Construir Resistência

6 de outubro de 2021

Pareceres equivocados

Por Alfredo Attié O parecer jurídico divulgado por professores universitários, que afirma a correção da gestão #bolsonaro, seja em relação à #pandemia, seja em relação aos povos indígenas, seja em relação à ordem constitucional, é exemplo do mau direito que se pratica no Brasil. É lamentável que professores emprestem seu nome a um texto que nada traz de séria ciência jurídica. Suas conclusões conformam um amontoado de opiniões que mais caberiam num post de rede social voltado a difundir #fakenews. Quando falo do exemplo do mau Direito, refiro -me ao fato de ter desaparecido da cena pública a importância da boa e sólida argumentação jurídica. Foi trocada, a preço vil, pelo mero termômetro político. Algo assim como “O que apraz à política vinga”, servindo o direito como mero ornamento de algo que já está decidido de antemão, segundo interesses os mais mesquinhos. Quando falo em política, refiro -me não à democracia – exigência constitucional sempre vilipendiada- mas ao clube da elite no poder. Clube fechado, autoritário e que despreza qualquer menção a legitimidade. O douto parecer transborda -se é que em algum momento cogitou de embarcar – dos mais simples princípios e métodos jurídicos. Mais se aproxima de um impressionismo jurídico que orna um conteúdo pesadamente totalitário, ou só autoritário, algo assim entre a reminiscência nacional-socialista, fascista, franquista ou udenista. Segundo o entendimento apresentado, o governo federal se mostra um primor de probidade e de legalidade, interessadíssimo na saúde do povo, respeitador de direitos, cioso de cumprir deveres e de realizar políticas públicas. Ou seja, o que a realidade escancara, o parecer esconde. É triste ver a que ponto chegou nosso Brasil. Mas é importante que à luz da realidade nem todos os gatos são pardos. Há juristas cônscios de que devem pautar sua vida e suas palavras pelo Estado Democrático de Direito. É há os que penduram o direito e a ciência de um cabide, para adentrarem a ordem pública dispostos a dizer qualquer argumento, em nome da negação da civilização, em favor do poder que se corrompe e destrói o Povo que deveria ser seu fundamento. ” Alfredo Attié é Titular da Cadeira San Tiago Dantas e Presidente da #AcademiaPaulistadeDireito

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Lizzie

Por Carlos Monteiro Era uma garota, que como eu, amava os #Beatles e os #RollingStones… Amava tanto que não perdeu tempo e foi cantar com os rapazes de #Liverpool. Gravou com os meninos de “AbbeyRoad, “Across the Universe”. “…Jai guru deva. om./Nothing’s gonna change my world…”. (Glória ao maestro do Universo/Nada vai mudar meu mundo). Foi registrada em áudio em 1968, quase por “acaso” e, todos sabemos que o acaso não existe. Chovia, fazia frio, era quatro de fevereiro. Lá estava ela, mais uma vez, junto aos estúdios da #EMI onde, Lennon, McCartney, Harrison e Ringo gravavam. E quem à porta chega buscando uma menina que sustentasse uma nota aguda, ninguém mais que Sir Paul. Ela e a amiga Gayleen, não só toparam o desafio, como revezaram os microfones com Paul e John. Ela tinha 17, um prodígio jamais realizado por outra brasileira. #Tavito, grande parceiro de #Rodrix, questionava: “…Será que algum dia eles vêm aí/Cantar as canções que a gente quer ouvir…” Ela foi lá e fez. Cantou pelo Universo sem fim de seus sonhos, pela imensidão de sua delicadeza, pela paixão em notas musicais. Seu coração batia em metrônomo, compassado de amor e luz. Ficou imortal no álbum “Let it Be”, é imortal em sua história. #ElisabethVilasBoasBravo – “Lizzie” pelos acordes ouvidos na voz de Lennon cantando “Dizzy Miss Lizzy” de quem era fã dos Beatles desde 1964. Voltou ao Brasil, diretamente ao #RiodeJaneiro no final de outubro de 1969. Foi morar com a mãe e trabalhar como secretária no centro da cidade em plena Avenida Rio Branco; não era ela, definitivamente não era Lizzie. Em 1970, mais precisamente no mês de dezembro, se casou com o cantor e compositor Zé Rodrix que, junto com o também cantor e compositor Tavito, criaram a obra prima “Casa no Campo”, imortalizada na voz de #ElisRegina. Para ela, Zé buscou inspiração nos acordes de Tavito e na iluminação das estrelas, os versos: “…Eu quero a esperança de óculos…”. Era a própria com seu jeito terno, voz macia e olhar penetrante. A esperança de mundos melhores, de que lhe cabia os limites do corpo para ficar do tamanho da paz. Para #MaryaBravo, a perpetração do amor vivido por eles, “…a filha de cuca legal…”; e que filha! Partiu cedo, por demais cedo, não era hora ainda. Ontem pela manhã o metrônomo descompassou aos 70 anos. Foi encontrar o Zé na Pátria Espiritual, para colher e plantar a pimenta e o sal com seu amor e, juntamente com seus muitos amigos que já partiram. Estão numa roda musical compondo os tais rocks rurais infinitamente. Por cá o silêncio das línguas cansadas, os anjos solenes desafinaram, os corações saudosos e a dor de ver seu amigo partir. Levou seus discos, seus livros – “Do Rio a Abbey Road” publicado em 2015, e com segunda edição, revista e ampliada programada para ser relançada ainda este ano -. Deixou sua história que será eternamente lembrada na voz, nas fotos incríveis, nos papos geniais, no ser humano inesquecível.  “Look for the girl with the sun in her eyes. And she’s gone…” Lizzie in the sky with diamonds.    Carlos Monteiro é jornalista e fotógrafo

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Ciranda das mulheres sábias

Por Beatriz Herkenhoff Estou assistindo na #Netflix a minissérie #Maid. Muito forte e envolvente. Aborda a violência psíquica, física e emocional vivida pelas mulheres e sua capacidade de recomeçar, mesmo estando destroçadas. Paralelamente, senti-me instigada a fazer uma resenha do livro #CirandadasMulheresSábias – ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem, de #ClarissaPinkolaEstés (2006). Esse livro nos instiga, como mulheres, a entrar em contato com a força curativa que existe em nós. Clarissa é psicóloga #junguiana, poeta e escritora. Com especialização em traumas pós guerra. Aborda, em seus livros, a temática do arquétipo feminino, seus mistérios e potência, tendo como referência mitos, histórias ancestrais e contos. Reflete sobre a maturidade e a sabedoria feminina, atributos necessários para a arte do ser mulher. Afirma que a união da alma madura com o espírito jovem compõe o “ser jovem enquanto velha e o ser velha enquanto jovem”. Embora o espírito cresça em experiência e sabedoria, ele possui a exuberância, a curiosidade e a criatividade desenfreada da juventude. Enquanto a alma é a força antiga no interior da psique, que age com sabedoria e maturidade. Numa psique equilibrada, essas duas forças: o espírito jovem e a alma velha e sábia se mantêm num abraço em que se reforçam e fortalecem. A tarefa da mulher sábia é viver plenamente cada dia. Viver do seu próprio jeito vibrante. O que deveria fazer uma mulher que perdeu o contato com um ou com o outro aspecto dessa preciosa natureza dupla dentro de si mesma, seja o espírito para sempre jovem, seja a anciã conselheira? Aqueles aspectos exatos que tornam uma mulher uma “grande” neta, uma “grande” avó, uma “grande” alma. Deveria receber “a bênção” para viver como um ser pleno o tempo todo, até seus limites mais distantes. Uma benção faz com que você use algo que você já possui: o dom que nasceu com você quando veio ao mundo. Uma bênção é para que você se lembre totalmente de quem é, e faça bom uso da magnitude que nasceu embutida no seu eu precioso e indomável. Saiba que você é abençoada, apesar das hesitações, quedas, tempo perdido, certezas, perspicácias e mistificações, pois tudo isso é combustível para avançar. Para a autora, a mulher vai construindo a sua sabedoria a partir de suas experiências positivas e negativas, dos fracassos e decisões equivocadas. Apesar das perdas ao longo da vida, das dores e angústias, muitas mulheres decidem superar os obstáculos para viver plenamente. E quando isso acontece, o seu exemplo irá contagiar os que estão próximos. Para Clarissa Pinkola, a avó é a representação simbólica da mulher sábia. Mas, o arquétipo da mulher sábia pertence às mulheres de todas as idades. A sabedoria não se restringe à maternidade, existem mulheres que são grandes genitoras de novas ideias na arte, na literatura, na sua profissão, em todas as áreas. A autora compara a força da mulher com a capacidade da árvore de sobreviver às intempéries. Por baixo da terra, a árvore venerável abriga “uma árvore oculta”, feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis. A partir dessas radículas, a alma oculta da árvore empurra a energia para cima, para que sua natureza mais verdadeira, audaz e sábia viceje a céu aberto. O mesmo acontece com a vida de uma mulher. Como a árvore, não importa em que condições ela esteja acima da terra, exuberante ou sujeita a enorme esforço. Por baixo da terra existe “uma mulher oculta” que cuida do estopim dourado, aquela energia brilhante, aquela fonte profunda que nunca será extinta. “A mulher oculta” está sempre procurando empurrar esse espírito essencial em busca da vida para cima, para que atravesse o solo cego e consiga nutrir seu eu a céu aberto. Dentro da psique de muitas mulheres existe algo que entende intuitivamente que o conceito de “curar” está incluído na palavra “saúde”. Quando ferida, ela se torna “cheia de cura”. O que significa que algum filamento vibrante, gerador de vida, no seu espírito e na sua alma se move persistentemente na direção da nova vida. Mesmo quando a atuação do ego é temporariamente reprimida, a mulher oculta por baixo da terra, a que cuida do fogo para esse fim, mantém a atitude pela vida, por mais vida! Não importa onde ou como vivamos. Mesmo que nossa estrutura externa seja insultada, agredida, apavorada ou mesmo destroçada, ninguém poderá extinguir o estopim dourado, e ninguém poderá matar sua guardiã subterrânea. Las abuelitas: as grandes vovozinhas. De que modo ela é perigosa? De que modo é sábia? Ela é mutilada e cresce de novo. Ela morre e cresce de novo. Ela ensina as jovens a fazer o mesmo: acrescentar audácia, acrescentar dança. Que você escolha o que a faça dançar, não mais andar pesadamente nem cochilar, pelo tempo afora.     Beatriz Herkenhoff é doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Professora aposentada da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). É cinéfila.

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O escândalo nosso de cada dia

Por Simão Zygband Não é a toa que a mídia se calou diante do novo escândalo do desgoverno miliciano. Há muito mais gente envolvida nesta “ maracutaia” que é depositar o dinheiro suado do povo em paraísos fiscais. Em geral, são pessoas que sugam o sangue do brasileiro   Existe uma mística de que se constrói uma “cortina de fumaça” para acobertar o mal feito de algum governante. Se cria um fato político, de forte impacto, que fará com que o outro seja esquecido pela imprensa ou pela opinião pública. Mas no caso do governo do capitão reformado, Jair Bolsonaro, nunca se sabe o que, exatamente é a tal cortina de fumaça, tal sucessão de graves denúncias que pairam sobre a gestão de extrema direita encastelada no poder. O Brasil parece já ter se esquecido que o desgoverno da extrema direita que infelicita a nação há mais de um ano e meio foi responsável pela morte de 600 mil brasileiros, que negligenciou (e tentou ganhar proveito) na compra de vacinas, que gastou milhões de reais na compra de medicamentos ineficazes contra a Covid-19 e tentou insistentemente empurrar  o placebo para milhões de desafortunados. Cada dia, as denúncias são piores que a anterior. Não bastasse os filhos do capitão reformado adquirirem quase em cash (dinheiro) mansões milionárias em Brasília, que os militares estão nos principais postos do governo com salários astronômicos, que o povo faz filas gigantescas para adquirir ossos para fazer sopa, que um dos principais planos de saúde da terceira idade, a Prevent Senior, em conluio com o desgoverno, tenha receitado cloroquina para milhares de paciente idosos, ocasionando centenas de mortes (isso sem contar na diminuição do tempo de UTI, com redução de oferta de oxigênio, consideradas caras para as empresas de medicina de grupo). “Óbito também é alta”, teriam sugerido os diretores. A novidade do dia do desgoverno do capitão reformado (encostado no Exército por incapacidade no exercício das funções da caserna) é que o seu principal e mais importante ministro, o que gere a Economia do país, tem conta em milhões de dólares em paraísos fiscais e, mais do que isso, ele mesmo opera internamente a desvalorização da moeda norte-americana no Brasil, lhe rendendo milhões de reais.  É como se o técnico de um time de futebol ganhasse dinheiro toda vez que sua equipe sofresse uma derrotada (roubei no facebook). Claro que o ministro que, portanto, investe sua poupança no exterior por não confiar, exatamente, na política econômica que ele mesmo opera, não está sozinho nesta prática dos milionários brasileiros. Acompanham-no  nesta operação, (se não ilegal, imoral) fora de nossas fronteiras o presidente do Banco Central, os banqueiros, os operadores de saúde em grupo, os especuladores, os agiotas, e toda a espécie de “cidadão” que obtém recursos nem sempre de forma lícita. Não é a toa que a mídia se calou diante de novo escândalo do desgoverno miliciano. Claro que os barões da mídia também tem seu rico dinheirinho aplicado lá fora. Há muito mais gente envolvida nesta maracutaia que é depositar o dinheiro suado do povo brasileiro em paraísos fiscais. Em geral, são pessoas que sugam o sangue do trabalhador e da classe média idiotizada (e não idiotizada também) nacional, para ganhar muito dinheiro com a especulação do dólar no exterior. Ninguém supunha que passaríamos por isso.   Em tempo: clique nos anúncios da página do Construir Resistência. Assim você estará contribuindo com a existência deste site que não tem dólares aqui no Brasil, o que dirá no exterior. E viva as Offshore.     

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