Construir Resistência

8 de setembro de 2021

O pavor que eles têm do Lula

Os bolsominions estão desesperados e se movimentam como baratas que receberam uma boa dose de inseticida.   Por Simão Zygband   Às vezes tenho a impressão de que deveríamos parar de falar sobre o Bolsonaro. Mantê-lo na sua insignificância. Um ser que empesteia a existência nacional. Pior ainda são os bolsominions. Um bando de anencéfalos que fazem coro junto com este ser desprezível, que ataca as instituições democráticas do país. Todos sabem que as manifestações da extrema-direita de ontem mostraram o temor que eles têm do Lula. Saíram às ruas para denunciar que acusaram o golpe e sentem no cangote a presença do principal adversário para as eleições de 2022. O ex-presidente já tem folga nas pesquisas e pode vencer no primeiro turno. Agora aparecem milhares de analistas que se julgam capazes de dar palpite de como Lula deve se comportar. Se deveria ter ido ou não às manifestações anti-bolsonaro, se o discurso dele sobre o 7 de setembro foi eficiente ou ruim, ou se ele deveria ou não ter aparecido de sunga, em cena romântica ao luar, mostrando vigorosas coxas e (supostamente) outros atributos. É muito bom tudo isso. Sobre um tema, várias opiniões. Acho que devemos deixar o Bolsonaro para lá e cuidar da candidatura que vai enfrentar aquele ser. Deve ser preferencialmente o Lula (conforme revelam as pesquisa), mas não obrigatoriamente. Vai quem passar ao segundo turno contra o Coiso, se é que vai ter. Certamente, tenho certeza, Lula não irá a Paris no momento decisivo, como fez um candidato na eleição de 2018. De fato, o herói da extrema-direita conseguiu levar parte de seu eleitorado para as ruas, distribuindo dinheiro e outras regalias. Distribuiu também o pavor que eles têm do Lula. Mas, na minha impressão de leigo, não creio que seja suficiente para reelegê-lo. Vai ter que distribuir mais grana para seu gado. As manifestações da extrema-direita, bancadas por empresários do agronegócio, das transportadoras e outros iguais aos péssimos brasileiros como o Véio da Havan, mostraram um medo danado do Lula. Aparentemente se sentem desesperados e se movimentaram como baratas que receberam uma boa dose de inseticida. Ninguém mais, além destes descerebrados, aguenta o Bolsonaro. Nem os juízes do STF, que tiveram papel tão repugnante no golpe contra Dilma Rousseff, suportam o ser que ostenta (indevidamente) a faixa presidencial.  O ministro do Supremo, Alexandre Moraes, que no primórdio da carreira legislou para a facção criminosa PCC, foi o primeiro do lado de lá que começou a dar uma dura no bolsonarismo e mandou alguns deles para a cadeia, inclusive o desequilibrado Roberto Jeferson. Mas já foi para o xadrez um pastor picareta, uma pastora homicida, um machão bombadão bolsominion (que aparentemente só rosna contra mulheres), entre tantas outras excrescências. Neste ritmo, mantida a velocidade da limpa, vai faltar cadeia para tantos malfeitores.   

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Certas canções que eu ouço…

Por Desirée Rabelo No futuro, quando contarmos sobre a #pandemia da #Covid-19, certamente as duas lembranças mais doloridas serão a das perdas dos entes queridos e da experiência de lockdown. Fomos separados, definitiva ou temporariamente, de nossas fontes de afeto e alegria. Abraços de consolo estavam proibidos. Encontros foram suspensos. Uma parte importante de nossas vidas foi paralisada. Claro está que cada um experimentou as experiências de perdas ou reclusão de maneira distinta, inclusive segundo o lugar onde estava. Aqui na #Espanha, entre 15 de março de 2020 e 21 de junho de 2020 vivemos um confinamento extremamente rígido. Com exceção de serviços essenciais, tudo demais foi fechado. As ruas e praças ficaram completamente desertas. Lojas, hotéis, restaurantes, escolas, tudo cerrado. Porém, durante este intervalo de tempo, muitas iniciativas tratavam de resgatar a solidariedade e a cooperação que nos tornam humanos: mensagens de ânimo penduradas nas janelas, aplausos aos sanitários nos fins de tardes, músicas tocadas e cantadas desde as sacadas, confecção de máscaras gratuitas, listas de jovens oferecendo-se para fazer compras para os idosos… Naqueles dias tão raros, marcados por nosso espanto e desconhecimento frente ao vírus, muitas pessoas partilharam o que tinham de melhor. E as campanhas de comunicação do governo central espanhol tratavam de reforçar a solidariedade: “Este vírus lo paramos unidos” e “Un dia más, um dia menos” foram alguns dos slogans veiculados. Por tudo isso, prefiro recordar desse período como uma experiência de humanidade. Mas, além disso, quando contar sobre minhas lembranças do confinamento, terei que mencionar uma canção. Não a escolhi – acho que foi o contrário. O videoclipe chegou no meio da #quarentena, em um #WhatsApp enviado por uma amiga. Desde então não me canso de assisti-lo. No popular, diria que “a música grudou” na minha cabeça e também no meu coração. À época, publiquei uma reflexão em minha página de #Facebook sobre a música. Mas, acho que vale a pena retornar. Atualizo o texto e compartilho com vocês “Foguete”, interpretado por #MariaBetânia, e, especialmente, a emoções que a gravação despertou em mim. Primeiro, o ambiente. O tocador, os cantadores e ouvintes estão numa roda, provavelmente um quintal – um terreiro. Certamente na Bahia. Mas podia ser em qualquer lugar. Percebam a magia do momento. As expressões dos presentes não deixam dúvidas sobre o imenso prazer que sentem. O violão e o canto soam suaves – não queremos incomodar dona Canô… Há quase uma reverência no ar. #CaetanoVeloso, sempre tão loquaz, cala-se. Apenas desfruta. Nem sempre o encontro de amigos e violão produz essa mágica. Há nuances ou espíritos que precisam estar presentes. Sinto-me privilegiada por ter participado de vários e inesquecíveis rodas, mágicas como a do clipe. Em Mato Grosso do Sul, a #MPB e as guarânias inspiravam a mim e também aos amigos – alguns deles hoje artistas profissionais. Em Minas Gerais, fosse em Belo Horizonte, em Pitangui e, certa vez, em Ouro Preto, muitas noites foram abençoadas por encontros musicais, serestas ao luar… Fosse com o coral da #PUC, com companheiros ou os primos. Com esses, comparto um repertório único, que evoca lembranças nas canções repetidas tantas vezes. Como não cantar outra vez “Beijinho Doce” ou “Boate Azul” com os próprios tios tocando violão? E cada nova geração traz novos cantores que seguem alimentando a veia musical familiar. Vivendo no Espírito Santo, tive menos oportunidades de participar de momentos como esse de Maria Bethania. Mas, sim, houve alguns inesquecíveis luaus nas praias de Itaparica, em Vila Velha; ou de Virtudes, em Guarapari. E até em Barcelona pude experimentar momentos assim graças à voz e violão de alguns brasileiros generosos que por aqui estão e, também, ao #CoralVillaLobos. Que bom poder contar minha história por meio de encontros musicais. No videoclipe, há outro momento que me emociona: aquele quando Bethania esquece a letra. Não estamos acostumados a ver essa cena. Em geral, preferimos disfarçar ou negar os esquecimentos e equívocos dos cantores e de todos nós. Melhor não mencionar. Seguir frente. Superar, enfim. Mas ali acontece o contrário: todos percebem a hesitação da cantora, que é ajudada pelos presentes. Ela retoma o canto e ri de seu esquecimento. E todos riem juntos. Em sua linda crônica “Para Maria das Graças”, #PauloMendesCampo ensina que “Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões”. Talvez a opção mais lógica do diretor do documentário fosse interromper a gravação e começar de novo. Mas, sabiamente ele percebeu que ali estava uma grande ocasião: testemunhávamos alguém perdoando e rindo de si mesma. E seguindo em frente. Melhor ainda, seguindo com pessoas queridas. Não bastasse o ambiente da roda, a letra da música é inspiradora. Diante da impossibilidade de fixar uma data para juntar a família ou rever amigos, separados por um oceano e por um vírus, nesses tempos de pandemia muitas vezes só me restava agarrar-se às recordações e à esperança. E cantar: “Tantas vezes eu soltei foguete Imaginando que você já vinha / Ficava cá no meu canto calada /Ouvindo a barulheira / Que a saudade tinha”. Lembrando de meu marido, meu filho e minha mãe, eu cantava baixinho: “Nosso amor é tão bonito, tão sincero /Feito festa de São João”. Para mim, que amo profundamente as festas juninas, não há metáfora mais bonita. Muitos meses se passaram desde aquele tempo de confinamento. Voltei a estar meu marido e meu filho. Minha mãe, contudo, partiu para outro plano, antes que nosso reencontro fosse possível. Agora, só me restar ficar no meu canto, calada, ouvindo a barulheira que a saudade faz.   Nota da autora: A gravação de “Foguete” (de Roque Ferreira e J Velloso) é parte do documentário “Pedrinha de Aruanda”, de Andrucha Waddington. Desirée Cipriano Rabelo é jornalista. Após aposentar-se

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A sétima arte e a educação como pilar de transformação

Por Beatriz Herkenhoff Gosto muito de filmes que abordam o papel da educação como um dos pilares para uma sociedade mais justa, respeitosa e inclusiva. Geralmente, relatam histórias que nos emocionam e envolvem pelos desafios apresentados e os difíceis caminhos de superação. Destacam o papel de professores, que apostam nas potencialidades dos jovens e em sua capacidade de ir além. Educadores, que utilizam métodos inovadores valorizando o respeito às diferenças, elevando a autoestima dos estudantes, com estímulos para construírem novos caminhos e possibilidades. Como professora, são temáticas que me tocam e fazem refletir sobre minha trajetória. Vou indicar dois filmes que considero imperdíveis e que poderiam ser debatidos pelas escolas com a participação de pais, estudantes e professores. Escritores da Liberdade (2007) retrata as relações em sala de aula, bem como a situação de vulnerabilidade vivida pelos jovens. Baseado numa história verídica em que uma professora novata se sensibiliza pela dor e frustrações identificadas em sala de aula.   Acredita que pode contribuir para despertar o desejo de mudanças. Como estratégia utiliza uma metodologia dinâmica e criativa com jogos, visitas a museus, depoimentos sobre o holocausto, música, poesia e um diário (que oferece a cada aluno). Convida-os a escrever sua história, expressar seus sentimentos, raivas, tristezas, medos, traumas, conquistas e frustrações. Mergulhar em seu universo particular. Dessa forma, não impõe uma educação em que os professores são os detentores do conhecimento. Parte da história de cada um, da valorização de sua singularidade, identidade e pertencimento. E nessa dinâmica vêm à tona as injustiças, a violência, os abusos, humilhações, discriminações vividas por eles dentro e fora da escola. Com um olhar crítico sobre a realidade, a professora mostra como a educação pode ser prazerosa e ao mesmo tempo possibilitar mudanças. Ao invés de punir os alunos pelo seu desinteresse, desperta neles o desejo de construir um futuro melhor. Um filme profundo, sensível, emocionante. Um convite para pensarmos sobre nossos preconceitos e atitudes. Como estrela na terra (2007) Fiz uma resenha desse filme ao falar sobre os filmes indianos. Mas, ele é tão denso e intenso que volto a dialogar com o mesmo. Quero destacar o papel do professor de arte nesse contexto. Ele identifica um aluno com um problema ignorado pela escola: a dislexia. Por esse motivo, a criança era incompreendida, rejeitada, vítima de preconceito, de bullying, com consequências desastrosa tanto na escola como na relação com os pais. Provocando o seu adoecimento psíquico e emocional. O professor vai além da sala de aula, utiliza um método não tradicional, pesquisa sobre as habilidades do aluno, mostra para os pais e seus amigos da escola como ajuda-lo, debate com a direção da escola uma nova postura e abordagem metodológica, despertando para a diversidade e singularidade de cada um. É um filme muito sensível e emocionante. Traz esperança e compreensão da dislexia e possíveis ações de enfrentamento. Gera debates sobre procedimentos metodológicos criativos que podem trazer novas possibilidades de inclusão daqueles que possuem alguma deficiência. Beatriz Herkenhoff é doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Professora aposentada da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Cinérfila.

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