Construir Resistência

25 de novembro de 2021

Leila ‘privatiza’ o Palmeiras

Por Toninho Nascimento* No momento de modernização do futebol brasileiro, os sócios do Palmeiras resolveram acabar com os intermediários e votaram no retrocesso. A empresária Leila Pinheiro foi eleita sábado presidente do clube de São Paulo, a primeira mulher a assumir o cargo desde a fundação, há 104 anos. Uma boa notícia? Não. Leila é também dona de várias empresas, sendo a principal delas a Crefisa, que patrocina e empresta dinheiro para o Palmeiras desde 2015. Ela poderá renegociar o contrato de patrocínio conversando com o espelho de sua casa. É difícil entender como será a relação entre clube-patrocinador com uma mesma pessoa nas duas pontas. Um completo conflito de interesses. Nos próximos três anos – a posse será em 15 de dezembro -, Leila, de 57 anos, vai se equilibrar entre esses dois cargos. E já garantiu que não poupará esforços: “Tenho dois grandes pilares: o primeiro, um Palmeiras cada vez mais vitorioso, chega de protagonismo. Protagonistas já somos, queremos ser vitoriosos. O segundo, é aproximar o torcedor do seu time”. Além do clube, a empresária patrocina ainda a escola de samba Mancha Verde. Nascida em Cabo Frio, ela tinha tudo para ser vascaína, como sua família. Na adolescência, com apoio da mãe e contra a opinião do pai, foi para o Rio de Janeiro, onde cursou a faculdade de jornalismo e chegou a fazer estágio no esporte da TV Manchete. Mas, aos 17 anos, conheceu o empresário José Roberto Lamacchia, palmeirense fanático, com patrimônio estimado, pela revista Forbes, em  3,6 bilhões de reais. E tudo mudou. Nos próximos três anos, o Palmeiras será um “clube-empresa” de um jeito bem característico do atraso do nosso futebol. *Toninho Nascimento é jornalista e foi editor de esportes do jornal O Globo por 16 anos. Legenda da Foto: LEILA PINHEIRO, a nova presidente do Palmeiras (Foto: Agência Palmeiras) Matéria originalmente publicada na página Quarentena News e gentilmente cedida pelo autor ao nosso Portal.

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Precisamos ficar atentos e combater a extrema direita

Por Herval B. Barreto O crescimento da extrema direita no mundo é preocupante. Na Argentina a extrema direita está vivíssima, como mostra o resultado das eleições legislativas que acabaram de acontecer.  Foi bem parelha a disputa. Alberto Fernández que se cuide, se continuar nesse ritmo daqui a dois anos a extrema direita pode retornar ao governo central. No Chile não é diferente. A extrema direita lá surpreendeu, podendo ganhar as eleições no segundo turno, o que seria desastroso para o Chile. É o radicalismo tomando conta. Na Bolívia a direita está se articulando novamente. Aventa-se até a possibilidade de uma nova tentativa de golpe. Na França a extrema direita radical desponta de forma muito perigosa. É a negação da política tradicional. O que é que está acontecendo com o povo? Há muito risco no mundo todo. As democracias estão morrendo? Não entendo como o radicalismo e o extremismo tenham tanto apelo. Precisamos ficar muito atentos também aqui, no Brasil. A coisa vem de fora pra dentro, de forma silenciosa. Não podemos esquecer quem está por trás…  É gente da pesada que sustenta esse sistema, é o poder econômico. Eles querem dominar tudo pela força. E o Brasil é o filão pra eles, Mais de 60% do eleitorado não vota em partido, não gosta de política. É muita gente despolitizada. A extrema direita cresce justamente num terreno desses… Bolsonaro e muitos outros aqui no Brasil foram eleitos negando a política tradicional. Não tenham dúvidas de que eles exploram essa fragilidade do eleitorado. Temos que trabalhar fortemente as bases, mas parece que os partidos de esquerda ainda não se convenceram dessa necessidade. Vou dar um exemplo de luta que tá muito forte no Brasil: os negros estão se movendo e se movimentando com muita força, principalmente as mulheres afrodescentes. Elas estão com sangue nos olhos para dar respostas à “brancaiada” misógina, homofóbica, Lgbtfóbica, racistas e merecem todo o nosso apoio.  Essa questão racial, dos negros, uma hora tem que ser resolvida. Não dá mais para tolerar a opressão que o Estado exerce sobre eles, principalmente os mais pobres. Temos que virar esse jogo, mas como se faz isso? Conscientizando o povo da perifa a não votar em direitistas. Uma hora tem que cair a ficha da galera, que é um péssimo negócio pra eles votarem em gente como Bolsonaro, Romeu Zema, Wilson Witzel etc.. Não é difícil identificar os partidos milicianos, é só olhar que partidos os filhos de Bolsonaro estão. Vai por mim, se você quer se eleger a algum cargo eletivo vai lá nas periferias, que é onde as portas abrem pra você. Nas casas dos pobres as portas abrem. Os ricos já compram seus deputados, senadores, governadores e presidente da República. Os candidatos progressistas precisam visitar os bairros periféricos, as favelas, se quiserem ganhar voto. Se eu estiver errado me corrijam. Desculpem, se fico batendo nessa tecla é porque não aguentamos mais ver pobre votando nessa extrema direita dos infernos. É assustador para onde nos arrastaram. As elites tiveram a pachorra de alugarem o MBL para fazer o jogo sujo deles. Gente como Kim Kataguiri, também chamado de cata coquinho, essa turma do “vem pra rua, do Rogério Chequer, Mamãe Falei, Fernando Holiday… Eles desacreditaram a política tradicional e arrastaram muitos jovens com eles em 2013. É complicado, mas é no tabuleiro da política que vamos jogar juntos para derrotar todos eles. Herval B. Barreto é um cidadão brasileiro. Ativista da causa Brasil.

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Jornalista da Jovem Pan critica colega que fez comentário antissemita

Por Bruna Lima – portal Metrópoles   Amanda Klein afirmou que antissemitismo é enraizado nos grupos de extrema-direita   A jornalista Amanda Klein, da Jovem Pan, disse, em entrevista ao podcast “E eu com isso?”, do Instituto Brasil-Israel, que o sentimento antissemita é enraizado nos grupos de extrema-direita. Klein é comentarista política na emissora Jovem Pan e na Rede TV!. O comentário de Klein foi em relação à fala do comentarista Carlos Bernardi, que relacionou, ao vivo na Jovem Pan, o sucesso econômico da Alemanha do século XXI com a morte sistemática de judeus. Bernardi foi desligado do canal após o episódio. Disse o comentarista: “É só assaltar todos os judeus que a gente consegue chegar lá. Se a gente matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico dos judeus, o Brasil enriquece. Foi o que aconteceu com a Alemanha pós-guerra”, disse o comentarista no dia 16 de novembro. Com ascendência judaica — é bisneta de um homem judeu — Klein disse que a fala de seu ex-colega de trabalho não foi uma construção do calor do momento. “Ela é parte de uma construção muito mais enraizada, incrustada nesses grupos de extrema-direita”, analisou. A jornalista disse a Anita Efraim e Ana Clara Buchmann, apresentadoras do podcast, que a tentativa de Bernardi de negar as raízes preconceituosas do Holocausto é reduzir o nazismo e a motivação “anti-humana” da ideologia. “Tentar expurgar esse processo de todas as razões que existiam na época e traduzir a um mero processo econômico é você negar o Holocausto e a motivação sórdida e anti-humana. É uma forma de normalizar o genocídio de 6 milhões de judeus, 1 milhão e meio de crianças”, criticou Klein no episódio que foi ao ar na tarde desta quarta-feira (24/11). No momento em que Bernardi disse a fala antissemita, Klein também estava ao vivo no programa, mas a internet de seu computador travou e ela não ouviu o comentário todo. Após receber diversas mensagens de pessoas próximas, entendeu a gravidade da fala e comentou que a repulsa por manifestações antissemitas precisam ser mostradas “com toda força”. “​​Evangélicos, bolsonaristas, muitas vezes com signos de supremacia branca como o copo de leite. Na Europa isso fica mais transparente, no Brasil meio adormecido, implícito, aí quando surge damos um passo para trás e tomamos um susto. Precisa mostrar repulsa com toda força, porque isso tem que ser cortado pela raiz”, propôs. Matéria publicada originalmente no link abaixo https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/jornalista-da-jovem-pan-critica-colega-que-fez-comentario-antissemita  

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Bruta Flor

Por Carlos Monteiro   Vem chegando o verão. Ao que tudo indica, neste ano tão atípico, bypassará a ‘Prima Vera’, chegará-chegando mais caliente que nunca. Às 5h30 de hoje, por exemplo, os termômetros já andavam pela casa dos 24 graus. Tudo caminha meio esquisito, tudo marcha meio soturno neste 2021, o ano que parece não estar existindo novamente,  mesmo com a sensação de que o “vai passar” já passou. Sol a pino, calor a toda, sinônimo de que, mais uma vez, haverá praias cheias, falta de respeito, insensatez, descumprimento de regras básicas já que querem desobrigar as máscaras em locais abertos… Em 1987 o Verão foi “da lata”, este parece que será do “vira-lata”. A pergunta é sempre a mesma: O que será que andam tramando nas alcovas contra acidade? O que será que andam combinando no breu das tocas, na calada da noite, aglomerados inocentemente (SQN) no Leblon, falando alto pelos botecos? Que será que anda nas cabeças, anda nas bocas para vilipendiarem com tanto prazer a Cidade Maravilhosa. Nada mudou com a promessa de um novo governo. Nem o samba escapou… nem o samba. E aí seu Zé, se acabarem com seu Carnaval? Você, carioca, merece? Você merece lutar pela xepa da feira e dizer “muito-obrigado”? Será, que será, que está na natureza? No balé das fragatas que, hoje mais do que nunca – até elas – se aglomeraram na apresentação de quarta-feira sobre a Guanabara, cheias de açúcar e afeto, como se hoje fosse cinzas de um vindouro amanhã. O que será este verão porvir? Continuaremos a ver que não tem certeza nem nunca terá, que não há governo nem nunca terá, que não tem vergonha nem nunca terá, que não há juízo? Hoje Dia Mundial da Ciência – 24 de novembro -, o negacionismo continua, a vacina no braço e cuidados básicos ficam de lado. Viva a ciência, viva as “Dalcomos” da vida! O que virá, o que verão seus cidadãos? Rogarão ao Padre Eterno que, encimando o Corcovado, abençoa o Rio? “…E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá/Olhando aquele inferno vai abençoar/O que não tem governo nem nunca terá/O que não tem vergonha nem nunca terá/O que não tem juízo O que não tem medida, nem nunca terá…” O que não tem remédio, nem nunca terá? Não! O Rio tem remédio sim. Porque “…Onde queres revólver, sou coqueiro/E onde queres dinheiro, sou paixão/Onde queres descanso, sou desejo/E onde sou só desejo, queres não…” Ah, bruta flor do querer! Ah, bruta flor, bruta flor! Viver e não ter a vergonha de ser feliz!   Sob composições de Chico Buarque – “O que será? (À flor da terra) (À flor da pele)”. “O que é, o que é” e “Comportamento Geral” de Gonzaguinha e “Quereres” de Caetano Veloso. Carlos Monteiro é jornalista e fotógrafo  

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