Construir Resistência

27 de maio de 2021

Entidades judaicas repudiam nota da Fierj contra Michel Gherman

Do grupo Judeus pela Democracia No dia 24 de Maio de 2021 a FIERJ (Federação Israelita do Rio de Janeiro) emitiu uma nota assinada por seu presidente, Alberto Klein, em repúdio a um tweet de Michel Gherman. O tweet de Michel fazia referência a apoiadores de Bolsonaro que, segundo Michel, seriam, a partir daquele momento, referidos por ele como “fascistas ou nazistas”. Na nota, a FIERJ desautoriza publicamente Michel (acadêmico com larga trajetória no estudo do nazismo e do Holocausto), chamando-o de “inconsequente”, acusando-o de banalizar o Holocausto e de ser futuro responsável por “antissemitismo e revisionismo oportunista”. Independentemente do acordo ou não, a FIERJ, ao atacar a postagem de Michel, não apenas esquece que deveria representar a todos os judeus do Rio de Janeiro, como coloca o professor em posição de vítima de um linchamento virtual. Quando ofende Michel, a FIERJ automaticamente ofende a todos os judeus que divergem de seus posicionamentos, abrindo mão de representá-los (como é a sua função). Através desta carta, as instituições e coletivos judaicos abaixo-assinados exigem que seja feita uma retratação pública da FIERJ a Michel Gherman. Assinam: 1. Judeus Pela Democracia RJ (JPD) 2. Judias e Judeus Pela Democracia SP (JPD-SP) 3. Observatório Judaico de Direitos Humanos no Brasil 4. Centro Cultural Mordechai Anilevitch (CCMA) 5. Movimento de Mulheres Judias Me Dê Sua Mão 6. Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ) 7. Casa do Povo 8. Casa de Cultura Habonim Dror – RJ (CCHD) 9. Associação Scholem Aleichem (ASA-RJ) 10. Associação Cultural Moshe Sharett 11. Meretz Brasil 12. Associação Cultural Mordechai Anilevitch 13. Articulação Judaica de Esquerda 14. Coletivo Judaico de Esquerda

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O samba agoniza, mas não morre

  Texto e foto Luiz Hespanha A única nobreza que eu respeito e que para mim merece e deve ser tratada como tal é a do samba. Nela estão Babaú, Xangô, Carlos Cachaça, Dona Zica, Lecy, Jamelão, Nelson Cavaquinho e Cartola, todos da Mangueira. Nela também estão Paulinho, Monarco, Vilma e a Velha Guarda, todos da Portela. Nela estão Dona Ivone, Silas, Aniceto, Wilson das Neves, Arlindo Cruz e Roberto Ribeiro, nobreza do Império Serrano. Como nela também estão Batatinha, Riachão e Ederaldo Gentil na Bahia e Geraldo Filme e Adoniram em São Paulo, sem esquecer do Zeca Pagodinho, Nei Lopes, Wilson Moreira e Walter Alfaiate, nobres com teto, rede, trono e copo em todas escolas e rodas. Nesse Olimpo do Samba todo mundo aí continua batendo palma para outro gigante como compositor e como cidadão que continuará sendo Nelson Sargento. A primeira vez que o vi foi no finado Parreirinha, na General Jardim, onde tinha mesa cativa. Ele, Paulinho e Inezita. A última vez que vi/ouvi Sargento foi num show no SESC Pompéia, onde tirei essa foto, ao lado do também mestre Wilson das Neves. Ô sorte. A última vez o caralho. Continuarei vendo e ouvindo Sargento, porque o samba agoniza, mas não morre. Não vai morrer nunca por causa de gente como ele.   Luiz Hespanha  é jornalista, escritor e compositor de música popular  

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A passagem pelo luto torna-se fonte de luz

Por Beatriz Herkenhoff Quando resgatamos nossas potencialidades Milhares de pessoas estão vivendo o mesmo que nós e precisam ler e ouvir o que temos a dizer, ou mesmo, o que temos a silenciar. A sinergia através do silêncio também se faz necessária. O fundamental é que nossa energia de amor chegue até o outro. Que o amor circule individual e coletivamente. Nessa dinâmica, somos fortalecidos pela certeza de que podemos, a partir do turbilhão de sentimentos que nos invadem, reconstruir nossa identidade despedaçada e vislumbrar novos caminhos. Se ao longo de nossa vida engolimos o luto, se jogamos as tristezas e raivas para de baixo do tapete, provavelmente corremos o risco de carregar em nossa bagagem mágoas e ressentimentos. As perdas do passado se misturam às perdas do presente e nos tornamos amargas e melancólicas. Embora tenhamos a sensação de que aquela etapa de luto foi vencida, carregamos tudo que ficou guardado, e em algum momento essa dor vai explodir com força. A vivência do Luto Viver o luto é uma das tarefas mais difíceis que se apresentam para nós. Por isso ficamos sem chão, sem desejo, sem horizonte, sem ação, sem força, sem perspectiva. A morte gera um desejo de não vida, de perda de sentido para a existência. Com a #pandemia, o luto ocorre permanentemente com as mortes diárias (que poderiam ter sido evitadas). Também com a necessidade de #distanciamentosocial, que provoca um luto pela ausência daqueles que amamos, e pela indiferença silenciosa de alguns amigos e familiares. Mas, simultaneamente, uma luz se acende ao vivermos o luto. Somos convidados a romper com condicionamentos sociais e culturais, tais como: “para vencer na vida tem que ser forte, engolir o choro e negar os sentimentos”, “tenha pressa para sair do caos e da paralisia”. Condicionamentos que associam o valor da vida ao sucesso, à aparência, à competição, ao consumismo e ao individualismo. Concepções que não nos ajudam quando perdemos vidas, empregos, sustentabilidade financeira, psíquica, emocional e espiritual.  Reorganização da vida No momento da partida é importante expressarmos tudo que está no mais profundo do nosso coração. Chorar e escrever também são recursos que nos ajudam. E aos poucos, vamos reorganizando o nosso jeito de ser e estar no mundo. Aqueles que não estão mais aqui deixaram marcas profundas, e continuam a viver através de nossos gestos e ações. Eles (elas) vivem para sempre, serão nossos guias e mestres para que possamos dar continuidade aos seus projetos. A passagem pelo luto torna-se fonte de luz quando: resgatamos nossas potencialidades; olhamos para os dons que recebemos e nos sentimos motivados a coloca-los novamente a serviço; exercitamos a gratidão; cuidamos de tudo que minou a nossa autoestima e autoconfiança. O equilíbrio bio-psíquico-espiritual e afetivo será reencontrado com ajuda profissional (na pandemia muitos profissionais estão prestando serviços gratuitos nessa área) e com ajuda daqueles que amamos. A esperança, a luz e a fé que ficaram adormecidas, irão ressurgir em gotas homeopáticas. Serão sinais para que o outro encontre o seu caminho junto comigo. Nesse processo de diálogo com o outro e comigo mesma, é importante relembrarmos tudo que construímos até aqui. Quantas trocas intensas em todas as áreas de nossa vida! Quantos relacionamentos lindos pautados pelo amor, identidade, companheirismo, cumplicidade e alegria! Quantos laços de amizade e reciprocidade construímos! Quantas vezes vivemos a gratuidade, o serviço, o amor, o desprendimento, a generosidade e a partilha dos conhecimentos! Quantas vezes pautamos nossas vidas pela ética, pelo amor, pela justiça, pela igualdade, pelos direitos humanos, sociais e políticos! Essas experiências nos fizeram acreditar no amor. E, hoje, nos fortalecem para acreditar que ainda temos muito a realizar em nossa passagem por esse mundo. O tempo que o tempo leva… Com o tempo, em algum momento, irá nascer novamente o desejo de sair do nosso eu e ir ao encontro do outro. Canalizar a nossa libido para contribuir com um mundo mais justo e humano. Ouvirmos o clamor dos pobres, nos sensibilizarmos com a falta de pão à sua mesa, assumirmos suas alegrias e angústias, partilharmos nosso tempo e dedicação nos envolvendo em campanhas de solidariedade que estão fazendo a diferença nesse momento de tantas perdas. Lutarmos para que todos tenham direito à vacina, ao emprego, à saúde, educação, à segurança e a um país onde a democracia predomine. Entre tantas outras tarefas e movimentos. Esse momento tão duro e com tantos desafios, nos convida à resiliência, ao amor e à resistência! Nota da Autora: Hoje sou pura gratidão. Estou recebendo muitas mensagens de pessoas que foram profundamente tocadas por minhas reflexões sobre o luto. Saibam que suas palavras e a partilha de sua dor me levaram às lágrimas. E essa troca já é um sinal de que podemos viver o luto coletivamente. Não precisamos ficar isolados em nossa dor, nem engolir nossos sentimentos, nem nos autodepreciar porque nos sentimos impotentes e fragilizados. Beatriz Herkenhoff é doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo.    

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Agrotóxicos podem aumentar vulnerabilidade à #Covid-19

Construir Resistência recomenda uma leitura atenta: #AgênciaPública divulga -e esmiúça- relatório inédito: Pesquisadores do Brasil, Portugal e Dinamarca afirmam que modelo de produção agrícola deixou o Brasil mais exposto aos efeitos da pandemia reportagem: Pedro Grigori   Agrotóxicos podem aumentar vulnerabilidade à Covid-19, diz relatório inédito

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