Construir Resistência

15 de dezembro de 2021

Se essa Rua Ramalhete fosse minha

Por Carlos Monteiro Não ladrilharia com as tais “pedrinhas de brilhantes”. Refloriria. No Dia do Jardineiro – 15 de dezembro -, com belas rosas, dálias, crisântemos, jasmins, petúnias, margaridas, para que ficasse com a cara dos “jardins do céu”.“…A beleza das flores realça em primeiro lugar/É um milagre do aroma florido/Mais lindo que todas as graças do céu/E até mesmo do mar…”. Voltei na história-floricultura, dos cravos que aplacam algozes, do caminhar sem lenço e documento, neste Sol cáustico de dezembros, voltei ali em Ipanema, das moças coloridas pelo Sol. Ah Ipanema, Ipanema não há mais. A “Casa Futurista”, como escreve Joaquim Ferreira dos Santos; “Museu de Belas Artes da intimidade feminina” se foi. A “Shaika”, se foi, o “Veloso” se tornou “Garota”, o “Gordon” virou cafeteria, o “Mau Cheiro”, e mau cheiro que vinha de lá, pura implicância dos frequentadores daquele memorável bunda de fora, deixou de ser point das madrugadas Leilianas. O Jangadeiro, embarcado pelo Dragão do Mar, foi para águas infinitas, está nos braços de Iemanja. Para aonde foram Caio Mourão, Roniquito, Leila e toda a intelligenza carioca?  Estarão lendo o “Sol” nas bancas de revista, que enchem meu coração de alegria? E escadaria da Saint Roman, em Copacabana, que tantas vezes subi para estagiar no brilho da contracultura. Saudades da Dona Neuma, do Eufra de Abreu, do Jagar, do Nani e do Henfil na redação d’O Pasquim. Com “os amores na mente, as flores no chão/A certeza na frente, a história na mão/Caminhando e cantando e seguindo a canção…”, eu vou! Mas, onde estão as flores? Aprendendo e ensinando uma nova lição, conversei com a minha querida Celina Carvalho, que eu chamo, carinhosamente, ‘Dama Ramalhete’, viúva do saudoso e inesquecível cantor-poeta Tavito, que colhia a pimenta e o sal com magnitude gigantesca e plantou muitos amigos do peito e nada mais, sobre as músicas que ele compôs, seus significados, suas histórias, suas mineirices e fontes de inspiração, bem como minha curiosidade sobre alguns temas e porandubas. Papo foi, papo voltou alegremente, com histórias sensacionais de nosso amigo, ela me passou um depoimento, lírico e emocionante. Vi uma lágrima no canto daqueles olhos castanhos-esverdeados, falar do seu amado e sempre amadíssimo para todo e sempre, Luís Otávio. Companheiro de palco de nada mais, nada menos que Vinícius de Moraes, cujas cartas trocadas entre ambos ela guarda carinhosamente numa caixinha de marchetaria, ricamente ornada e decorada, como dizem os antiquários. O mais constante parceiro nas obras musicais, Ney Azambuja, sobre as narrativas de várias composições. Como nasceram, quem foi a musa inspiradora ou a fonte onde beberam, em que momento aconteceram, e por aí vai… Todas de muito sucesso, uma delas, “Rua Ramalhete”, “Sem querer fui me lembrar/De uma rua e seus ramalhetes/ Do amor anotado em bilhetes/Daquelas tardes//No muro do Sacré-Coeur…”, uma volta a adolescência de todos nós, gravada em versão até para o japonês, ficou imortalizada na voz do próprio autor e em interpretações memoráveis de um número enorme de bardos. Um deles, Wando, e sua polêmica em relação aos Beatles virem ou não ao Brasil. Mudou a letra de “…será que algum dia eles vêm aí, cantar as canções…”, para “…pois sei que eles jamais virão aqui, cantar as canções…”. Wando, fogo e paixão, era um romântico-rebelde incurável. Relatou Ney: “— Sábado, casa do Tavito. Não tínhamos a menor ideia de por onde começar a compor. Não tínhamos um tema em mente, nada. Mas quando tem que acontecer, a vida sempre dá seu jeito. Tavito fazia alguns acordes no violão, eu rabiscava frases soltas numa folha em branco, quando toca o telefone. Era minha mulher avisando que estava recebendo uma amiga em casa. Essa amiga, isso nós já sabíamos, era mineira. Morou na Rua Ramalhete. Namorou o Tavito. Pronto, já tínhamos o caminho. Começamos a conversar sobre as experiências e sensações da adolescência… os versos e a melodia foram surgindo. Cada palavra e cada acorde foi medido, pensado, revisto, para transmitir da maneira mais autêntica aquelas sensações. O sucesso da música, que mais de 40 anos depois ainda emociona, mostra que conseguimos. Cada um de nós tem a sua própria ‘Rua Ramalhete’. Ao seu tempo, a memória sempre surpreende trazendo de volta a nossa rua da adolescência, esteja ela onde estiver.”. A rua Ramalhete fica em Belo Horizonte entre os bairros Anchieta e Serra. Tem esse nome singelo, envolto em certo lirismo de memórias guardadas numa adolescência especial, em tremores, tardes fugidias. Noutras palavras sou muito romântico encontro-me na rua das Flores em Bonsucesso, na rua das Rosas que graceja em três bairros cariocas: Vila Valqueire – na verdade Vila V Alqueire – cinco em romanos-, São Cristóvão e Cidade Universitária e não briga com a rua do Cravo na Penha Circular. É um Rio florido de rua das Hortênsias, das Orquídeas, do Lírio, das Violetas e das Margaridas. Sabe de uma coisa? Eu vejo flores em você. Da alma, a mais linda flor! Carlos Monteiro é jornalista e fotógrafo

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Longe do topo do muro: sobre a chapa Lula- Alckmin

Por Walter Falceta 1) Primeiramente, é óbvio que o metalúrgico não é infalível. Com certeza, no entanto, acerta muito mais do que erra. Um personagem do equívoco não se transformaria de retirante no melhor presidente que o país já teve. 2) Lula aprendeu com o revés de 2016 e com sua própria dolorosa prisão, obra dos meliantes do powerpoint e do lawfare marrequista. Por isso, reforça as paliçadas, trata de constituir aliados estratégicos e de garantir a governabilidade em um eventual terceiro mandato. 3) Há muito o que se condenar na história política de Geraldo Alckmin, um conservador de carteirinha. Não é preciso repetir aqui os pecados desse homem tão religioso. 4) Do ponto de vista da estratégica política, no entanto, tê-lo como vice é uma cartada de mestre do barba. Primeiramente, porque atenua a falsa imagem de “comunista comedor de criancinha” que lhe é atribuída pela direita militante. 5) Para expressivos setores do eleitorado, o roxo é, do ponto de vista do marketing eleitoral, muito mais palatável do que o vermelho. 6) Há quem diga que Alckmin não tem votos. É verdade. Mas impede que Lula sofra a rejeição de parte considerável do eleitorado de centro e de centro-direita. 7) Alckmin fez vista grossa a negociatas feias do PSDB, mas não é um delinquente como José Serra ou um mercador tubarão ególatra como João Doria. Daquilo que vem do tucanato, é a matéria mais digerível. Há inúmeros tons de cinza nessa paleta que tinge os caras do lado de lá. 8 ) Nas linhas conservadoras, há um assombroso desespero com a possível oficialização da chapa. A revista Veja dando faniquitos. Sugere que Lula vai enganar o médico de Pinda, que só o petista tem a ganhar com essa parceria. 9) Pastores conservadores e empresários estão fazendo fila na porta de Alckmin, suplicando para que rejeite o acordo. Ora, se essas figuras basilares do fascismo se mostram tão azafamadas, é porque a dupleta certamente representa ameaça ao projeto reacionário. 10) A eleição está longe de se considerar ganha. A indústria de fake news, em breve, começará a fustigar o metalúrgico. Parte da grande imprensa, possivelmente capitaneada pela Rede Globo, vai cerrar fileiras em defesa de Sergio Moro, figura talvez mais perigosa que o próprio genocida. Não há, portanto, razão para cantar vitória antecipada e desperdiçar a chance de ampliar o espectro de cores no arco-íris da disputa eleitoral. 11) Por fim, é preciso estabelecer pontes sólidas de contato com o novo Congresso. Sem ele, caímos de novo no meio do trajeto. A candidatura mista facilitará a construção de acordos de cooperação entre o legislativo e o executivo. É nessa função, entre outras, que Lula espera a atuação de Alckmin, visto como ponderado e hábil negociador. 12) O futuro governo Lula não será de revolução. Pés no chão, galera. Será um governo de reconstrução. Temos 28 milhões de famintos, recessão técnica, cemitérios lotados, economia arruinada e milhões de desempregados e desalentados. É hora de somar esforços para oferecer alguma proteína e alguma esperança ao povo trabalhador do Brasil. 13) E pense bem antes de repetir em 2023 oUm levante de 2013. Fica a dica.     Walter Falceta é jornalista e um dos fundadores do Coletivo Democracia Corintiana

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Wagner Moura, Caetano e Daniela Mercury denunciam à OEA aumento da censura no governo Bolsonaro

Construir Resistência recomenda uma leitura atenta: Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística terá audiência com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos; assista ao vivo O Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística (Mobile), que mapeia casos de censura às artes no Brasil, terá nesta segunda-feira (14) uma audiência pública com membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão independente da Organização dos Estados Americanos (OEA). O objetivo da audiência, que contará com a presença, entre outros, de Wagner Moura, Caetano Veloso e Daniela Mercury, é expor ao órgão internacional o aumento das denúncias de violações à liberdade artística, perseguição de artistas e desmonte das políticas culturais no Brasil, sob o governo de Jair Bolsonaro. “Entre os casos registrados, é evidente o avanço do autoritarismo sobre as pautas identitárias. Cerca de 30% está vinculado a expressões de gênero e/ou raça e/ou orientação sexual ou possuem motivações religiosas e/ou morais. Além disso, cerca de 67% das ocorrências têm origem em medidas do governo federal”, diz comunicado do Mobile sobre as denúncias de censura. Cenário da Censura no Brasil Em seu site, o Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística (Mobile) compila denúncias de censura, no âmbito da expressão artística, registradas desde 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro. Segundo a entidade, em 2019 foram registrados 63 casos de censura; em 2020, 31 casos. Em 2021, somente até julho, foram assinalados 36 casos. No sítio virtual, é possível encontrar detalhes sobre todos esses casos de censura registrados desde 2019. Um dos que constam na plataforma é a tentativa de censura a um especial de Natal do grupo de humor Porta dos Fundos. Outro exemplo citado é a investida de associação da Polícia Militar contra cartunistas por críticas à corporação. “Uma sequência de fechamentos de exposições, cancelamentos de shows, mostras e performances, destruição de terreiros religiosos, ameaças a artistas e instituições culturais, ordens judiciais de censura prévia a espetáculos, entre outros episódios, vêm demarcando a posição de grupos contrários à liberdade de expressão artística e cultural que com suas práticas autoritárias e intolerantes, se utilizam de argumentos morais para travar o debate político. Infelizmente, isso tem encontrado eco em ações do poder público, especialmente em instituições do poder Executivo e em decisões do Judiciário”, diz o Mobile. Leia direto na fonte em: https://revistaforum.com.br/noticias/wagner-moura-caetano-daniela-mercury-censura-bolsonaro-oea/

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