Construir Resistência

21 de dezembro de 2021

Lula ainda quer Josué; Alckmin é sua 3ª via de luxo

 Por Nairo Alméri  O pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não oficializado pelo PT, ainda mantém o propósito de ter o empresário Josué Chistiano Gomes da Silva como vice. Portanto, desconsidera a negativa gravada em vídeo, há mais tempo, pelo próprio dirigente do Grupo Coteminas. Josué toma posse como presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em 1º de janeiro. Políticos que cercam Lula acreditam, então, que, ao sabor da festa, aumentam as chances de aceitar posto vice petista nas eleições para Presidência da República, em novembro. Josué é filho de José Alencar Gomes da Silva. Este foi vice de Lula em 2002 e 2006. A Fiesp começará 2022 com R$ 320 milhões e mais quebrados em caixa, revelou ao ALÉM DO FATO empresário conhecedor da política patronal da entidade. A posse do dirigente da Coteminas terá, portanto ingredientes políticos extras. O evento servirá, por exemplo, definições preliminares na bateada de posicionamentos. Primeiro, é conferir convidados e não convidados. Depois, quem irá para mesa e quem ficará na plateia. Ou seja, alguns sobrarão, de cara, no rumo da política que Josué Gomes da Silva imprimirá nos corredores do prédio inclinado da Avenida Paulista. Por tradição, o presidente da República sempre é um convidado. Mas, Jair Bolsonaro é adversário de Lula. Além disso, esteve semana passada na Fiesp. Foi decorar a saideira de Paulo Skaf, depois de 17 anos no comando. O futuro ex-presidente da federação coleciona derrotas nas tentativas virar governador de São Paulo e aposta em apoio por vias tortas. Skaf banqueteou Bolsonaro com uma claque. A plateia se comportou de forma exemplar no cardápio da subserviência: aplaudiu o chefe do Planalto nas novas asneiras e ataques contra o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Festa com recheio de separatismo O governador do Estado, no caso João Doria (PSDB), também, por deferência e indução de pleitos do empresariado regional, puxa cadeira. Segue em mesmo rito chamar o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Doria anuncia que fará campanha contra Lula e Bolsonaro, se ficar fora do 2º turno. Nunes, por sua vez, é do partido comandado por Michel Temer. O ex-presidente é acusado de trair Dilma Rousseff, de quem foi vice duas vezes. Nestes tempos, se aproximou muito do sucessor. Mas, claro, os holofotes iluminam o andar de cima, fora do cotidiano paulista. O futuro presidente da Fiesp colocará sobre os nomes de Bolsonaro e Lula? Cabe mesma indagação para o time dos postulantes da chamada 3ª via na disputa pela Presidência da República. Nesta longa raia, figura o próprio Doria. Mas, pelo Datafolha, tem maior visibilidade Sérgio Moro (Podemos). O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro mandou Lula para cadeia. Em fato mais recente, abandonou o barco de Bolsonaro, ao qual acusou de vários atropelos. A gota d’água foi a intervenção na Polícia Federal. Independente de correntes de pensamento, o sindicalismo do empresariado da indústria homenageia o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No momento, a entidade de Brasília é dirigida pelo também mineiro Robson Braga de Andrade. Está lá desde 2010. Robson Braga investiu (e gerou polêmicas) e abocanhou mais um ano no posto. Portanto, ficará até outubro de 2023. Aceno da encruzilhada Mas como agirá o futuro presidente da Fiesp, que, a exemplo do pai, amargou fracasso na primeira tentativa na política? Agora, com a Fiesp no papo, deve estar passando noites de insônias, ouvindo a voz rouca do convite tornado público precocemente por Lula. O petista, por indicação de alguém, agiu tentando comprometer, logo, o empresário. Mas, Josué ainda não colocou seu DNA no grupo empresarial herdado do pai para dirigir. Ou seja, não tem histórico para arrebanhar multidões do seu quintal. Além disso, é inexperiente no comando de entidade empresarial como a federação paulista. O pai, até figurar por duas vezes, como vice, no santinho de Lula, criou alguns calos como dirigente no patronato. Variáveis políticas no caminho de Josué É possível que os conselheiros políticos (se os tiver) de Josué sugiram, num primeiro passo, que permaneça na Fiesp. Podendo, entretanto, marcar presença discreta na seara das negociações políticas. Contudo, ainda lhe falta molejo político. É mineiro, mas nunca esteve mineiro na política, ou seja, respirando aquilo se atribui (com bajulação exagerada) aos ensinamentos na vida partidária em Minas Gerais. Poderá ser que aconselhem, seguir em via de maior cautela. Aplicar uma demão de cola a mais na cadeira de capitão da indústria, e, de imediato, assumir postura reformista. Colocar projeto de visão ampla à frente. Enveredar, então, por linha de democracia não maculada nos escândalos políticos das últimas décadas. Neste caso, então, amoitaria o inconfundível prédio paulistano sob manto que não reflita luz nem cheiro: opaco e inodoro. Ainda na opção reformista, caberia batina mais radical. Ou seja, afixar um outdor na cobertura da Fiesp com um não rotundo para todos, de Fernando Collor de Mello a Jair Bolsonaro. Isso não respingaria na memória do pai. O fundador da Coteminas não era do PT e, além disso, nunca comungou no catecismo do sindicalismo dos trabalhadores. O filho, portanto, daria partida a novo alicerce político: fazer bem na Fiesp (e não será difícil em cima da base deixada por Skaf), olhar para CNI (em 2023) e, se obtiver sucesso, jogar pesado em tentativa de mandato eletivo de expressivo. Portanto, cabe olhar para convidados (presentes) e barrados da festa do dia 1º de janeiro, na Avenida Paulista. Alckmin, caçador de pombos O ex-governador paulista Geraldo Alckmin, fora do PSDB, aparece bem posicionado nos gráficos daquele instituto de pesquisa de intenção de votos. Ou seja, com chances de retorno ao governador de São Paulo. Sua vida, portanto, parece melhor encaminhada, no momento. Alckmin, nesse cenário, vira 3ª via de luxo para o PT, na escolha do vice de Lula. Os dois se encontraram no domingo (19). Mas, resta saber se o ex-governador abraçará o risco. Pela pesquisa, praticamente trocaria o pombo dos Bandeirantes na rota das suas mãos, por aceno de outro, que

Lula ainda quer Josué; Alckmin é sua 3ª via de luxo Read More »

Em lancha, Bolsonaro dança funk que ataca feministas e Jean Wyllys

Construir Resistência recomenda uma leitura atenta da reportagem de Lucas Rocha publicada pela Revista Fórum: Em lancha, Bolsonaro dança funk que ataca feministas e Jean Wyllys “A obsessão do presidente fascista e de sua falange em relação a mim não cessa…”, disse o ex-deputado Jean Wyllys sobre cena protagonizada por Bolsonaro O presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu dar um passeio de barco no Guarujá, litoral de São Paulo, nesta segunda-feira (20) e se divertiu com apoiadores que colocaram um funk que ataca mulheres de esquerda e o ex-deputado e ativista Jean Wyllys (PT). Mosart Aragão, tenente do Exército e assessor de Bolsonaro, usou as redes para compartilhar a cena e comentou sobre o encontro entre o ex-presidente Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin em jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas. “Presidente preocupado com o ‘Jantar da Democracia’ de Lula/Alckmin!”, tuitou Mosart. Na gravação, o Bolsonaro aparece dançando com apoiadores ao som de uma paródia de MC Reaça que diz que mulheres de esquerda “tem mais pelos que uma cadela” e ataca Jean Wyllys. O ativista comentou nas redes a cena. “A obsessão do presidente fascista e de sua falange em relação a mim não cessa…”, escreveu Wyllys. De férias, o presidente chegou à Baixada Santista na última sexta-feira (17). Durante entrevista concedida para o SBT em uma praia, Bolsonaro chegou a ouvir grito de “Lula 2022”, o que irritou seus apoiadores. Veja o vídeo em: Presidente preocupado com o "Jantar da Democracia" de Lula/Alckmin! pic.twitter.com/QpwIKJLcOb — Capitão Mosart (@AragaoMosart) December 20, 2021     Leia direto da fonte em: https://revistaforum.com.br/politica/em-lancha-bolsonaro-danca-funk-que-ataca-feministas-e-jean-wyllys/  

Em lancha, Bolsonaro dança funk que ataca feministas e Jean Wyllys Read More »

Sonia Castro Lopes

Sobre alianças e esperanças

Por Sonia Castro Lopes Quem deixará de votar em Lula se o vice for o picolé de chuchu? De acordo com a pesquisa Datafolha realizada entre os dias 13 e 16 de dezembro, para 70% dos entrevistados não importa ter o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice do ex-presidente Lula (PT) nas próximas eleições presidenciais. Já 16% dos entrevistados declararam que a chance de votar em Lula aumentaria, contra 11% que afirmaram o contrário. Entre os eleitores que declaram votar em Lula, 24% confirmam a intenção de voto e 9% dizem ter dificuldades em apoiar a candidatura do ex-presidente, caso a aliança seja confirmada. Evidentemente, essa não é a chapa dos nossos sonhos, mas pode ser necessário ampliar o arco político para se obter vitória mais folgada – quem sabe até no primeiro turno – e, mais adiante, garantir melhores condições de governabilidade. Um dos maiores entraves à composição da chapa LUCHU diz respeito ao apoio às candidaturas do futuro governador de São Paulo e Rio de Janeiro, estados importantes do país. No Rio, são conhecidas as intenções do atual prefeito Eduardo Paes (PSD) em apoiar o candidato de seu partido em detrimento de Marcelo Freixo (PSB), candidato de Lula. Já em São Paulo, o PSB quer impor a candidatura de Márcio França, terceiro colocado nas pesquisas de opinião atrás de Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin que, desfiliado do PSDB, ainda não decidiu se vai para o PSB ou migraria para o PSD de Kassab para concorrer ao governo de São Paulo. A aliança PT-PSB está, portanto, ameaçada e segundo o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, o PT não atendeu às demandas do seu partido e precisa escolher se quer disputar a Presidência da República ou a eleição nos Estados. Nessa perspectiva, o casamento corre sério risco de não se concretizar. O processo de arranjos políticos é sempre muito complexo. Que capital político um vice como Alckmin poderia trazer? Quais seriam os limites dessa negociação? Haverá garantias de ampliar as condições de governabilidade se a chapa for vitoriosa? Essas são algumas das questões a serem discutidas. As lideranças do partido e a experiência política de Lula saberão avaliar os prós e contras dessa aliança. Não podemos esquecer que o novo governo terá pela frente a reconstrução de um país arrasado e isso exigirá coalizão. Resta saber se a célebre frase proferida por  Henrique IV (1553-1610) – “Paris bem vale uma missa” – se aplicaria ao caso brasileiro. Eleições no Chile Foi um alento para os brasileiros progressistas a vitória das esquerdas no Chile.  Essa sensação de retomada democrática que contagiou a América Latina tão maltratada durante séculos chegou num momento em que nós, aqui no Brasil, reunimos forças para retirar do poder um presidente que tem como um de seus modelos o sanguinário Augusto Pinochet (1915-2006) que liderou o golpe contra o governo do presidente Salvador Allende (1908-1973) e instalou no país uma das ditaduras mais cruéis de que se tem notícia. No último domingo, Gabriel Boric, 35 anos, ex-líder estudantil do partido Convergência Social (CS) derrotou José Antonio Kast, político de extrema direita do Partido Republicano (PR) com quase 56% dos votos válidos. Apesar de admirar o ex-ditador chileno, assim como o colega brasileiro, Kast teve uma atitude civilizada ao reconhecer imediatamente a vitória do rival postando no twitter que Boric era merecedor de todo respeito e em seu governo deveria haver uma “colaboração construtiva.” Acho que essa deveria ser a principal lição aprendida por todos os brasileiros que não admitem ou admitirão a provável derrota de Bolsonaro em sua tentativa de reeleição. Superado por Kast no primeiro turno, Boric amenizou o discurso na campanha decisiva a fim de expandir sua base eleitoral para os indecisos que no primeiro turno não haviam definido seu voto ou sequer compareceram às urnas. Esta foi a eleição que teve maior participação nos últimos trinta anos da história chilena, uma vez que lá o voto não é obrigatório. O número de eleitores que afluiu às seções eleitorais para eleger o novo presidente bateu recorde superando o público que em 2020 participou ativamente do plebiscito que decidiu pela  criação de uma nova constituição no país. A América Latina que, segundo Eduardo Galeano*, “especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta” hoje vive uma retomada democrática ao eleger líderes que defendem projetos políticos que procuram minimizar as desigualdades econômicas e sociais. Bolívia, Argentina, México e Peru já deram o exemplo. Por aqui, Lula é o pré-candidato com maiores possibilidades de reconstruir o país. Não será tarefa fácil, mas o importante é que há luz no fim do túnel.  A vitória de Boric no Chile lavou nossa alma e nos encheu de esperanças. *GALEANO, E. As veias abertas da América Latina. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980, p. 13. Fotos (internet) Lula com os trabalhadores na cozinha do restaurante Figueira Rubayat onde jantou com Alckmin no último domingo (19) Festa no Chile.

Sobre alianças e esperanças Read More »

Rolar para cima