Construir Resistência

16 de junho de 2021

Witzel enfrenta os milicianos

Por Moisés Mendes Wilson Witzel, que foi fuzileiro naval antes de ser juiz federal, deve saber o que está fazendo na CPI do Genocídio. É o primeiro a desafiar o poder dos milicianos. O depoimento está apenas começando, e Flavio Bolsonaro, chamado de filho mimado, já acusou o golpe. Witzel ataca Bolsonaro, acusado de comandar a perseguição a ele e outros governadores, mas está cercado pelas facções da extrema direita na CPI. Flavio levou uma tropa de deputados para atemorizar o ex-governador. Witzel já concordou com uma sugestão dos senadores para que participe de reunião fechada da CPI para denunciar o que sabe, depois de sugerir que Bolsonaro aumentou a perseguição depois que a polícia do Rio intensificou investigações sobre o assassinato de Marielle. Flavio Bolsonaro quer ter o direito de participar da reunião sigilosa, mesmo que não seja membro da CPI. Witzel insinuou que ele pretende afrontá-lo como filho do sujeito, e não como senador. A sessão promete ser a melhor da CPI até agora. Witzel está disposto a jogar no ventilador as podridões de Flavio Bolsonaro e do pai dele, numa tabelinha combinada com Renan Calheiros. O ex-governador está testando os nervos da família. Moisés Mendes é jornalista gaúcho e mora em Porto Alegre   Em tempo: matéria originalmente postada no Blog do Moisés Mendes na manhã desta quarta-feira (16). Original no link abaixo: https://www.blogdomoisesmendes.com.br/witzel-enfrenta-os-milicianos-ao-vivo/

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Cinema Turco: vale assistir

Por Beatriz Herkenhoff Você conhece o cinema de origem turca? Com tempo mais disponível, estou expandindo os horizontes e descobrindo joias raras no mundo do cinema. Hoje vou comentar sobre alguns filmes Turcos. Filmes densos, intensos e sensíveis, que nos inquietam e ficam em nós durante dias. Inconscientemente, colocamos limites para impedir a circulação de alguns sentimentos que trazem à tona nossa fragilidade. Mas, que, ao mesmo tempo, acabam sendo obstáculo para a circulação de reflexões sobre a ética e atitudes que destroem nossa humanidade, dificultam a empatia e busca por mudanças. Alguns filmes Turcos que assisti furaram meus mecanismos de defesa, colocaram o dedo em feridas mais profundas e me convidaram a refletir sobre a vida com novos elementos e recursos. Filmes que conseguem romper com nossos mecanismos de defesa. Furar a bolha de proteção que criamos para ficar na zona de conforto. Alguns deles: Incir Receli 2 (2015) tem como tema o luto, perdas irreparáveis, difíceis de serem elaboradas e que podem levar a uma descrença na possibilidade de encontrar um novo amor. Embora seja um tema difícil, a abordagem é muito delicada, trabalha caminhos para a reconexão com a vida. Cinar Agaci (2011)  filme de uma sensibilidade extrema, aborda a relação de amor e cumplicidade entre a avó e o neto. Os conflitos familiares que surgem quando a matriarca adoece e os filhos querem colocá-la numa casa de repouso. Diálogos densos e profundos que nos fazem pensar sobre a realidade que vivemos. Gestos e atitudes que fazem a diferença. Sadece Sem (2014)  romance que fala diretamente ao nosso coração. Uma linda e delicada história de amor, deficiência visual, assédio, sentimentos de culpa que geram sofrimento e paralisam. Histórias de vida que aprisionam. O filme nos convida a não ter medo das cicatrizes psíquicas e emocionais, que podem ser transformadas em canal de cura. Se você se deixar tocar, não será mais o mesmo ao ver esse filme. Mucize. Filme que toca e nos transforma Mucize (2015) encanta e emociona por sua delicadeza e sensibilidade ao abordar temas fundamentais. Baseado numa história real que se passa no interior da Turquia nos anos 1960. O professor Mahir é enviado a uma cidade remota nas montanhas e faz renascer a esperança ao ajudar os moradores locais a construir uma escola. Predomina a união e o trabalho coletivo no enfrentamento aos obstáculos. A fotografia é belíssima. Somos convidados a mergulhar na cultura, crenças, costumes e valores da região. A história tem como foco a inclusão e exclusão social. O preconceito em relação à deficiência, cenas de bullying e zombarias que humilham e isolam Azir, jovem com dificuldades motoras para andar e falar. Além da luta contra o preconceito, o filme valoriza o papel do professor na sociedade. O professor Mahir, ao incluir Azir no processo de ensino escolar, possibilita mudanças significativas em sua vida e da comunidade. O poder da educação com sua força democrática e valores éticos que transforma vidas. A educação que gera possibilidades de mudanças em relação à deficiência. Não vou escrever mais para não dar spoiler, mas considero um dos melhores filmes que assisti em 2020. Nota a autora: A partir da crônica A arte resgatando vidas, publicada aqui no Construir Resistência, recebi inúmeras mensagens solicitando que voltasse a falar sobre filmes. Naquela, escrevi sobre a importância da arte cinematográfica em tempos de #pandemia e a partir de hoje publicarei resenhas semanais dos filmes que tenho assistido nesse período de #isolamentosocial. Beatriz Herkenhoff é cinéfila e testemunha da importância da terceira arte nesses tempos de #isolamentosocial. Doutora em serviço social pela PUC São Paulo, professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo.

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Bom dia, 2022

Por Miriam Waidenfeld Chaves Depois de uma viagenzinha até a Patagônia para escapar dos quatro ventos do carnaval brasileiro, Cecília desembarcou no Aeroporto Internacional meio grogue devido aos dissabores do vôo de volta. Ainda no avião para o Rio de Janeiro, pensou que o chá de cadeira no Aeroporto de Bariloche e depois a escala em São Paulo para a troca de aeronave não iriam estragar os dias magníficos que passara fazendo trilhas pelo Lago  Nahuel Huapi. Na dúvida de quando e como chegou em casa, Cecília só sabe que foi em fevereiro e que no dia seguinte dormiu a tarde inteira. E quando deu por si já era abril. Sem sair de casa, cozinhando, fazendo faxina e encontrando os amigos apenas pelo whatsapp, Cecília perdeu a noção do tempo. Sempre que acordava, não sabia mais se era sábado, domingo ou segunda. Demorava uns dez minutos para descobrir. Na outra semana, escreveu uma carta para um amigo e a datou como sendo dia 10, quando Eduardo, ao telefone, lhe avisou que já estavam no dia 16. Sim, nesse ano esdrúxulo de 2020, Cecília inventou de escrever cartas para Eduardo, pois os dois amigos descobriram que  valia tudo para brincar com a vida naquele ano tão esquisito. Até escrever cartas à mão. Portanto, toda terça-feira, Cecília atravessava a rua  para deixar na portaria do amigo a sua carta. No sábado, era a vez de ele entregar a sua – falavam sobre a vida e a solidão – para Cecília que, inclusive, se deu conta de que essa diversão tornou-se um excelente marcador de tempo para ela.  Quando a saudade das cartinhas do amigo apertava, Cecília logo concluía que o fim de semana  estava próximo e daí corria até o interfone  para perguntar ao porteiro se sua correspondência já havia chegado. Houve um dia em que Cecília acordou e se deu conta de que era novembro, mês de seu aniversário. Quantos anos ela estaria fazendo? Tinha se esquecido. E aí teve que pegar sua carteira de identidade para conferir. Levou um susto. Veio o Natal, o Ano Novo e o Carnaval outra vez. E não se lembrava mais do que havia feito nessas datas. Ficara em casa sozinha, disso tinha certeza. Mas, ceou pelo zoom? Houve queimas de fogos pela televisão? E no Carnaval? Dormiu ou sambou pela casa para se exercitar um pouco? Deu branco. Lembrava-se apenas daquela imagem simbólica do Papa Francisco sob uma chuva fina, sozinho, diante da Basílica de São Pedro, rezando e abençoando os fiéis de todo o mundo, frente àqueles tempos tão funestos. Ah, mas isso foi em março! Muitas vezes, Cecília sentiu-se como se estivesse no filme De volta para o futuro. E o pior é que ela tinha detestado esse filme. Mas, filme é filme, realidade é realidade, que quando está difícil, é dura de aguentar, pensava. Principalmente porque ela não sabia se tinha ido para o futuro ou se tinha voltado para  o passado. No caso do Brasil, tinha certeza de que  havia retrocedido algumas boas décadas. Por outro lado, também acontecia de ela dormir e acordar com título de eleitor na mão, doida para ir votar, pois jurava que despertara em pleno  outubro de 2022. Depois, se dava conta de que o ano vigente ainda era 2021. Mas, quem sabe, não tirava uma soneca e de repente quando desse por si já seria o ano tão esperado. Uma vez leu o livro Sobre o tempo que lhe causou espanto.  Lá dizia que o tempo não existia. Na verdade, já sabia que o tempo era uma invenção do homem. Assim diziam os físicos, mas, na verdade, sempre se perguntou  como seria viver sem contar o tempo. As 24 horas do dia, a semana, os meses, os anos, as décadas. Os séculos. Principalmente ela, que era historiadora e tinha o tempo como sua matéria prima. Passado, presente, futuro. Futuro, passado, presente. Presente, futuro, passado. Qual a ordem desses tempos? Depois de muito embatucar, Cecília decidiu que iria viver todos esses tempos de uma vez só e ver no que isso iria dar. Decidiu ainda que iria fazer como os índios Sioux, que não dispunham de nenhuma palavra para expressar ‘tempo’. Nenhuma palavra que significasse ‘atrasado’ ou ‘esperar’. Depois dessa decisão, Cecília mudou. Encapsulada em seu apartamento, passou a existir como se o tempo não existisse. Seus amigos acharam que tinha ficado meio amalucada. Entretanto, alguns deles concluíram que essa poderia ser uma boa ideia e até pensaram em adotá-la.   Miriam W. Chaves é contista e professora da UFRJ.

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