Construir Resistência

3 de maio de 2021

Uma tribo feroz

Por Helvidio Mattos   No mês de outubro de 2015 eu, jornalista, fui cobrir em para Palmas, capital do Tocantins, a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. Vinte e cinco países dos quatro cantos do mundo se fizeram representar no evento que tinha no cardápio pouco mais de 10 modalidades esportivas. Uma das que mais me impressionaram foi o cabo de guerra quando da disputa entre os temíveis Maiori, da Nova Zelândia, e os bravos Xavante, do Mato Grosso. Naqueles nove dias aprendi muito sobre pinturas corporais, sentimentos de derrota e vitória, e especialmente sobre a necessidade de união dos povos. Para meu espanto aprendi também que o Brasil de 2015 contava com 305 etnias indígenas falantes de 274 línguas diferentes. Nos últimos dias de outubro uma notícia vinda de Brasília caiu feito bomba entre os indígenas nativos da terra brasileira. Uma comissão especial da Câmara dos Deputados acabara de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição 215, que tira do Executivo e passa para o Congresso a decisão final de demarcar terras indígenas, a titulação de territórios quilombolas e a criação de unidades de conservação ambiental. Um prato cheio para a bancada BBB [boi, bíblia e bala]. No palco principal dos Jogos e também em outros cenários, jovens indígenas mulheres e homens interromperam as atividades esportivas carregando cartazes com inscrições contra a PEC 215. Procurei algumas lideranças para colher depoimentos sobre a situação. Paulo Pankararu afirmou que a vitória da bancada BBB significou não só uma derrota pontual para os povos nativos, mas a necessidade de os indígenas continuarem na luta pela terra e pela sobrevivência, batalha que eles enfrentam desde o ano de 1.500. Viver sob ameaça é o destino que o poder do homem branco reservou para eles. Sempre foi assim, mas uma tribo se destaca nesta história de resistência. Li na Revista Brasildrummond, que os Goitacá eram os mais temidos indígenas do tempo do Brasil colônia. Eram altos e fortes e conservavam seus cabelos longos para que eles parecessem ainda maiores aos olhos dos inimigos. Os ‘Waitaká’ (na língua Tupi) que habitavam a região fronteiriça dos hoje estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo viviam no litoral em terras de muitos lagos e construíam suas moradas em palafitas. Eram exímios corredores e nadadores a ponto de serem qualificados como seres anfíbios pelos colonizadores. Estes indígenas de aparência e comportamento selvagens protegiam seu território à maneira deles. Jamais estabeleceram contato direto com os portugueses. Arredios e agressivos, os Goitacá eram também canibais e se alimentavam da carne dos inimigos abatidos por eles. Relatos do Frei Vicente de Salvador revelaram o ritual de passagem de um jovem goitacá para a fase adulta. Ele tinha que mergulhar no mar em busca de um tubarão e deveria retornar trazendo as entranhas e os dentes do bicho (estes serviriam para fazer colares numa demonstração de masculinidade). Definidos por historiadores como a tribo mais selvagem que já existiu por aqui os Goitacá tinham na ferocidade seu principal atributo. Atacavam tropas e instalações portuguesas sem o menor temor e metiam tanto medo em outras tribos que estas, aliadas aos colonizadores, se recusavam a participar dos combates. Chegaram a estabelecer comércio com os portugueses pelo sistema de trocas. Deixavam à uma distância segura em um lugar mais elevado e limpo, mel, cera, pescados, caças e frutos e lá de longe observavam os inimigos fazer a troca com enxadas, aguardente e miçangas. Este tipo de comércio resultou naquela que pode ser considerada a primeira guerra biológica da história da humanidade. No lugar dos produtos costumeiros, os portugueses, vítimas de uma epidemia de varíola, deixaram as roupas dos mortos pela doença. Ao recolherem, os indígenas foram contaminados provocando o extermínio de 12 mil goitacás e a extinção da etnia. Para combater a ignorância de quem pede intervenção militar com o ser abjeto que habita a casa de vidro no poder, nada melhor que o povo brasileiro ser contagiado pelo espírito guerreiro dos Goitacá. Sejamos nós uma tribo feroz.     Helvidio Mattos é jornalista nascido em São Paulo, capital. Cobriu 7 Copas do Mundo, 5 Copas Africanas e 6 Jogos Olímpicos, além de centenas de jogos do Interior. Diz que era e ainda é REPÓRTER. “Andei pelos becos da favela e pelo tapete vermelho dos palácios com a mesma dignidade e respeito. Sempre soube onde pisar. Em minhas andanças por aqui e por lá sempre me indignei diante da injustiça. Hoje, já aposentado na profissão, sigo sendo REPÓRTER. Da vida!”

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As manifestações suicidas de apoio ao genocídio

Por Simão Zygband As manifestações da extrema direita em apoio ao presidente genocida mostram que esta parcela de brasileiros, que opta pela aglomeração nas ruas no momento mais grave da pandemia da Covid-19 vestindo ainda a camisa da seleção brasileira (usurpada pela súcia), tem uma tendência suicida, lembrando um episódio que marcou a história da humanidade: o suicídio/assassinato em massa praticado pelo reverendo Jim Jones, em novembro de 1978, em Jonestown, na Guiana, onde morreram 909 pessoas, das quais 304 crianças. Os suicidas de Jonestown, tal qual os seguidores do capitão reformado, acreditavam cegamente nos delírios de Jim Jones, que os induziu a consumir um refresco em pó tratado com uma mistura de cianeto de potássio e calmantes, disposto em baldes industriais. Bolsonaro não é apenas um genocida, mas como Jim Jones, incentiva seus seguidores ao suicídio. Corre nas redes sociais que muitos dos participantes das manifestações fascistas ocorridas neste domingo pelo país foram cooptados com o pagamento de R$ 150. Desde o princípio da pandemia, o capitão reformado prega contra o isolamento e o distanciamento social, faz atividades sem o uso de máscaras e, possivelmente, não utiliza álcool gel, além de dificultar a compra de vacinas. O resultado não poderia ser diferente, diante da orquestração do genocídio: mais de 3 mil óbitos diários, mais de 400 mil mortos deste o início da pandemia, falta crônica de vacinas e de insumos para cuidar dos doentes nos superlotados hospitais de todo o país, impossibilidade de tomar a segunda dose da CononaVac, como já ocorre em várias capitais, a negação de importação do imunizante russo Sputnik V, entre tantas outras ações negacionistas. Mais morre gente do que nasce O médico e cientista Miguel Nicolelis relata que abril foi o primeiro mês na história do Brasil que o número de mortos pela Covid e outras patologias superou o número de nascimentos. “A situação nesse momento no Brasil é crítica, catastrófica e a gente não vê nenhuma luz no fim do túnel, por que as autoridades federais se recusam a fazer o que o resto do mundo fez em momentos menos críticos do que o brasileiro”, alerta ele. Para Nicolelis, muito provavelmente no final de maio, este número deverá se aproximar dos 500 mil mortos e o país está ficando sem medicamentos, sem vacinas e sitiado por um vírus letal. “Não saiu na mídia brasileira mas, analisando os dados, as UTIs neonatais estavam ficando cheias, acima de 90% de ocupação, por causa dos partos prematuros”. E continuou: “o que ninguém fala é que as UTIs obstétricas estavam ficando lotadas de mães com episódios trombóticos ou outras complicações decorrentes da Covid  e tiveram que não apenas dar a luz a prematuros, como também verem seus filhos irem direto para a UTI neonatal, mas elas mesmas tiveram que ir para a UTI. Então, nós temos casos inéditos no mundo onde pais perderam não somente suas esposas como seus filhos recém-nascidos ao mesmo tempo. O Brasil está demonstrando, por ter o recorde de mortes de gestantes e de recém-nascidos e de crianças abaixo de 5 anos – 10 vezes mais que os Estados Unidos no ano de 2020 e 20 vezes mais que o Reino Unido, que esta doença, este vírus, tem a capacidade de afetar todos nós, inclusive os recém-nascidos”. Incentivo ao suicídio Assim com o Jair Bolsonaro, o reverendo Ji m Jones convenceu seus seguidores a tomar veneno (muito similar a incentivar a aglomeração em plena pandemia) pois estavam pressionados pelo governo dos EUA, que os proibiu de se estabelecerem em solo norte-americano, os fazendo fugir para as Guianas, onde então fundaram a delirante Jonestowm. Mas também foram pressionados em solo guianense, e após assassinarem emissários do Congresso norte-americano, decidiram pelo suicídio coletivo. Em 1978, o congressista dos Estados Unidos Leo Ryan decidiu ir a Jonestown para investigar acusações de abusos de direitos humanos. Junto com uma delegação, negociou sua entrada em Jonestown. Quando se retirava, Ryan e sua comitiva de 11 pessoas foram emboscados é assassinados pelos seguranças de Jim Jones. A única solução decidiu Jones era o suicídio. “Não tenha medo de morrer”, ele dizia em uma gravação. “Nós não estamos cometendo suicídio; estavam cometendo um ato de suicídio revolucionário em protesto às condições inumanas do mundo.” As crianças foram as primeiras a beber o refresco em pó da marca Flavor Aid, sabor uva. Levava cerca de 5 minutos para um adulto tombar, dando tempo para serem posicionados de bruços em volta do terreno. Quem tentou fugir foi morto. Apenas 35 sobreviveram, se escondendo até os guardas tomarem o refresco eles próprios. Jones não bebeu. Seu corpo foi achado em uma cadeira de praia, morto com um tiro na cabeça, dado por ele mesmo.

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Demência Devastadora

Por Simão Pedro Revista aponta 721 atos de Ricardo Salles contra o meio ambiente Em 2017 eu fui convidado pelo amigo Fausto Camunha para debater com o então secretário estadual LInk de Meio Ambiente do governo tucano Alckmin, Ricardo Salles, hoje ministro da destruição do meio ambiente do governo Bolsonaro, no seu programa Gente que Fala, na Rádio Trianon. Sim, aquele que disse em reunião ministerial que o governo tinha que incentivar o assunto da #pandemia para “passar a boiada tranquilamente na desregulamentação ambiental”. Eram dois os assuntos: as acusações e condenação em 1ª instancia por crime ambiental cometido pelo então secretário que alterou o Plano de Manejo da Área da Várzea do Tietê com o objetivo de facilitar o trabalho de empresas privadas mineradoras e de extração de areia. Ele fez isso de uma canetada só, sem consultar os órgãos de controle e de consulta com o o Conselho da APA. Como sou da Zona Leste e sempre atuei para preservar as várzeas do Tietê e a população do entorno, fui ao programa. O outro assunto era sobre as manifestações em apoio ao golpe contra Dilma Roussef e o secretário era um dos líderes do movimento “Endireita Brasil”, que reunia setores das classes médias na região da Av. Paulista. O cara foi ao programa com a camiseta do movimento. Concordo com o jornalista Mino Carta em seu editorial da revista #CartaCapital desta semana que traz importante reportagem sobre as ações do ministro: difícil catalogar Ricardo Salles. Seria ele um coxinha – termo já meio fora de moda devido ao sumiço de um certo grupo de pessoas que militavam ou se posicionavam com enorme petulância a alimentar o antipetismo – ou um genocida ambiental fanático por transformar a Amazônia em um deserto? Fisicamente e da maneira que se veste, se encaixa no figurino mais próximo hoje de João Dória, mas pelas suas ações desde o governo Alckmin se encaixa também no de um fanático a defender desmatadores, mineradores, grileiros, exploradores de madeiras e pecuaristas e toda uma gama de pseudo-empresários que agem ilegalmente a destruir a Amazônia brasileira. Foram essas as impressões que tive do advogado que também carregava sempre um riso irônico e meio sarcástico quando lhe apontava as irregularidades e ilegalidades pela qual militava. Comportamento irônico e preconceituoso como o que teve quando, no dia 19/04 último, Dia dos Indígenas. Ele ironizou os povos indígenas ao publicar em sua página no #Instagram uma foto de lideranças do Baixo-Tapajós que usavam celular no protesto que fizeram em Brasília contra o PL da Mineração (191/2020) e escrever “Tribo do iPhone”, reforçando preconceitos ao destacar o uso de novas tecnologias pelos indígenas. Segundo a reportagem assinada por Ana Flávia Gussen, nos últimos 12 meses – desde a fatídica reunião ministerial do “vamos passar a boiada” – que todos tivemos acesso – Salles já passou a boiada. “Foram 721 canetadas. No conjunto entram 76 reformas institucionais, 36 medidas de desestatização, 36 revisões de regras, 34 de flexibilizações, 22 de desregulação e 20 revogaços.” Segundo Ana Flávia, “o desmonte da fiscalização, do orçamento e das normas na área ambiental teve como consequência um aumento de 216% no desmatamento que atingiu a marca recorde de 810 km quadrados, o avanço do garimpo sobre as terras indígenas e 12% de aumento dos focos de incêndio.” O levantamento publicado por Carta Capital foi realizado pela Associação Nacional dos Servidores de Carreira do Ministério do Meio Ambiente e tem como título “Dossiê: uma Tragédia Anunciada”. Ele será entregue nesta semana para os presidentes do STF, Senado e Câmara dos Deputados e para a Embaixada dos EUA como uma forma de expor à sociedade brasileira e ao Mundo os crimes ambientais do governo BolsoNero. A reportagem e o documento que ela traz a público certamente irão jogar água no moinho das denúncias contra o ministro e para reforçar a necessidade de uma CPI na Câmara dos Deputados. Na semana passada a Comissão de Legislação Participativa ouviu o delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva que comandava a superintendência no Amazonas e foi exonerado após apresentar queixa-crime contra Salles por interferir a favor de madeireiros ilegais na maior apreensão de madeira (43 mil toras) já feita naquela região. O que levou a ministra Carmem Lúcia a pedir apuração ao Ministério Público Federal em ação protocolada pelo PDT no STF. O ministro não se fez de rogado: foi até o local onde está a madeira e fez uma foto, que correu o mundo, para dizer que ele próprio foi conferir que estava tudo certo com a carga. As perguntas que pairam no ar: quem está por trás de Salles? ele age só para beneficiar “empresários” locais ou também, como Sérgio Moro, defende interesses do Capital norte-americano? O tema da destruição do meio ambiente levado a cabo pelo governo Bolsonaro veio se parear ao noticiário do genocídio da Pandemia do covid-19 provocado pelo governo e que já matou mais de 400 mil brasileiros depois que o governo Biden dos EUA convocou uma cúpula de líderes mundiais para debater medidas de controle ao desastre climático que ameaça a vida em nosso planeta. As atenções se voltaram para o Brasil e o discurso que BolsoNero iria fazer. Nosso presidente, com a maior cara-de-pau, tentou se passar por um militante ambientalista enumerando ações governamentais para conter o desmatamento e a poluição, mas recorrendo a medidas e números positivos obtidos pelos governos Lula e Dilma. Voltou a se comprometer a acabar com o desmatamento ilegal da Amazônia até 2030 (meta apresentada pela presidente Dilma na Cúpula de Paris em 2014), mas, agindo como um chantagista, exigindo um aporte de 1 bilhão de dólares para o governo brasileiro. Parece que essa era o único objetivo de Bolsonaro e Salles, pegar essa grana. As boas intenções não duraram muito tempo: no dia seguinte ao seu pronunciamento, Bolsonaro cortou mais de R$ 200 milhões destinados ao Ministério do Meio Ambiente. Enquanto isso, a #FolhadeSãoPaulo traz reportagem de capa hoje sobre o Acordo União Europeia-Mercosul que está parado e

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Na energia vital rumamos o desconhecido

Por Beatriz Herkenhoff Da noite para o dia perdemos a força motriz da nossa nação, perdemos a alegria que nos move e possibilita as celebrações coletivas da vida. Já não podemos ir para os estádios torcer e vibrar pelo nosso time, nem jogar futebol na quadra do nosso bairro. A energia do carnaval, do desfile das escolas de samba, das festas populares, das manifestações culturais e religiosas ficou guardada para quando for decretado o fim da pandemia. Os forrós, as festas sertanejas, os shows com músicas funk, rock, jazz, MPB, entre outros, que tanto iluminavam nossos fins de semana não se fazem mais presentes. A possibilidade de conhecer alguém num bar, num pub ou mesmo na praia, já não existe mais. A plenitude afetiva, amorosa e sexual entraram em compasso de espera. Os encontros nas igrejas e celebrações religiosas também foram adiados. As viagens estão congeladas. As festas familiares, as comemorações de aniversários, casamentos, bodas, batizados e formaturas não acontecem mais. Os idosos, para serem protegidos, estão vivendo uma solidão que rasga a alma. As crianças foram impedidas de fazer o que mais gostam: que é socializar, partilhar sua intensidade, seu amor e espontaneidade, brincar com outras crianças nos parques, nas praças, nas areias das praias e nas escolas. Os trabalhadores autônomos estão impossibilitados de realizar suas vendas, muitos estão perdendo seus empregos, pequenos comerciantes indo à falência. A pobreza e a fome crescem assustadoramente. As manifestações de rua, de resistência, de denúncia e de mudança também não podem ocorrer. Somos invadidos por fakenews nas redes sociais e nossa impotência fica exposta. O luto se faz presente com perdas e mortes de pessoas queridas e também de desconhecidos. Diante disso tudo, a energia fica represada e, muitas vezes, anulada. Resta um vazio afetivo, cultural, espiritual, amoroso e sexual. Um vazio de trabalho, de realizações, de encontros, de celebração da vida. E nos perguntamos: O que podemos fazer? Como podemos contribuir para o enfrentamento desses desafios? Estamos vivendo um momento único, diante de tanto sofrimento, muitas são as possibilidades. Temos que construir estratégias de resistência em todas as dimensões: sociais, ecológicas, politicas, espirituais, psíquicas, afetivas, culturais, econômicas, de sobrevivência e de solidariedade. Buscarmos formas de nos agrupar (on line), de fortalecer as relações familiares e com amigos. Mesmo que à distância, estarmos atentos para aqueles que precisam de um apoio financeiro, psíquico e emocional. Sermos criativos nos estímulos que oferecemos às crianças. Resgatarmos permanentemente a criança que existe em nós, nossa capacidade de amar, rir e gargalhar. Não deixar que a tristeza do mundo faça morada em nós. Construirmos organizações coletivas em que ninguém solta a mão de ninguém. Diante de tantas alternativas e caminhos necessários, optei nesse momento por refletir sobre o cuidado psíquico e emocional. Como encontrar o equilíbrio interior, como renovar a confiança e a esperança num momento em que tudo desmorona? Como não enlouquecer, deprimir, desistir, desanimar num momento em que estou só e tenho dificuldade de ver a luz no fim do túnel? Como aproveitar esse momento de dor para nos transformarmos em pessoas melhores, mais sensíveis, amorosas, generosas e solidárias? Como resgatar nossa energia de luta e resistência? Como cuidar e ser cuidado numa ciranda que nos fortalece? Quero suscitar questões para que cada um encontre o seu caminho e formas de superação. Mas, é importante partilharmos as estratégias que estamos construindo, para buscarmos alternativas coletivas, nesse tempo em que nossas forças enfraquecem e em que precisamos resgatar a confiança e a esperança. Reflexão que nos move…   Nota da autora: Continua…   Beatriz Herkenhoff é doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo.

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MORO NUM PAÍS TROPICAL, ABENÇOADO POR DEUS (…) E FODIDO PELA DIREITA…

Por Luis Otavio Barreto Muita gente talvez não entenda a gravidade de uma ação como essa; os discursos deste ato são tantos e de tantas ordens que, sinceramente, é de apavorar que o STF não tenha feito absolutamente nada de contundente. Pretendo não me alongar, mas peço paciência, pois vamos observar questões bastante preocupantes, a saber; a objetificação da mulher, a incoerência dos bastiões da moralidade e a reputação brasileira, em pequeno resumo. Essa moça, na infelicidade da própria existência, não poderia ter escolhido pior forma de se manifestar; 1º porque é uma forma medíocre, incoerente com aquilo pelo que manifesta; 2º porque é uma manifestação burra, uma vez que fere os ideais de um governo que é pautado nos preceitos de pátria, família e propriedade, sem falar na fortíssima confissão religiosa, quase teocrática (tá, pero no mucho). 3º porque é uma terrível forma de se colocar e se exprimir dentro do conceito em questão; o político. Há que se registrar que num país conhecido por sua vocação machista, essa criatura que vai para cima do carro, seminua, pintada, ‘protestar’ contra o STF, coloca em o trabalho sério de muitas outras mulheres em situação mais prejudicada que já é, pela maldita cultura machista. E por mais castrador que possa parecer esse meu pensamento, não é! Porque é o tipo de coisa, de atitude, que não cabe num contexto como aquele! Não se trata do biquini, mas se trata do discurso. Ela se objetificou e o fez com todas as mulheres, a mensagem do discurso é que para que sejam ouvidas, as mulheres precisam arrancar as roupas e subirem num banco para que sejam vistas. PORRA! PUTA QUE PARIU, BIXO! Essa pobre diaba não desqualifica, mas atrasa o avanço do trabalho de uma quantidade imensa de mulheres, numa luta que é desigual, percebe?! A coisa ainda piora quando há um grupo de homens de meia idade, com celulares em posição, fotografando o triste e equivocado episódio. Aquilo vai virar conteúdo de grupos cuja a podridão é muitíssimo maior que toda a lama do fundo do Tietê. Sem contar que se tornará objeto das masturbações física e mental, e não duvidem disso. O governo bolsonarista assumiu, desde a campanha, um discurso de tom confessional; religioso, em que valoriza os ideais da pátria, da família, da propriedade e da figura de um deus, aliás, a mesma figura adotada pelos pastores neopentecostais, um deus do velho testamento. E isso foi estratégico, para que levasse – e levou – os milhares de votos dos rebanhos de homens como Macedo, Malafaia, Soares e Santiago. UM HORROR! Sem contar com os católicos mais fundamentalistas, os protestantes e uma parte do segmento espírita, com o aceno cordial de nomes como Divaldo Franco. É preciso dizer que não há um combate a essas doutrinas, cada um segue de acordo com a conveniência, mas, em hipótese alguma, haveremos de nos esquecer das incongruências entre o tom adotado pelo presidente e as mensagens do evangelho, que estas seguem, ou dizem seguir, ou, pelo menos, do evangelho genuíno, baseado na vida do Cristo. Não há e nem pode haver concordância entre os ideais cristãos e a fala tenebrosa de Jair Bolsonaro e, mais do que isso, o comportamento que ele pratica e incentiva. Deixando de lado, ainda, os preceitos cristãos, não pode haver consonância do comportamento bolsonarista com as ideias de civilidade e progresso do homem moderno. Simplesmente porque a prática da filosofia bolsonarista é, tão somente, um atestado de completa e deslavada ignorância; ou por outra, de culto, de louvor a ignorância ululante, isto é, do orgulho da bestialidade própria. Sendo, portanto, um comportamento incoerente, se levarmos em consideração o pensamento de uma humanidade progressista. A incoerência dos bolsonaristas é tão monumental, que absurdos como este, desta moça, ou dos muitos matrimônios do presidente, ou de seu discurso belicoso, ou do sempre raivoso Malafaia, ou do padre atirador, ou, ainda, da Damares Alves ou da Igreja Batista Atitude, da bancada evangélica, olha, é tudo tão surreal que é preciso que os que somos contra, nos ocupemos de deixar isto claro, porque o medo de passar por alguém daquelas ideias, é aterrador. Ser confundido com um bolsonarista é de causar arrepios, porque se tornou um sinônimo de caráter, e caráter ruim, dúbio. De volta ao mapa da fome, 400 mil mortos pela doença, descaso do governo com a pandemia, o desprezo pela ciência, o despeito com a vacina, as mentiras, as falcatruas, as laranjas, as rachadas, os ataques dos filhos, sobretudo, do piroquetinha, a lava jato, olha, não é de se estranhar que o Brasil tenha se tornado pária e que estejamos proibidos de pisar no estrangeiro… E segue o baile.   Luis Otávio Barreto é musico pianista e professor de Língua Portuguesa.

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