Construir Resistência

26 de junho de 2021

Dando nome aos bois…

Depoimento dos irmãos Miranda movimenta a sexta feira (25) na CPI da Covid Por Sonia Castro Lopes Deu o maior Ibope o novelão da CPI na tarde dessa última sexta feira (25). O Brasil inteiro parou para assistir o depoimento dos irmãos Miranda que prometia ser bombástico. De fato, o escândalo da Covaxin protagonizou o noticiário político da semana, pois, graças a ele, o ministro ‘balança, mas não cai’ acabou pedindo demissão. Poucas horas depois, outro ministro que andava desaparecido surgiu na TV e, descontrolado, desferiu ameaças aos irmãos que trouxeram à tona suspeitas gravíssimas de corrupção ou, pelo menos, prevaricação de um governo que enganou os eleitores falando em nome de Deus, da família e do combate à corrupção. Parece que dessa vez, a casa cai. Foi uma tarde animada que entrou pela noite. Nunca se viu tanto político trabalhando numa sexta feira até altas horas. Um dos irmãos, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), totalmente performático, adentrou o prédio do Senado vestindo um colete à prova de balas sobre o terno. O outro, o servidor concursado do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, veio diretamente do aeroporto após uma longa viagem aos Estados Unidos de onde trouxe as vacinas Jansen doadas aos brasileiros pelo tio Biden. A tarde prometia… Os dois confirmaram o que já haviam dito em entrevistas anteriores. Responsável pelo setor que aprova a importação de vacinas, Luis Ricardo Miranda, desconfiou do contrato para a compra da vacina indiana que, inclusive, tinha um alto custo e falta de registro na Anvisa. Havia faturas com sinais visíveis de irregularidades, já que exigiam o pagamento antecipado de U$45 milhões à empresa Madison. A negociação ainda envolvia uma empresa intermediária – Precisa Medicamentos – que em 2018 havia aplicado um calote no Ministério da Saúde vendendo remédios que nunca foram entregues, provocando um prejuízo de R$20 milhões aos cofres públicos. Desconfiado, Luis Ricardo, relatou o caso ao irmão-deputado que marcou uma audiência urgente com o Presidente da República, ocasião em que lhe relatou a suspeita de irregularidades no contrato.  Obteve do presidente a promessa de que o caso seria encaminhado à Polícia Federal, o que nunca aconteceu. Nessa entrevista, o deputado ainda ouviu do presidente o nome do suposto responsável pela falcatrua, mas, inicialmente, em seu depoimento à CPI disse “não se lembrar do nome.” Confirmou, ainda, que o ministro Pazuello em conversa com ele, havia insinuado que não se manteria no cargo em razão de episódios de corrupção no ministério. A essa altura, não apenas os membros da CPI, mas até mesmo alguns telespectadores mais antenados, já suspeitavam de que se tratava do ministro da saúde do governo Temer, investigado por improbidade administrativa por favorecimento à Global Saúde – sócia da Precisa – justamente a empresa que intermediava a venda de Covaxin ao governo.  Esse mesmo político, atual líder do governo na Câmara, já havia apresentado uma emenda ao projeto de lei incluindo a possibilidade de importação da Covaxin e intimidando a Anvisa para agilizar a liberação da vacina. Mas o deputado Luis Miranda insistia em não ‘se lembrar’ do nome do sujeito, embora outros ‘bois’ já tivessem sido nomeados, como o tenente-coronel Alex Lial Marinho, o coronel Marcelo Pires e Roberto Ferreira Dias,  os ‘superiores’ do servidor que exigiram sua anuência ao contrato e que, por isso, serão convidados a depor na CPI. Mas o importante na novela era saber ‘quem matou Odete Roitman.’ A sessão no Senado foi longa e tumultuada. Visivelmente, tratava-se de estratégia dos senadores governistas para não se chegar a lugar algum. Os depoentes foram intimidados e tratados como responsáveis por uma delação  mentirosa, apesar da robustez das provas apresentadas. Destacaram-se as acusações dos senadores Marcos Rogério (DEM-DF) e do líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (MDB-PE). Com textos visivelmente preparados pela assessoria, insistiam em interromper os depoimentos e  afirmar que o servidor do Ministério da Saúde deveria se reportar aos seus superiores, ao invés de procurar o presidente para relatar suas suspeitas. Os argumentos, entretanto, caíram por terra quando senadores de oposição lembraram que eram justamente os superiores que o pressionavam a autorizar o contrato espúrio. E o presidente da CPI voltava a insistir: Quem matou Odete Roitman? Lá pelas tantas o deputado depoente, instado pela senadora Simone Tebet (MDB-MT), revelou, sem conter as lágrimas, o nome do principal vilão. Tratava-se do deputado Ricardo Barros (PP-PR), pule de dez nas apostas dos presentes e de grande parte da audiência do novelão. A senadora amealhou as glórias de ter sido a ‘indutora’ da confissão, concedeu entrevista à Globonews e o escambau. Outra que quer palanque. Vencida na última eleição para a presidência do Senado, deve estar se esforçando para conseguir destaque junto àquela turma que anda procurando, como agulha em palheiro, um nome para representar a ‘terceira via’ e acabar com a ‘polarização’ que se desenha para 2022. Aguardemos os acontecimentos, pois os representantes do governo prometeram em nome de Deus ‘ não deixar barato’, como blasfemou Ônix Lorenzoni na noite da última quarta feira (23) quando acusou de caluniadores os irmãos Miranda, os mais novos mártires da sanha bolsonarista. Essa novela, pelos seus desdobramentos, ainda vira série da Netflix.  Sugestões para o título?   Crédito da Foto: AG Senado

Dando nome aos bois… Read More »

O que ela susurra

Por Ângela Bueno Romance, baseado em fatos reais, o livro O que ela sussura relata  a saga de Nadejda Mandelstan, mulher do poeta Osip Mandelstan, que morreu em um Gulag na Sibéria, sob o regime de Stalin. A partir da vida desse casal, a autora  cria uma ficção e relata, de maneira cativante e poética, a perseguição sofrida pelos protagonistas: ele, Osip, um  poeta maldito pelo regime Stalinista. Ela, Nadejda, que após a prisão do marido passa a sussurrar seus versos para que eles não sejam esquecidos. Esse é um livro para os que defendem o estado de direito e que acreditam que o terrorismo de Estado, perpetrado pelas ditaduras – sejam elas de esquerda ou de direita-  busca eliminar todos aqueles que considera seus opositores. E isso tem consequência na vida cotidiana das pessoas, sejam elas  perseguidas ou não. Finalizo reproduzindo um fragmento de um poema de Osip, que serve para retratar a época em que estamos vivendo: “Pela silenciosa alegria de respirar e viver A quem, me diz, devo agradecer” Ficha Técnica Título: O que ela sussurra Capa: Julia Masagão Páginas: 192 Lançamento: 31/03/202 ISBN: 9788535933246 Selo: Companhia das Letras Preço: R$49,90 “Quero que Sonia, Vassilisa e Lizotchka aprendam a passar as horas murmurando coisas de que elas gostem, que treinem a memória para se expressar em voz baixa, como se pelo sussurro todas as mulheres da Rússia se comunicassem numa sintonia desconhecida, nós então formaríamos uma rede clandestina de sussurros, que não salvariam nada, a não ser um pouco a nós mesmas, mas que deteriam o tempo e se enovelariam, fazendo com que ele passasse menos ou mais devagar pelos lugares onde nós falamos.”                                                                                                                                                                                                              Noemi Jaffe Ouça a autora falando sobre a obra (selecione o endereço eletrônico e aperte o botão do lado direito do cursor): https://www.youtube.com/watch?v=kuvJJXZPvu4 Ângela F.V.Bueno é psicanalista e ceramista. Nas décadas de 70- 80 trabalhou na Caritas Arquidiocesana de Vitória. Trabalhou também na Secretaria de Estado da Saúde- ES, contribuindo para a implantação do SUS em seu estado. É professora aposentada do departamento de Serviço Social da UFES. É mestre em Teoria e Clínica Psicanalista pela UERJ.

O que ela susurra Read More »

Lutar por eleições livres em 2022

Por Simão Zygband É necessário lutar não só pela saída do genocida, mas para que se cumpra a legalidade constitucional, com eleições limpas em 2022   Se continuar nesta toada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá subir a rampa do Planalto no dia 1º de janeiro de 2023. É o que aponta a pesquisa IPEC divulgada nesta sexta-feira (25) que mostra o candidato do PT com 49% das intenções de voto, com 11% a mais que a soma dos seus possíveis adversários. Inclusive o genocida Jair Bolsonaro amarga uma segunda posição, com apenas 23% de eleitores que pretendem votar nele. Lula parece ser agora quase uma unanimidade e até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB/SP, de partido rival, parece ter jogado a toalha e já admitiu que poderá votar no petista contra Bolsonaro, por ser a única opção para derrotá-lo. Lula consegue provar aos poucos que foi vítima de uma grande armação e injustiça, que lhe rendeu 580 longos dias de prisão e no imaginário popular, depois de ter passado por todo seu calvário (com a morte da esposa, irmão e neto) onde lhe impingiram a desleal pecha de “ladrão”, o povo finalmente parece ter se dado conta do que amaram contra ele e não somente reconhecer a honestidade do ex-presidente, como a qualidade infinitamente melhor do seu governo. Tudo podia ser um céu de brigadeiro para Lula se não fosse todo o ambiente de pretendentes a um novo golpe que ainda paira no país apodrecido pelo fascismo miliciano. Bolsonaro parece que dificilmente sairá das cordas e não há chances de se reerguer. O país afunda na mais grave crise política, social, sanitária, econômica de sua história, regado ainda por um escândalo de grandes proporções com a compra de vacinas indiana, Covaxin, adquiridas a preços superfaturados, com a aquiescência do presidente e para favorecer um aliado. Como bem analisou o jornalista Pio Redondo, profissional com passagens pelas principais redações do Brasil e exímio conhecedor dos corredores da política sobre a sessão da CPI da Pandemia, ocorrida nesta sexta-feira: “Um dia pra não ser esquecido, a data de hoje (ontem), em que todo o discurso moralista de Bolsonaro desmoronou ( e quem sabe seu governo). Bolsonaro não mandou investigar o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados, ex-ministro da Saúde do governo Temer, que fez uma emenda parlamentar que favoreceu a importação da Covaxin pela Precisa Medicamentos, de empresário envolvido em escândalos (desde o governo anterior). Em março, Bolsonaro foi avisado do esquema pelo deputado aliado Luiz Miranda e disse que sabia que “era rolo de Barros”, o mesmo que ‘irriga’ o apoio do Centrão ao governo. “Vou acionar o Diretor-Geral da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave”. Mas só hoje Bolsonaro tomou a providência, depois do caso estourar na CPI. Então, como é que os militares de alta patente vão assinar embaixo desse trambique descarado, enquanto milhares de brasileiros  estão morrendo por falta de vacinas? Como os apoiadores de Bolsonaro vão justificar os arroubos alucinados do presidente contra a imprensa, a prevenção ao Covid se, ao mesmo tempo, ele prevaricou e agiu pra encobrir um grande esquema de desvios de recursos da Saúde, do SUS, que envolve seu líder no Congresso”? Inferno astral Mas o perigo se encontra exatamente neste aparente inferno astral que Bolsonaro enfrenta e já há vozes poderosas que pretende limá-lo do cargo. O site Congresso em Foco traz reportagem assinada pelo jornalista Helio Doyle, com o título “Militares, empresários conspiram para tirar Bolsonaro das eleições”. Aparentemente, o psicótico capitão reformado já não agrada nem dentro do seu próprio público e a ideia é defenestrá-lo. Mas, ao realizarem este ato, mais nada se tornará previsível no Brasil e os resultados podem se tornar ainda mais nebulosos. As oposições devem continuar a campanha de desgaste de Bolsonaro, que a estas alturas nem precisa de muito esforço para se enforcar. O país já encontra dificuldades com ou sem o capitão reformado no comando do governo. É necessário sim lutar não só pela saída do genocida, mas para que também se cumpra a legalidade constitucional, com eleições limpas em 2022. Lula poderá ser a grande saída conciliatória para este imbroglio político, mas é necessário também que se impeça novas aventuras golpistas. E esta garantia quem dará é a força do povo nas ruas. Todos nas ruas no dia 3 de julho. A data foi antecipada. #forabolsonaro      

Lutar por eleições livres em 2022 Read More »

Reaça

Por Virgilio Almansur Reinaldo Azevedo, portador de um texto maravilhoso e cuja lavra é invejável, traz para nós uma gramática jurídica de coerência estupenda. Ajudou sobremaneira no desmonte da moropatia e seus congêneres. Deve continuar. No entanto, seus arroubos de extrema violência não podem ser esquecidos. Foi dele a construção pré-golpe que ajudou assentar a aventura temerista. Cheio de elaborações reacionaríssimas, contribuiu para esse desmonte que assistimos aos direitos coletivos e que permitiu, também, a ascensão do milicianato e seus desdobramentos. Não tem autoridade o jornalista, dublê de rábula, para fazer ataques ao reacionarismo que contempla uma família de Campinas que solicita uma funcionária (empregada doméstica), via anúncio, com predicados neoempreendedores e certificado negativo para Covid-19. Essa situação foi prevista e antecipada pela querida professora Marilena Chauí — atacada pelo jornalista —, incansável crítica dessa política que contemplou uma tosca ponte para o futuro abraçada por Azevedo. Reinaldo deve entender que sua egolatria é percebida tanto pelo seu Corinthians, e torcida, bem como por toda a torcida do Flamengo Brasil afora. O ególatra lida tanto com seu umbigo que o torna lustroso e fetichinoso, estendendo-o a seu corpo e existência para encobrir deficiências que nenhum antidepressivo resolverá… Menos, Reinaldo! Menos…   Virgilio Almansur é médico, advogado e escritor.

Reaça Read More »

Rolar para cima