Construir Resistência

8 de dezembro de 2021

As histórias do Raul Varassin

Não é porque sou do “Sem Dinheiro Luminoso” que não pago as promessas que faço. Uma delas era escrever mais um texto para o Construir Resistência. Vou começar pela mais curta. O caso do delegado Sergio Paranhos Fleury, diretor geral do DOPS/SP – Delegacia de Ordem Politica e Social de São Paulo. Até hoje não ficou esclarecido se foi acidente ou queima de arquivo a morte  de Fleury em Ilhabela. Isso porque ele era conhecedor de segredos  não só da esquerda como da direita. Delegado truculento, torturador, suspeito de assassinatos. odiado em muitas áreas até por policiais, e amado nos círculos mais violentos do regime militar, Sergio Paranhos Fleury costumava passar os fins de semana, quando fazia bom tempo, na agradável Ilhabela a bordo do seu iate de 27 pés, regado a boas bebidas e boas meninas.. Acontece que no dia 1 de maio de l979, já no final da tarde, quando se preparava para voltar a São Sebastião, o delegado caiu no mar e morreu afogado. Muito embora fosse bom nadador e houvesse pessoas no barco que pudessem socorrê-lo. Em seguida, a imprensa silenciou sobre o acidente e até hoje não houve conclusão das investigações sobre o caso. Interferência na TV Cultura A Fundação Padre Anchieta, que abriga a rádio e a televisão Cultura do Estado de São Paulo foi criada em l968 pelo governador Roberto de Abreu Sodré. Passou pelo seu governo e pelo governo de Franco Montoro, sem interferência. No governo de Orestes Quércia  começaram as investidas, muito embora o Conselho Curador da Fundação denunciasse e o jornal O Estado de São Paulo cobrisse. Mas foi no governo Paulo Maluf que a Rádio e Tv Cultura passaram a ser  objetivamente assessorias de imprensa e propaganda do governador. Inclusive, cobrindo suas viagens ao exterior e os mínimos atos administrativos no interior do Estado. Coisas que outras emissoras não faziam. Perdeu sua característica principal e passou a ser órgão de propaganda do governador. Já ele então com ambições politicas mais altas. Seus funcionários eram monitorados pelos homens do governador no Palácio dos Bandeirantes, inclusive com punições, suspensões de quem não seguisse a linha do governador. A coisa foi-se agravando de tal forma que no final do governo, a emissora, que já tivera uma imagem boa, comparada à BBC de Londres, passou a ficar desacreditada. E só veio a recuperar um pouco sua credibilidade nas gestões do promotor Rui Nogueira Martins e do professor Antonio Soares Amora. É isso! quer mais? Raul Varassin é jornalista, foi um dos criadores do Jornal Nacional, dirigiu o departamento de Jornalismo da TV Globo em quatro estados brasileiros (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Paraná) e teve a honra de ser contratado por Vladimir Herzog na TV Cultura de São Paulo. Foi ainda chefe de reportagem no SBT, TV Manchete e TV Record.   Nota da redação: é uma honra imensa contar com o texto de Raul Varassin. Sem dúvida, um orgulho para as centenas de jornalistas de vários estados que ele chefiou ou que conviveram com ele. Ele é a história viva do telejornalismo brasileiro. Um ícone. Muito obrigado, Raul.

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Conselheiros do PMLLLB protestam contra fechamentos de locais de votação

Por Simão Zygband e 17 Conselheiros do PMLLLB   Nós, Conselheiros do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) de São Paulo, protestamos contra o fechamento dos locais de votação para as eleições que ocorrem neste sábado, dia 11, das 10 às 16 horas, em vários locais do nosso município. A menos de três dias das eleições, em uma atitude arbitrária e descabida, a Secretaria de Cultura reduziu de 18 para 10 os locais de votação para a eleição dos futuros conselheiros, que serão empossados em janeiro de 2022. Foram fechadas as possibilidades de votação em 8 bibliotecas municipais, descaracterizando exatamente a essência do plano, presidido pela secretaria da Cultura, tendo como vice a secretaria da Educação. Entende-se que livros, leitura, literatura e bibliotecas, como o próprio nome diz, são afeitos às bibliotecas públicas e não apenas aos CEUs, que são importantes equipamentos educacionais, muitos deles com bibliotecas, mas que fazem apenas uma das partes dos interesses do PMLLLB. O desenho das eleições foi amplamente debatido pelos conselheiros nas últimas reuniões, buscando ampliar o acesso de eleitores ao pleito de dezembro. A nova secretária da Cultura, Aline Torres, empossada no dia 30 de agosto de 2021, já teve tempo suficiente para se informar do funcionamento da sua pasta, inclusive do PMLLLB. O PMLLLB funciona sem presidência permanente, que deveria ser indicada pela SMC, desde a saída da presidenta anterior, Josélia Aguiar, ligada ao ex-secretário Alexandre (Alê) Youssef. A pergunta que não quer calar: por que a secretaria da Cultura negligencia o PMLLLB? Por que não cuidar de forma transparente e respeitosa os representantes da sociedade civil?   Abaixo, a nota da secretaria da Cultura:   Prezadas(os) conselheiras(os) e comunidade integrante do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca do Município de São Paulo – CPMLLLB, meus cumprimentos. Diante da importante eleição que se aproxima, informo-lhes a decisão de não mais ofertar nove bibliotecas como locais de votação, concentrando os trabalhos em uma só: a Biblioteca Mário de Andrade, localizada na Rua da Consolação, 94. Dessa maneira, será designado número adequado de servidores para atuar em equipamento cultural amplo, seguro, bem localizado e satisfatório no respeitante às precauções contra a COVID 19. Ademais, a disponibilização de nove Centros Educacionais Unificados (CEUS) nas quatro regiões da cidade vem a combinar-se com o destacado equipamento da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) situado na região central, complementando a distribuição territorial. A medida é proporcional ao eleitorado, consentânea aos princípios da eficiência e da economicidade e mantém respeito pela amplitude de locais de votação – que passam a totalizar dez -, os quais devem existir independentemente do órgão a que se vinculem. Seria demasiado passarmos de uma eleição totalmente centralizada, com único local de votação, como ocorreu em 2019, para uma eleição com 18 locais de votação em 2021. Entendemos que os 10 locais de votação a serem oferecidos em 2021 trazem enorme ganho em relação à eleição de 2019 e atendem à demanda de maior descentralização da votação. A alteração nos locais de votação será publicada amanhã, 08/12, em Diário Oficial da Cidade. Além disso, a SMC se compromete a comunicar em suas redes sociais e páginas oficiais sobre a mudança dos locais de votação, para maior publicidade da informação. Certo de estar agindo para pleno atendimento do interesse público, conto com a compreensão de todos e desejo ótima eleição.   Danillo Nunes da Silva Chefe de Gabinete

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Lançamento do livro Cultura e Transformação Social

CONSTRUIR RESISTÊNCIA recomenda aos leitores e amigos a LIVE de lançamento do livro  Cultura e Transformação Social: reflexões a partir de Gramsci, E.P.Thompson e Raymond Williams de autoria das professoras Lucia Neves e Angela Martins.   Expositora 1: Profa. Dra. Lucia Neves -Profa. aposentada da Fiocruz Expositora 2: Profa. Dra. Angela Martins – Profa. aposentada da UNIRIO Mediador: Prof. Dr. Michel Torres- IFRJ, SINASEFE e HISTRAEB Apresentador: Porf. Dr. Eraldo Batista – Coordenador Geral HISTRAEB DIA: 09/12/21 Horas: 19:00 h Organização: HISTRAEB Inscrevam-se em nossos canais                                                                                                                                                                                                                                                        .                                                                                                                                        Transmissão pelos canais   HISTRAEB:     https://www.youtube.com/watch?v=Jd-NJoCJmHQ                                        Liepe:  https://www.youtube.com/watch?v=SImJIAfC1bU HISTÓRIA E PODER: https://www.youtube.com/watch?v=SMTqQcQEp2s    

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Necessidades históricas

Por Sonia Castro Lopes Ainda não se sabe se Lula e Alckmin comporão chapa para disputar as eleições presidenciais de 2022. Entretanto, a parceria parece ganhar força, apesar da cara feia de muitos apoiadores da candidatura do ex-presidente. Luchu é o apelido dado à composição, mistura dos nomes de Lula com o apelido de Alckmin, “picolé de chuchu.” É natural que  Alckmin não seja o vice sonhado pelos eleitores do PT e demais partidos progressistas,  embora exista quem afirme que ele seria o menos nocivo dentre os tucanos. O que se sabe é que os dois se encontraram no último final de semana e conversaram sobre a possibilidade de o ex-governador ser o vice na chapa de Lula. Por enquanto são só possibilidades, nada além disso. Mas é fato que pesquisas feitas pelo PT indicam que o apoio do tucano elevaria consideravelmente a votação de Lula em São Paulo, podendo até mesmo garantir a vitória do petista no primeiro turno. Se Alckmin deixar o PSDB para ingressar no PSB, a probabilidade de uma aliança aumentará, mas se optar por engrossar as fileiras do PSD de Kassab o mais certo é que se empenhe na disputa do governo de São Paulo. Aliás, uma das vantagens que o PT teria com essa aliança seria tirar Alckmin da disputa do governo paulista e propiciar a ascensão de Haddad, o segundo colocado nas pesquisas. Ao defenderem um acerto entre Lula e Alckmin, as lideranças petistas pensam em fazer uma frente contra o autoritarismo encarnado por Bolsonaro, candidatíssimo à reeleição. A procura de alianças mais ao centro tem por objetivo acenar ao mercado financeiro, além de amenizar a figura de Lula junto aos eleitores mais conservadores que desistiram de Bolsonaro e olham Moro com certa desconfiança, especialmente após as irregularidades apontadas nos processos que levaram o ex-presidente à prisão. A política é uma arte, a arte da negociação. É preciso confiar no taco das lideranças do partido e do próprio Lula. Divergir nesse caso é apostar na divisão e colocar a vitória em risco. Aliás, historicamente, as esquerdas nunca se entenderam, desde o expurgo  que marcou a Segunda Internacional há mais de um século. Em momentos de perigo iminente, não podemos hesitar. É tudo ou nada! E por falar em história, cabe aqui lembrar uma aliança absolutamente impensável que rendeu críticas contundentes aos seus protagonistas. Refiro-me ao apoio dado a Getúlio Vargas pelo PCB no episódio do queremismo.  No final do primeiro governo Vargas (1945), num momento de redemocratização após a vitória dos Aliados na segunda grande guerra, foram criados os três mais importantes partidos políticos da época: A UDN – União Democrática Nacional, herdeira da tradição dos partidos democráticos estaduais e adversária do Estado Novo que se organizou em torno da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes para disputar a presidência da República. O PSD – Partido Social Democrático, criado por iniciativa dos burocratas do governo e dos interventores dos Estados com anuência do próprio Getúlio, apoiou a candidatura do Marechal Eurico Gaspar Dutra. E, finalmente, o PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, também sob inspiração de Getúlio, do Ministério do Trabalho e dos sindicatos com o objetivo de reunir as massas trabalhadoras urbanas sob a liderança de Vargas. Diferentemente dos dois outros partidos, o PTB não apresentou nomes para a disputa presidencial. O fato é que Getúlio, ao perceber a perda de sustentação do regime pelos militares, resolveu se respaldar nas massas populares sendo apoiado pelo Ministério do Trabalho, pelos sindicalistas e pelos… comunistas. Sim, o apoio do PCB a Vargas foi um dos fatos mais criticados da época, até porque um de seus dirigentes, Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do partido, havia sido preso durante a ditadura varguista por 9 anos e sua mulher, Olga Benário, entregue pelo governo brasileiro à Gestapo vindo a falecer num campo de concentração poucos tempo  depois de dar à luz a filha de Prestes. Mas o PCB não se opôs à orientação vinda de Moscou para que os partidos comunistas de todo o mundo apoiassem os governos de seus países integrantes da frente antifascista. Obedecendo ao Partido, Prestes entendeu que era preciso apoiar o inimigo do passado em nome das “necessidades históricas.” Assim, em 1945, os líderes trabalhistas ligados a Getúlio com o apoio dos comunistas tomou a iniciativa de lançar a campanha Queremos Getúlio num episódio que passou à história do país como queremismo. Os queremistas saíram às ruas defendendo a instalação de uma Assembleia Constituinte com Getúlio no poder. Posteriormente, seriam realizadas eleições diretas para presidente e Vargas seria o candidato. Temendo que Vargas se tornasse um novo Perón, os opositores apressaram sua queda contando com o apoio do governo norte-americano. Forçado a renunciar, Getúlio retirou-se para São Borja, sua cidade natal. Mantida a data das eleições para dezembro de 1945 os candidatos com melhores chances eram os da UDN e PSD.  Parecia que a candidatura do brigadeiro ia de vento em popa, enquanto a do marechal  não decolava. Isso até Vargas decidir apoiá-lo. Ao final, a vitória de Dutra revelou a força da máquina eleitoral do PDS e o prestígio de Vargas junto às camadas populares que votaram em massa no marechal e repudiaram o brigadeiro, chamado “candidato pó-de-arroz.”  A força do getulismo iria se revelar novamente nas eleições de 1950 quando ele volta à presidência “nos braços do povo.” O exemplo histórico aqui mencionado serve para demonstrar que alianças políticas, por mais estranhas que pareçam, muitas vezes são necessárias para fazer valer determinado projeto político.  No momento, é preciso combater o mal maior –  a reeleição de Bolsonaro –  e, para derrotá-lo, talvez os fins justifiquem os meios. Se essa for a orientação do Partido dos Trabalhadores, será mais prudente tapar o nariz e encarar o picolé de chuchu, pois Lula mais do que ninguém tem plena consciência daquilo que Prestes chamou de “necessidades históricas.”   Foto: Ricardo Stuckert e Paulo Whitaker/ Reuters  

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