Construir Resistência

29 de agosto de 2021

Nicolelis alerta: Delta vai explodir no Brasil em setembro

Por Renata Vilela – Site Reconta Aí   Em live do Movimento dos Trabalhadores Se Terra (MST), o médico e cientista Miguel Nicolelis fez um alerta: a pandemia não acabou. Ao contrário, está entrando em uma fase mais grave com a chegada da variante delta – surgida na Índia – ao Brasil. “Há uma tentativa da mídia tradicional brasileira de remover a pandemia das manchetes”, afimou Nicolelis. Ao mesmo tempo em que a variante delta – “uma modificação mais grave do vírus”, como explica o cientista – tomou conta do Brasil, ela espanta pela velocidade da disseminação. Como exemplo, cita o Rio de Janeiro como epicentro dessa nova onda de contaminações. Nicolelis pede atenção ao que está ocorrendo hoje em países como Israel e Estados Unidos, este último um termômetro para situação da pandemia no Brasil. Segundo ele, os movimentos observados nos Estados Unidos geralmente acontecem da mesma forma no Brasil de seis a oito semanas depois. Logo, a onda ocasionada pela variante delta nos EUA, que está tendo pico de internações e mortes, deverá explodir no Brasil em meados de setembro. “Não podemos baixar a guarda e achar que a pademia acabou”, esclarece o cientista, que critica a intenção de reabrir comércios, restaurantes e escolas com a capacidade total, como o governador João Doria tem feito. Matéria publicada originalmente no link abaixo https://recontaai.com.br/nicolelis-alerta-delta-vai-explodir-no-brasil-em-setembro

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Lula como contraponto ao desastre bolsonarista e a disputa das ruas

Por Simão Pedro Chiovetti (Artigo publicado originalmente na revista #Forum) O ex-presidente tem sido um antídoto popular contra essas monstruosidades do neofascismo. Tem dado recado de que novamente está pronto para unificar o país #Bolsonaro convoca seu povo para o ensaio geral do golpe que pretende dar no dia 07 de setembro, no simbólico #DiadaIndependência. O Verme esticou a corda e não tem mais retorno. Bolsonaro aposta que vai dobrar todas as instituições. Policiais se assanham de prontidão, foras os milicianos e paramilitares armados. Caminhoneiros, grandes fazendeiros, grileiros, madeireiros, garimpeiros engrossam esse contingente para quem Bolsonaro governa com exclusividade, através de seus discursos e atos. É uma minoria, mas como lembrou em recente artigo o agroecólogo e ex-presidente da #UNE Jean Marc Von Der Weid, é uma minoria belicosa e, insuflada com o radicalismo, pode ficar doida para intervir na política, o que pode resultar em algo bem pior do que temos hoje. Bolsonaro se viciou em alimentar esses zumbis ou gado ou bolsominions, como preferirem, com ódio, mentiras e agora ameaça com uma ditadura, mesmo que tenha derramamento de sangue, como #Hitler fez. Sua tática é a mesma do nazismo. Vai criando sua própria força armada e são esses que ele pretende colocar nas ruas no próximo feriado, junto com os fiéis manipulados por Malafaias, Duartes, Macedos et caterva. O verme já não governa mais, ou melhor, governa, mas somente para aquele segmento que o apoia e dentro da agenda ultraneoliberal. Por exemplo, nada faz para aproveitar a boa onda do preço das comodities, como Lula fez lá atrás. Isolado, ele terceirizou as principais áreas do governo para algumas “instituições”. Para o pragmático #Centrão parlamentar comandado pelo presidente Lira que só aprova aquilo que interessa aos deputados; para a o mercado especulativo representado pelo charlatão #PauloGuedes que faz o que quer – aprendeu com o #Pinochet no Chile onde serviu nos anos 70. Essa MP 1045 é a consolidação da destruição dos direitos trabalhistas e da estrutura social e econômica que derivava deles como o #FGTS que financiava infraestrutura, habitação, etc., para gerar empregos e o sistema de previdência social, sem dúvida a maior conquista da sociedade brasileira da história ao lado do SUS; para o “centrão” das forças armadas, esse que funciona como o outro, atrás de cargos, benesses, orçamentos maiores para seus projetos com a diferença que é mais ideológico que o outro pois detesta a #Esquerda e participa do esforço de impedir sua volta ao governo; e para o agronegócio expansionista que não está nem aí para a preservação ambiental, para os direitos indígenas e para o futuro, inundando o ambiente com mais agrotóxicos, queimando as selvas e poluindo os rios com o objetivo de aumentar seus lucros. A economia está derretendo, a #pandemia continua contaminando e matando aos milhares, os capitais fugindo, a inflação voltando e as condições sociais do povo se deterioram a cada dia. Ao povo só restou osso de boi e pé de galinha. E pra alguns milhões nem isso têm mais. É um terreno fértil para manter o bolsonarismo em evidência, como as pesquisas estão mostrando. A narrativa deles – culpa do #STF e do #Congresso e mesmo do #PT – é muito mais competente e com ampla articulação nas bases via igrejas, mandatos, etc. Quanto pior, melhor pra eles. Bolsonaro já não liga mais pesquisas de opinião e de preferência de voto. Ele sabe que pelas vias eleitorais já não consegue mais reverter o desastre e por isso ensaia o novo golpe, o terceiro desde 2016 – o impeachment de #Dilma foi o primeiro e a prisão de #Lula/eleição de Bolsonaro o segundo. E quanto mais caótico o cenário, melhor para seus propósitos. Mas por outro lado, Lula tem sido um antídoto popular contra essas monstruosidades do neofascismo. Tem dado recado de que novamente está pronto para unificar o país. O STF não está unificado no enfrentamento ao fascismo já que ele próprio acalentou o Verme. Temos que torcer para que a ação do ministro #AlexandredeMoraes nos inquéritos das fakenews e ataques ao Supremo não tenha sido isolada. #Fux e #Barroso são tímidos, para não dizer outra coisa. Vamos ver! No #Nordeste nesta semana, Lula já assinalou como vai agir, ao visitar e procurar unificar a esquerda com a centro-esquerda representada pelo #PSB e visitar e dialogar com o tucano #TassoJereissati, que apoiou os dois golpes anteriores. Ele sabe que o coronel não vem conosco, mas não deixa lacuna pra o acusarem de ser seletivo e radical. E se distancia da falácia daqueles que o tentam igualar ao Verme, como o cara que prega a #União, as soluções, o diálogo e o amor, que busca soluções para gerar emprego e atacar a fome, que pensa novas perspectivas para os jovens, para reconstruir e transformar o País. Lula não é de tocar fogo na política, mas de buscar soluções unificadas e de consenso. Aí eu me pergunto: fora Lula, o conjunto da Esquerda entendeu a gravidade da situação? Será que nós do PT e dos partidos nossos irmãos, das entidades sindicais e mesmo públicas conseguimos ver um pouco além das nossas pequenas e múltiplas pautas, ou seja, apostarmos na pauta principal que é a luta de classes? Será que conseguiremos olhar além dessas pautas que desarticulam uma ação unificada como a que o neoliberalismo projetou? Será que conseguiremos nos desapegar das estruturas burocráticas a que ainda estamos tão presos, que o historiador #JoséMurilodeCarvalho classifica como “estadania”, ou seja, uma dependência dos processos e das estruturas estatais e de poder? Será que conseguiremos dar prioridade às ações de combate ao fascismo secundarizando aquilo que mais nos move hoje, a preocupação com nossas campanhas que podem não ocorrer ano que vem se o novo golpe se consolidar? A saída para o povo é defender e disputar a Democracia! Com ações institucionais via parlamentares e ações jurídicas e com o povo se manifestando nas ruas. Os atos realizados Brasil fora e no exterior, desde maio, foram muito bons pelo volume e pautas unificadas.

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Sobre as cartas recebidas e enviadas

Por Desirée Cipriano Rabelo Venho de uma geração que escrevia diários, cartas e compunha versos de pé quebrado… Coisas que certamente caíram em desuso. De todas essas, a que mais deixou marcas e lembranças foram as cartas. Explico-me. Desde muito cedo comecei a corresponder-me com minhas tias que viviam no interior de Minas Gerais. Aos 12 anos, fui viver noutro Estado, deixando para trás as tias, os primos e amigos. Sem as facilidades de hoje, o jeito de comunicar-se eram as cartas. Lembro-me de pelo menos duas grandes amizades que começaram com uma cartinha deixada em minha bolsa: era um convite para uma conversa. Outras tantas amizades jamais saíram do papel, isso é, nunca houve um único encontro presencial. Com o tempo a relação dos correspondentes só foi aumentado. Passou a incluir também os namorados. Longos e inocentes amores que se alimentavam de folhas e mais folhas de papel. Como não lembrar de Fernando Pessoa… “as cartas de amor são ridículas!” Ainda bem que o poeta mesmo reconhece que “afinal só as criaturas é que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”. Mas, entre escrever e receber uma carta, havia um hiato. Um tempo de espera e expectativa que é muito significativo. E foi fundamental em minha formação. O cálculo era mais ou menos assim: coloco a carta no correio hoje, passarão cinco dias até ela ser entregue, depois entre cinco a 10 dias para que a resposta seja escrita e outros cinco dias para a carta chegar! E a partir daí começava a espera do carteiro que, por fim, tiraria de sua bolsa a mensagem esperada. Passei muitas horas de minha vida à espreita do carteiro. E aqui outra pausa, para uma música-lembrança, na voz de #IsaurinhaGarcia, que chega sem pedir licença: “Quando o carteiro chegou e meu nome gritou com uma carta na mão. Ante surpresa tão rude, nem sei como pude chegar ao portão”. Diante do grande volume de correspondência e de sua importância para manter minhas relações afetivas, era preciso usar a criatividade. Lembro-me de ter ousado em cores, colagens e todas as artes possíveis num tempo em que papéis ou envelopes decorados não existiam. A maior delas foi escrever uma carta gigante para um namorado durante o período de férias: atrás de um cartaz de promoção de revista fiz um calendário e a cada dia registrava meus pensamentos. Bom, ousadia mesmo, na verdade uma ilegalidade, foi o jeito que descobri para manter meu vício epistolar: limpava cuidadosamente os selos carimbados das cartas e os usava para enviar as minhas próprias. Bom, confesso a infração porque imagino que já prescreveu. E certamente os #Correios têm problemas mais graves para resolver. Pergunto-me o que ficou no lugar do hábito de corresponder-se por cartas. Será que alguma das modernidades substitui este jeito de se relacionar, registrar pensamentos, trocar de informações, ideias e sentimentos? Talvez o “registro” seja a palavra-chave. Isto é, guardadas, as cartas tornam-se acessíveis a outros leitores. Perenizam e expandem a conversa. Melhor ainda se o diálogo escrito acontece entre pessoas inteligentes, trata de temas relevantes ou atemporais. Os cristãos seguem relendo e meditando sobre as cartas escritas por #Paulo às comunidades de Coríntios, Efésios, Filipenses etc. Provavelmente elas inauguram uma tradição que as editoras, felizmente, tratam de alimentar. De fato, são muitos os livros publicados com a correspondência de figuras de renome. Cito aqui o “Cartas Extraordinárias – a correspondência inesquecível de pessoas notáveis” organizado por #ShaunUsher (que também é responsável por outros livros com cartas temáticas) e publicado pela #CiadasLetras. São 125 cartas que incluem a receita enviada pela rainha #ElizabethII ao presidente norte-americano Eisenhower e o bilhete suicida de #VirginiaWoolf. Outra dica sobre este tema está em: https://www.guiadasemana.com.br/literatura/noticia/10-livros-que-reunem-cartas-enviadas-por-grandes-personalidades. Também por aqui muitos livros trazem as missivas de brasileiros com o registro não só de suas histórias pessoais, mas também de seu tempo. Da época da ditadura (é sempre bom lembrar para não esquecer), me vem à mente o “O canto na fogueira” com as cartas dos freis dominicanos #Fernando, #Ivo e #Betto quando em cárcere político; e o antológico “Cartas da Mãe”, de #Henfil. Uma coletânea interessante da produção nacional está em “Cartas Brasileiras”, organizada por #SérgioRodrigues e publicado também pela Cia. das Letras. A obra reúne oitenta cartas recebidas ou enviadas por escritores, artistas e políticos – de #ElisRegina a #OlgaBenário, de #ChicoBuarque a #SantosDumont, de #RenatoRusso a #d.PedroI – entre outros. No momento, tenho sobre minha cabeceira “Minhas Queridas” com os manuscritos de #ClariceLispector às suas irmãs entre 1940 a 1957. Das cartas que recebi guardo apenas uma parte. E vez por outra encontro entre as minhas coisas o rascunho de alguma carta que enviei. Sim, algumas eram tão importantes que mereciam um ensaio prévio. Porque, final das contas, trata-se de diálogos. E, como todo bom diálogo, cada fala e cada escuta está precedida por uma reflexão, ou um hiato como aquele do tempo espera entre o envio e a chegada da carta. Nesses tempos de imediatismo, qualquer comunicação por email ou #WhatsApp precisa ser respondida imediatamente, sob o risco de melindre do emissor. Assim, é pouco provável que, no futuro, haja muito material para publicar com as mensagens trocadas por correio eletrônico. Mais tempo de espera entre uma mensagem e outra talvez nos caísse bem. Evitaria muitas palavras “mal ditas”. Reações intempestivas e, que geralmente, não são de gentileza ou cuidado. Pensando bem, minha nostalgia não é tanto pelas cartas. Mas pelo escasseamento da boa e frutífera conversa. Quando discordar do ponto de vista de nosso interlocutor não era uma ofensa – mas um salutar hábito que estimulava a reflexão e inteligência de ambos. Um diálogo, enfim.   Texto e fotos: Desirée Cipriano Rabelo A autora é jornalista. Após aposentar-se na #UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), onde lecionava e pesquisava sobre comunicação e mobilização social, partiu em busca de novos aprendizados. Atualmente vive em Barcelona, Espanha.        

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Alguém suporta esse quarteto patético?

Por Virgilio Almansur Dar conta desse partido, o Partido Militar, com figuras tão decréptas a manchar ainda mais suas próprias trajetórias e que deslizam para contaminar o mundo civil, é no mínimo ultrajante. Um acinte que vem tomando proporções alarmantes. Semblantes mascarados, intransitivos, saudando uma vergonha da própria corporação, diz muito, muito mais desses indigentes servidores a servir uma nação combalida e desorganizada por eles mesmos. Foto de um significado brutal, em que o representante da Nação, um arruaceiro bunda suja, é chefete miliciano com indícios criminosos, prevaricador, promotor da tortura, ícone de uma força também assassina ao fuzilar na Ponta da Praia, lançar corpos vivos e mortos no oceano, além de ocultar cadáveres, infelicitando até hoje familiares que não puderam enterrar seus mortos. As continências são mútuas saudações, que embora impessoais, dizem muito dessa corja. Há alguns dias escrevi acerca de outra notícia, em que a “PICARETAGEM POR TRÁS DE MORTES”, à partir do MS, traz o miliciano mór, seu vice maçom, o ex da defesa azevedo e silva e o tenente-coronel cohen, um estranho capelão, nominados e inscritos como diretores numa canhestra estrutura suspeita, juntamente com o pastor assassino-chorão, Amilton, recém “réu-confesso” na CPI, conforme relato do jornalista Lúcio de Castro. Tudo indica que inúmeros elementos dessa organização criminosa, de feitio mafioso-miliciano, descobriu um veio riquíssimo através de contratos propineiros com empresas — muitas delas fantasmas — para a “aquisição” de vacinas. O espírito em curso, com assento nesse mesmo ministério, já assaltado por Ricardo Barros —  seu titular à época sob o traidor tupiniquim FORATEMER —, promoveu nas tratativas espúrias, meio para ganho fácil onde o TCU admitiria recebimento prévio sem contrapartida com sanção penal à Global, uma das investigadas por lesa pátria, caso o produto não fosse entregue. Nunca o foi e nem o será! Essa escumalha, no topo hierárquico-criminoso, fez e faz pouco caso da vida daqueles que um dia juraram proteger. Se oficialmente, essas mesmas forças sempre suspeitas, são responsáveis por 434 assassinatos, destes, 210 ainda não foram enterrados. Um método enraizado e expandido, absorvido pelos escritórios do crime, são figuras nocivas. Costumam, como esse vagabundo da Muzema, cantar loas ao desprendimento no “cumprimento pelo morrer se necessário for”. Teatro! Falácia! Na realidade, o comprimento da extensão assassina — ínsita no DNA dessas mesmas forças estúpidas de antanho — influencia e penetra nos homens e mulheres cativos endogenamente. “Nossos defensores” não introjetaram nada do que propalam, no que concerne lutar pela pátria; esta, uma patriazinha dos quartéis, hospitais, seus clubes, hotéis, veículos e armas — blindadas ou não. Essa pátria não é a que habito. A reprodução endógena dessa gente não tem olhar para fora. Veem-se no espelho e para o umbigo. Nós, exteriores, corremos risco insanável, quando um brasil armado habita conjuntamente ao outro Brasil sem as preocupações belicistas e fragilizado. Fazemos fronteira tênue a esses grupelhos da aviação assassina, cujos canhões, leves ou não, estão apontados às — e sobre — nossas cabeças; fazemos fronteira com esses irresponsáveis de uma marinha mentirosa, repleta de desprezíveis engalanados, repletos de tampinhas enferrujadas em seus peitos e ombros, sem brilho nem honra. Estamos à mercê dos assassinos de praxe, do inglório exército dos torturadores em plantão permanente nas dependências da Saúde — e a ingressar em nosso meio envenenando-nos, procrastinando a compra de um antídoto, que faltoso, levou desses brasis muito mais de 600.000 mortos. Muito mais… Em que pese poucos, muito poucos, tenham baixado à cova no brasil bandido. O Brasil paga a conta desse brasil bandido. Inchado, porém esquálido, morremos e morreremos proporcionalmente muito mais ao brasil enxuto e completamente assistido na saúde e no rancho que não falta. O Brasil é diferente desse brasil; este não pretende se contaminar nem ombrear-se ao Brasil. O brasil luta pelos seus, casam-se entre si, geram as taras inconsequentes e submetem-nos às suas loucuras e caprichos, preservando seus filhos, pais, mulheres e parentes. O Brasil é ignorado pelo brasil. Este não conhece o Brasil. Este pouco ou nada sabe, também, de si e do outro brasil sob princípios próprios, direito militar e deveres suspeitos. O Brasil abraça o brasil e o tem como um cisto privilegiado, como a um condomínio de luxo detentor de insumos imprescindíveis como escolas, clubes, hospitais, restaurantes, seus indefectíveis chicletes, toneladas de leite moça, carnes sofisticadas e serviçais. O Brasil vive de chepa, instituições degradadas e sua capital nem mais lhe pertence. Bueiro a céu aberto, um bordel pra maioria desse brasilzinho deitar e rolar. O que resta a nós senão lamentar sem ter a comiseração plausível!? Ou mesmo, se buscar na galhofa, como meio de espantar os horrores, haverá contenção? Nada disso! Interessante que alguém chegou a propor a privatização dessa turma toda. Imaginei que ficaríamos livres desse fardo. Afinal, estamos ficando caros e há grupos ágeis que poderiam nos ajudar. Quê tal o Comando Vermelho assumir a marinha. Uma privatização simples. Não teríamos despesas com tanques ineficazes e fumacentos. E a aeronáutica sob o patrocínio do ADA, Amigos dos Amigos, excelente corporação bastante elogiada em Abuzados por Caco Barcelos. Ao exército de poucos caxias, assumiria o PCC. Testado como pioneiro na capital paulistana tem mais tentáculos que aqueles inglórios repletos de tampinhas. Bem… Faltam os milicianos PMs. Já houve acertos com os estados brasileiros. Nossos governadores, alguns de saiotes, receberam propostas para a total privatização dos policiais militares e deverão entregá-los integralmente à maçonaria. Quanta economia… Vivas às lojas…   Virgilio Almansur é médico, advogado e escritor.  

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Êxtase

Por Miriam Waidenfeld Chaves Fascinado pela selva amazônica, Humboldt nunca se esquecera de sua expedição aos Andes, em 1802. Sua vegetação, úmida, espessa, carregada de folhagens gigantes, flores exóticas, frutos estranhos e animais esquisitos, nunca haveria de sair de sua memória. E se de imediato, ao adentrar nas estepes russas, em 1829, sentiu saudades daquela exuberância tão explicita, aos poucos, conforme ia se aproximando das montanhas Altay, na distante Sibéria, se deu conta da beleza de terras tão inóspitas. Assim, a vegetação mirrada e rasteira da gramínea russa, carregada  de vazios e silêncios, finalmente, surpreendeu Humboldt que, a partir daí, se apaixonou por esse reino celestial, conforme suas próprias palavras[i]. Parece-me ser essa a sensação que sinto quando me deparo com o cerrado, pois   apesar de causar um efeito único aos olhos de quem o admira, sua beleza improvável não é imediatamente percebida. Portanto, defendo a hipótese de que o cerrado é para os iniciados. Equivale a uma boa taça de vinho tinto de safra raríssima que devemos apreciar aos poucos. Sem pressa ou afobação. De imediato, há que ressaltar o protagonismo tanto de seu céu azul quanto de seu sol amarelo. Únicos, são eles que, através de uma luz direta e sem pudor, conseguem produzir cenário sem igual. Não tenho dúvidas, de que seria essa luz abrasante a responsável por ele existir tal como se apresenta diante os nossos olhos. Depois  dessa constatação, caro leitor, esse torrão estrambótico já o terá  fisgado e você não o abandonará jamais. Finalmente, terá entendido que ali bem a sua frente  encontra-se um pedaço de terra excepcional  pronto para ser desbravado. Descobre-se, então, um mundo encantado de cores difícil de avaliar.  São marrons, roxos, laranjas, brancos, vermelhos e rosas. São matizes de verde e  amarelo, que conforme a estação do ano, se desdobram em tonalidades sutis que fariam com que Monet transferisse sua  Giverny para o Alto Paraíso. São árvores raquíticas de troncos e galhos retorcidos, verdadeiras esculturas, escondendo raízes 10 vezes maiores do que seus dosséis, que se juntam às abundantes quedas d’águas e cachoeiras que, por sua vez, deslizam sobre  rochas, pedras e pedaços de terras queimadas, que cismam em renascer. São saíras, sabiás, pipiras vermelhas, azulãos, saracuras, tucanos e araras piando e voando de galho em galho. São saruês, tatus, quatis, teiús, cachorros do mato, tamanduás, lobos guará, jaguatiricas, quatis, macacos-prego zanzando de um lado para outro. São a flor de pequi, o chuveirinho, o ipê, a canela-de-ema, a umburuçu, a lobeira,  o pau-terra, a orquídea e o algodão do cerrado colorindo a terra e o ar. São jatobás, jequitibás, cagaitas, ingás, patas-de-vaca, araticum, pequis crescendo para cima, para o lado e para baixo, num movimento só. É uma alegria sem fim. É um alvoroço constante que enche o meu coração de felicidade. Essa é a minha sensação toda vez que me deparo com essa terra abençoada, mas sofrida. E logo, que ali me encontro, me pergunto: que caminhos estão reservados para mim, nesta viagem? Que flores eu descobrirei? Que pássaros  fotografarei? Quantos quilômetros eu andarei? Em que cachoeiras eu nadarei? Nota da Autora WULF, Andrea. A INVENÇÃO DA NATUREZA. A vida e as descobertas de Alexander Von Humboldt. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2011.   Miriam Waidenfeld Chaves é contista e professora aposentada da UFRJ.

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