Construir Resistência

18 de agosto de 2021

O “beijo na lata”. Amor à primeira vista – por Luiz Galvão Soares

Por Luiz Galvão Soares   Já li, vi e ouvi muitos relatos sobre a sensação , a surpresa, o impacto, o medo, assombro ou a euforia que uma pessoa sente ao dar a tal famosa primeira “paulada” ( trago no crack, uma gíria comum há mais de 30 anos). No meu caso, pareceu mais prazerosa  do que um orgasmo.  Pasmem. Pois não fui o único. Alguns dependentes que entrevistei entre 1989 e 1995 contaram ter chegado “nas nuvens” e era ainda melhor que fazer sexo. No texto anterior,  escrevi que uma amiga me ofereceu a droga e eu acabei aceitando. A pedra de crack estava sobre uma latinha (igual as de cerveja) com uns furinhos no meio. Ela disse para eu “chupar” a fumaça por onde se bebe. A potência do efeito é três vezes mais forte do que no “bimbo” (cachimbo). Preciso deixar claro que ninguém é obrigado usar drogas, nem com uma arma apontada para a cabeça.   Os “crackudos” e o zumbi Para realizar as reportagens na Cracolândia, eu alugava um quarto de hotel bem na rua do “fluxo” (onde fica ainda hoje a “muvuca” entre viciados e traficantes) e me escondia lá horas antes de anoitecer. Junto comigo ficava um repórter cinematográfico à postos com a câmera na janela, mas oculto pelas cortinas.  Imaginem o trabalho dele com aquele trambolho analógico chamado câmera U-matic. Corríamos grave perigo de sermos flagrados porém, naquela época, era a única forma de captar alguma imagem. Confesso que dei uns trocados para uns usuários darem entrevista de costas, numa rua mais distante. Sempre preservando a identidade deles. Alem, é claro, do pavor que sentia caso resolvessem cortar minha mão com um canivete ou estilete que costumavam carregar. A droga era vendida ou trocada por objetos de mão em mão. A arma servia muitas vezes para “abrir” a mão de quem tivesse um punhado de droga nela.  Os “bacanas” paravam a caranga nas esquinas e pela janela faziam a transação.  Ou voltavam diversas vezes e de tanta “fissura”, alguns estacionavam lá por horas, dias, talvez  por anos. Rico ou pobre, culto ou analfabeto, qualquer pessoa que busca a suposta liberdade com o uso de droga se torna um escravo dela. “Sendo sua liberdade. Era sua escravidão”. (Vinicius de Moraes) Como se sabe, a compulsão pelo crack é mais poderosa que muitas drogas.Transforma comportamentos, causa mudança nas atitudes e pensamentos, gera euforias extremas e pensamentos negativos, obsessivos, medo, dúvida, desconforto, aflição, paranóia de perseguição. Isolamento.   Um zumbi a perambular pela própria vida    Aprendi muito sobre o “estilo” de vida naquela região com os chamados “crackudos”(os que fumam com “força”, a toda instante.) Pasmem mais uma vez, porque anos mais tarde ganhei esse apelido. Uma coisa é ser o repórter. A outra é virar o personagem. Ironia ou Paradoxo. De um Castelo Hitita para a lama da Cracolândia Logo que me formei em jornalismo, 1985, morei dois anos em Londres. Lavava pratos e aprendia inglês. Meus vizinhos usavam heroína. Tentavam me seduzir para experimentar a famosa Brown Sugar. Recusei com todas as minhas preces a curiosidade que tinha. Sentia medo de gostar e nunca mais voltar para o Brasil e ver minha mãe. Viajei e conheci países com culturas diferentes. Fotografei castelos e monumentos na Turquia.  Sempre fui aventureiro e curioso. Oito anos se passaram. Sucumbi, desejei experimentar o crack Sem eira nem beira, perabulei como zumbi pelas ruas da Cracolândia. Por vezes me questionava, fazia a inevitável comparação sobre o tempo e lugares. Como era possível, eu estar ali, como os zumbis que tanto execrei nas minhas matérias sobre o crack? A compulsão e obsessão se instalaram bruscamente na minha vida. Depois do primeiro “beijo na lata” comecei a procurar, com força, pela “Kriptonita”. A pedra que me devolveria aquela sensação de “amor a primeira vista”.  “Dor que desatina sem Doer” (L.V.C.). Nunca se consegue ter a mesma “brisa”, efeito, como o da primeira vez. Só humilhação, degradação e fundo de poço. Passei dias nas ruas, descalço, tomando chuva e sol. A roupa molhada secava no corpo. Peguei uma pneumonia e fui parar na UTI de um hospital público com risco de vida. Por enquanto, volto a dizer que existe vida após o vício e é possível a recuperação, com qualidade espiritual, emocional e social. “O fruto de um trabalho de amor atinge a plenitude na colheita e esta chega sempre no seu tempo certo”. NA     Luiz Galvão Soares é jornalista profissional, formado pela Faculdade Cásper Líbero, com graduação em Convergência de Mídias. Foi repórter, editor, chefe de reportagem nas principais emissoras de TV.

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Vila Isabel repudia atitude da jornalista Vera Magalhães

NOTA OFICIAL O GRES Unidos de Vila Isabel repudia com veemência o ato desatinado e desrespeitoso da jornalista Vera Magalhães, no programa “Roda Viva” da TV Cultura, diante de nosso Presidente de honra e grande baluarte, Martinho da Vila, submetido ao questionamento de um suposto envolvimento de milicianos com a escola que carrega no nome. Ícone da música brasileira e um dos grandes nomes da nossa cultura, Martinho será homenageado como tema do próximo enredo que a agremiação levará à Marquês de Sapucaí. É leviano e deseducado impor ao artista, com toda sua história, a pergunta que embute especulação e suspeita delirantes. A jornalista foi insensível, causando tristeza e indignação aos telespectadores, fãs e vilisabelenses. A diretora da azul e branca reitera que em tempos tão obscuros, as escolas de samba se mantêm como a maior manifestação cultural do Brasil, geradora de desenvolvimento social, econômico e humano. A melhor e mais profunda forma de apresentar nosso país. Martinho, produtivo aos 83 anos, merece ser celebrado por sua arte múltipla, em músicas, telas e livros. Gênios como ele ajudam nosso povo a cruzar períodos difíceis como o atual, mantendo viva a beleza e a crença em dias melhores.

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Servidores em todos o Brasil organizam greve e paralisações no dia 18 de agosto

Por Andre Accarini – Redação da CUT Arte: Edson Rimonatto/CUT   Data marca a greve dos servidores públicos em todo o Brasil contra a reforma Administrativa. Luta inclui a defesa de empregos, direitos e convocação para os atos se estende a toda a classe trabalhadora A CUT e demais centrais sindicais reforçam a convocação para a mobilização do dia 18 de agosto – Dia Nacional de Luta e Paralisações contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n° 32, da reforma Administrativa, contra as privatizações e por geração de emprego. A data marca a greve nacional dos servidores públicos federais, estaduais e municipais contra a  reforma Administrativa apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), que representa a destruição dos serviços públicos e um ataque aos servidores. Atos estão sendo organizados em todos os estados. Confira abaixo onde já tem local e hora marcada para manifestações. Sérgio Nobre, presidente da CUT, afirma que o momento é muito grave. A PEC 32, da reforma Administrativa, ele diz, “nada mais é do que criar as condições para contratação de forma precária no serviço público, sem concurso e com menos direitos”. Se a reforma for aprovada, acaba a estabilidade dos servidores, colocando em risco o compromisso com o serviço público. Também dirigente da CUT, Pedro Armengol, alerta que a reforma abre espaço para que governos contratem trabalhadores que servirão os interesses do gestor, ou sejam do mandato, destruindo assim a característica mais básica dos servidores que é servir à população. “Isso compromete a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos”, diz Armengol. A luta do Dia 18, que também é de todos os brasileiros que dependem do serviço público, inclui as pautas urgentes como a luta pelo auxílio emergencial de R$ 600, vacina já, por mais empregos, contra a carestia, os altos preços dos alimentos e a inflação. “O desemprego e o desalento são recorde e Bolsonaro continua atacando os direitos dos trabalhadores, como na reforma Administrativa e, esta semana, com a reforma Trabalhista contida na MP 1045 que recria a carteira verde amarela, com empregos precários, com salários inferior ao mínimo e sem direitos”, diz Sérgio Nobre. Privatizações Outra bandeira de luta é a defesa do patrimônio brasileiro nas mãos do Estado como mecanismo de indução ao desenvolvimento e não nas mãos da iniciativa privada que visa apenas o próprio lucro. Por isso, empresas privatizadas significam preços mais altos como nos combustíveis e na energia elétrica e serviços de qualidade questionável. “Bolsonaro quer vender estatais que são instrumento de desenvolvimento no país. A entrega da Eletrobras, dos Correios, da Petrobras, de instituições como os bancos públicos, representam um enorme retrocesso, um grande prejuízo a todos os brasileiros”, diz o presidente da CUT. Por isso, ele reforça: “É dia de luta, de paralisação, de protesto, então convoco toda a classe trabalhadora – que pare atividades e proteste!” Confira onde tem atos marcados Brasília A CUT, entidades que representam os serviços públicos das três esferas além de outras categorias e movimentos sociais fazem, à partir das 10h uma manifestação na Esplanada dos Ministérios com direção ao Anexo II da Câmara dos Deputados. O ato contará com lideranças das entidades, carro de som, panfletagens e diálogo com a população. Bahia Em Salvador, ato em defesa dos serviços públicos e contra a reforma Administrativa a partir das 10h com concentração no Campo Grande e caminhada até à Praça Castro Alves Ceará Em Fortaleza o fórum Cearense dos Servidores Públicos das Três Esferas promove o ato “Cancela a Reforma”, desde as 8 horas, na Praça da Imprensa. Em Antonina do Norte, ato de servidores públicos representados pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municípal de Antônina do Norte, Saboeiro,Aiuaba e Arneiroz, na Rua Antonio Delfino. A luta inclui também pautas como a reposição salarial, aprovação do PL da Enfermagem e piso dos Agentes de Saude e Endemias. Em Canindé, ato dos servidores públicos municipais, organizados pelo Sindsec, às 8h. na pauta também a luta contra práticas antissidicais por gestores do serviço público no municipio. Espírito Santo Na capital Vitória, ocorre o ato unificado dos servidores públicos contra a reforma administrativa, a partir da 8h30 na Praça Jucutuquara Goiás Em Goiânia o ato contra a PEC 32 acontece a partir das 9h em frente a Assembleia Legislativa Minas Gerais Em Belo Horizonte, o ato está programado para 17h, na Praça Central Pará Em Belém, assembleia com trabalhadores, ato público e manifestação e rua, a partir das 8h, no Mercado de São Brás Paraná Em Curitiba, manifestação às 18h, na Praça Santos Andrade. Pernambuco Ato em Recife com concentração no Parque 13 de maio, às 15h e caminhada pela Rua do Hospício até os Correios no Centro. Ato também às 15h em frente à Faculdade de direito do Recife. Haverá também Distribuição de cestas básicas (no horário da manhã) Piauí Em Teresina, o ato será realizado a partir das 8h, na Praça da Liberdade. Rio de Janeiro Na capital fluminense ato em defesa do Serviço Público e Contra a Reforma Adminsitrativa, às 16h, com concetração na Candelária e caminhada até o Alerjão. Em Resende, ato às 17h no Mercado Popular Em Nova Friburgo, ato contra a PEC 32 e #ForaBolsonaro, às 17h, na Rodoviária Urbana Em Niterói, ato às 9h, em frente ao CE Liceu Nilo Peçanha Rio Grande do Norte Em Natal a manifestação acontece à partir das 14h, em frente à agência do INSS, na Rua Apodi Rio Grande do Sul Em Porto Alegre, o ato está marcado para 15h, na Praça Central Rondônia Em Porto Velho, ato público e panfletagem em defesa dos serviços públicos, às 8h, na esquina da Av. José Vieira Capúla com Av. Rio madeira. Santa Catarina Em Florianópolis, a CUT, centrais, Frente Fora Bolsonaro da Grande Florianópolis, sindicatos dos serviços públicos das três esferas fazem ato às 16h, em frente à Catedral. São Paulo Na capital paulista, o ato acontece às 15h, com concentração na Praça da República e caminhada até a Praça Clóvis. Em Campinas, manifestação e passeata às 10h na Unicamp e às 17h30 no Largo do Rosário Na Baixada Santista, em Santos, o ato será realizado às 10h na Praça Visconde de Mauá; e na Praia Grande, às 10h, em frente à Câmara Municipal. Em Bauru, carreata às 15h30 com concentração na Praça da Paz. Em Santo André, o Sindserv Santo André faz um ato às 10h em frente ao Paço Municipal Sergipe Na capital Aracaju, ato às 8h, em frente à Assembleia Legislativa do estado. Os professores

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O que Woody Allen nos revela através de seus filmes?

O que Woody Allen nos revela através de seus filmes?

Por Beatriz Herkenhoff Confesso que nunca me identifiquei com os filmes de #WoodyAllen até que passei a gostar do seu estilo a partir dos seguintes filmes: Meia noite em Paris (2011); Para Roma com amor (2012); Jasmine (2013) e Café Society (2016). Em Café Society, com um humor fino e mordaz, Woody Allen nos convida a penetrar no glamour Hollywoodiano. Aborda as contradições da sociedade que gira e se mantém em torno de festas luxuosas, de estratégias para manutenção do status quo, da bajulação dos poderosos, de fofocas superficiais e frívolas, e de casamentos aparentemente bem sucedidos, mas, que carregam em seu cerne o fracasso, a insatisfação, a traição, a mentira, a solidão e a frustração. Nesse contexto, satiriza temas como: a máfia. E traz o seu olhar crítico para o interior de uma família judia com seus dilemas, crenças, diferenças, diversidades no jeito de ser. Problematiza o que há por detrás da magia de Hollywood nos anos 1930-40; o que se esconde nas luzes deslumbrantes e que atraíram tantos jovens em seus sonhos de ingresso no mundo do cinema. Mostra a força do amor e da desilusão que o acompanha. Evidencia as escolhas que fazemos, nem sempre as mais acertadas. Saí do filme me questionando: quando concluímos que fizemos escolhas equivocadas, temos a coragem de voltar atrás e romper com a tradição? Temos ousadia para romper com a infelicidade interior revestida e disfarçada de felicidade? Aqui o diretor trabalha a dor da escolha e suas consequências. Jovens sonhadores, apaixonados, críticos em relação ao funcionamento da sociedade e às falsas relações que sustentam uma aparente felicidade serão capazes de romper com esse modelo? Ou irão sucumbir e submeter-se? Como fica o amor dividido entre o dever e o prazer? Entre a insegurança e a certeza do futuro? Acredito que muitos já viveram a experiência de uma paixão que marca para sempre. As lembranças são muitas, geram sonhos, esperanças, mas, também frustrações. São essas vivências que tornam as pessoas mais fortes. E o filme mostra essa realidade a partir do protagonista. O filme é melancólico? Se sim, uma melancolia romântica, que fortalece, como eu disse acima. Considero que o diretor é coerente em sua linha de raciocínio. Para finalizar destacaria a fotografia de #VictorioEstoraro (vencedor de três Oscar). Faz toda diferença na história. Beatriz Herkenhoff é doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo. Cinéfila.

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