Construir Resistência

2 de agosto de 2021

O pior do Brasil

Por Roberto Sander A gente fica pensando no que pode ter sido pior na história da República do que esse governo que temos aí. Logo, é claro, aparece a lembrança dos anos de chumbo da ditadura militar, que significou a institucionalização da tortura, dos desaparecimentos, das perseguições e assassinatos. Hoje, de uma certa forma, apesar de não termos esse nível de barbárie, a situação é mais dramática. A necropolítica de Bolsonaro, tornada oficial na pandemia, levou ao Planalto a atmosfera dos subterrâneos da ditadura. Sim, hoje lá estão os representantes daqueles que agiam nas sombras, nos porões dos centros de tortura. Bolsonaro, General Heleno, General Braga Netto são discípulos do General Sylvio Frota, que tentou dar o golpe em Geisel – em outubro de 1977 – e matar os 30 mil de que Bolsonaro tanto fala que gostaria de ter matado, dando continuidade e aprofundando a ditadura. São adoradores de Ustra, de Fleury só para citar os mais notórios sádicos do regime. Bolsonaro com sua vocação pro crime conseguiu matar 10 vezes mais – 300 mil mortes que poderiam ter sido evitadas com bons exemplos, campanhas de prevenção e compra de vacinas desde o primeiro momento – do que sonhou matar um dia. Além disso, atacou a natureza, a cultura, a educação e a constituição cidadã de 1988. Não há comparação com nenhum outro período de trevas; o governo Bolsonaro representa a chegada ao poder dos carrascos da ditadura. Da turma do general Frota. Do pior do Exército. Do pior do Brasil.   Roberto Sander é jornalista, editor e escritor.

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Jovem mulher negra periférica

Campeã olímpica Honoris Causa Já escrevi aqui que os #JogosOlímpicosdoJapão2021 precisam ser observados pelas “rebarbas”, pelo lado do avesso, pelas entrelinhas. O desempenho do Brasil é pífio para uma nação continental. Não que não tenhamos atletas de elite, mas os brasileiros que subiram no pódio devem suas medalhas a eles próprios e ao pequeno grupo de apoiadores que os cercam. Rebeca Andrade tornou-se musa nacional. Merecidamente. Muita gente celebrou as duas medalhas: ouro e prata e torceu pelo quase bronze. Surpreendeu-se com a sua história de vida. Pouco mais do que uma adolescente, é uma mulher negra periférica. Uma brasileira comum. Daquelas que têm coragem de romper os padrões e até mesmo ousou levar o som da favela, o funk brasileiro que fala sobre sexo para o mundo ver. Tão importante quanto o feito no outro lado do mundo é o reflexo que Rebeca deixa nas jovens brasileiras. Sobretudo as negras e pobres. Em entrevista, ela disse: me senti muito orgulhosa de mim. Acho que consegui representar a mulher. Sim, Rebeca, você nos representou a todas as mulheres. Revelou também que havia treinado muito e que estava preparada para competir. Como todo campeão olímpico Rebeca é um ponto fora da curva. Não fosse assim, as medalhas não seriam tão celebradas. Ela, no entanto, é mais do que uma medalhista, é uma brasileira que driblou as vicissitudes de viver num país excludente, onde nascer mulher, negra e pobre é risco de vida. Eu teria muito a falar sobre Rebeca, que confesso mal conhecia. Ao ler as revelações pós medalha, principalmente da coragem da empregada doméstica criticada por deixar a filha sair de casa ainda na infância. Não posso deixar de mencionar, também, que Rebeca foi parida por uma mulher que além de coragem teve a visão de matricular a filha numa escolinha de ginástica aos quatro anos de idade. Que soube aproveitar a oportunidade de uma política pública oferecida por um governo popular, numa das cidades periféricas da capital paulista. Matriarca que só pode realizar o sonho de toda a mãe, testemunhar um de seus filhos conquistar os próprios objetivos, pelas decisões tomadas no passado. O governo do #PT, gestão #ElóiPietá, de #Guarulhos também pode se orgulhar dessa medalha. Afinal, como dizia o meu pai: tudo começa pelo início, e a trajetória de da campeã Rebeca foi iniciada aos quatro anos de idade, numa escolinha municipal de ginástica. Dona Rosa contou, também em entrevista, que ensinou os filhos a colocarem os problemas para fora e a não desistirem sem tentar. A primeira lição aprendida por eles, sem dúvida foi a resiliência materna. Espero que o Brasil saiba honrar Rebeca Andrade, não apenas pelas medalhas olímpicas, mas por ter sobrevivido à estatísticas. Um futuro mais brilhante do que as suas medalhas, campeã! Foto> Reprodução              

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