Construir Resistência

13 de maio de 2021

Não basta não ser racista. É preciso ser antirracista

Por Adriana do Amaral 133 anos após a Abolição da Escravatura, não temos muito a celebrar. A sociedade brasileira conserva fortes indícios de racismo. Herança cultural que se mantém pelo caráter exploratório da nossa economia, perpetuando a relação de poder -e ódio- contra a raça negra, os afrodescentes e o povo pobre. Uma comportamento que não combina com a visão deturpada e estereotipada do povo brasileiro, que seria alegre, receptivo e aberto. O racismo estrutural, que exclui, fere e mata, deixa marcas no corpo e na alma. Infelizmente, uma prática de parte dos brasileiros país afora, onde “a carne negra é a mais barata do mercado”. E como não se pode mais negar o racismo, podemos lutar contra o preconceito e a discriminação. Alertar, identificar, punir as atitudes racistas e praticar o antirracismo. Por isso, recebi com alegria a campanha da #Uber, que instalou painéis nos pontos de ônibus e locais estratégicos das cidades, com os dizeres: Se você é racista, a Uber não é para você. Comece a mudança. A campanha contra o racismo também foi divulgada aos usuários cadastrados na plataforma, por email. Na mensagem, a Uber pergunta: Você sabia que “Como combater o racismo?” foi uma das perguntas mais buscadas no Google em 2020? Nós nos perguntamos a mesma coisa. Já deixamos claro: Se você é racista, a Uber não é para você. Mas gostaríamos de ir além. Mais do que remover ofensores da plataforma, queremos ajudar a prevenir que esses comportamentos aconteçam. Por isso, nos unimos a um time de especialistas para desenvolver conteúdos com informações importantes que ajudarão nossos parceiros e usuários a entender mais sobre o assunto, refletir sobre suas próprias atitudes e fazer parte da mudança com a gente. Em breve, eles serão disponibilizados no seu aplicativo da Uber. Veja tudo o que estamos fazendo para construir uma comunidade mais respeitosa e inclusiva.  É claro que não é uma campanha que irá mudar a atitude dos usuários, mas a informação é o ponto de partida para a conscientização e consequente mudança. Somado à punição, inclusive com a exclusão dos serviços dos passageiros e motoristas racistas. Racismo é crime O crime de racismo e injúria racial está tipificado pela Lei 7716/89, mas os números de denúncias não refletem a realidade, subnotificados que são. De acordo com o Dossiê de Crimes Raciais, apenas no Estado do Rio de Janeiro são registrados, em média, dois casos de racismo por dia. Em São Paulo, os registros também são crescentes e, segundo o Tribunal de Justiça, aumentaram 76% em 2020. Neste dia 13 de maio, #DiaNacionaldeLutaContraoRacismo, a #CoalizãoNegraporDireitos organizou dezenas de atos pelo Brasil, com o tema: Nem bala, nem fome, nem Covid. O povo negro quer viver! De acordo com o Instituto Pólis, no decorrer do ano 2000, 250 homens pretos morreram em consequência da #pandemia da #Covid-19 a cada 100 mil habitantes. Mas a violência social e policial mata ainda mais. Diariamente, pela cor da pele. Se um dia o Brasil foi celebrado pela diversidade de seu povo, está mais do que na hora de transformarmos essa realidade cruel onde ser preto, pobre, idoso, mulher, pessoa com deficiência ou LGBTQIA+ multiplica as diferentes formas de violência contra a pessoa humana. Afinal, #todasasvidasimportam e #blackisbeautiful.  

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Lula dispara nas pesquisas e com ele as fake news

Por Simão Zygband A pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (12), que mostra uma vantagem robusta de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o genocida de extrema-direita, Jair Bolsonaro, por 52% a 35% no segundo turno, é motivo de esperança e de euforia para todos aqueles que prezam a democracia, mesmo não sendo simpatizante do PT ou do ex-presidente da República. Neste momento, Lula se transformou na principal esperança para fazer o país se livrar do pesadelo bolsonarista, que tanto infelicita milhões de famílias brasileiras, não somente com a total incompetência e desinteresse governamental em combater a feroz pandemia de Covid-19, que já matou mais de 420 mil pessoas, mas também por desenvolver uma política econômica perversa que acentua o abismo social entre ricos e pobres, devolvendo milhões de cidadãos à miséria absoluta. Apesar da verdadeira amostragem ser a abertura das urnas em 2022, a pesquisa Datafolha já mostra claramente uma tendência de repúdio ao governo fascista que, infelizmente, a mídia privada e hegemônica, juntamente com outros segmentos atrasados da sociedade ajudaram a colocar no poder. Bolsonaro é fruto do golpe orquestrado pelo traidor Michel Temer em 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousssef, com apoio de lideranças evangélicas “picaretas”, parlamentares oportunistas, um Judiciário comprometido com atitudes ilegais e ilícitas, com interesses norte-americanos no pré-sal brasileiro, além de praticamente todos os partidos de direita que se opuseram ao PT e a Lula. Este crescimento da estrela petista, no entanto, está sendo acompanhada de uma campanha suja e rasteira pelas redes sociais realizada por aqueles que temem que Lula chegue tão forte às eleições de 2022 que consiga até ganhar ainda no primeiro turno (e os números mostram que ele não está muito longe disso). Circula nas redes sociais um vídeo asqueroso, possivelmente produzido na indústria de ódio do bolsonarismo, com os seguintes dizeres: “Se você é patriota e conservador, curte e compartilhe”. No vídeo aparece um cretino bolsonarista que literalmente dá um tapa no rosto do Lula enquanto ele discursa em um microfone e faz uma fala extremamente preconceituosa: “chega de mentir, cabra safado. Velho cachaceiro do cão”. Logo em seguida aparece Bolsonaro e sua claque rindo desbragadamente e o excrementíssimo presidente faz o seguinte comentário: “Estamos juntos, o Brasil é nosso. Valeu Fábio!”. Fake news contra o Bolsa Família Outro vídeo falso, que circulou esta semana nas redes sociais, mostra o ex-presidente criticando o Bolsa Família que ele mesmo criou. No vídeo, que teve 850 mil visualizações, mostra Lula dizendo: “O Bolsa Família é uma esmola. O Bolsa Família é pra deixar as pessoas preguiçosas, por que quem recebe Bolsa Família não quer mais trabalhar”. Depois, Lula é visto sentado dando uma entrevista, na qual afirma: “Pelo alto grau de empobrecimento, ela é conduzida a pensar pelo estômago e não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica. É por isso que se distribui tanto tíquete do leite. Por isso, na verdade, é uma peça de troca em época de eleição”. A agência noticiosa internacional France Press provou que este vídeo realizou montagens de falas do Lula em dois eventos diferentes. No primeiro, o ex-presidente imita os críticos do Bolsa Família. Tirando do contexto, parece que ele critica o programa que criou. No segundo, que parece uma entrevista de Lula, as imagens foram capturadas em 2000 e Lula criticava, quando ainda não era candidato, a distribuição de cestas básicas e tíquetes do leite por políticos em troca de votos. Não é a toa que Bolsonaro quer a vota da eleição no papel, sem utilização das urnas eletrônicas. Aparentemente a população saberá se livrar deste pesadelo bolsonarista, o Brasil que eles querem levar de volta à idade das trevas, e superará até mesmo as fake news que estão inundando as redes sociais.  

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Lula cresce e Bolsonaro despenca nas intenções de voto

Por Simão Pedro Chiovetti Mas, tem muito chão pela frente ainda. Se Moro e Dallagnol pensaram que seria fácil, com a #LavaJato, abater com meia dúzia de mentiras o maior líder popular que o povo brasileiro produziu, se enganaram. Não só eles. Também a #Globo, outros grandes meios de comunicação, o departamento de estado dos EUA, o Sistema também que os apoiaram. Esqueceram que o pernambucano que veio para o Sudeste de pau-de-arara aprendeu com sua mãe, dona Lindú, a nunca abaixar a cabeça e nunca desistir dos seus sonhos e sua dignidade. Pois bem, Lula, apenas 2 meses depois de conquistar junto ao #STF o atestado de inocência contra as injustas acusações que lhe fizeram, Lula avança nas pesquisas de preferência do povo brasileiro para a presidência da República que o quer de volta para tirar o Brasil do atoleiro de mortes, misérias, isolamento político e devastação em que nos meteram. Se bem que as eleições ainda estão um pouco longe, mas a pesquisa do #DataFolha publicada ontem (12) captou bem o clima, cada dia maior, de saco cheio crescente do povo a respeito de toda a enganação produzida pelas elites econômicas e seus operadores no atual governo. Aliás, Bolsonaro cai a passos largos na avaliação popular e vê diminuído sua sustentação. Pelo Datafolha, Lula (do PT) tem a preferência de 41% dos brasileiros já no 1º turno contra 23% de Bolsonaro (sem partido atualmente). Num 2º turno, subiria para 51% contra 35% para Bolsonaro. Os demais aspirantes ao principal cargo público do País não passam de 1 digito: Sérgio Moro (sem partido) 7%, Ciro Gomes (PDT) 6%, João Dória (PSDB) 3%, Luciano Huck (sem partido) 2%, Amoedo (Novo) 2% e 9% para brancos e nulos. Lula ao que indica está abocanhando parte do eleitorado de Bolsonaro e entra no núcleo duro dele que são os evangélicos, com forte derretimento no seu eleitorado. Lula também catalisa os votos de outras candidaturas infladas pela Globo e parte de uma dita oposição progressista como as que defendem Moro e Ciro Gomes. A aprovação ao governo Bolsonaro cai para 24% de bom/ótimo (era 30% no começo de abril) e sobe para 45% os que o consideram ruim/péssimo (era 44% há um mês). E 30% avaliam como regular (era 24%). Em termos de rejeições, Lula também tem grande vantagem sobre Bolsonaro: 54% não votariam no atual presidente de jeito nenhum. Nesse quesito Lula tem 36% de rejeição e os demais têm rejeição abaixo de 30%. Na minha opinião, 3 fatores importantes incidem na conjuntura e ajudam a produzir esses resultados: O primeiro é a #pandemia e o descontrole da proliferação das contaminações e mortes recordes, a falta de vacinas e o absurdo caminho de apostar na estratégia da “contaminação do rebanho” por parte de Bolsonaro e seu governo. As 435 mil mortes até o momento e o número de quase 3 mil mortes diárias nestas últimas semanas atingiram quase todos os brasileiros que tiveram um parente, conhecido ou amigo morto. A postura criminosa do presidente de abrir guerra contra o STF, governadores e prefeitos que apostam em medidas sanitárias coerentes com o que orienta os órgãos científicos e médicos sérios, a negligência em relação ao socorro emergência à população e a inépcia em relação à compra e produção de vacinas chegaram ao conhecimento da maioria da população. O funcionamento da #CPI no Senado e as revelações dos ex-ministros e auxiliares de Bolsonaro em relação à postura negacionista e à escolha de um caminho genocida (forçar a receita de cloroquina, “tratamento precoce” etc) do chefe colaboram com os esclarecimentos e aumentam as críticas. O sentimento de que muitas dessas mortes poderiam ser evitadas e que mais e mais gente vão morrer nos próximos meses cresce a cada dia. Um segundo fator é a queda acentuada da renda dos brasileiros. E não é só entre os setores mais pobres não. Também nas classes médias isso é sentido. E todos sabemos o quanto isso é corrosivo nas avaliações dos governantes. Segundo levantamento do #Dieese publicado no final de abril, mais de 30 milhões de brasileiros deixaram a classificação de classe C e caíram para as classes D e E. E a perspectiva é que em 2021 haja mais perdas de renda das classes médias para baixo. A fome já atinge 19 milhões de brasileiros e outros 106 milhões sofrem de insegurança alimentar. O setor de serviços vive um desastre e o desemprego só aumenta junto com a inflação, principalmente de itens básicos como combustíveis e alimentos . Por mais malabarismos que Paulo Guedes e sua equipe de fanáticos neoliberais tentem fazer para mostrar uma ilusória melhora nos números da economia, o povão sente na pele as dificuldades, ainda mais com um rebaixado #AuxílioEmergencial que não dá pra nada, que chegou atrasado e só por 4 meses. Creio que pegou mal também o Bolsonaro passeando de moto no estilo “vivendo a vida adoidado” com um empresário picareta na garupa e se exibindo num churrasco com picanha de 1.800 reais o quilo servida aos amigos, depois de ter seu salário e o do vice Mourão aumentados. Pela primeira vez Lula tem maior preferência do que Bolsonaro entre os evangélicos (35% a 34%), o que demostra perda de força do discurso negacionista e da influência dos pastores-empresários entre esse segmento. E o terceiro fator é Lula livre das acusações e condenações que a Lava Jato lhe impôs. A chancela do STF mostrou a imensa força popular, política e aglutinadora de Lula. E agora já vacinado contra a #Covid-19. A anulação das acusações e a devolução dos direitos políticos de Lula a mostrar que Moro armou uma grande mentira – e na política a mentira normalmente cobra um preço alto de quem a usa como expediente para tirar vantagens sobre os adversários – recolocaram com força o ex-presidente ao cenário político e as articulações que Lula passou a fazer, primeiro para ajudar o Brasil a comprar vacinas e para melhorar o Auxílio Emergencial a um mínimo de 600 reais

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A mulher de Chico

Por Carlos Monteiro Como o poema de Vinícius de Moraes, “Receita de Mulher” – aquele em que apregoa ser a ‘beleza fundamental’ em detrimento ‘às muito feias’ – e que me perdoe Vininha, mas isso foi um tanto quanto machista, repito mais uma vez: não existe o feio e bonito como forma física. Também não existe o lugar comum de “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Afinal o que é a beleza? Basta um sutil sorriso, um olhar encantador que se torna avassalador, uma palavra, muitas vezes uma única e relevante palavra doce e inteligente na hora certa – que fique claro; na hora certa, que não será jamais a ‘hora ‘H’’. A beleza é intrínseca, é sutil, muitas vezes exótica e quase sempre avassaladora. A beleza está nos olhos, no que captam os olhos. É o conjunto da obra, ímpar em singularidade, plural em consequência. É morena, cabelos avermelhados soltos ao vento, discretos olhos castanhos amendoados, quase esverdeados, encantos tamanhos, como são grandes pecados. Verdes ou azuis  de mar, violetas talvez, quase Elizabethanos. Loura, ruiva, grisalha, azuis, abóboras, negros… a beleza é, simplesmente, beleza, apenas isso, nada além do que nunca será uma ilusão. Sorriso que explode em alegria. Preta, branca, vermelha ou amarela, não importa, apenas um olhar para entender, para apaziguar o coração. E como é bela! Francisco Buarque de Hollanda nos dá uma ‘fórmula’ composta em verso e canto, sublime em sua personificação, assim como se fosse uma poção mágica, com ingredientes muito especiais, para ‘construção’ da mulher. Não uma receita, mas sutis detalhes que compõem essa obra-prima que nos deixam à flor da pele, será que será! São Ritas, Carolinas, Genis, Beatrizes, Anas, Joanas, Rosas, Iolandas, Marias e Marietas, Cecílias, Cristinas, Helenas, Teresas, Bárbaras, e como são bárbaras, Luízas, Angélicas e tantas outras das índias, do oriente, do ocidente, francesas, de Amsterdã, de Angola, havanesa, de aquém e além-mar amar, do Rio, São Paulo, acolá, cidade submersa, estranhas civilizações. São fortes, são frágeis, mas, acima de tudo, são lindas! Mulheres de Athenas. Lindas sirenas, morenas, que se perfumam, se banham com leite, se arrumam em suas melenas. Mulheres! Querem ver o astronauta descer na televisão. Moças decididas sempre a se supermodernizar. Roubam sentidos, violam ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes. Lindas, absolutamente lindas! Musas obtusas, musas do fado, mães gentis por todo ano, não só por um abril. Que nos deixam, no fundo, sentimentais e com uma boa dosagem de lirismo em rendas do Alentejo. Tanto mar amar com cheirinho de alecrim. Que fazem o coração fechar os olhos e sinceramente choram e redimem, são mais, muito mais, são poços de bondade de açúcar e afeto. Outro ingrediente fundamental da mulher de Chico é o seu amor e um jeito manso que é só delas. Somos testemunhas oculares do bem que elas nos fazem, ali, sempre embevecidos, enaltecendo os predicados e predicativos da perfeição sublime, dizem, saídas de nossas costelas. Ó bem-amadas costelas, ó bem-amados ventres que nos aquecem por nove longos meses, nos protegem e nos abrigam. Ó amados acalentos que nos ninam e embalam nossos sonos e sonhos, que alardeiam que ali está bem mais que uma simples criança, que nos ensinam a andar sem os pés no chão. Mulheres, que ao conhecer, sonhamos, fazemos tantos desvarios, rompemos com o mundo, queimamos nossos navios em travessuras de noites eternas, que damos nossos olhos para tomarem conta e, num profundo despertar, explodimos em alegria dum “eu te amo!” sem termos a mínima noção da hora, querendo, absolutamente, que o mundo pare naquele instante para que se torne a eternidade, pois, para sempre é sempre por um triz e quem dera ‘amarrar’ esse amor por quase um mês. De paletós que enlaçam vestidos, de seios que repousam suavemente sob nossas mãos. A beleza que dança no sétimo céu, estrelas, divinas, atrizes, como somos felizes de estar em suas vidas, ah, se pudéssemos entrar em suas vidas, em um canto, ali, guardadinho junto ao peito, mais para a esquerda, onde pulsa a sensibilidade. A formosura dos poetas mais delirantes, que não têm tamanho nas juras dos profetas embriagados, porque todos os sinos irão repicar tanta harmonia que há de aplacar pobres corações inebriados de amor. Menina, bonita na casa de espelhos, reflexo caetaneado de Narciso, encantadora beleza, espalhando rostos, na contraluz, quem és ó musa do meu cantar? Cantastes à meia-voz e à meia-luz, ano dourado, parece um bolero de Manzanero, sonhos extraviados de princesa argonauta, escafandrista, onde as quimeras serão reais, por ali reina a beleza com seus risos, seus ais, sua tez em quintais de noites infinitas, tão lindas de se admirar, que andam nuas pelo país. Elas, que escutam o que dizem as ondas do mar, ao som de uma canção, uma fantasia dedilhada ao violão, mar de rosas, as rosas gueixas, que coisas mais amorosas, que ouvem o que dizem as pedras do cais deixando juntar, de uma só vez, amores num porto, transbordando a baía com todas as forças navais e, às vezes, deixam mudos os violões. Que cantam e como cantam, muitas vezes se dizendo ’como é cruel cantar assim num instante de ilusão’, cantam tão lindo assim como uma sabiá a anunciar o dia. ‘Ils ont les tropiques dans leur sang et leur peau’, ‘la mer, la marée, le bateau ils sentent qui ensorcelent’. Queremos ficar em seus corpos feito tatuagem, que nos dá coragem, para seguir nossas viagens, quando a noite insiste em chegar caindo do páramo, poema à beira-mar. Ciganas que revelam nossa sorte e nos perpetuam eternos meninos vadios, porque da noite para o dia não crescemos sem nossas fantasias. Envoltos em seus cabelos e abraços, perdidos em seus braços, fracos, tolos, ausentes nas noites varadas no escuro a buscar, com marcas que ganhamos nas lutas contra um rei imaginário no país da utopia, contramão que atrapalha o tráfego. O Olhar, acalentar, sublimar mi’nha pequena, pois não vale a pena despertar atrás da aurora mais serena. Não se afobe, não que nada é

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Salve a UFRJ

Em defesa do orçamento da UFRJ APG UFRJ criou este abaixo-assinado para pressionar Ministério da educação e 1 outro NOTA DOS ESTUDANTES DA UFRJ EM DEFESA DO ORÇAMENTO DA UNIVERSIDADE E DA EDUCAÇÃO PÚBLICA Entidades representativas estudantis da graduação e da pós-graduação da UFRJ vêm a público condenar a decisão do MEC do governo Bolsonaro de corte no orçamento da nossa Universidade. Segundo artigo de autoria da reitora da UFRJ, Denise Pires, e do vice-reitor Frederico Leão, publicado no dia 06/05/21, o orçamento discricionário aprovado pela Lei Orçamentária para a UFRJ em 2021 é 38% daquele empenhado em 2012. Quando se soma ao bloqueio de 18,4% do orçamento aprovado, como anunciado pelo governo, o funcionamento da UFRJ ficará inviabilizado a partir de julho. Em meio a uma crise sanitária global, em que a ciência e as Universidades se mostram fundamentais para superação dos obstáculos impostos, mais uma vez o governo Bolsonaro demonstra claramente as figuras e instituições que escolhe atacar. Os vetos presidenciais à Lei Orçamentária Anual (LOA) e o bloqueio de créditos do orçamento em 2021 inviabilizam a educação pública, universal e de qualidade no país. O maior bloqueio de verbas ocorreu no Ministério da Educação, com R$ 2,7 bilhões (19,7% das despesas aprovadas). O orçamento das universidades vem sendo radicalmente reduzido há tempos, mas no governo Bolsonaro a situação se agrava de forma crítica e o ensino público é mais um alvo da política destrutiva e negacionista desse governo. Os inúmeros ataques que enfrenta a educação brasileira na conjuntura atual faz com que se evidencie um projeto político de desmonte da educação pública, gratuita e de qualidade. A lógica política que ataca a educação faz com que toda sociedade perca e que os efeitos mais nefastos da ação do governo de Bolsonaro sobre a educação superior brasileira acabe por aprofundar as desigualdades educacionais e sociais, ameaçando a democratização do ensino público e distanciando a juventude do seu direito inalienável à educação. Os direitos historicamente conquistados, através de muita luta dos movimentos sociais, correm um enorme risco de acabarem. Um país sem educação, pesquisa e investimentos básicos e fundantes para o seu desenvolvimento, tende a reproduzir um projeto estarrecedor de estagnação que o levará ao eterno subdesenvolvimento social, aprofundando desigualdades seculares e estratificando repulsantes violências. Diante do mais recente golpe do governo Bolsonaro à maior Universidade do Brasil e à educação como um todo, manifestamos nosso absoluto repúdio à mais uma tentativa de liquidar a Universidade pública em todo o seu potencial de produção de conhecimento e de pesquisa. Nós nos posicionamos contra o desmonte da educação, da democracia e da liberdade de ensino, pautas concretas que vêm sido colocadas em prática e ameaçam cada vez mais a construção de uma sociedade crítica, justa e igualitária no país. Assine o manifesto: https://www.change.org/p/minist%C3%A9rio-da-educa%C3%A7%C3%A3o-em-defesa-do-or%C3%A7amento-da-ufrj

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Assista ao Festival Estação Virtual de Cinema

Por Arthur Bandeira Para quem é de São Paulo e não participa do movimento cinematográfico, talvez nunca tenha ouvido falar de Cavi Borges, o maior fenômeno do cinema nacional no momento. Cavi, ex-judoca, não pode ir a uma olimpíada por ter se contundido e sem querer entrou para o cinema.  Abriu uma video locadora, a Cavideo. A Cavideo (que é nome da produtora de cinema também) se transformou numa referência de filmes cults no Rio de Janeiro, em Humaitá. Na sequência (pra usar um termo do cinema) com a participação do público seleto que frequentava a locadora, começou produzir e dirigir filmes. Hoje tem mais de 50 filmes entre curtas e longas metragens. Cavi também é importante no resgate de cineastas brasileiros, produziu o último filme de Sérgio Ricardo, e apoiou também Luiz Rosenberg, Neville de Almeida, Julio Calasso e Luis Carlos Lacerda, entre outros. Com 42 anos, Cavi teve covid-19, foi entubado e está em recuperação, mas como ele tem dificuldade em ficar parado, é um dos organizadores de uma grande mostra de cinema, que vai até 31 de maio – Festival Estação Virtual Deixo aqui o link de um curta metragem Amnestia e a partir deste link é possível assistir a muitos outros filmes da mostra.  Fique de olho. Arthur Bandeira é jornalista, cineasta e diretor da TV Assim de São Paulo https://vimeo.com/528033232?fbclid=IwAR3DraRBE0-Akg_gf_T2TBo83NPwnh4d3E0PEVBfAZf8L4phZ3fJ1UsanFo

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MARIGHELLA – OPORTUNO E INDISPENSÁVEL

Por Mário Botolotto Consegui assistir o já polêmico filme de Wagner Moura. Para o primeiro filme de um cineasta, é um trabalho bastante competente. Com algumas atuações bem bacanas como um surpreendente Bruno Gagliasso interpretando o Delegado Lúcio Flores (inspirado evidentemente no Delegado Fleury, um dos mais cruéis agentes de repressão da ditadura – interpretei esse mesmo personagem na série do Zé do Caixão) de maneira bastante convincente. Há outras interpretações que também merecem destaque como a de Humberto Carrão, Adanilo Reis e os amigos Charles Paraventi e Bella Câmero. A reconstituição de época e figurinos também estão impecáveis. Mas muito mais que um bom filme é acima de tudo um trabalho fundamental e eu diria quase que obrigatório nesse tempo sombrio que estamos vivendo onde estamos sendo governados por uma cruel, demagoga e perigosa extrema direita. Não é o caso de glorificar a luta armada (quem atualmente defende uso de armas é o atual governo) nem nada disso, mas sim o caso de reverenciar essa gente “que não foge a luta e nem teme a própria morte”. O filme é quase um thriller de ação e essa opção me pareceu proposital para que Wagner alcançasse a adesão de um público maior para o seu filme que precisa ser visto para que possamos entender que esse é um tempo que não podemos aceitar que volte. Não queremos nenhum de nossos amigos sendo mortos pq defendem ideias ou professores ensinando os nossos filhos que não houve golpe em 64. Houve golpe em 64. E houve golpe em 2016. É preciso que todos estejam conscientes disso por mais que os direitistas reaças esbravejem. Havia sim no Brasil uma população pensante que estava acuada, sem o direito de manifestarem o seu pensamento sob o risco de serem presos, cassados, torturados e exilados. Havia miséria, pobreza e desemprego que não eram divulgados para que se passasse a impressão de que morávamos em país que “a mão de Deus abençoou” como cantavam “Os Incríveis” em tom descaradamente ufanista naquele compacto que vinha encartado em embalagem do Sabão em pó “Omo” se não estou enganado. É um filme fundamental e que tem que ser visto, comentado e discutido. Se há algo que realmente não gostei do filme foram algumas cenas com intepretação extremamente forçada que a meu ver devem ter sido dirigidas ou pelo menos preparadas por um dos piores flagelos do nosso cinema que é esse negócio que inventaram e batizaram de “preparação de atores” e que tem como figura máxima a Sra. Fátima Toledo. Por exemplo, que merda é aquela cena com o Carlinhos (o filho de Marighella) se arranhando meio que tentando arrancar a própria pele (sei lá que porra que pediram pra ele fazer)? Não se justifica um ator excelente como Wagner Moura (que mostrou ser também um ótimo diretor de cenas) precisar de alguém para dirigir seus atores e extrair deles o que precisava. * A estreia depois de sucessivos adiamentos (acredito que por uma total tentativa de boicote ao filme) está novamente prometida para o dia 14 de Maio. Nota da redação: o filme Marighella entrará em cartaz apenas em novembro. De fato, os produtores avaliaram a antecipação da entrada em circuito comercial, mas voltaram atrás.   Mário Botolotto é ator, diretor, dramaturgo, escritor e compositor brasileiro  

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Minerva pede socorro

UFRJ pode paralisar atividades por falta de recursos Por Sonia Castro Lopes   Trevas. Ignorância. Obscurantismo. É como se define o conjunto de medidas do governo federal em relação à educação no país. Todos ficamos perplexos,  especialmente alunos e professores com a notícia de que a maior universidade federal do país – a UFRJ – antiga Universidade do Brasil,  poderá interromper suas atividades até o mês de julho por falta de recursos. A mais antiga das universidades federais traz como símbolo a figura de Minerva, deusa romana da sabedoria, da ciência e das artes. Tempos difíceis estes em que a educação, a ciência e, sobretudo, as universidades sofrem com tamanho descaso. É fato que as universidades de todo o país enfrentam severo contingenciamento orçamentário, já que as verbas disponibilizadas para o ano letivo de 2004 se mantêm ainda hoje, com a ‘sutil’ diferença que atualmente temos quase o triplo do número de alunos que havia há dezessete anos. E não apenas a UFRJ está fadada a fechar as portas em julho, mas também é dramática a situação da  Federal de São Paulo (UNIFESP), a de Goiás (UFG), a da Bahia (UFBA) e a de Brasília (UnB). Anunciou-se ano passado um corte no orçamento das federais para 2021 que traduzido em cifras alcançou R$ 1 bilhão, quantia destinada ao pagamento de gastos discricionários, ou seja, referente às despesas de limpeza, água, luz, segurança, alimentação e alojamento de alunos, bolsas auxílio para que os estudantes mais pobres possam se manter, obras e manutenção das unidades.  Essas verbas discricionárias ou não obrigatórias são as suscetíveis de sofrer cortes governamentais. Para se ter uma idéia da defasagem dos recursos, o orçamento discricionário da UFRJ aprovado para 2021 gira em torno de 38% daquele empenhado há nove anos, em 2012. Segundo o apurado pela assessoria da UFRJ, a instituição perdeu R$340 milhões de seu orçamento nos últimos dez anos. E a interrupção das atividades não implica apenas a perda de aulas para os alunos, mas significa o fechamento do Hospital Universitário, bibliotecas, museus e laboratórios. Sim, as pesquisas de  vacinas nacionais para a #Covid-19 serão interrompidas, com consequências desastrosas para toda a população. De acordo com a assessoria da UFRJ, dos R$ 299 milhões reservados para 2021, R$ 152,2 milhões ainda dependem de suplementação no Congresso Nacional. E, desse valor, R$ 41,1 milhões foram bloqueados pelo governo federal. O total de investimentos da universidade para 2021, portanto, seria de R$ 258 milhões, valor equivalente ao orçamento de 2008. Porém, naquela altura a UFRJ tinha 34 mil alunos de graduação e atualmente conta com mais de 57 mil. Segundo informações do vice-reitor Carlos Frederico Rocha o gasto mensal da UFRJ é de cerca de R$ 31 milhões. Sabemos que com a eleição de Jair Bolsonaro, a educação superior foi alvo preferencial de contingenciamentos.  Todos os ministros que estiveram à frente da pasta (Ricardo Vélez, Abraham Weintraub, Carlos Decotelli, que teve a nomeação cancelada, e o atual Milton Ribeiro) são alinhados ao pensamento bolsonarista e aos cortes promovidos pelo governo federal. Em 2019, no primeiro ano do governo, várias universidades federais tiveram suas verbas congeladas, sem aviso, sob alegação de que promoviam ‘balbúrdias.’ Nesta quarta feira (12), ao participar da inauguração de obras na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no Rio Grande do Sul, o ministro da educação, ouviu cobranças por parte da reitoria e de alunos a respeito dos cortes de verbas em instituições de ensino superior no país. Em seu discurso afirmou que a determinação de cortes partiu do presidente da República sob alegação de que a prioridade é o auxílio emergencial. Vejam o que ele disse: “Neste tempo em que o governo federal é obrigado a selecionar se constrói um prédio a mais na educação ou se coloca um pouco mais de comida no prato de brasileiros que estão morrendo de fome, é muito difícil. E foi isso que o presidente Bolsonaro me disse: ‘Milton, vou ter que cortar, porque eu faço isso ou não coloco comida no prato de um brasileiro que está faminto.’ ” Ao sair do recinto, policiais tiveram que fazer um cordão de isolamento para que o ministro não apanhasse dos estudantes. Seria uma surra providencial nesse ministro de araque, cenográfico, que envergonha um país que já teve à frente de postos-chave da educação nomes como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, personalidades para quem a educação era realmente prioridade. Atenção Congresso Nacional! A UFRJ como outras universidades federais está em vias de fechar suas portas por perder recursos e investimentos. Não deixem que isso aconteça, pois está provado que, ao contrário do que afirmam os ignorantes que ora governam este país, balbúrdia gera conhecimento. ********************************************************************************************* Diante do mais recente golpe do governo Bolsonaro à maior Universidade do Brasil e à educação como um todo, manifestamos nosso absoluto repúdio à mais uma tentativa de liquidar a Universidade pública em todo o seu potencial de produção de conhecimento e de pesquisa. Nós nos posicionamos contra o desmonte da educação, da democracia e da liberdade de ensino, pautas concretas que vêm sido colocadas em prática e ameaçam cada vez mais a construção de uma sociedade crítica, justa e igualitária no país. Assine o manifesto. Selecione e clique https://www.change.org/p/minist%C3%A9rio-da-educa%C3%A7%C3%A3o-em-defesa-do-or%C3%A7amento-da-ufrj

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