Construir Resistência

12 de outubro de 2021

A peste, texto de Raí no jornal Le Monde

Que me perdoem Camus, seus estudiosos e milhões de admiradores, peço licença para repetir aqui algumas de suas palavras, do clássico “A Peste”, de reivindicar tua audácia, uma ousadia à imagem das tuas, para me ajudar neste momento de súplica rebelde, deste espasmo de “combat” e de “combattant”, diante de atos desumanos e suas terríveis consequências. Como brasileiro, como tantos outros e perante o mundo, assumo aqui que estamos habitados, sitiados, nestes tempos sombrios de nossa história, por mais de uma terrível peste. Este duplo flagelo, cujas devastações são apenas o acréscimo de nossos próprios erros coletivos, que pode contaminar muito além de nossas fronteiras. Além da “Peste” biológica, epidemia pessimamente gerida, causadora da maior crise sanitária da história do Brasil, temos outro mal, que no longo prazo pode deixar terríveis sequelas ainda mais profundas. A peste antidiplomática que nos isola, a peste que corrói a Amazônia, o meio ambiente e persegue os que a protegem, o mal que distancia a vigilância e permite passar a boiada, aceita garimpos em reservas indígenas, que prefere troncos deitados a vê-los em pé, vivos, pragas cúmplices dos responsáveis por estes crimes. Também a peste que castra liberdades, ameaça a democracia e resgata a censura, a peste preconceituosa que promove a intolerância, a homofobia, o machismo e a violência. Enfim, a Peste que nos destrói, destrói a razão e o bom senso, que perturba nossa essência, nossa consciência e nega a ciência. A Peste que promove o ódio é inimiga das artes e da cultura. Ela, que tem suas próprias variantes, é obra de um clã. Associada ao distanciamento, ao negacionismo, a desinformação, a mentira, acaba por reprimir, mesmo que temporariamente, nossa revolta, resistência e indignação. Citamos Camus: “Os flagelos, na verdade, são uma coisa comum, mas é difícil acreditar neles quando se abatem sobre nós. Quando estoura uma guerra, as pessoas dizem: ‘Não vai durar muito, seria estúpido’. Sem dúvida, uma guerra é uma tolice, o que não a impede de durar. A tolice insiste sempre, e nós a compreenderíamos se não pensássemos sempre em nós” Sim, aqui do outro lado do Atlântico, este oceano que nos separa e nos aproxima, amigo francês, vemos de tudo. Da “ocupação” de boa parte de nosso espírito, até ideias muito próximas de um nazismo medíocre, ao menos de um ideal genocida de poder, que se pretende genocida de ideias, mesmo que para isso a morte de concidadãos enteja no caminho, nem que para isso aconteça um massacre humanitário, desnecessário, com centenas de milhares de mortes evitáveis. O mal está espalhado: meio ambiente, relações internacionais, Fundação Palmares, direitos humanos. Chegamos ao cúmulo de assistirmos um certo secretário de Cultura parafraseando em rede nacional o discurso de Joseph Goebbels, ministro de Adolf Hitler antissemita, maldita alma da pior das ideologias. “Tinham visto morrer crianças, já que o terror, há meses, não escolhia, mas nunca lhes tinham seguido o sofrimento minuto a minuto, como faziam desde essa manhã”. No nosso caso (que revoltaria ainda mais os personagens de Camus), morrem inocentes por falta de oxigênio, e/ou por falta de leitos. É preciso então, mais que resistir. Contra este peste brasileira que veste um terno sombrio com seu sorriso astuto, ataca seus adversários com repressão, agressão e perseguição, resgatando “sobras legais” herdadas da ditadura, como a lei de segurança nacional. Nosso Brasil, depois de ter passado por 20 anos de torturas, assassinatos, censuras, pensávamos nunca mais sofreríamos deste mal. Ainda Camus: “O padre dizia que a virtude da aceitação total de que falava não podia ser compreendida no sentido restrito que lhe era habitualmente atribuído, que não se tratava da banal resignação, nem mesmo da difícil humildade“. “Era por isso – e Paneloux afirmou ao seu auditório que o que iria dizer não era coisa fácil – preciso querê-la, porque Deus a queria”. “O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” Este era o slogan da última campanha presidencial, esta que acompanhou a vitória do inominável. Alguns de nós já imaginávamos que por detrás destas palavras, se escondia a carne do mal coberta pela fake pele de um fake salvador da pátria, uma clara tentativa de iludir cidadãos de boa-fé, evangélicos, fiéis e crentes de Deus, já feridos e traídos em sua cidadania, querendo fazer crer que toda e qualquer atitude de seu governo segue princípios divinos. Pois me diga, que Deus seria este que destrói e coloca a vida humana em um plano tão desprezível? “Porque ele sabia o que essa multidão eufórica ignorava e se pode ler nos livros: o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nos porões, nos baús, nos lenços e na papelada. E sabia, também, que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz”. E me permita completar, e em meu país, perigosamente distraído. O Brasil que queremos e que o mundo precisa, também negou o horror que se aproximava. E, portanto, há décadas os ratos já estavam aqui mostrando seus rostos e dentes, de olhos revirados, afiando suas unhas. E não nos atentamos. Será que nós, concidadãos, e sobretudo nosso parlamento, também somos negacionistas/cúmplices, ao não querer enxergar o tamanho do perigo, ao nos sujeitarmos a este poder já manchado de sangue e de crimes? Eu sei que longo prazo, e seja qual for o país, o homem corajoso, o cientista, o resistente conseguirão juntos derrotar o mal. Aqui, não será tão simples assim, porque carregamos nas nossas costas a histórica extrema desigualdade, econômica, social e educacional que esteriliza alguns comportamentos e aniquila a vontade de ruptura. Toda Peste causa separações profundas e dolorosas. E olhem nós aqui, já isolados, tratados como pária do mundo… mas, sobretudo, separados de nós mesmos, desviados do Brasil que viemos para ser, do nossa essência, da nossa natureza, do país do futuro e de um mundo mais humano e justo. Do país

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Dia de Veneta reafirma que o olhar de uma criança que sorri reflete a boniteza da vida

Por Adriana do Amaral É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Estatuto da Criança e da Adolescência Era uma vez um poeta que viveu nas ruas… Um homem que nunca se esqueceu de sonhar… Mesmo na dor do luto ele encontrou um motivo para amar e lutar… E, assim, realizou o Dia de Veneta e celebrou a vida ao lado das crianças em situação de rua, barraca, ocupação, albergues… Crianças que sobrevivem à vulnerabilidade. Para isso, ele chamou os artistas de rua, empreendedores populares, voluntários anônimos que se reuniram para celebrar. E a magia aconteceu!   De acordo com o #EstatutodaCriança (Lei 8069/1990) as “crianças e adolescentes são sujeitos de Direito”. No papel cabe tudo, não é mesmo?  Como os governos municipal, estadual e federal estão praticando os direitos dos pequenos cidadãos brasileiros? Isso, porque a carta magna do Brasil, a #Constituiçãode 1988, rege a prática da “proteção integral”. O que vemos na metrópole brasileira, a cidade de #SãoPaulo, reflete a insegurança em que vivem as crianças e os adolescentes Brasil afora. As famílias vivem exclusão tamanha, que não se pode creditar a elas a responsabilidade pelos filhos. A mesma sociedade que abandona pais e e mães que não podem cuidar dos filhos prende a sobrevivente que toma para os seus um pacote de macarrão instantâneo, mas não pune os políticos irresponsáveis. A sociedade imoral. No capítulo 2, do ECA está escrito: Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade. Inclusive o Direito de Brincar. Nessa terça-feira (12), um coletivo de ativistas decidiu fazer valer esse direito. E as crianças – e seus pais- participaram do encontro, realizado no centro histórico da capital paulista, brincando junto. A previsão era de chuva, mas o sol fez as honras da casa… Afinal, no sorriso das crianças identificamos a esperança de dias melhores para o Brasil…   As crianças, o presente e o futuro     Brincando se aprende a conviver na adversidade     A mesma rua que exclui acolhe       Os artivistas não fogem à luta         Hora da merenda…                                                       O poeta e o sonho realizado…     E ficamos com a pureza e a resposta das crianças… Fotografia:  Giorge de Santi  

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Números assustadores da Covid-19 no Brasil: um genocida disputa com Idi Amin Dadá  

Por Washington Luiz de Araújo   No dicionário: Genocídio: extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso;  destruição de populações ou povos   Nunca fui de números, mas com a pandemia fui obrigado a olhá-los com atenção e arrepios. Chico César e Braulio Bessa dizem na música “Inumeráveis” que “se números frios não tocam a gente, espero que nomes consigam tocar.” Sabemos que junto com os 600 mil mortos atuais, mais de sete maracanãs lotados, temos milhões de pais, irmãos, filhos, avós, primos e amigos que choram estas mortes. Mortes que poderiam ser evitadas. Os números estão aí para comprovarem que o Brasil se tornou o país do genocídio. Genocídio que tem nome, sobrenome e vários apelidos. Vejam abaixo que 200 mil mortes poderiam ter sido evitadas, não tivéssemos sentado na cadeira presidencial um grande aliado do coronavírtus. Só para lembrar, Idi Amin Dadá foi denunciado pela morte de 300 mil pessoas. Ele chega lá. Infelizmente. Fala-se e comemora-se a queda nos números, mas a média de 500 mortos por dia que perdura jamais deveria ser comemorada. Os dois últimos grandes acidentes de avião acontecidos no Brasil, Gol e TAM, na primeira década deste século, ocasionaram 354 mortes. Só para ressaltar que, na média, sofremos três acidentes aéreos por dia. Para ficarmos com 2021, o Brasil, com 213 milhões de habitantes, registrou, 405 mil vítimas da pandemia, mais do que EUA, com 355 mil mortes para uma população de 330 milhões; Índia, com 1,4 bilhão, está com 300 mil mortos. O Brasil tem o mesmo número dos 27 países da União Europeia, que tem 450 mil habitantes e somou 407 mil mortos. Vamos aos dados assustadores extraídos da Agência Senado. Em seus depoimentos à CPI da Pandemia, em 24 de setembro, Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil e representante do Movimento Alerta, e o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (RS), apresentaram números sobre a pandemia de covid-19 no Brasil a partir de suas pesquisas que dão um retrato da resposta do país desde março de 2020, quando foi registrada a primeira morte pelo coronavírus.   Números do epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas(RS), sobre a pandemia no Brasil, desde o início.     * Brasil tem 2,7% da população mundial e concentra quase 13% das mortes no mundo. Na quinta-feira (23;09), 33% das mortes mundiais por covid-19 aconteceram no Brasil. *  4 de cada 5 mortes teriam sido evitadas se o Brasil estivesse na média mundial de óbitos pela covid-19, ou seja, 400 mil mortes não teriam ocorrido. No país, 2.345 pessoas morreram pelo coronavírus para cada um milhão de habitantes; média mundial é de 494 pessoas.  * Em março de 2020 havia seis vezes mais casos de contaminados por covid-19 que números oficiais. Hoje, seriam de 3 a 4 vezes mais que as estatísticas oficiais.  * Em comparação com os dez países com maior população, o Brasil tem o pior resultado de mortes por milhão de habitantes, assim como na comparação dos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).  *  Na América do Sul, Brasil é o segundo país com mais mortalidade de covid-19 por milhão de pessoas, atrás do Peru. *  Em todas as fases do Epicovid, estudo realizado em 133 cidades, os mais pobres tiveram o dobro de risco de infecção na comparação com pessoas mais ricas.  *  Na terceira fase (21 a 24 de junho), 7,8% dos indígenas tiveram contato com o coronavírus, contra 1,7% dos brancos, 4,5% dos pardos, 3,6% dos negros e 3,6% dos amarelos.   * Com relação à vacinação, o Brasil é o 4º em número absoluto em doses aplicadas, o 78º país que mais vacinou com uma dose e o 85º com a população imunizada. * A demora em compras de vacinas anticovid teria causado entre 95,5 mil e 145 mil mortes.   Números de um ano de pandemia, levantados Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil e representante do Movimento Alerta   *A pandemia provocou, em um ano (março de 2020 a março de 2021), 305 mil mortes acima do esperado no Brasil. Essas mortes ocorreram direta ou indiretamente por covid-19 (99% de confiança).   *Se medidas eficientes de distanciamento social e controle tivessem sido adotadas, haveria uma redução de 40% no potencial de transmissão do vírus. *  Com política efetiva de controle baseada em ações não farmacológicas (uso de máscara, álcool em gel, distanciamento e isolamento, entre outros) 120 mil vidas poderiam ter sido poupadas no primeiro ano da pandemia no Brasil. *  Menos de 14% da população brasileira fez testes de diagnóstico para a covid-19 até novembro de 2020. Pessoas com renda maior do que quatro salários mínimos consumiram quatro vezes mais testes do que pessoas que receberam menos de meio salário mínimo. *  Desigualdades estruturais tiveram influência sobre as altas taxas de mortalidade, atingindo principalmente negros e indígenas, pessoas com baixa renda e baixa escolaridade.  * 20.642 pessoas morreram em unidades de atendimento pré-hospitalares, sendo 20.205 em unidades públicas.   Fonte: Agência Senado     Washington Luiz de Araújo é jornalista e editor do Blog Bem Blogado   Texto publicado originalmente no link abaixo no blog Bem Blogado  https://bemblogado.com.br/site/numeros-assustadores-colocam-o-brasil-como-o-pais-mais-genocida-do-mundo-ao-lado-de-idi-amin-dada/

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Lula é inocente e ponto final

Neste artigo o advogado, ex-presidente da OAB/RJ e deputado federal (PT-RJ), Wadih Damous defende que o ex-presidente foi vítima de lawfare e não pode ser tratado como alguém que “por sorte” escapou da prisão. De acordo com a CF/1988, Lula deve ser tratado e percebido como inocente de todas as acusações feitas contra ele até o presente momento. De fato, em que jurisdições e por quem foi condenado? Apenas em Curitiba pelo ex-juiz Sérgio Moro e pelo TRF-4. Condenações que, embora tardiamente, foram anuladas pelo STF por irregularidades comprovadas. Para ler o artigo completo selecione e clique: https://iree.org.br/lula-e-inocente-e-ponto-final/  

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Por que reclamar? Finalmente, o Brasil é conduzido por FDP de marca maior

Por Carú Schwingel Finalmente, à frente do país alguém que representa todos os FDP com os quais tive o infortúnio de conviver neste Brasil. Nas ruas do Rio Grande do Sul, os eternos “velhões”, que permitiam jovens serem espancados pela polícia sem nada fazer, afinal “eram presos, eram delinquentes ou mereciam”. Esses mesmos que olhavam e olham uma mulher de cima à baixo quase salivando, que encostam sem permissão em ti, seja no braço, na perna quando podem no carro, em qualquer lugar, pois “têm o direito”, a mulher estava “querendo, oferecendo-se”. Nas reuniões de trabalho na Bahia, em que o “digníssimo” chefe de gabinete te chama para “avisar” que no contrato de sua empresa será “incorporado” uma pessoa, pois comunicação é “área sensível” e precisa estar “alguém de sua confiança”. O neto do Senador, ex-ministro, com “posto” na órgão público, recebendo acima de 10 salários mínimos, sem pisar “na repartição”. A corrupção ativa e passiva de agentes públicos com dinheiro público que consideram privado, melhor ainda, “para suas famílias”, pois nos cargos estão a mulher, os filhos, amigos. Alguma semelhança? Em São Paulo, em que o coleguinha diz: “agora, ela irá tirar o nosso emprego”, a outra, por receio de ter agido errado, te joga na fogueira, difama e destrói para quê? Para “conservar” o emprego dela. Lei da Selva! “Faz arminha, que passa!” Por fim, as que assumem à frente dos homens brancos de poder, reproduzindo e legitimando suas atitudes. Para “suportar”, a caixinha com tarja preta, o câncer de útero, ovário, mamas. Feminino aviltado. Um FDP com capacidade para levar o jornalismo a cumprir seu papel social em defesa do interesse público. Não é o cúmulo da ironia? Reclamar do quê? De ver Leitões conscientes de sua responsabilidade social? Coleguinhas que, por um lado, difamavam políticas sociais legítimas, atos regulatórios para civilidade e bem-estar social e, por outro, recebiam Herzogs por matérias pontuais, específicas, aclamados pelos defensores dos direitos humanos? Reclamar por ver consórcios de veículos atuando pelo direito ao acesso à informação, finalmente reconhecendo o social acima do econômico para sua empresa? Reclamar pelas máscaras de quem tem consciência, história e memória neste país caírem? Reclamar pela perplexidade de ainda serem os antigos editores do partidão, os mesmo que alquebraram a autonomia dos jornalistas nas greves nos 70 e 80 em troca de interesses pessoais ou pontuais, os críticos sem audiência do FDP mor que, parcialmente, também os representa? Reclamar de ver o Jornal Nacional fazer jornalismo? Toda vez que penso em reclamar pela pantomina da gestão da pandemia, pelos custos no cartão corporativo, pelos absurdos falados, pelas ações do escritório do ódio, pela falta de transparência na administração federal, pelas mentiras inventadas e disseminadas, lembro de alguém com quem convivi, trabalhei, atuei que agiu “igualito no más”. Finalmente está à frente de nosso país o que nove entre dez brasileiros consideram como “político”: um corrupto, um ser execrável, alguém sem valor. A desconsideração da política, a ignorância generalizada levou um político com três décadas de “carreira” e dois projetos de lei propostos ser considerado “não-político”, alguém “diferente”. Sim, #Bolsonaro é o presidente do Brasil e o representa. Não o Brasil que conheço, defendo, amo. Mas um que aí está, que reconhecemos na incongruência e preconceito, inclusive no escolher chamá-lo FDP, responsabilizando quem o criou por seu obtuso caráter e não a seu próprio ser e atuação. Mas ao representar, explicita-se a ação e também a responsabilidade. No país da Anistia para torturado e torturador, só descanso ao ver quem destruiu a política ambiental do Brasil, construída em tamanhas batalhas, na cadeia. Ao ver quem permitiu a morte de mais de meio milhão de pessoas por incompetência administrativa na cadeia. Os tribunais internacionais existem e irão julgar os crimes contra a humanidade cometidos por Salles e asseclas. Veremos Bolsonaro e família cerceados de suas liberdades. E saberemos que ali estarão cada um, cada uma FDP que tivemos a infelicidade de encontrar e conviver neste país. Carú Schwingel é jornalista, pesquisadora, empreendedora, ativista. Mestre em Cibercultura, Doutora em Comunicação e Culturas Contemporâneas, com pós-doutorado em Fotônica e Novas Mídias. Autora de “Ciberjornamismo” e “Mídias Digitais”. Integrante da #RededeInovaçãoPolíticanaAméricaLatina e conselheira da ONG #AsuntosdelSur, que atua com formação política na América Latina.

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Construir Resistência repudia a censura do #Instragram aos #JornalistasLivres

Leia abaixo o documento divulgado pela editora dos Jornalistas Livres, Laura Capriglione: Prezados Senhores, O #Instagram desativou indevidamente a conta dos #JornalistasLivres.  Uma conta que tem até a data de hoje – 11 de outubro de 2021 – 619 mil seguidores, destinada a noticiar questões relativas aos direitos humanos, aos direitos ambientais e à defesa dos povos originários.  Esta é, portanto, uma conta destinada a falar sobre a resistência do povo a um governo com clara inspiração nazista. Só para lembrar alguns momentos de exposição desse totalitarismo escabroso do governo brasileiro: Este é o governo de um líder (“Mito”) que já homenageou torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra, homem de triste memória, a quem coube eliminar inimigos do governo ditatorial que dominou o Brasil entre 1964 e 1985.  Este é o governo que protegeu e manteve relações conspícuas com a empresa de saúde #PreventSenior, que fazia (faz?) experiências com seres humanos, como aconteceu com o nazismo. Este é um governo que usa um lema claramente nazista: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”, que ressoa o “Deutschland über alles” que, em português, significa “Alemanha acima de tudo”. Este é o governo que entronizou na Secretaria da Cultura um monstro que teve a coragem de emular o ministro de propaganda do III Reich entre 1933 e 1945, Joseph Goebbels, conforme reportagem publicada nos Jornalistas Livres. Nós, #JornalistasLivres, já vínhamos sofrendo uma série de ataques de trolls, cada vez que denunciávamos o horror que a retórica bolsonarista contém, combinada ao passado mais tenebroso do colonialismo e da escravidão. Nós, Jornalistas Livres, somos um veículo de comunicação formado por jornalistas experientes, que já trabalharam em jornais como “Folha de S.Paulo”, “Veja”, “Globo”, “TV Globo”, “UOL”, “O Estado de S.Paulo”, “Brasil de Fato”, “Rede TVT” entre tantos outros veículos. Conhecemos muito bem as regras éticas que regem nossa profissão. É por isso que não compreendemos a censura que recebemos do Instagram. Nós recebemos hoje (11 de out) o aviso de que nossa conta havia sido “desativada”. Nossas únicas três publicações do dia foram: 1) dia do nascimento do sambista brasileiro e mangueirense Cartola; 2) card noticiando que a Força Aérea Brasileira (FAB) usará um termo de “recusa de vacinação” para militares que não queiram se imunizar; 3) um vídeo mostrando uma mulher negra revoltada porque tinha sido revistada, tornando-se alvo de humilhação pública em um estabelecimento das Lojas Americanas, em Salvador, na Bahia. Este mesmo vídeo foi publicado na página da UnegroBahia (Unegro Bahia), entidade antirracista da Bahia, respeitadíssima como porta-voz dos negros brasileiros, que segue no ar. O mesmo vídeo foi publicado nas seguintes redes: BNews, Revista Fórum, Diário do Centro do Mundo, G7 Bahia, Youtube Polêmicas e Polarização e Aratu On. Já vimos recebendo várias advertências do Instagram, conforme mostram as telas a seguir: Uma dessas publicações removidas é a que mostra uma mulher do Espírito Santo sendo espancada e socada no rosto por policiais militares do Estado. A cena foi amplamente divulgada pelas redes, o que obrigou o próprio governador do Estado a uma manifestação que, aliás, consta no post. O Instagram, inclusive, se prontificou a colocar um aviso de gatilho na publicação de outras contas, mas o mesmo vídeo, nos Jornalistas Livres, foi deletado pela plataforma. Interessante é notar também que a mesma publicação feita no Instagram (e que foi censurada) continua #publicada no Facebook. Este mesmo vídeo foi publicado no Instagram de Midia Ninja, de Guilherme Boulos e de vários deputados, sem que nenhum deles tenha sofrido qualquer sanção visível. O vídeo não foi retirado dos canais citados, mas foi suprimido do nosso canal. Outra de nossas publicações censuradas mostra um dirigente do Movimento Brasil Livre (MBL), que apoiou a eleição do presidente Jair Bolsonaro, incitando o estupro de uma mulher. Publicamos como uma denúncia, como fica evidente para qualquer pessoa honesta. Tanto é assim que a mesma publicação segue no ar dentro do Facebook. A charge que foi removida, a pretexto de estar propagando “violência e incitação” é esta, que entretanto permanece publicada na página do nosso colaborador @gladson.targa no Instagram: Por fim, outra de nossas publicações removidas é a que mostra um protesto (à distância) de uma mulher contra os feminicídios em que o Brasil é um triste campeão mundial. O Facebook, que pertence ao mesmo proprietário do Instagram, mantém a publicação no ar. Nosso canal, os Jornalistas Livres, é uma das mídias que mais dá voz aos esquecidos, injustiçados e oprimidos do Brasil. Censurá-lo é o mesmo que censurar todas as heroicas publicações que denunciaram o assassinato criminoso (sim, a redundância é necessária neste momento) de George Floyd. É o mesmo que censurar a publicação das cenas terríveis que mostraram o genocídio judeu durante a Segunda Guerra Mundial. É o mesmo que calar sobre um corpo que sangra, consentindo na sua morte. Por tudo isso, recorremos da punição que nos foi imposta e pedimos a sua reconsideração, em nome das liberdades de informar e de ser informado, alicerces da Democracia. Aproveitamos para reforçar nosso pedido de verificação da conta, feito inúmeras vezes, em vista dos bons serviços que temos prestado à “visibilidade dos invisíveis”. Estamos vulneráveis aos recorrentes ataques nazistas justamente porque não somos verificados. Atenciosamente, Laura Capriglione Editora dos Jornalistas Livres e-mail: contato@jornalistaslivres.org  

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Ciência na penúria: veja os valores e projetos do CNPq impactados com o corte no orçamento

Do Jornal da Ciência Ilustração de Nando Motta SBPC apura as rubricas e valores que seriam destinados para execução de projetos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Em mais uma manobra sorrateira, o Ministério da Economia retirou recursos  do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que seriam destinados ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações, para execução de projetos científicos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ainda esse ano. A SBPC apurou que os cortes efetuados no orçamento do CNPq impactam diretamente a execução de projetos já anunciados, como a Chamada Universal 2021. A seguir os valores e rubricas: Chamada Universal (R$200 milhões), R$100 milhões da chamada para instituições do programa Ciência na Escola, R$280 milhões dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), R$24 milhões do Programa Mestrado e Doutorado para Inovação, R$30 milhões dos projetos de Jovens Doutores, R$40 milhões da chamada Pesquisador na Empresa (RHAE), e R$50 milhões do fomento PPP, Pronem e Pronex. Para o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, o corte no orçamento do CNPq “inviabiliza a pesquisa no Brasil, com resultados calamitosos para nossa economia e induzindo grande número de jovens cientistas, altamente qualificados a elevado custo para o País, a emigrar. O Brasil está dando de presente, a países ricos, sua inteligência, que vai desenvolver a economia deles e não a nossa”, finaliza. Publicado originalmente no Jornal da Ciência, no link abaixo http://www.jornaldaciencia.org.br/cieia-na-penuria-veja-os-valores-e-projetos-do-cnpq-impactados-com-o-corte-no-orcamento/   Em tempo: clique nos anúncios da página do Construir Resistência. Assim você estará contribuindo com a existência deste site que não tem dólares aqui no Brasil, o que dirá no exterior. E viva as Offshore.   

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Etimologia: Cuidado, porque semelhança pode não ser parentesco!

Por Vidomar Silva Filho Há coisa de uns dez anos, durante o doutorado, eu me afastei da sala de aula por dois semestres. Quando voltei, passei a ouvir, nos conselhos de classe, alguns colegas referindo-se às nossas alunas e alunos como ‘aprendentes’. Estranhei o termo e busquei saber por que se havia incorporado ao nosso jargão. Soube que alguém apareceu com a ideia esdrúxula de que ‘aluno’, etimologicamente, viria de ‘alumino’ e significaria ‘ser sem luz’. Assim, não deveria ser usado. Eu tenho severas restrições contra isso de escarafunchar o passado à busca de base para demonizar termos de uso presente. Noutra oportunidade, gostaria de discutir isto aqui com os colegas. Mas voltemos ao ‘ser sem luz’. De imediato, estranhei a etimologia, porque o prefixo de negação ‘a’ é grego, enquanto a raiz ‘lum-’ vem do latim. Daí fui verificar a origem de ‘aluno’ e descobri que é bem bacana até. O termo vem do verbo latino ‘alere’, que significa alimentar, nutrir. Ou seja, o aluno é aquele que se está nutrindo de conhecimento. Poético, né? E muito melhor que essa coisa de ‘sem luz’, cruz credo! Trago o exemplo para mostrar que se constroem muitas etimologias falsas baseadas apenas na forma atual das palavras, sem levar em conta sua evolução histórica. Assim, o termo ‘aluno’, que não tem relação com ‘iluminar’, é cognato de ‘alento’. Da mesma forma ‘trevo’, que vem do latim ‘trifolium’ (porque o trevo comum tem três folhas) não tem parentesco com ‘treva’, do latim ‘tenebras’. Por outro lado, há parentescos etimológicos insuspeitos a partir das formas atuais, como o que existe entre ‘chão’, ‘plano’ e ‘piano’. Só para encerrar, é corrente uma explicação etimológica engraçada para o verbo ‘testemunhar’, segundo a qual sua origem viria de ‘testis’ (testículo) + ‘manus’, porque, na Roma Antiga, os homens poriam a mão sobre os testículos para jurar. É falsa essa etimologia, viu? Na verdade, ‘testemunhar’ vem do latim ‘testis’ (testemunha). Por sua vez, apesar de homônimos, os dois ‘testis’ têm diferentes origens. O ‘testis’ do testículo vem de ‘testa’, concha, que deu origem a ‘teste’ e a ‘testa’ em português. Por sua vez, o ‘testis’ da testemunha parece ter origem numa raiz mais antiga que significava ‘pôr, apresentar’. Pena que essa história da mão lá embaixo seja falsa. Já estava aqui me divertindo com a possibilidade de uma mulher romana levar consigo o marido ao tribunal, para poder jurar como mandava o figurino.   Vidomar Silva Filho é doutor em Linguística pela UFSC. Professor de Língua Portuguesa e Literatura do Instituto Federal de  Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC)

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Não respeito o mito, eu respeito o homem

Por Claudio Viola O Brasil tem se dividido entre os que odeiam Lula (uma patologia que tento entender) e os que o amam. Sou de uma terceira vertente, a dos que reconhecem os erros e os acertos de Lula e não o enxergam como mito intocável e sim como um estadista com profundo sentimento humano e grande habilidade política. Acusaram Lula de ter se transformado num bilionário em decorrência de roubos em seus governos. O patrimônio de Lula foi devassado, foi esmiuçado e colocado num microscópio eletrônico. Polícia Federal, Receita Federal e MPF nada encontraram além do que está registrado em sua declaração de Imposto de Renda, com origem declarada e inquestionável. Ponto. Lula foi preso porque Moro e o TRF-4 assim o quiseram, acusando-o de ser o verdadeiro dono de dois imóveis que nunca foram seus. Um era da construtora OAS e o outro da família Bittar. Acusaram Lula por uma reforma num triplex, sendo que tal reforma nunca existiu (fotos do imóvel comprovam isso). Acusaram Lula por reformas e melhorias num sítio no qual ele frequentava como convidado da família Bittar. Todas as benfeitorias feitas no sítio só beneficiaram a família Bittar, que agora o está vendendo. Lula não enriqueceu. O foco de Lula sempre foi o poder, a sua ambição nunca foi a de acumular apartamento em Paris, malas abarrotadas de dinheiro, milhões de dólares em contas na Suíça e nem fazendas com pistas de pouso para aviões. Lula foi milionário por dois mandatos políticos em que proporcionou paz política, crescimento econômico e inclusão social no país que tanto ama. Lula não entra pela porta dos fundos nos encontros com estadistas pelo mundo afora; ao contrário, é recebido com tapete vermelho, com respeito e reconhecimento. Qual foi o legado de Lula para tanto respeito? Tirou milhões de brasileiros da condição de miséria extrema e combateu a FOME como nunca se fez em 500 anos neste país. Defendeu a tecnologia nacional, o desenvolvimento econômico com pólos regionais, focou na educação e na cultura, investiu nos programas sociais, respeitou os direitos trabalhistas, proporcionou crescimento para empresas e para o setor financeiro, conciliou na política (em prol do país), não perseguiu adversários, combateu o racismo, a homofobia, a intolerância religiosa, a misoginia e jamais fez discursos de ódio defendendo a morte de seus adversários ideológicos. Saiu ao final de seu segundo mandato com 87% de aprovação. Um recorde nunca batido no Brasil. Fica difícil entender o ódio impregnado nos corações e mentes de brasileiros que tiveram uma vida melhor nos anos em que Lula foi presidente. Foi a conquista da moradia, da saúde preventiva pública, da energia elétrica que chegou em suas casas, a conquista do emprego que gerou renda e botou um prato de comida na mesa, foi o sonho concretizado com o filho se formando numa Universidade Federal e a real conquista da DIGNIDADE. Muitos que conquistaram tudo isso cuspiram na cara de Lula, comemoraram a morte de sua esposa e depois de seu neto e por fim soltaram foguetes quando de sua injusta prisão. Nunca consegui entender esse ódio patológico e essa falta de leitura reflexiva sobre uma realidade tão escancarada. Posso culpar a influência da mídia parcial? Posso. Mas ainda culpo a ingratidão, a mentalidade atrasada e a falta de empatia de milhões de brasileiros que nos jogaram numa jornada trágica sob o comando de um clã de milicianos. Ler e entender o Brasil nunca foi para amadores.   Cláudio Viola é profissional de marketing, economista e cartunista.

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