Construir Resistência

24 de agosto de 2021

O medo da morte pelas mudanças climáticas

Por Simão Zygband   Governos e prefeitos não tomam medidas para combater incêndios ou para reduzir poluição   Quando em 2019 escrevi meu livro “Queimadas na Amazônia, uma aventura na selva”, um dos capítulos era exatamente sobre a devastação que estava ocorrendo já no primeiro ano de (des)governo Bolsonaro naquela região e as implicações que isso trariam para o país e para o sul e sudeste brasileiro.  A floresta amazônica não é apenas considerada como o pulmão do mundo, mas é a responsável pela formação de gigantescos “rios voadores”, cursos d’água invisíveis que circulam pela atmosfera e se dispersam em forma de chuvas por todo o continente sul-americano. Com o desmatamento descontrolado, este processo está cada vez mais escasso. As secas estão se tornando muito frequentes. Neste final de semana, diante de um cenário cada vez mais catastrófico, “choveu” cinzas na capital paulista e região metropolitana. Em parte, decorrência de um trágico incêndio que consumiu praticamente todo o Parque Estadual Juquery, um remanescente preservado de Cerrado, acabando com fauna e flora. Mas as queimadas, devido ao grande período de estiagem, pipocaram por todo o estado. A falta de chuvas facilita os incêndios nas matas. A verdade é que o governador João Doria (PSDB, que se pretende presidenciável,  não tomou nenhuma medida para combater o grave incêndio, que consumiu 65% da área do Parque Estadual Juquery. Nenhum helicóptero de combate às chamas foi enviado ao local.  Quem anda por São Paulo nestes últimos dias pode constatar a péssima qualidade do ar. Os medidores sempre apresentam a cor vermelha, sem que nenhuma atitude seja tomada. O paulistano e os paulistas estão respirando fumaça há vários dias. O cheiro de queimado invade as narinas e como lembrou o jornalista Anderson França, são cancerígenas. Há sofrimento para asmáticos e para portadores de rinites e sinusites. As principais prejudicadas são as crianças, que lotam os postos de saúde, mesmo durante a pandemia de Covid-19. Preocupa esta absurda estiagem. Não há nenhuma manifestação governamental para que se comece a racionar água ou que se implante um rodízio de veículos durante um período maior, para diminuir também os poluentes despejados pelos automóveis na atmosfera. Tenho medo da morte por asfixia. Espero que não cheguemos a tão grave situação. E fazer a dança das chuvas, como faziam os índios. Abaixo, um trecho do meu livro, que somente pode ser adquirido através da Amazon, já que sobraram poucos  exemplares impressos. Já demonstrava preocupação.   “Os números mostram que na década de 1970, a Amazônia havia perdido apenas 1% de seu território com o desmatamento e hoje esta cifra já atinge a casa dos 30%. É resultado de uma sucessão de governos que se omitiu para impedir um tipo de negócio na região com características predatórias, que visa o lucro rápido, sem nenhuma sustentabilidade ou planejamento econômico, mas extremamente cruel com o meio ambiente. Mas acelerou como nunca havia acontecido antes no atual governo.  O agronegócio, um dos vilões do desmatamento da Amazônia, tem importância por produzir alimentos para boa parte do planeta, comercializados com a Rússia, China, Oriente Médio, Estados Unidos e até para os países latino-americanos.  É grande fonte de divisas para o país. Mas, no Brasil, este tipo de negócio é permitido com pouca ou nenhuma fiscalização, e tem transformado o cerrado brasileiro e a floresta amazônica em gigantescos pastos e lavouras de soja, alimentos muitas vezes pulverizados por agrotóxicos, do qual o país é um dos maiores consumidores do mundo. Segundo informações, o agronegócio utiliza 370 mil toneladas de pesticidas por ano, a maior quantidade registrada em todo mundo, alguns deles letais. A outra parte é a bovinocultura, outro vilão da destruição da Amazônia, que derruba a floresta para criação de gado, em um processo que se ateia fogo na mata para fazer a “limpeza” do campo onde serão confinados os bois. As árvores são derrubadas através de um processo conhecido como “correntão”, uma corrente gigante puxada por um trator, que coloca abaixo espécies centenárias em questão de segundos. A Amazônia, que sofre com o forte desmatamento, engloba nove países da América do Sul, 60% dela em território brasileiro, e é parte considerável de toda a área florestada do planeta. Ela não é apenas considerada como o pulmão do mundo, mas é a responsável pela formação de gigantescos “rios voadores”, cursos d’água invisíveis que circulam pela atmosfera e se dispersam em forma de chuvas por todo o continente sul-americano. Há quem diga que sem essa umidade, as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul brasileiro teriam se transformado em áreas desérticas. De certo modo, isso já está acontecendo”.  

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Lógica cínica

Sobre a entrevista de João Doria ao programa Roda Viva. ontem (23/8) Por Virgilio Almansur Jornalista do Valor Econômico  pergunta a BOLSODÓRIA por que os médicos e a saúde em geral receberam tão abaixo do judiciário, quando a saúde tinha enorme prioridade nessa pandemia. A resposta foi excelente para que nossos colegas, bolsodorianos, reflitam mais ainda além da escória arrependida. Esta, que acredita no “nem horror nem terrror, vote joão trabalhador, o gestor”, deveria ouvir e escutá-lo: “… Maria Cristina Fernandes! Você jornalista do Valor Econômico, muito bem paga, salário diferenciado, pode se comparar com o porteiro da empresa? Seria justo cobrar do dono do jornal, equidade que você cobra de mim?” A corja médica, lamentavelmente aderente, provavelmente não entenderá o que contém no raciocínio de uma margarina. Depois de todos os salamaleques, bolsodória manifestou profunda pena daqueles que recebem 3, 4 salarios mínimos. Deixou recado metonímico aos frentistas da pandemia, além de ter deixado a bancada do Roda Viva estupefacta, boquiaberta. João Agripino tentou se afastar do terror que abraçou pra sua candidatura em 18, naquilo que sua pré-candidatura, hoje, já ensaia para se destacar com adesivaços ou etiquetaços que emulam convencimentos via pão com mortadela ceratti. Parte de seu entorno, mbl e quetais, insiste num “mito é o kralho, fora bolsonaro”, cujo ruído final é uma elegia saudosista ao próprio. Tão infantil o proselitismo, que “oferece” migalhas ao horror petista, com mortadela fina. Cada pé numa canoa… Até o momento de apertar 17… Bolsodória não pode ser descartado enquanto competidor perigoso e de práticas rasteiras. Quando diagnostica o antipresidente como psicopata, não se distancia da “doença”. Quem o conhece de perto sabe de suas práticas sibilinas e até promíscuas no trato com pretensos amigos que não esmorece em trair. Enquanto jogo de poder, até palatável. Mas seu procedimento numa zona eleitoral em que votava ele e Jô Soares, há 22 anos, deixou claro quem é o político que ataca por trás, numa aproximação criminosa daquele que apunhala pelas costas sem permitir reação ou defesa à vítima (motivo torpe como modus operandi no crime qualificado). Até hoje, Jô Soares o vê como um “mau caráter”, a mesma característica de um psicopata — aqui um fino sociopata e condutopata. Jô, ao descer do carro e ir em direção à zona eleitoral, foi abordado festivamente pelo moleque que o abraça numa intimidade nunca vista ou existida e prega-lhe um adesivo “vote collor” nas costas do humorista. Jô caminhou feito um palhaço até o local de votação, quando foi advertido por uma pessoa, sabedora que Jô havia se comprometido com Covas. Esse é o perfil bolsodória: achaque! Há questão de uns meses controlou a vacinação de Jô. Sabedor de seu dia para a segunda dose, ficou de plantão no local até a chegada do humorista e foi ao carro deste cumprimentá-lo. Recebido friamente, segurou nas mãos de Jô, insistindo num aceno. Não o recebeu, e, perplexo, juntou as suas num ar de contrição e devoção. Esse é o caráter de um psicopata. Maluf fazia melhor… Esse, também, é o moleque que já foi prefeito, usou o cargo e deu seu salto carpado para o governo. Agora, ungido pelo presidente de honra do PSDB, que o acha o homem do futuro, rachará o partido e tentará adesivar novos incautos e fazê-los trouxas. Bolsodória tem características de um serial killer. É tão perigoso ou mais que seu terror abraçado em 18, do qual incorporou o nome à sua campanha. Ao fim e ao cabo, Roda Viva deixou um registro que servirá tanto ao mundo da politica, que verdadeiramente se discrimine de engodos, como aos eleitores da faixa das 22 e 23 horas que tenham lucidez e refrigério necessários para perceber quem é quem nesse cenário tão castigado. Aos aderentes de perfil reacionário e/ou à serviço do partido militar, dividirão seus votos entre essas figuras canhestras e um bem enorme farão se conseguirem explodir essa direita irresponsável que se mostrou podre. Nem a Coronavac nem o protagonismo conseguido pelo governo paulista encobrirão o perfil bolsodorista entranhado e sob contração. Em todas as oportunidades, o governador tentou se distanciar de seu espelho que incorporou ao nome. Bolsodória deu mostras de que aperfeiçoou o método da dissuasão por um figurino contido. Como um boneco manteve-se impassível cruzando a perna direita sobre a outra e assim permaneceu como uma madona em todos os blocos do programa. Parecia submetido à Parkinson, funereamente céreo. Chamou-me a atenção o colarinho quase no queixo e orelhas, destacando a inexistência do pescoço. Como manequim refém de um personal stylist, soube responder afrontando. Mas não perdeu a aura autoritária que muitos de seu partido ensaiaram e não tiveram sucesso. Traíra, na concepção paulistana, mandatário burlesco e pernóstico, olhou de cima os mortais jornalistas que, embora em bancada superior, n’alguns momentos ficaram submetidos. Jogo jogado, cartas, algumas marcadas, vale a pena (novamente) assistir como se forja a caracteropatia no mundo político. Ahhh… Sim! O pescoço. Lembrou-me Vargas, mas o acento era Castelo… Péssima sensação… Lamento.   Virgilio Almansur é médico, advogado e escritor.

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Grupo Prerrogativas alerta para ameaça de sublevação das PMs e escalada de ataques à democracia

Construir Resistência recomenda uma leitura atenta da carta manifesto escrito por juristas e advogados que integram o #GrupoPrerrogativas: “Em sua constante defesa da estabilidade democrática, o grupo de juristas Prerrogativas, composto por profissionais e docentes da área jurídica, vem alertar a sociedade brasileira para a escalada de atos gravemente ofensivos ao Estado de Direito, praticados pelo presidente da República e por seus apoiadores. Não bastassem as reiteradas ameaças dirigidas por Bolsonaro ao STF, culminadas pela abusiva e irresponsável apresentação ao Senado de pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, surgem agora sinais de que o presidente da República está engajado em fomentar a sublevação de oficiais das polícias militares em favor de seus delírios golpistas. Assim como não há pertinência constitucional a retaliações contra o legítimo exercício da jurisdição pelos magistrados do Supremo, é intolerável que as forças policiais dos estados da Federação sejam insufladas a tomar parte em manifestações contrárias à integridade das instituições do Estado. Para ler a reportagem publicada no #Brasil247, selecione o endereço eletrônico e aperte o botão do lado direito do cursor: https://www.brasil247.com/brasil/grupo-prerrogativas-alerta-para-ameaca-de-sublevacao-das-pms-e-escalada-de-ataques-a-democracia?&utm_source=mailerlite&utm_medium=email&utm_campaign=as_principais_noticias_desta_manha_no_brasil_247&utm_term=2021-08-24

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Nazistas pregam morte aos judeus em cerimônia virtual de sinagoga

Por Simão Zygband “Vou entrar em sinagogas e matar todos para ver o sofrimento de vocês, judeus imundos” ameaça o hacker antissemita   O estado de beligerância criado pelo governo do inominável genocida está criando clima hostil que culminaram até com manifestações nazistas de cunho anti-semita que, espera-se, sejam investigadas e punidas com rigor, como medida profilática para evitar que situações como estas não se reproduzam e se transformem em uma “tragédia anunciada”. No último domingo (22) um grupo de hackers invadiu uma cerimônia virtual promovida pela Associação Religiosa Israelita (ARI) para homenagear Dora Fraifeld, ex-diretora da escola Eliezer Max, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Os intolerantes postaram na página do evento on-line, que reunia 50 pessoas, mensagens de ódio e ofensas a judeus e ainda vídeos pornográficos.  As mensagens com xingamentos e ameaças aos judeus começaram a ser enviadas pouco depois das 19h por meio da plataforma virtual em que acontecia o evento. “Vou entrar em sinagogas e matar todos para ver o sofrimento de vocês, judeus imundos”, “Vamos queimar a ARI” e “Morte aos judeus”, diziam alguns dos textos. Logo depois, foi postado um vídeo em um casal aparece fazendo sexo. A página foi cancelada e reaberta em um novo link. Para Alberto David Klein, presidente da Federação Israelita do Estado do Rio (Fierj), as ofensas simbolizam um ataque de ódio a grupos minoritários. “Esse grupo se aproveitou de um evento aberto ao público para entrar na plataforma e soltar frases com insinuações de apologia ao nazismo. Nossa preocupação é que, com a proximidade do Ano Novo Judaico, que tem início em 6 de setembro, as cerimônias presenciais e virtuais se intensificam e, com isso, o risco de novos ataques também. Classificamos essas ações como terroristas, pois geram pânico, medo e terror” Para o historiador e especialista em questões judaicas, Michel Gherman, David Klein culpa a “polarização” política pelo ataque nazista a sinagoga. “É uma reação típica de alguém que tem dificuldade de ler a realidade. Os nazistas hoje se sentem à vontade, tem apoio do presidente da República. Nada tem com polarização. É com nazismo mesmo. O problema é que o presidente da Fierj não consegue entender que o presidente da República tem apoio dos nazistas. Gosta deles até. Impressionante como lideranças judaicas têm dificuldade de reconhecer um nazista quando vêem um. Uma tristeza”. Observatório Judaico de Direitos Humano “O Observatório Judaico de Direitos Humanos no Brasil repudia veementemente este tipo de manifestação nazista e racista e se solidariza não apenas com os presentes à homenagem mas com todas as vítimas deste tipo de ataques. Além disso, conclama todas as entidades judaicas comprometidas com a democracia e o combate a todo tipo de discriminação a se manifestarem publicamente em relação a este evento, em particular a CONIB e as Federações Estaduais”.   É preciso cortar o mal pela raiz e combater o nazismo e o fascismo onde estiverem.  

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A MP 1045 é o maior ataque aos direitos dos trabalhadores na história do Brasil

Por Daniel Reis Ilustração de Márcio Baraldi   A MP 1045, é o maior ataque aos direitos dos trabalhador@s na história do Brasil. Se o Senado aprovar o texto que já foi aprovado na Câmara, o trabalhador poderá ganhar menos de um salário mínimo por mês, ter bolsa ao invés de salário e, ainda, ficar sem aposentadoria e auxílio-doença. Recorrer à Justiça para cobrar direitos também vai ficar impossível. Confira os 15 direitos fundamentais que a MP 1045 ira retirar dos trabalhador@s 1 – É o fim da carteira assinada para muitos 2 – Trabalhador poderá ser contratado por metade do salário mínimo 3 – Fim do 13º salário 4 – MP acaba com FGTS e reduz percentual dos depósitos 5 – Perde direito à aposentadoria e auxílio-doença. 6 – Fim das férias remuneradas e redução da hora extra. 7 – Redução de multas pagas ao trabalhador 8 – Restringe a fiscalização das empresas 9 – Restrição à Justiça do Trabalho gratuita 10 – Dispensa sem justa causa 11- Trabalhador paga por erro de empresa no BEm 12- Substituição de trabalhadores 13 – Prejudica saúde do trabalhador 14 – Prática antissindical 15 – Menos impostos com prejuízos à população em geral Daniel Reis é ex-dirigente sindical bancário de São Paulo, Osasco e região e um dos criadores da Rede Brasil Atual

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