Construir Resistência

27 de abril de 2021

Site Construir Resistência atinge 39 mil visualizações

Por Simão Zygband O site Construir Resistência, colocado no ar em 8 de março (no Dia Internacional da Mulher) e criado pelos editores Adriana do Amaral, Sônia Castro Lopes e Simão Zygband, atingiu esta semana a importante marca de mais de 39 mil visualizações, sobretudo de pessoas que pretendem resistir ao governo genocida de Jair Bolsonaro. Os dados foram apurados pelo Google Analytics. Foram 336 postagens dos mais variados assuntos, com textos próprios dos editores ou de colaboradores (que graciosamente cederam seus artigos) ou mesmo de links de outros sites ou publicações que a equipe editorial avaliou como importante de serem reproduzidos no Construir Resistência. Esta importante marca de visualizações, para um site com baixo investimento e com número reduzido de produtores (somente três) foi conquistado graças à rede social que também nasceu em torno do Construir Resistência: o Facebook, (512 seguidores), o Instagran (117 seguidores) e um grupo de Whatsapp, com 192 participantes. Também proporcionou musculatura às postagens a inserção no Linkedin, Messager e Twitter. As nossas postagens são vistas com muita intensidade no eixo São Paulo/Rio de Janeiro, mas há muita visibilidade em Brasília, Vitória, Campinas, Porto Alegre e até no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, Portugal, Uruguai e Argentina. Estes números expressivos demonstram que o leitor do Construir Resistência acatou a ideia de que era necessário ter um veículo crítico ao governo do genocida Bolsonaro, mas que também considera as artes, a ciência, a educação, os diferentes graus de ensino (do pré ao ensino superior, passando por mestrados e doutorados) como importantes instrumentos para a construção da resistência, para que o país possa se libertar do governo autoritário e ignaro representado pelo capitão reformado. O Conselho Editorial do Construir Resistência agradece a todos os seus leitores e colaboradores pois vocês sim são a alma do projeto. É importante ressaltar a participação do Marcelo Silva, o Marcelinho, criador do nosso logotipo e do Flávio Rafaelli, da Nova Digital, sem os quais não seria possível realizar o projeto. Gostaríamos de compartilhar o orgulho que temos de ter vocês ao nosso lado. Muito obrigado.

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Quem serve a governos autoritários vai para o lixo da história

Lourival Fontes e o Departamento de Imprensa e Propaganda no Estado Novo de Vargas Por Sonia Castro Lopes   Há poucos dias li um artigo de Cristina Serra na Folha de São Paulo de título impactante: Sérgio Moro no lixo da história.  Pus-me a refletir como nossa história é pródiga em personagens que se destacaram em determinados contextos e que a memória coletiva da sociedade lançou ao lixo para encobrir momentos de autoritarismo e/ou preservar a imagem dos líderes a quem tais personagens serviram. Espero que do atual governo, nem os líderes sejam poupados. Ele e toda sua entourage merecem o eterno ostracismo. Esse foi o gatilho que me remeteu à pesquisa desenvolvida nos  tempos de mestrado sobre um dos personagens centrais da era Vargas e que terminou seus dias completamente esquecido. Talvez poucos tenham ouvido falar dele ou pouco se lembrem de sua atuação junto ao governo da época. Chamava-se Lourival Fontes (1899-1967). Se o nome talvez seja desconhecido para muitos, o mesmo não acontece com o famigerado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura e repressão instituído na fase mais autoritária do governo Vargas: a ditadura do Estado Novo (1937-45). Fontes serviu bem a Getúlio Vargas porque, em primeiro lugar, tinha origem popular, sem vínculo com qualquer grupo oligárquico. É sabido que o  presidente tinha a habilidade de atrair para o seu governo indivíduos das mais diversas tendências ideológicas, os quais reduzia às necessidades de seu projeto político. Sempre demonstrando senso de liderança e respeito pela hierarquia, Fontes enquadrava-se bem no projeto varguista por ser anticomunista convicto e bem adaptado à veia policial, condições indispensáveis ao Estado Novo. A fase áurea da carreira política de Lourival, quando se tornou um dos homens mais poderosos da República, deu-se entre 1939 e 1942. Nesse período dirigiu o DIP, órgão que se notabilizou pela difusão da imagem do Estado Novo e pela censura a qualquer mensagem contrária ao regime. De 1939, quando foi criado, até sua extinção em 1945, a propaganda veiculada pelo DIP teve por objetivo legitimar o sistema tanto pela imprensa, através de jornais, revistas e publicações especializadas – visando um público mais elitizado – quanto pelos meios de comunicação mais populares, como é o caso do cinema e, principalmente, do rádio, que atingia mais diretamente as massas. De fato, a imagem de homem público que Lourival Fontes perpetuou na memória dos anos 1930-40 foi a de censor e propagandista do Estado Novo à frente do DIP, sempre invocada como a daquele que pretendeu ser o “Goebbels” brasileiro. O ciclo estadonovista de Fontes começou a apresentar contradições a partir de 1942 quando o governo brasileiro se aproximou dos Estados Unidos e entrou na guerra contra os países do Eixo. A partir daí, Fontes não deixou de ser lembrado como um homem de ideias identificadas com o nazi-fascismo. Teve que deixar seu posto no DIP e como prêmio de consolação ganhou o posto de observador político em Nova Iorque e, a seguir, de embaixador no México, onde ficou até 1945. Com a deposição de Vargas perdeu seu cargo e retornou ao Brasil, na esperança de retomar a carreira política, interrompida pelas circunstâncias da guerra. Permaneceu cinco anos no mais completo ostracismo, retornando à cena somente em 1951 quando assumiu a chefia da Casa Civil, já  no segundo governo Vargas (1951-54). O reingresso de Fontes no cenário político brasileiro foi favorecido pela conjuntura da guerra fria, quando novamente se acirrou o anticomunismo internacional liderado pelos Estados Unidos. Após a morte de Vargas não foi difícil uma acomodação mais alinhada a partidos de direita, sobretudo a UDN, cujo principal empenho era deter o comunismo e evitar concessões aos trabalhadores, de um modo geral. Fontes se debateu, no final de sua carreira política, entre a fidelidade ao anticomunismo e a dificuldade de defender o discurso trabalhista e nacionalista de Vargas. Retirou-se da vida política em 1963, ao não conseguir reeleger-se para o cargo de senador que ocupou entre 1955 e 1963  e, a partir daí, empenhou-se em desvincular sua imagem da identificação com o DIP. Ao final da vida, em algumas entrevistas, tentava se passar por liberal democrata, mas com o passar do tempo ficou claro que a concepção política de Fontes supunha, quando muito, uma “democracia consentida.” Sua figura é representativa de um tipo comum na vida política brasileira, a do político autoritário, conservador, oportunista, às vezes com veleidades nacionalistas. Toda narrativa tem um propósito. Nesta tentei demonstrar que os chefes políticos se fazem cercar por figuras menores, que se promovem, se expõem, se desgastam, sempre em favor da liderança que marca determinado período histórico. Na maioria das vezes são descartadas ou reabilitadas em outras funções, mas, ao final, esquecidas, são atiradas à lata de lixo da história. Esse foi o final de Lourival Fontes. A história o julgou como julgará Salles, Weintraub, Araújo, Guedes, Pazuello, Moro e tantos outros que servem ou serviram a governos antidemocráticos como o que atualmente se encontra no poder no Brasil. Apenas uma ressalva: Getúlio entrou para a história e com honras. Já  Bolsonaro sabemos onde vai parar.   Sonia Castro Lopes é historiadora. Autora de Lourival Fontes: as duas faces do poder. 

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O macho alfa

Por Vidomar Silva Filho O primeiro soco foi suave, quase um empurrão. Acertou no meio do peito e o jogou contra a parede. Enquanto escorregava com as costas na parede, recebeu um soco rápido,vindo de cima, que lhe raspou a cabeça como um cascudo. Esse doeu mais e ficou queimando, fininho. Juliano encolheu-se no canto da sala, com o coração aos pulos. – Seguinte, moleque, olha aqui, ó. Tu não vem me tirar, não, porque tu sabe que tu leva a pior. Já te falei que nesta casa quem manda é o macho alfa aqui. Ainda no chão, o garoto franzino engoliu o choro e encarou seu agressor. – Eu ainda vou te matar, seu filho da puta. Soares foi até ele. Juliano levou os braços por sobre a cabeça, mas o golpe não veio. O homem riu. – Que mané matar, moleque? Mata porra nenhuma, pirralho. Anda, levanta daí e vai pra escola. E não levanta mais a voz pra mim, porque eu te dou um sacode. Anda, vaza, otário! Juliano foi até o quarto, trocou-se e pegou a mochila com os cadernos e livros. No banheiro, urinou e olhou-se no espelho. Não valia a pena tentar pentear os cabelos revoltos. Controlou-se para não espremer a espinha enorme do lado do nariz. Não queria pegar o ônibus com a cara sangrando. Pelo menos isso o filho da puta do Soares sabia fazer, bater sem deixar marcas. Prática de policial acostumado a maltratar presos. Nos negros mais escuros – um dia ele contou como piada – podia bater mais forte, porque os hematomas não apareciam. No pátio da escola, Taís quis saber como fora o fim de semana. – Uma merda. No sábado à tarde, o babaca do Soares levou uns caras da polícia lá pra casa, pro pôquer. E lá ficou a mãe fritando coisa pra eles, fazendo caipira. Por duas vezes o Soares me mandou no bar trazer cerveja. – Ficaram até que horas lá? – Sei lá. Sei que era tarde. Quando os caras terminaram de encher os cornos e foram embora, a mãe reclamou que o Soares trazia gente pra casa no dia dela descansar.Daí ele deu um tapa na cara dela. – Porra, Juliano, o que é que a tua mãe ainda tá fazendo com esse cara? A casa é de vocês. – Ela já até tentou mandar o babaca embora de outra vez que ele bateu nela. Mas ele agarrou no pescoço dela e disse que matava ela e eu. Ela foi dar queixa dele, mas nem teve BO. Os caras lá na delegacia disseram que a vida de policial estressa, que acontece de ficar nervoso, que ela nem tava machucada, que era melhor voltar pra casa e esfriar a cabeça…A mãe tá numa sinuca do caralho, Taís. – Por isso é que eu não curto homem. Homem faz muita merda. Desculpa, tu não. Tu é legal. Juliano sabia da preferência de Taís por meninas. Não era um detalhe sem importância. Mas tinha a mesma relevância de ela gostar de Slipknot e de jogar CallofDuty online, como ele. – Mas, Ju,tu não enfrenta ele não, né? Porque esse sujeito pode te fazer alguma merda, tu sabe. – Ainda há pouco, depois que a mãe saiu pro serviço, eu reclamei que ele tá maltratando ela. Falei pra ele que homem que bate em mulher é covarde. Pra quê? O filho da puta me deu duas porradas, pra eu aprender a não tirar onda com o macho da casa. Bateu o sinal das aulas e Taís tornou a recomendar a Juliano que não atravessasse o caminho do namorado da mãe. No intervalo do lanche, quando tornaram a sentar juntos no pátio, Taís perguntou-lhe se o tal Soares não teria algum ponto fraco. Definitivamente, tinha cabeça de jogadora. – O Soares? Não tem, não. Diz que não teve nenhuma punição até hoje. Contou que já foi até condecorado por bravura. Ele fala que policial corrupto com ele tá fodido. – E tu acreditou, Juliano? Porra, tu sabe que a polícia brasileira é podre e que a carioca é mais podre ainda. Alguma coisa esse sujeito apronta. – Ah, ele diz que já matou uns quantos, mas sempre é traficante armado. Daí fica por isso mesmo. Sei lá, de repente ninguém tá nem ligando muito. Eu acho que ele é sério mesmo como policial. – Juliano, tu é gente boa, mas ingênuo pra caralho. Só porque o sujeito diz que é honesto tu acredita, garoto? Qual é o carro dele? – Ele tem um Civic zero. Comprou esses dias. Tem uma moto também, uma Harley dessas grandes, já mais antigona. – Mas cara pra cacete. Ele é investigador, né? O salário líquido não dá nem cinco mil, Juliano. Eu sei porque o meu tio é investigador e vive reclamando da merreca que eles ganham. De onde é que um investigador de polícia tira dinheiro pra comprar carro de mais de 100 mil e moto gringa? Tu não tá vendo que isso aí tá esquisito, cara? – Mas e se tiver, Taís? Tu acha que eu vou denunciar o cara? Até investigarem ele, isso se investigarem, ele mata a mãe e eu. O que é que tu quer que eu faça? Taís ficou meio sem resposta. Nem sempre o jogo é fácil. – Por enquanto só vai estudando ele, Ju. De repente pinta alguma coisa. No ônibus Juliano ia pensando no inferno que sua vida tinha virado nos últimos meses, desde que a sua mãe caíra na lábia do Soares. Poucos dias depois de instalar‑se na casinha que a mãe tinha ralado pra construir, o canalha já tinha começado com a história de ser o homem da casa, a referência masculina de que Juliano estava precisando, essas babaquices todas. E começavam os xingamentos contra Telma, que logo descambaram pra puxões de cabelo e tabefes. Sabia que a mãe também já não suportava mais o sujeito, mas ela sempre lhe pedia que tivesse paciência, que as coisas se resolviam.

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#paratodoslerem: Arte digital em formato quadrado com fundo azul claro. No topo, a frase: “Projeto de Lei n° 1052, de 2020”. Abaixo, os dizeres: “O direito ao trabalho para as pessoas com deficiência está ameaçado. Vote não em favor do trabalho. Link na descrição.”. No rodapé, a logomarca do Coletivação #EuApoioALeiDeCotas”. Vote no link: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/14125

PL 1052/2020 – Vote NÃO

Mais uma ameaça aos direitos da Pessoa com Deficiência, desta vez laboral. Some à campanha votando NÃO ao Projeto de lei 1.052/2020, pela manutenção do direito ao trabalho e contra o desmonte da Lei de Cotas. Ementa: Altera a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, para permitir a contratação dos pais de menores com deficiência, assim como de seus responsáveis legais, quando não houver, no município da prestação dos serviços, pessoas com deficiência habilitadas para a admissão nos moldes do referido dispositivo legal. Explicação da Ementa: Cria cotas para genitores de pessoa com deficiência, em empresas com 100 ou mais empregados. https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/141251

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Contra o Projeto de Lei 1.052/2020

Mais uma manobra legal contra o inserção do trabalhador com deficiência Por Romeu Kazumi Sassaki Eis que, de tempos em tempos, surgem manobras legais tentando permitir que as empresas possam descumprir a #LeideCotas e, assim, ignorar a opinião do movimento político das próprias pessoas com deficiência. Pelo PL 1052/2020, essas empresas só teriam de contratar os pais ou responsáveis dessas pessoas, não importa que eles mesmos não tenham deficiência. Quanta bondade, meu Deus! Estou em total desacordo com o PL 1052/2020 porque ele constitui um subterfúgio para revogar a Lei de Cotas laborais de pessoas com deficiência, que em 2021 está completando 30 anos de existência. Se aprovado, o PL 1052/2020 abrirá um caminho equivocado e simplista para as empresas preconceituosas ou discriminatórias cometerem 5 erros gravíssimos contra o direito ao trabalho decente das pessoas com deficiência. São eles: 1) Não precisarão contratar se inexistirem candidatos com deficiência reabilitados pela Previdência Social ou habilitados por outras organizações; 2) Admitirão, nas vagas garantidas pela Lei de Cotas, os pais ou responsáveis de pessoas com deficiência; 3) Empregarão esses pais ou responsáveis, mesmo que eles não tenham deficiência e nem morem com filhos que têm deficiência; 4) Colocarão, por extensão, qualquer outra pessoa sem deficiência, quando os pais ou responsáveis morrerem; 5) Aprenderão o equívoco de que a Lei de Cotas existirá para a contratação de qualquer pessoa, com ou sem deficiência. Que história absurda é essa de substituir pessoas com deficiência por pessoas sem deficiência (mesmo que estas sejam seus pais ou responsáveis)? Querem jogar na lata de lixo o nosso respeito pela dignidade da pessoa com deficiência? Ora, se a alegação principal do PL 1052/2020 é que, em alguns municípios, inexistam pessoas com deficiência reabilitadas pela #PrevidênciaSocial ou habilitadas por outros órgãos a solução não é fugir da Lei de Cotas e contratar seus pais ou responsáveis (sem deficiência). E, sim, construir urgentemente com o movimento programas para todas elas receberem qualificação profissional a que têm direito e, então, serem contratadas pela Lei de Cotas. A propósito, as empresas deveriam investir financeiramente na construção desses programas. Em última análise, produzirão competentes trabalhadores com deficiência para elas mesmas.   Romeu Sassaki é especialista, consultor e praticante em reabilitação profissional, emprego apoiado, educação inclusiva, inteligências múltiplas, acessibilidade, inclusão e demais temas sobre a pessoa com deficiência. Ativista do movimento político pelos direitos da pessoa com deficiência, participou da criação do Grupo de Emprego Apoiado, inspirado na Lei de 1986 dos EUA, em 1993: da colocação de uma pessoa com tetraplegia total em um emprego apoiado, em 1994: da. criação da Associação Nacional do Emprego Apoiado (Anea), em 2014. Presidente da #Anea (Associação Nacional do Emprego Apoiado) no período entre 2014/2018. Conhecido como o “pai da inclusão”, é autor e tradutor de diversos livros sobre a temática da pessoa com deficiência. Como tradutor: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Ação Sindical sobre o Trabalho Decente das Pessoas com Deficiência: Um Panorama Mundial. Nós Temos Direitos Humanos: Guia para Autodefensores. Promovendo a Diversidade e a Inclusão Mediante Adaptações no Local de Trabalho: Um Guia Prático. Tornando inclusivo o Futuro do Trabalho das Pessoas com Deficiência. E escritor: Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos. As Sete Dimensões da Acessibilidade entre outros.  

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