Construir Resistência

20 de dezembro de 2021

O histórico jantar da “Concertação” do Brasil?

Por Arnobio Rocha   Ontem, dia 19 de dezembro de 2021, houve um jantar histórico, do Grupo Prerrogativas, que tende a ser lembrado como um alto momento da política brasileira. Naquele restaurante fino e caro da classe média alta paulistana, poderá ser um daqueles momentos em que se vira o fio da história, passa-se de anos seguidos de derrotas e esmagamento político, para um outro patamar de luta democrática e de uma “concertação” do Brasil. Carregado de simbolismo e de presenças de pesos pesados da política nacional, governadores, prefeitos, senadores e deputados, tanto do campo da esquerda, com Lula, Gleisi e parte do PT à frente, figuras importantes do PC do B, algumas do PSOL, e quadros ligados aos progressistas, especialmente no meio jurídico, em que se respirou política e democracia. O centro e a Direita estiveram presentes, com maior destaque para o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, cotado para ser o companheiro de chapa de Lula, nas eleições presidenciais que se avizinham. Os articuladores desse campo como Gilberto Kassab, Marta Suplicy e Artur Virgílio ficaram no mesmo ambiente dos possíveis candidatos. O momento grave do país, sem presidente, a primeira cadeira é ocupada por um celerado, uma aberração da política, que apenas a loucura dos últimos anos poderia explicar, como se mergulhou tão fundo numa ruptura, mesmo quando o país não estivesse tão mal na economia, apenas uma extrema manipulação de corações e mentes, levou a esse resultado insólito. As instituições e os direitos fundamentais foram atacados de forma avassaladora, a perda da qualidade de vida, a alta da inflação, a miséria e a fome, é a ponta mais visível do iceberg, o que se gestou de destruição do Estado, levará anos para conserto, a conta altíssima é paga dia a dia, inclusive, por aqueles que patrocinaram essa aventura, essa bad trip. O jantar se torna histórico porque foi capaz de juntar tanta gente importante, puxado por um grupo de juristas, Prerrogativas. que foi fundamental no combate à lava jato, ao ativismo político do judiciário, partes fundamentais no projeto de quebra do país, de sua Soberania e de sua capacidade Econômica e presença no cenário mundial. O Brasil entrou na Barbárie, é fato inconteste, pelos índices negativos da Economia, pelos milhões de desempregados, pelos mais de 620 mil mortos com a Pandemia, pela Fome e pela miséria. É preciso dar um basta, discutir e unir as forças políticas por um Pacto Civilizatório, não apenas uma costura de campanha, de uma chapa, mas de um compromisso com a história e pela devolução de Direitos e dignidade, mesmo que ninguém tenha dito nos discursos, pelos Direitos Humanos. O Grupo Prerrogativas está de parabéns pela iniciativa, pela agenda apresentada e por ser o indutor desse jantar. Muitas outras tarefas estão para ser levadas em frente, as disputas por programa, por narrativas e na defesa da vida, dos mais vulneráveis, começando pela arrecadação de fundos contra a fome urgente, mas com a perspectiva de organização e luta pelos direitos fundamentais. Há um longo caminho para ser percorrido, independente do calendário eleitoral. LUTEMOS! Arnobio Rocha é advogado, autor do Blog arnobiorocha.com.br e do Livro “Crise Dois Ponto Zero: A Taxa de Lucro Reloaded”. Foi membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP e parceiro do Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo (SASP)  

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Dono da Havan quer calar o chargista Nando Motta

De autoria do grupo de Chargistas Mais uma vez a imprensa e, destacadamente, os cartunistas brasileiros, são vítimas de um ataque antidemocrático e contrário à liberdade de expressão. Desta vez o autor da violência é o empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan, que abriu junto à Justiça de Santa Catarina processo contra o ilustrador Nando Motta por conta de uma charge publicada pelo artista no site Brasil 247. A ação cobra indenização de R$ 50 mil por danos morais e a retirada do desenho do ar. A charge criticava a postura pública de Luciano Hang mostrado como um personagem do cinema de terror. Em 2020 o cartunista Renato Aroeira foi vítima de igual tentativa de intimidação por parte do Ministério da Justiça que pediu a abertura de inquérito para investigar uma de suas charges onde associava a atitude do presidente Jair Bolsonaro ao nazismo. Na ocasião o cartunista recebeu a solidariedade de centenas de desenhistas que, incentivado pelo grupo da Revista Pirralha organizou o movimento Charge Continuada que foi, inclusive, agraciado com o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos com uma categoria criada exclusivamente, o “Prêmio Destaque Vladimir Herzog Continuado”, que homenageou Aroeira e o movimento “Charge Continuada” com 109 chargistas que também inscreveram trabalhos relacionados ao movimento. (veja mais informações AQUI). Ao tomar conhecimento da atitude de Luciano Hang o cartunista Aroeira se manifestou junto à revista PIRRALHA e propôs uma ação semelhante a da Charge Continuada para defender Nando Reis. A seguir seu depoimento: Eles não aprendem. Não entendem. O Véio da Havan (aliás, mais novo que eu), o Luciano Hang, está processando o chargista Nando Motta. Por causa de uma piada… O que passa na cabeça de alguém que quer processar uma piada? Que quer proibir uma charge? Sim, passa exatamente isso que todo mundo pensou. O Nando não cometeu nenhum crime: apenas desenhou  – de maneira brilhante, como sempre –   o que ele viu. E o que ele viu foi o óbvio: Luciano Hang é um monstro. Um monstro terrível, um dos vários que estão aí à solta… Mas é ridículo. Um monstro muito ridículo. Tão ridículo que processa chargistas. Bem, Lulu… A má notícia é que somos muuuuuuitos. E a charge continuada… Continua. Agora pra assombrar você, Véi… Renato Aroeira Portanto, prestamos nossa solidariedade a Nando Motta, protestando contra a atitude arbitrária e intimidatória do empresário Luciano Hang e apoiando a proposta apresentada por Aroeira, Desta forma, conclamamos desenhistas a participarem de mais uma Charge Continuada. A ideia por trás da charge A inspiração para a charge de Nando Motta veio de informações amplamente divulgadas pela imprensa e redes sociais onde ficava claro a postura negacionista de Luciano Hang diante da gravidade da pandemia da Covid-19. Além disso, Hang foi convocado a depor na CPI do Senado sobre a pandemia onde fez afirmações que deram margem a colocar em dúvida a seriedade do tratamento à que foi submetida sua própria mãe – vítima da Covid que veio a falecer (veja um resumo das declarações AQUI). Luciano Hang é um dos maiores e prósperos empresários brasileiros. Frequentador assíduo do noticiário, sabidamente defende ideias conservadoras e é um dos maiores aliados e propagandistas do atual governo Bolsonaro. Como figura pública personalidade de destaque, suas ações estão sujeitas a questionamentos e críticas por parte de diversos agentes sociais – sejam jornalistas, políticos ou… cartunistas. Tal é a natureza de uma sociedade organizada democraticamente. Ataques a liberdade de imprensa A Federação Nacional dos Jornalistas em seu Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2020 (último publicado) demonstra que em plena pandemia provocada pelo novo coronavírus foi registrada uma explosão de casos de violência que atingem a imprensa e os jornalistas. Foram 428 casos de ataques – incluindo dois assassinatos – o que representa um aumento de 105,77% em relação a 2019. (Veja o relatório AQUI).  

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“O grave momento que atravessa o Brasil não dá a nenhum de nós o direito de desistir”, diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na noite deste domingo (19) o Troféu Perseverança Sigmaringa Seixas. O prêmio foi entregue durante o jantar de fim de ano do grupo Prerrogativas, que homenageou o ex-presidente por sua trajetória de superação, por ter enfrentado 580 dias de uma prisão injusta e persistido com a certeza de que sua inocência prevaleceria. Lula dedicou o prêmio à população brasileira. “O grave momento que atravessa o Brasil não dá a nenhum de nós o direito de desistir. É hora de perseverarmos juntos, para restaurar a democracia e reconstruir este país. Não é tarefa para uma pessoa sozinha. É um trabalho coletivo. Não importa se no passado fomos adversários. Se trocamos algumas botinadas. Se no calor da hora dissemos o que não deveríamos ter dito. O tamanho do desafio que temos pela frente faz de cada um de nós um aliado de primeira hora. Mais do que a entrega de um prêmio, é este o verdadeiro motivo pelo qual estamos reunidos nesta noite: a nossa fé na democracia, e a perseverança na construção de um amanhã melhor para o Brasil e para o povo brasileiro”, disse Lula em seu discurso. Antes de discursar, ele agradeceu a Cristiano Zanin e a Valeska Martins pela perseverança nos processos contra a farsa montada pela Lava Jato . ‘É muito difícil ser acusado de uma forma massiva como eu fui. Eu disse a eles que única coisa que posso oferecer é minha inocência”, afirmou o ex-presidente. “Quero dizer que possivelmente não sou eu que mereço o prêmio de perseverança, é o povo brasileiro”, afirmou Cristiano Zanin e Valeska Martins foram homenageados pelo Grupo Prerrogativas e, também, os advogados que defenderam Lula em Curitiba: Emídio de Souza, Fernando Haddad, Luiz Carlos Greenhalgh, Luiz Carlos Rocha e Manuel Caetano.   Leia íntegra do discurso:   “Meus amigos e minhas amigas.   É uma honra imensa receber este prêmio, cujo título homenageia uma das muitas virtudes do povo brasileiro: a perseverança. Somente com perseverança, espírito de luta e uma extraordinária capacidade de sonhar, tem sido possível ao povo brasileiro sobreviver a séculos de escravidão, desigualdade e exclusão social. Sem tais virtudes, seria impossível resistirmos frente a um desgoverno que tem como único projeto a destruição do país e o extermínio da nossa gente. Seja pelo atraso criminoso na compra das vacinas, o desemprego recorde, o aumento da desigualdade, a destruição do meio ambiente e a volta da fome, seja pela tentativa de matar em nós a esperança. Não matarão. Antes mesmo de ouvir pela primeira vez esta palavra, eu já intuía o papel fundamental da perseverança na vida dos seres humanos, sobretudo dos mais pobres. Lembro da minha mãe, dona Lindu, uma mulher analfabeta, nascida numa das regiões mais pobres deste país. Obrigada a criar os oito filhos sozinha, um dia vendeu o pouco que tinha e embarcou com todos nós num pau de arara rumo a São Paulo e ao sonho de uma vida melhor, cumprindo a triste sina dos retirantes. Dona Lindu foi o primeiro e maior exemplo de perseverança que tive na vida. Quando não havia sequer um pedaço de pão para dar de comer aos filhos, ela dizia: “Amanhã vai ter. Amanhã vai ser melhor”. Cresci ouvindo de minha mãe o conselho que me acompanha por toda a vida: “Teima, meu filho, teima.” Com o tempo, descobri que aquele conselho não era dirigido apenas a mim. Entendi que teimar, insistir, persistir, perseverar, é um ato político. É uma arma na mão do oprimido, que o impede de desistir diante da opressão. Aprendi a teimar, e a acreditar que amanhã vai ser melhor. Mas que é preciso lutar para construir esse amanhã.   Minhas amigas e meus amigos.   Aos 18 anos, conquistei o sonhado diploma de torneiro mecânico. Ele tem para mim o mesmo valor dos títulos de doutor honoris-causa que me foram concedidos por inúmeras universidades do Brasil e do exterior. Esse diploma me abriu pela primeira vez as portas da cidadania. Com o macacão sujo de graxa que eu vestia com o maior orgulho do mundo, pude finalmente tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias – um direito que muitos anos depois, na Presidência da República, fiz questão de garantir a todos os brasileiros. Graças a meu diploma de torneiro mecânico, fui o primeiro filho de dona Lindu a ter uma profissão. O primeiro a ter uma carteira assinada e a ganhar mais que um salário mínimo, fixo e mensal. O primeiro a comprar uma geladeira e uma televisão. A perseverança me impediu de desistir da sonhada profissão de metalúrgico, mesmo quando tive o dedo esmagado numa prensa. Ou mais tarde, quando amarguei oito meses de desemprego, este pesadelo que hoje assombra 14 milhões de trabalhadores brasileiros, vítimas de uma política econômica irresponsável e criminosa. Eu andava quilômetros e quilômetros a pé, porque não tinha dinheiro para o ônibus, batendo de fábrica em fábrica e ouvindo sempre um Não como resposta. Certa vez, numa das minhas jornadas em busca de trabalho, tirei o sapato para descansar os pés. Era um sapato duro, e quando tentei calçá-lo de novo os pés já não entravam, de tão inchados, de tanto caminhar em vão. Voltei para casa descalço, com a barriga vazia e sem um centavo no bolso. Mas no dia seguinte lá estava eu de novo, caminhando outra vez quilômetros e quilômetros, entregando meu currículo de fábrica em fábrica. E no dia seguinte também, e nos dias seguintes de novo e de novo. Até que minha perseverança foi recompensada, e eu finalmente ouvi um abençoado Sim. Mais tarde, a perseverança, minha e de meus companheiros sindicalistas, nos levou à realização das históricas greves dos metalúrgicos do ABC, quando todos diziam que era impossível, além de perigoso, desafiar a ditadura militar. Que tamanha ousadia podia acabar em prisão, tortura e morte. Tínhamos muito nítida a lembrança do operário Manoel Fiel Filho, torturado até a morte nos porões do doi-Codi, pouco depois do assassinato de

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Apagada

Por Ângela Bueno Acabo de assistir a um filme no site #FILMICCA que me tirou o sono. Escrevo essa resenha na tentativa de conseguir dormir… A história começa com uma jovem, Ana, desacompanhada, dando entrada em um hospital em trabalho de parto. E como um conto Kafkaniano, que se passa na #Eslovênia, a vida da personagem principal começa a ser virada pelo avesso quando ela é informada que não consta nos registros do sistema, representado pelo computador do hospital. Prometem dar um jeito. Ela consegue ser admitida no hospital, ter o bebê, mas não consegue alta para sair do hospital… Como liberá-las se elas não constam no sistema? Ana consegue sair do hospital em um camburão, sem a filha. O comissário que a entrevista a reconhece, pois ela foi professora de seu filho, o que não serve para nada pois ela não existe no sistema. Mas, informa que ela tem o direito de dar um telefonema para alguém que se responsabilize por ela. Assim ela consegue ser liberada. E começa seu drama, seu calvário.  Ana passa a percorrer diversas instituições em busca de um comprovante de existência, indo inclusive à escola onde trabalhou por dez anos, sem sucesso. Ela foi apagada do sistema, mas se recusa a se tornar invisível, apesar de não ter nenhum documento que a identifique. Não sendo cidadã da Eslovênia, está sujeita a extradição sumária, podendo perder a filha, que, nesse caso, seria posta para adoção. Nesse ir e vir Ana pede ajuda ao pai da criança, funcionário do governo que busca ajudá-la conseguindo entrevistas em jornais, que se recusam a fazer qualquer matéria quando descobrem que ela é uma cidadã apagada. Até que um entrevistador de um programa ao vivo na TV a entrevista. E, se por um lado nada muda, por outro ela resgata uma relação afetiva fundamental que a coloca frente a frente com a única saída possível para o seu drama.  O filme da diretora #MihaMazzini (Eslovênia, 2018) é primoroso. A atriz que faz a Ana trabalha muito bem. A fotografia é excelente. A personagem se confunde com as brumas em vários momentos de apagamento, em que vai se percebendo sem saída. Linda a cena em que ela vai à escola e pela janela de vidro brinca com as crianças que eram suas alunas.  O filme prende a atenção do espectador do início ao fim. Veja até o fim. Leia o que esse filme denuncia.  Denunciar o abuso do Estado sempre foi um ato de coragem. A vida vale a pena por atos de coragem como esse! Serviço: Apagada (título original Izbrixana) Direção e roteiro: Miha mazzini Ano: 2008  

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Um Rio de Imagens

Por Carlos Monteiro RETROSPECTIVA FOTOGRÁFICA CARIOCA 2021 O Rio de janeiro, fevereiro e março que vai o Sol de fevereiro, mês atípico e sem Carnaval, com a avenida colorida somente pela iluminação em led, com a tristeza dos blocos da solidão e pé no chão. Entram as águas de março fechando o verão. Promessa nas vacinas e consciência coletiva. O ano começou com uma sexta ensolarada. O ano sextou, chegando ao dezembro seguinte sextando novamente. Foi um ano completo com raios, arco-íris, temporal, Sol, Lua cheia, voo de biguás, névoa e chuva, projeção e homenagem no Cristo. Um jovem senhor que encima o Corcovado há 90 anos, abençoando à Guanabara…. ufa! Foi um ano e tanto, intenso em que a #CidadeMaravilhosa se mostrou em todos os seus aspectos, ângulos. O #RiodeJaneiro passou um ano vivaldiano. Agradou a Ruys, Heloísas e a Pasquales. A Calcanhotos e a Vinícius. A Chicos e Joaquins Ferreiras. A Tons e meio tons da paleta Divina. Agradou a cariocas e amantes do Rio. O Rio fez o que melhor sabe fazer: só(Rio) de janeiro a janeiros, “ jadineiramente Rio drumoniano”. O Rio, poesia pura nos versos de Oswaldo Orico: “…A curvatura azul da Guanabara./É assim, oh!, viandante deslumbrado!,/Que vês, de longe, sobre o Corcovado…” Vem rio 2022 que te quero ver lindo! Carlos Monteiro é jornalista e fotógrafo  

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