Construir Resistência

28 de agosto de 2021

A Trança

  Por: Angela Bueno Nesses tempos em que se fala tanto da situação da mulher no #Afeganistão, me lembro desse livro que li sobre a história de três mulheres… Elas vivem em países diferentes. Pertencem à classe sociais diferentes. Não se conhecem. E suas vidas são entrelaçadas por uma trança. Achei genial essa metáfora de uma trança, usada pela autora, para ligar situações de vidas tão diferentes. O cabelo da mulher tem um lugar no imaginário não só de nós mulheres, mas também no dos homens.  Smita, mora em uma aldeia da Índia, e é uma dalit, uma intocável. E quer uma outra vida para sua filha. Mas, pra isso ela terá que frequentar uma escola. Como fazer isso em uma sociedade tão estagnada pela casta, na qual a pessoa nasce e pela opressão à qual a mulher é submetida, para além de sua casta? Na história dessa mulher vemos como os que têm menos pagam sempre mais, até nos templos. Giulia é siciliana. Ela trabalha com o pai no ateliê Lanfredi, de  sua família.  Sarah é uma advogada canadense. Alta executiva de uma firma de advocacia, da qual almeja ser sócia. A  história dessas mulheres vai se desenrolando e o ponto que percebo em comum é o lugar da mulher no mundo. Em situações tão diversas, o lugar subalterno da mulher fica escancarado. A indiana ousa sonhar e correr atrás de seu sonho. A italiana também, ainda que o lugar esperado para ela seja uma casamento, por conveniência.  Paradoxalmente, a canadense, que seria vista como a mais bem sucedida, numa sociedade que valoriza  o sucesso e o dinheiro, vai precisar da trança, das outras duas para voltar a tocar sua vida. São três mulheres corajosas e determinadas. Cada uma à sua maneira, sem saber se conectam, por uma trança. É uma história bem trançada. A autora foi muito feliz  ao descrever universos tão distantes e tão interligados. Somos irmãs nesse mundo tão diverso. Esse livro nos ajuda a dar conta disso.  Vale  a leitura! Serviço: #A Trança Autora: #LaetitiaColombani Gênero: Romance Editora: Intrínseca Ano: 2020. Ângela F.V.Bueno é psicanalista e ceramista. Nas décadas de 70- 80 trabalhou na Caritas Arquidiocesana de Vitória. Trabalhou também na Secretaria de Estado da Saúde- ES, contribuindo para a implantação do SUS em seu estado. É professora aposentada do departamento de Serviço Social da UFES. É mestre em Teoria e Clínica Psicanalítica pela UERJ.

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“O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo” – Lourenço Diaféria

Por Luiz Avelima   Em 28 de agosto de 1933 nasceu Lourenço Diaféria, contista, cronista e jornalista (faleceu em 2008). Diaféria, que começou sua vida jornalística na “Folha da Manhã, foi preso pela ditadura militar em setembro de 1977, após a publicação do texto “Herói. Morto. Nós”, sobre um bombeiro que salvara a vida de um garoto num poço de ariranhas no zoológico de Brasília e morreu, e o comparava a Duque de Caxias. E falava da estátua de Caxias que fica ali na Praça Princesa Isabel bem ao lado da Cracolândia: “O povo está cansado de estátuas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar. O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.” O texto, considerado ofensivo às Forças armadas, foi publicado na “Folha de S. Paulo” (p.44) em 1º de setembro de 1977. Aquela prisão me irritou tanto, como a meus amigos, que acabei escrevendo um poema aludindo, em determinado momento, a prisão de Diaféria. Aquilo foi mais uma das asneiras daquele período horroroso E pensando nesse texto me vem à mente que quando estava na Secretaria de Cultura vasculhamos mundos e fundos para encontrar algo que pertencia a Caxias: a pata de seu cavalo foi roubada Diaféria sofre um infarto que o levou em 2008. Entre suas obras “Um gato na terra do tamborim” (1976), “Berra, coração” (1977), “Circo dos Cavalões” (1978), “A morte sem colete” (1983), “O Empinador de Estrelas” (1984), “A longa busca da comodidade” (1988), “Papéis íntimos de um ex-boy assumido” (1994), “Brás – Sotaques e desmemórias” (2002). “Os gatos pardos da noite”, “Coração Corinthiano” (1992) e “A caminhada da esperança” (1996). Luiz Avelima é poeta, escritor, tradutor e jornalista. Possui vários livros editados e traduziu autores como Dostoievski e Mikhail Bulgakov. Trabalhou como Diretor de Atividades Culturais na Fundação Memorial da América Latina e na Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo    

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