqui nenhuma petulância ou posar de alecrim dourada da esquerda). Mas o fato é: todas as eleições que participei na vida, na primeira etapa do pleito sempre votei em candidatos de partidos de esquerda que estiveram mais próximos do projeto de sociedade anticapitalista que eu acredito e que julgo como única alternativa viável para a humanidade. Mas, em 2022, minha posição será diferente. Estarei com Lula já no primeiro turno, pois acredito que derrotar Bolsonaro deve ser a tarefa prioritária de toda a  esquerda, e qualquer outra aspiração deve estar subordinada a  essa. Diante de um governo fascista a tarefa imediata é derrotá-lo, enfraquecê-lo. O governo da morte, da fome, do ódio, da miséria, da destruição não pode passar perto da chance de ser reeleito, ou mesmo ir para um caótico segundo turno. E já está mais que explícito que o único candidato capaz de derrotar Bolsonaro com ampla vantagem é o Lula. Lula sendo eleito, desde o primeiro dia já serei oposição de esquerda. Mas prefiro um milhão de vezes fazer oposição nos marcos democráticos, do que não ter a chance nem mesmo de permanecer viva diante do fascismo bolsonarista. Declaro abertamente esta posição política pessoal porque acho que precisamos nos posicionar desde já sem titubear, afinal, embora as pesquisas estejam apontando a ampla vantagem do petista, a vitória não está dada. Muitas águas vão rolar em 2022. A integridade física de Lula estará ameaçada e a esquerda como um todo estará em risco. Em tempo, o fascismo bolsonarista não será derrotado nas urnas. Sua derrocada só virá da mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras. Um passo de cada vez. Por hora, DERROTAR O FASCISTA GENOCIDA! Então, iniciemos a campanha pela vitória de LULA em 2022. Já podemos começar com a família na ceia de Natal. Aproveitemos as musiquinhas chocas pra começar a cantar Lula lá!  #ForaBolsonaro #Lula2022 #sempicoledechuchu Amanda Moreira é doutora em educação pela UFRJ e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ  

Votarei no Lula no primeiro turno! Read More »

Namoros, paixões e infidelidades: ‘Bolsonaro me traiu!’

Por Antonio Soares Já não é de hoje que ouvimos aqui e acolá que Bolsonaro foi um erro na vida de vizinhos e amigos envergonhados, de artistas, de políticos, de celebridades e até do “guru” do bolsonarismo, Olavo de Carvalho. Ele publicou um livro de crônicas, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, pela Record em 2017. Agora vai às redes sociais, através de um canal de direita, para dizer que se sente traído, que nunca foi guru do governo e que foi usado como “poster boy” na eleição de Bolsonaro. Fica difícil entender a cabeça desse senhor com seus sentimentos de “madalena arrependida” ou mesmo de ter-se tornado aquilo que ele parece mais temer na vida, um tremendo idiota. Desde a primeira hora da campanha de 2018, Olavo gastou horas nas redes sociais apoiando Bolsonaro, reunindo-se com os filhos numerados do presidente e atacando artistas ou figuras públicas apresentadas, por ele, como inimigos do bolsonarismo. Alguns desses ataques o fizeram acumular polêmicas, desagravos e processos na Justiça. Um dos processos ele perdeu por ofender Caetano Veloso, chamando-o de pedófilo. O desfecho da sentença foi uma dívida de R$ 2,9 milhões por danos morais*. O astrólogo, dublê de filósofo, diante de uma dívida que não tem como pagar e também não foi socorrido por Bolsonaro e nem pelos grupos de empresários que dão suporte econômico ao bolsonarismo (patrocinam outdoors de apoio e pagam blogueiros para espalhar fake news), se sentiu traído e desamparado. Apesar disso, veio dos Estados Unidos para tratar sua insuficiência cardíaca e renal no InCor-USP, realizou cateterismo e teve direito a quarto privado com segurança na porta. Pergunto ao leitor: conhece algum amigo que conseguiu uma vaga no InCor com a facilidade de Olavo? Quem arrumou e pagou a segurança dele? Quem agilizou a internação no InCor? Depois disso, ele saiu do Brasil à francesa pelo Paraguai, sem passar pela imigração, para se livrar da convocação da Polícia Federal. Quem organizou a fuga pelo Paraguai? Bolsonaro usa, vez por outra, a metáfora do casamento ou do amor quando se refere aos processos de alianças políticas. Com Regina Duarte ele flertou, iniciou o namoro, noivou, a levou para leito do governo e a abandonou. Diferente da personagem da série Malu Mulher, dirigida por Daniel Filho entre 1979-80, na qual ela foi a imagem da emancipação feminina, Regina preferiu ficar no papel de “noivinha submissa” do autoritarismo bolsonarista. Se resignou com o fim do romance sem deixar de declarar seu amor incondicional ao presidente. Com Moro, provavelmente, tudo se iniciou secretamente, como num caso extraconjugal. Provavelmente Moro o seduziu enviando “nudes” dos processos contra Lula e vídeos das orgias lavajatistas que ele e Dallagnol promoviam nas alcovas da Justiça Federal em Curitiba. O casamento, por interesse de ambos, ocorreu sem namoro público quando o juiz, que posava de xerife da Pindorama de Elio Gaspari, se tornou o superministro da Justiça e da segurança Pública. Sérgio Moro queria uma cadeira vitalícia do STF, Bolsonaro exigia dele a fidelidade de testa de ferro para atuar na Polícia Federal ou em qualquer frente da Justiça que ameaçasse ele e os seus. Como vimos, foi na catastrófica reunião ministerial de 22 de abril de 2020 — data que descobrimos o Brasil no qual estávamos enfiados com Sales querendo passar a boiada; Guedes querendo vender tudo durante a pandemia e com outras falas surreais–, que Bolsonaro mandou recado, aos palavrões, que seu caso de amor com Moro chegava ao fim. Moro terminou o casamento como mulher de político corrupto, aquela que se beneficiou e sai denunciando as falcatruas do marido depois de se sentir abandonada. Moro então foi para os Estados Unidos para se juntar ao escritório de advogados (Alvarez & Marsal) que atua na recuperação da Odebrecht. Não custa lembrar. Ele foi trabalhar para a empresa que destruiu sem dar chance de compliance durante o processo. Agora, retorna ao Brasil, diz que foi ingênuo e traído pelas juras de amor Bolsonaro no combate à corrupção. Ele desponta como um dos prováveis candidatos a presidente e Dallagnol como candidato a deputado nas eleições de 2022. A grande mídia, que teve telefone vermelho com a República de Curitiba na Lava Jato, já se movimenta para reconstruir a imagem de Moro. Ela está desesperada por um candidato para chamar de seu. Merval Pereira já iniciou sua campanha a favor de Moro. Atacou a aliança entre Alckmin e Lula e começa o trabalho de limpeza da imagem do personagem justiceiro que se tornou o Charles Bronson de Curitiba, aquele que iria salvar o país dos malfeitores e malversadores do dinheiro público (ver artigo “Expectativa de poder” – O Globo, p. 2). Paulo Guedes, ao contrário, é fiel aos seus interesses e não importa os deslizes e traições do presidente. Nada abala sua relação com Bolsonaro. Ele construiu um amor interessado ou, quem sabe, interesseiro. Se ofereceu para ser o avalista do governo com a promessa de implantar uma economia ultraliberal de desenvolvimento (onde isso aconteceu?). O mercado e jornalistas da grande mídia entraram no barco dele. Guedes sempre foi um prostituto do mercado, ao estilo que vende a mãe e entrega para não perder o negócio. No governo, descobriu que se deitar na cama do poder pode render mais dividendos, proteção aos negócios privados e as contas em paraísos fiscais. Apesar dos arroubos e desmandos do marido no Planalto, Guedes se mantém submisso e sabe tirar proveito da relação. Ele fala aquilo que o chefe quer ouvir e é vida que segue: aumentos para policiais, reforma especial da previdência para caserna, dinheiro extra para emendas parlamentares, furo no teto de gastos etc. E o Brasil? Ele deve responder: que se F! Bolsonaro, entre beijos e, depois, tapas com ex-aliados e ex-apoiadores, construiu romances trágicos e efêmeros que terminaram com bate-boca, barraco, sofrimento, ressentimento e decepção. Lobão, Fagner, Toquinho, Zé Padilha, Alexandre Frota (deputado e ex-ator pornô), Joice Hasselmann (deputada federal e ex-tiete apaixonada pelo “Mito”), Gustavo Bebianno (falecido ex-ministro e idealizador da

Namoros, paixões e infidelidades: ‘Bolsonaro me traiu!’ Read More »

Alerta máximo: não relaxem com os vírus durante as festas

Por Simão Zygband   “No hospital Albert Einstein, metade dos testes para Covid já são Ômicron. No twitter, dois médicos estrangeiros dizendo que a transmissão é tão avassaladora que muito pouca gente não será contaminada.  Deve ter muitos casos de “influenza” em São Paulo que são Ômicron. É um silêncio total das nossas autoridades.  Que estão esperando?” Este alerta é de um pesquisador do Instituto Butantan que preferimos manter no anonimato. Tenho sentido muita resistência ao tema, quando abordado com amigos e familiares. Estou literalmente passando pelo chato, estraga prazeres do final do ano. Se eu colocar o nome dele em público, sei que sofrerá represálias. Mas diante do acúmulo de postagens que tenho acompanhado no facebook, preferi sim ser o chato do final do ano. Podem descarregar as suas pedras em mim, que não estou nem aí. Lê quem quer, cumpre também quem quiser. Eu, particularmente, acho melhor prevenir do que remediar. Municiado pelo meu amigo jornalista Walter Falceta, que sabe da minha preocupação exagerada (?) com a pandemia (e eu sei as dele, desde sempre), que me passou diversos artigos sobre o tema, e com as postagens que vi no facebook, mesmo não sendo cientista, reitero o que disse no título: não relaxem com os vírus. Somos dois neuróticos, claro, mas preferimos fazer o alerta. Cola de carpete O médico Nelson Nisembaum, um dos participantes do grupo Construir Resistência e colaborador do site, escreve as seguintes questões com o título “Doença Crônica”: “De acordo com a reação das autoridades de saúde pública deste país, nada está acontecendo. O H3N2 comendo solto epidemicamente e o ministro mais rasteiro que cola de carpete não dá uma palavra. Imaginem se fosse um vírus de gripe com a MESMA letalidade que o COVID-19. Ou maior, como algumas cepas de influenza já foram. Tudo isso mostra que NÃO APRENDEMOS NADA com a COVID-19 e se depender deste governo, vamos mesmo morrer em alguma outra pandemia respiratória qualquer. Este governo tem que terminar urgentemente. O país precisa ser reconstruído. Desta vez, do abaixo de zero”. Outro amigo de facebook que preferiu não se identificar (tempos malditos que tudo vira lacração), faz o seguinte relato: “na minha família, de classe média alta do Campo Belo, o marido e a esposa contraíram a Covid em 2021. Ele ficou internado por 5 dias. Depois, teve perda de olfato que durou meses. Os quatro filhos também contraíram e um deles também precisou de internação. Meses depois, dois deles tiveram complicações cardíacas, que os médicos não puderam apontar ou descartar como sequelas da Covid-19. Mesmo assim, neste fim de ano, estarão todos se reunindo com amigos em um resort do Nordeste”. Todo mundo está achando que pegar a H3N2 é um passeio, uma bobagem. Só por que tomaram as duas ou três doses da vacina. Aparentemente ela não é tão letal quanto a Covid-19, depois de vacinados, óbvio. Mas, como disse o pesquisador do Butantan, nunca se sabe se não é Ômicron. Nenhum dos dois formatos do vírus são suaves, e estão literalmente “quebrando” as pessoas que os contraem, sejam eles quais forem. A Patrícia Curti, amiga de facebook e de muitos dos meus amigos, uma das dedicadas militantes do Banho pra geral (que proporciona um banho para moradores de rua) e Casulo pra Rua (que distribui um confortável “saco de dormir” que vira sacola para aqueles que moram nas ruas) foi uma das que pegou H3N2 e que teve que ser internada. “Você é internada e descobre, via redes, que um grande amigo está exatamente no quarto ao lado. E a enfermeira diz que não pode levar nem um bilhetinho por causa do altíssimo contágio dessa H3N2. Então o jeito foi juntar num post”, relatou ela. Já deixou o hospital e já está pronta para novas atividades militantes. Veja este relato também da jornalista Valéria Borges (Léla) e toda complicação que está enfrentando com seu filho, até conseguir atendimento: “Eu e ele enfrentamos duas via sacras na UPA Vergueiro. Cinco horas (5h) no primeiro dia, na terça da semana passada, e oito horas (8h) no domingo e com falta de ar. Teve que implorar para ser atendido! Pegou trabalhando, assim como outros colegas! Tomou todas as vacinas e usa proteção sem falhar. Ainda bem que está vacinado…podia ser pior! UPA sem médicos e sem NENHUM exame pra covid, dengue ou influenza…NENHUM…e essa espera sofrida de MUUUITAS horas! E esse cenário só piora a cada dia! Maaassss…tem um povo aí que segue achando que tudo isso é ficção, que Covid e gripe não se transmitem fácil e que mosquito da dengue é um bichinho fofo e inocente! Tá osso ”. Também faz um relato importante a minha amiga de facebook, Suzana Guinsburg Saldanha, de desistir das festas de final de ano: “Já cancelei o Natal do dia 24 com amigo que teve contato com pessoa positivada. Tive medo do almoço de 25, com minha mãe de 90 anos e gente negacionista na família”, relata ela. Bem. Está aí um mini retrato do quadro grave que ainda estamos enfrentando. Se for participar de confraternizações, continuem insistindo com os protocolos, usando máscaras, optando por locais ventilados, e álcool gel nas mãos para pegar em qualquer objeto. Feliz Festas!    

Alerta máximo: não relaxem com os vírus durante as festas Read More »

O mestre se foi

Por Carlos Ratton – Professor, desculpa, mas eu não escutei o senhor chamar meu nome” – Qual seu nome? – Carlos Ratton – Eu chamei sim. Você é novo nessa turma. Veio de onde? – Me formei em relações públicas e agora quero o Jornalismo – Se você não está atento nem na chamada, nunca será um bom jornalista. Desiste, garoto!! Não sei se consegui lembrar exatamente, mas esse diálogo constrangedor, no meio de uma turma que eu mal conhecia, foi meu primeiro contato com o Professor Dirceu, que nos deixou nesta quarta-feira, 22 de dezembro de 2021. Levou algumas aulas para eu perceber o jeito Dirceu de ser. Geralmente, cada sacudida dele vinha um ensinamento. Chegar atrasado, nem pensar. Você passaria o tempo da aula ouvindo que não deveria ter vindo. Lembro de muitas subidas nos morros santistas, das piadas depois da cerveja na Lagoa da Saudade e das inúmeras vezes que ele tirou a lauda da minha máquina de escrever e disse: “esse texto está uma merda. Começa de novo”. Também lembro de seu andar apressado, da mochila nas costas, dos empurrões para a gente entrar na sala de aula e de seu gestual dentro dela também. Lembro que já em atividade e no meio de uma pauta e outra fui ao Carioca comer pastel e me deparei com o professor Dirceu e cerca de 10 alunos ao seu redor. Ele me chamou e disse na frente deles em alto e bom som. “Estou mostrando o centro histórico pra eles. Não sabem nada, não leem nada. Nunca serão jornalistas!”. Era o velho Dirceu de sempre, dando estímulo em forma de bronca. Forjando repórteres. Ele me forjou e, graças a ele, entendi meu papel e tive forças para superar os riscos que o jornalismo me proporcionou em meus mais de 25 anos de carreira. Dirceu me ensinou a entender a vida de repórter e só quem tem a reportagem como uma das razões de caminhar sabe o quanto seus ensinamentos foram fundamentais. Lembro de uma das vezes que ele me levou à USP para conversar com alunos sobre o dia-a-dia da reportagem. Que medo de decepcioná-lo! Na última vez, da velha mochila, ele tirou meu primeiro livro – O Pescador de Notícias – e disse aos alunos que ele estaria em sua lista de leituras obrigatórias. Não tive tempo de falar para ele que essa pequena atitude, que durou alguns segundos, no início de minha apresentação, me emocionou tanto quanto a vez que me foi anunciado que estaria entre os finalistas do Prêmio Esso de Jornalismo, cujo certificado está na parede, sobre uma antiga máquina de escrever, que adquiri este ano em um antiquário. “Não estou preocupado em formar jornalistas. Estou preocupado em formar seres humanos que possam se indignar com a realidade e com isso provocar mudanças. Sou um idealista e essa é minha utopia. Ser jornalista é toda uma conscientização do mundo. É ter um compromisso com seu tempo e sua gente. É buscar a reflexão do mundo e tentar dar a sua contribuição para melhorá-lo. No dia em que não acreditar mais nisso, abandono tudo e vou jogar dominó”, disse um dia o Mestre Dirceu. Nunca vi Dirceu jogando dominó. Adeus Mestre e amigo. Um dia, estaremos juntos novamente. Tenho muito que aprender!   Professor Dirceu Carlos Ratton é jornalista, ex-diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo na Baixada Santista e repórter do Diario do  Litoral

O mestre se foi Read More »

Rolar para cima