Construir Resistência

30 de abril de 2021

Teremos o maio mais triste de nossas vidas, prevê pesquisadora da Fiocruz

Por Ana Lucia Azevedo, do Jornal Extra Foto: divulgação Fiocruz Pioneira no combate à Covid-19, a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo ficará feliz de estar errada, mas está convencida de que a partir de amanhã viveremos o mais triste mês de maio de nossas vidas. Segundo ela, os indicadores atuais da pandemia mostram que o número de mortes em decorrência da infecção pelo novo coronavírus continuará alto nos próximos dois meses. As variantes são outra preocupação, principalmente as indiana e sul-africana. Por que este será o maio mais triste de nossas vidas? Não queria ter que dizer isso e será uma alegria estar errada, mas este será o maio mais triste de nossas vidas porque o número de mortos continuará a subir. Todos os indicadores sinalizam que a matança continuará em maio e junho. Pense que em quatro meses de 2021 morreram mais pessoas por Covid do que em todo 2020. Como chegamos a 400 mil mortos por Covid-19? São 400 mil retratos do que não fizemos. Retratos da falta de vacinação e do baixíssimo distanciamento social. Muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com vacinação e com medidas não farmacológicas, isto é, distanciamento social, uso de máscaras e testagem em massa. O governo nunca distribuiu máscaras, ao contrário, seu uso foi desestimulado. Houve e há um discurso antagônico. Houve contestação da ciência. O governo não usou os meios de comunicação de massa para informar corretamente a população, e ainda faltou aos médicos uma retórica homogênea e com consistência. Qual é o impacto das variantes do coronavírus? As variantes são resultado da alta circulação do vírus e alimentam um círculo vicioso, com mais transmissão. Devemos rezar para que não espalhem por aqui as variantes indiana e sul-africana, contra as quais as vacinas da AstraZeneca e a NovaVax (sem previsão de uso no Brasil) não tiveram boa resposta. Precisamos acelerar muito o ritmo da vacinação. Título original – ‘Devemos rezar para que não se espalhem por aqui as variantes indiana e sul-africana’, diz pesquisadora da Fiocruz link da matéria https://m.extra.globo.com/noticias/coronavirus/devemos-rezar-para-que-nao-se-espalhem-por-aqui-as-variantes-indiana-sul-africana-diz-pesquisadora-da-fiocruz-24995771.html?utm_source=WhatsApp&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

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Sobre a vacina Sputnik

Eduardo Costa, epidemiologista e professor da Fiocruz em entrevista à Hora do Povo, alerta para as manipulações que ocorrem na ANVISA e lembra que “há uma luta explícita que se trava normalmente entre nosso país de um lado e todos aqueles que querem impor ao Brasil uma dependência total ao imperialismo americano”, razão pela qual a ANVISA se mostra contrária  à importação da vacina russa Sputnik V. Construir Resistência recomenda a leitura do artigo publicado na Hora do Povo nesta última quarta feira (28). Para ler o texto integral basta acessar o link abaixo: https://horadopovo.com.br/dizer-que-o-vetor-viral-pode-se-replicar-e-bobagem-diz-eduardo-costa-sobre-sputnik/

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Escolhas político-afetivas

Por Sonia Castro Lopes   “Foi o chefe mais amado da nação/a nós ele entregou seu coração/que não largaremos mais…” Esses versos fazem parte da canção Doutor Getúlio, de Chico Buarque e Edu Lobo, feita sob encomenda para o musical ‘Vargas’ que estreou em 1983 no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro. Através da música, os autores conseguem retratar um pouco do que foi o governo Vargas no imaginário popular, quando o presidente, ao interromper dramaticamente seu mandato, transformou-se num personagem lendário. Não me lembro dessa tragédia que abalou o Brasil, mas tenho a respeito do episódio memórias de segunda mão narradas por um pai getulista e por um avô udenista. Guerra de narrativas na veia, para usar uma expressão da moda. Papai era filho de um velho funcionário do ministério da justiça, admirador de Getúlio. Com poucos estudos, começou a trabalhar muito cedo no DASP onde fez carreira como desenhista de projetos. Iniciou sua trajetória na equipe de Jorge Machado Moreira (1904-1992), arquiteto-chefe que elaborou o plano urbanístico e arquitetônico do campus da Universidade do Brasil, atual UFRJ e permaneceu no Escritório Técnico da Universidade (ETU) até se aposentar. Getulista convicto esteve presente às comemorações de posse do presidente em 1951 quando, no meio da multidão, encontrou um cordãozinho de ouro que guardou para presentear o primeiro filho que nascesse. O fato de ter sido ungida com o aquele patuá talvez explique minha simpatia e condescendência pelo ditador que voltou nos “braços do povo” e saiu da vida para entrar na história.  Homem de poucas falas e poucas leituras, não se envolvia em política, mas seguia o líder. Petebista desde sempre, votava nos ‘candidatos autênticos’ do MDB e, discretamente, apoiava Brizola. Outra referência masculina forte, meu avô materno, era udenista fanático. Incensava o ‘corvo’, apelido dado a Carlos Lacerda, deputado carioca e primeiro governador do extinto estado da Guanabara. Era leitor assíduo de Seleções do Reader’s Digest, revista fundada em Nova Iorque, em 1922, porta-voz dos interesses norte-americanos durante a guerra fria. Na campanha de Jânio Quadros à presidência andava com uma vassourinha dourada na lapela fazendo propaganda do candidato que prometia acabar com a corrupção e a gastança exagerada do governo de seu antecessor, Juscelino Kubitscheck. Os almoços de domingo só não eram mais tensos porque papai pouco falava e, diga-se de passagem, nutria grande respeito pelo sogro. Mas, se vovô se continha nas reuniões familiares, descarregava todo seu veneno antigetulista nos vizinhos. Havia uma, em especial, cujo pai fora amigo de Getúlio. Nos debates travados com Dona Cíntia, a tal vizinha, meu avô se transfigurava. Eram dedos em riste, provocações, apelidos pejorativos, xingamentos. A fúria era tanta que os respectivos cônjuges, por vezes, precisavam contê-los. Ao final da refrega, cansados e visivelmente constrangidos, admitiam que política, religião e futebol eram assuntos que não se discutiam. No dia seguinte, esquecidos da trégua, recomeçavam o duelo. Vivi minha infância entre polarizações: Getúlio ou Lacerda?  Botafogo ou Fluminense? Igreja Católica ou centro espírita? Isso durou até minha entrada na universidade quando resolvi ingressar no curso de história. Ali resolvi meus dilemas. Optei pela ‘esquerda’ para desespero de vovô, que passou a me seguir como uma sombra sempre com receio de que eu me metesse em ‘aparelhos subversivos.’ Religião e futebol nem pensar… Ópios do povo, alienação total. Iniciei a militância política com Brizola. Inscrita como fiscal voluntária do PDT durante o pleito de 1982, acompanhei as apurações num clube no Méier para onde o partido me destinou e me insurgi com a roubalheira de votos que quase tirou a vitória do nosso candidato (quem lembra do caso Proconsult?). Cheguei a optar pelo velho Briza no primeiro turno das primeiras eleições em que votei para presidente, mas no segundo turno não tive medo de ser feliz. A partir de então, me bandeei de vez para o PT. No poder por quase 14 anos, inegavelmente, o Partido dos Trabalhadores modificou a fisionomia do país. Há cinco anos, vítima de um golpe jurídico-parlamentar, foi alijado do poder e o presidente Lula condenado em processo montado por um juiz criminoso, agora desmascarado. Preso injustamente, finalmente encontra-se livre, leve e solto retornando com força à arena política. Novos ventos parecem soprar nesse sofrido país que, além da pandemia, padece com os péssimos administradores eleitos para governá-lo. Tenho boas recordações de minha infância, especialmente da figura de um avô reaça que se desdobrava em afetos e me amava incondicionalmente. Politicamente equivocado, não chegou a influenciar minhas escolhas, até porque nos deixou mais cedo do que devia. Atualmente, em termos religiosos, misturo doses de ateísmo e espiritualidade, afinal a idade nos torna mais crédulos e medrosos. Quanto ao futebol… Bem, assumi de vez a simpatia que sempre tive pelo tricolor das Laranjeiras, clube de meu avô. Mas confesso que foi Fred quem me converteu de vez numa torcedora apaixonada. Reprodução e montagem da foto: Carlos Monteiro    

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#paratodosverem: em primeiro plano, a fotografia do professor Francisco segurando com a mão direita um pequeno recipiente de vidro, de forma retangular, contendo uma abelha. Ele sorri e veste camisa azul clara. Ao fundo, cartaz mostra detalhes sobre a anatomia do inseto.

Orientações para contratação de trabalhadores com deficiência: dicas para construção de editais inclusivos[1]

 Resumo O presente artigo traz um breve histórico de como a pessoa com deficiência tem sido vista ao longo do tempo, de como foi excluída e de como hoje leis garantidoras de seus direitos humanos vêm promover sua inclusão. Oferece uma perspectiva inclusiva para o campo laboral, trazendo sugestões para o recrutamento de trabalhadores com deficiência, bem como  para o momento de seleção/contratação dessas pessoas, consoante normas legais e de inclusão social. Em compasso com a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, oferece importantes dicas para a construção de editais inclusivos e conclui pela defesa de que são os postos de trabalho que devem se adequar aos empregados e não estes aos primeiros.   Palavras-chave- Pessoa com deficiência, seleção, contratação, trabalho inclusivo, edital inclusivo, acessibilidade ao posto de trabalho. 1. De como se viu a deficiência ao longo da história As exigências para a inclusão de todos na sociedade vêm, não só da necessidade de propiciar às pessoas com deficiência condições de educação, saúde e lazer, mas também da observância de “imposições legais” que vêm garantir e sustentar o entendimento de que essas pessoas são igualmente possuidoras de potencial laboral, portanto, detentoras do sagrado direito ao trabalho. Segundo Chicon e Soares (2003), até meados do século XVII, a sociedade demonstrou, basicamente, três atitudes distintas frente às pessoas com deficiência: inicialmente, seguindo a seleção biológica dos Espartanos, ela demonstrou menosprezar, eliminar/destruir todas as crianças mal formadas ou deficientes; os bebês que nasciam com alguma deficiência ou “deformação” percebida eram jogados de uma montanha, eliminando-se, assim, o que não era “perfeito”. Posteriormente, numa atitude reativa, provinda da proteção e assistencialismo do Cristianismo, evidenciou-se um conformismo piedoso; e, em seguida, já na Idade Média, o comportamento da sociedade caracterizou-se pela segregação e marginalização da pessoa com deficiência, operadas pelos “exorcistas” e “exconjugadores” da época, os quais acreditavam que as pessoas com deficiência faziam parte de crenças demoníacas, supersticiosas e sobrenaturais. Mais recentemente, a visão que se tem da pessoa com deficiência não difere muito das anteriores, apesar de atenuada. Ainda hoje, a imagem que se tem dessas pessoas é de um “ser anormal” e estranho que requer tratamento “especial”, por vezes segregado ou excludente. Essa imagem, criada ao longo do tempo em torno das pessoas com deficiência, advém também de um padrão social pouco flexível, o qual coloca em dúvida a própria capacidade dessas pessoas, como se a medida dessa capacidade fosse rigorosamente a própria “deficiência” , seja ela física, mental, sensorial, cerebral ou múltipla. O resultado dessa clara subestimação é a subtração dessas pessoas dos diversos setores da atividade social, setores esses de vital importância para o seu desenvolvimento e crescimento humano como a educação e o trabalho, sob a justificativa velada de que o deficiente deve ser protegido de situações das quais não poderia defender-se. O “grau” de capacidade de uma pessoa não está condicionado à gravidade de sua deficiência, seja ela física, intelectual, cerebral, sensorial ou múltipla.   2. Da Exclusão à Inclusão: fases e formas Sassaki (2003) apresenta-nos as fases conceituais pelas quais a sociedade passou e que possibilitaram conquistas até que chegássemos à atual proposta de Inclusão Social. A primeira fase, correspondendo à Exclusão Social, não oferecia programas voltados para atender às peculiaridades das pessoas com “deficiência”, pelo contrário, bania-as do convívio social e desconsiderava-lhes suas potencialidades e direitos básicos. A segunda fase, Segregação Social, se deu com o surgimento de programações fechadas em que apenas pessoas com “deficiência” participavam de eventos oferecidos no interior de instituições especializadas. Já na terceira fase, Integração Social, só participariam de eventos comunitários aquelas pessoas com deficiência que estivessem preparadas para a inserção social, isto é, aquelas que, por conta própria, se adequassem às exigências da sociedade, sem que esta, contudo, fizesse um movimento de autotransformação para acolher aquelas pessoas. Hoje, na Inclusão Social, assume-se que a sociedade deve e é capaz de transformar-se para receber o indivíduo com deficiência e viabilizar a convivência de pessoas com deficiência ou não, em conjunto, participando todos de todas as formas de atividades (inclusive as laborais), nos locais em que elas se derem, sem prejuízo de seus direitos de cidadão e sem paternalismos.    3. Da pessoa com deficiência no mercado de trabalho Segundo Lima (2003): “(…) a inclusão, entendida como a capacidade de a sociedade mudar-se para receber, entender, respeitar e atender às necessidades/peculiaridades de todos os seus membros, independentemente de diferenças sociais, econômicas, de gênero, origem (geográfica, étnica, lingüística, religiosa etc.), ou de quaisquer outras diferenças de aparência (estética), de ‘descapacidade’ (limitação sensorial, mental, cerebral e física) ou de orientação sexual etc, vem como uma resposta às exigências sociais das “muitas minorias” que se organizaram para mostrar que suas reivindicações, além de justas, alavancam vantagens positivas para todos, inclusive para as pessoas com deficiência.” (Lima, 2003). Assim, para estas pessoas, o exercício da Inclusão resgata-lhes a dignidade, o sentimento de pertença e promove-lhes a cidadania. Na escola, a Inclusão ensina, na prática, o verdadeiro significado da diversidade; no trabalho, ela desenvolve nos demais empregados o sentido da cooperação (em lugar da competição), da parceria (em lugar do individualismo), e do respeito (em lugar da soberba). No paradigma inclusivo, não se vê as pessoas com deficiência como um problema social, pelo contrário, percebe-se que a fonte dos problemas dessas pessoas são as barreiras atitudinais, físicas e outras exercidas e/ou impostas pela sociedade, que lhes causam desvantagens ou incapacidades para o desempenho dos seus papéis sociais, inclusive o de trabalhador no mercado de trabalho. Acorde com esse entendimento e esteado na concepção de Inclusão Social pelo trabalho, Carreira (1992) defende que a pessoa com deficiência deva ser definida como aquela capacitada para o trabalho, em virtude de um treinamento especializado, respeitando as suas limitações físicas, sensoriais, cerebrais, mentais ou múltiplas. Na concepção apresentada pelo autor, a pessoa com deficiência passa a ser vista, sobretudo pelo Administrador de Recursos Humanos, como um ser capaz de realizar um trabalho no mesmo nível da pessoa sem deficiência, desde que respeitadas as suas limitações, suprindo suas

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