Construir Resistência

26 de abril de 2021

E Holywood finalmente descobriu a crise do capitalismo

Por Simão Zygband O ganhador do Oscar de 2020, o filme Nomadland, da diretora Chloé Zhao e estrelado com tradicional brilhantismo por Frances McDormand (que também ganhou a estatueta como melhor atriz) retrata a situação precária de milhares de cidadãos norte-americanos de um Estados Unidos já não tão mais profundo. Entre os filmes psicológicos ou de dramas familiares, Holywood e a indústria cinematográfica mundial já realiza há alguns anos filmes que demonstram uma crise cada vez mais acentuada do capitalismo, como já previa o filósofo e pensador Karl Marx em sua obra O Capital, cujo primeiro volume foi publicado em setembro de 1867. Quem acompanha o cinema internacional já se depara há anos com obras recentes que abordam, cada vez mais, a deterioração do sistema capitalista. No ano passado, por exemplo, o grande ganhador do Oscar foi o filme Parasita, do diretor coeano Bom Joon-ho, que mostra as contradições de classe social que enfrenta a família Ki-taek e seus opulentos empregadores. Mas a temática da crise do capitalismo e das contradições da luta de classe muito bem apontadas por Karl Marx em O Capital tem sido tema recorrente na cinematografia mundial. Até mesmo o cinema inglês aponta com muita propriedade, em dois filmes contemporâneos, como as relações de trabalho vão se esgarçando neste mundo moderno do capitalismo, tomado impiedosamente pelas ideias do neoliberalismo, onde o trabalhador não tem vez. Mesmo em países onde supostamente as condições de trabalho são melhores e foram berços da revolução industrial, como a Inglaterra, os problemas com os trabalhadores se acentuam. Em Eu, Daniel Blake, de 2016, o diretor Ken Loach traz a história de um trabalhador que, após uma parada cardíaca, se afasta do trabalho e busca o auxílio financeiro do governo. Ele esbarra na extrema burocracia, praticamente intransponível para um cidadão que está prestes a se aposentar e não conhece os caminhos do atendimento previdenciário digital. Em outro filme de sua autoria, Você não estava aqui, Ken Loach retoma a temática do quanto o neoliberalismo (a face mais cruel do atual capitalismo) transformou os prestadores de serviços em escravos contemporâneos. Iludido com o discurso de que você é um empreendedor, Rick Turner e sua família acabam enfrentando uma situação financeira crítica. Ele utiliza todos os seus recursos (e de sua esposa) para adquirir uma van para efetuar entregas para uma grande franquia. No final, o protagonista percebe que caiu numa armadilha, está sempre endividado e devendo para a empresa e, quando sofre um acidente, não possui nenhuma salvaguarda, sendo obrigado a trabalhar totalmente arrebentado, para não ampliar suas dívidas. A menina de ouro Um dos primeiros filmes a abordar, ainda que indiretamente, a questão do fim do sonho americano foi do diretor Clint Eastwood no também premiado filme de Holywood, A menina de Ouro. Ele mostra a história de um veterano treinador de boxe que treina a garçonete Maggie Fitzgerald, até transformá-la em uma grande campeã, acumulando muitos prêmios e dinheiro. Quando alcança fama e consegue bons recursos com suas vitórias, aparece a família de Maggie, hospitalizada em estado grave por uma crueldade que uma de suas adversárias, numa artimanha suja sobre o ringue, acaba lhe quebrando o pescoço e a deixando tetraplégica. A família da menina de ouro, que também vivia em condições precárias morando em trailers (como em Nomadland) em região remota dos EUA, quer obrigar que ela transfira seus recursos para eles. Abandonados pelo sistema Quanto a Nomadland, o grande vencedor do Oscar de 2020, trata-se do já recorrente tema da crise cada vez mais profunda do capitalismo prevista no século retrasado por Karl Marx, que mostra uma população abandonada pelo sistema, sem direito a aposentadoria e que é obrigada a viver em trailers, circulando pelos EUA atrás de um trabalho temporário, e cujo convívio social se dá somente nos acampamentos (estacionamentos) por locais onde vão se conhecendo e mantendo relações eventuais. A própria Fern (Frances McDormand) trabalha pesado para conseguir sustento, inclusive em uma durísima pedreira que, anos depois, também fecha com a crise. Enfim, justiça para o ganhador do Oscar (e a conquista de melhor direção) e para Anthony Hopkins (O Pai) como melhor ator e Frances MacDormand (melhor atriz). Vale a pena ver bons filmes e excelentes atores.   Foto de divulgação

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23 denúncias ou fatias de pizza?

Por Adriana do Amaral O governo federal da República do Brasil lista, em planilha, 23 acusações que relacionam denúncias de falhas no combate à #pandemia da #Covid-19. O material, distribuído pela Casa Civil, “coincide” com a instalação da #CPIdaPandemia e inclui de “negligência” à má-gestão. O que pretende o governo? Defender-se? Justificar-se? É uma espécie de “para casa”. Cada ministro tem a tarefa de responder. Haja argumento! Mas, pelas declarações do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL), parece que o mandatário do país não terá muito com o que se preocupar: Para ele, não há justificativas para os pedidos de impeachment nem instauração de uma CPI. Como explicar as mais de Brasil de 391 mil mortes por #Covid-19? As denúncias de má conduta durante a crise do #coronavírus extrapolam o território nacional. O Brasil, e o presidente, são encarados como ameaça global. Não são perguntas que deveriam ser investigadas? Nesse cenário nada alentador, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou estudo que relaciona o aumento de mortes durante a segunda onda da #Covid-19 com a ausência de medidas restritivas e a falta de uma coordenação nacional. De acordo com o #IPEA, o número de mortes triplicou durante a segunda onda se comparado à primeira. O documento justifica que o #isolamentosocial é medida eficiente de controle da disseminação do #coronavirus. Enquanto isso, a ausência de um discurso único, fomentado pela disputa política continua confundindo o brasileiro. Pior ainda, a crise econômica se agrava expondo a vida do cidadão que luta pela sobrevivência, carente de recursos e cuidado. O #isolamentosocial ou a falta dele é faca de dois gumes no combate à morte. A alterativa seria a vacina que não vem Pouco mais de 10% da população foi vacinada, mas apoiadores alegam que o Brasil está entre os países que mais vacinaram em todo o mundo. Os discursos contraditórios fomentam a polarização e põe lenha na fogueira dos debates políticos. Todo mundo sairá chamuscado, afinal as mortes continuam, a miséria aumenta, o descaso anunciado se confirma a cada dia. O Brasil perdeu-se nessa onda. Não apenas para o #coronavírus, mas para a possibilidade de fazer alianças, de fomentar o conhecimento nacional, de expandir divisas, de tornar-se uma nação solidária. Enquanto o pinga-pinga da vacina estimula a espera resignada, as fatias da riqueza nacional são partilhadas entre poucos. A Comissão Parlamentar de Inquérito acabará em pizza? Vamos pagar para ver.      

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O luto, a lida e a luta em tempos de #pandemia

Por Beatriz Herkenhoff Infelizmente, perdemos o direito ancestral de nos despedir daqueles que amamos… Da noite para o dia, sem aviso prévio, nossa existência foi invadida por um #vírus que está ceifando vidas, interrompendo sonhos e projetos, nos fazendo viver um luto permanente como nação e como planeta terra. A dor e a tristeza tomam conta do nosso ser e nos sentimos impotentes diante de tantas mortes, de tantas atrocidades e negação dos fatos, e até mesmo da indiferença, quando a morte é banalizada. Nesse momento em que choro a partida de três amigos queridos, me faço presente nas cidades, nas casas, nas comunidades periféricas, acampamentos agrícolas e aldeias onde tantos também estão chorando a dor da partida. Uma dor que muitas vezes é multiplicada pela falência dos negócios, pela falta de emprego, pela falta de um pão para saciar a fome dos filhos. Somos privilegiados, temos uma casa que nos abriga em tempos de #distanciamentosocial, temos um salário que nos dá segurança para atravessar momentos difíceis. Mas, diante de tantos privilégios, temos que tomar cuidado para não sermos dominados pela culpa. A culpa mina e destrói nossa potência de vida. Ao mesmo tempo, não podemos ser conduzidos pela indiferença e pelo egoísmo. Se recebemos dons e uma proteção especial nesse momento é para partilharmos nossas potencialidades com aqueles que menos têm. O que recebi a mais, não pertence a mim, com quem posso repartir? Que espaços clamam por minha presença e solidariedade? Como posso colocar-me em movimento, lutando por um mundo melhor, mais humano e igualitário? Que pessoas próximas e distantes precisam de uma palavra amiga, da força que brota de uma oração ou da presença silenciosa em que o outro sabe que estou de mãos dadas? A #pandemia nos coloca numa relação mais próxima com a morte. Por isso nos convida a fecharmos ciclos, cuidar das pendências, identificar as mágoas e perdoar. A #pandemia nos convida a fazer aquilo que é nossa verdadeira vocação nesse mundo: partilhar o amor com generosidade, viver com desprendimento, desapego e simplicidade. Colocar a vida a serviço para que todos tenham pão, moradia e trabalho. Levar a alegria e a esperança em todos os espaços que ocupamos. Infelizmente, perdemos o direito ancestral de nos despedir daqueles que amamos. Por isso temos que resistir, não nos deixar abater, desanimar e desistir. Temos que viver o luto em sua intensidade, partilhar o luto coletivamente, curar nossas feridas indo ao encontro do outro (infelizmente só virtualmente), falar do legado daqueles que não estão mais aqui. Dar continuidade aos seus sonhos e projetos. Não podemos sucumbir, não podemos nos deixar invadir pela tristeza, pela raiva e pela depressão. Cultivar a confiança, a esperança e a certeza de que tudo vai passar e que seremos pessoas melhores, com energia, força e garra para construirmos um mundo melhor, mais humano, igualitário, justo e democrático.   Beatriz Herkenhoff é doutora em serviço social pela PUC São Paulo e professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo.

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Qual a importância da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais no Brasil?

Por Eduardo Micheletto Criada em 14 de agosto de 2018, a #LeiGeraldeProteçãodeDadosPessoais (Lei n. 13.709) só entrou em vigor no último dia 18 de setembro de 2020, após a sanção atual do Presidente da República.  Mas o que muda daqui pra frente? A lei representa um marco histórico na regulamentação sobre o tratamento de dados pessoais no Brasil, tanto em meios físicos quanto em plataformas digitais. Além de mudar a maneira como instituições privadas coletam, armazenam e disponibilizam informações de usuários, a LGPD é destinada às instituições públicas – portanto, deve ser seguida por União, Estados, Distrito Federal e municípios. Para o advogado, Fabio Leonardo de Sousa (OAB/SP n° 215.759), “a lei de proteção de dados simboliza avanço ímpar no âmbito jurídico, na medida em que oferece definitivamente aos cidadãos a tutela contra exposições de informações pessoais sem consentimento, evitando a coleta desenfreada de informações junto às centenas de milhares de empresas. Especialmente nos tempos atuais em que é extremamente facilitada a coleta de dados pessoais pelos canais eletrônicos tecnológicos. Ao mesmo tempo em que blinda e protege os dados restringe acentuadamente o contingente de ofertas propagandísticas que não incomum, causam inegavelmente perturbação ao cotidiano das pessoas. Nesse contexto, a Lei garante não obstante a imposição de punições severas com sanções indenizatórias em larga escala de acordo com a proporção da gravidade da violação dos dados a que a pessoa fora exposta indevidamente”, completa. Entre as práticas que precisarão ser revisadas com bastante atenção estão o Inbound Marketing e o Marketing Direto, uma vez que consistem no uso de banco de dados para se comunicar diretamente com uma pessoa, seja por E-mail Marketing, Telemarketing entre outros. Ressalto que por serem áreas que lidam diretamente com dados pessoais de usuários, até mesmo dados sensíveis (como menciona a lei), será necessário ter o máximo de cuidado no tratamento e divulgação dessas informações. Até a maior rede social do mundo, o #Facebook já atua de acordo com a nova Política de Privacidade e Termo de Uso da LGPD, a fim de “avisar” aos seus usuários, sobre quais informações pessoais são armazenadas, compartilhadas e até utilizadas por outros membros da plataforma.   Eduardo Micheletto é Eduardo Micheletto é Jornalista e Consultor de Marketing Digital da Mitto Comunicação. É autor do Blog Reflexões de um Jornalista e membro da Associação Profissão Jornalista (Apjor)   Para acessar mais conteúdos do autor. publicadas em seu blog, basta selecionar o endereço eletrônico e clicar com o lado direito do cursor: https://eduardomicheletto.wordpress.com/    

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Alto, forte e… broxa; toda vaidade será castigada*

Por Luis Otavio Barreto Até agora não sei onde estou; há pouco fui abordado em frente ao Banco do Brasil. Um rapaz baixo me fez festa e largou um: – Lembra de mim mais não? Em minha defesa preciso dizer que sou péssimo fisionomista, portanto, não lembrava. Além disso, estava com meus imprescindíveis fones de ouvido. (Cabe aqui um conselho: não saiam sem. Sobretudo, se utilizarem trem, metrô ou Uber). De agora em diante começa a queda de um homem de quase 2 metros; – Lembra de mim mais não, né? … (eu quieto, assustado e confuso) – Da academia. Você tá fortão! … (na minha cabeça, a vaidade começa a gritar) – Tô com um negócio aqui pra você. …(gente, mas eu engordei, será que tô forte assim?! ainda vaidoso) De súbito, o homem agarra minha mão e passa um sebo que dizia ser pomada de SUCUPIRA. (na minha ignorância, Sucupira era aquela do Odorico Paraguassú.) Eu fiquei tonto com o vai e vem, com o Pink Lloyd no fone, com aquele homem me passando o sebo e com sua falação e com minha vaidade e com “quem é esse cara?” e com a culpa de tê-lo, de fato, esquecido em algum lugar do passado, junto com minha boa forma e meus brações… – Ó, tô te dando, presente de amigo. Mas se você puder deixar uma ajuda… … (será que eu conheço essa porra?! Putz, sabia que ia pedir dinheiro. Diabo! Logo hoje tenho algum no bolso. Enfiei a mão na esperança de arrancar 2 reais. Veio 10. Puta que pariu! Todo dia com cartão e hoje veio dinheiro.) DE FORTÃO, MUSCULOSO E AMIGO DE ACADEMIA A UM ALTÃO BROXA É UM PULO – Rapaz, tenho um negócio pra te ajudar na hora do namoro. … (quieto, tonto e pensando: – que porra é essa?!) – Esfrega! Sente! Isso aí você passa na … do … e tu vai ver estrelas…sua namorada vai mandar você comprar mais…o p..vai na testa. … estalou! esse cara me conhece porra nenhuma! reage, seu besta! sai daí… SHINE ON YOU CRAZY, DIAMOND estourando no fone… – Ó, usa camisinha hein? Segui em direção ao que ia fazer, com uma sacolinha com a latinha de pomada de sucupira e uma cápsula com um líquido oleoso, amarelado. Ainda estou tonto e meio besta com minha burrice e com a perda de 10 reais… Fico pensando nas risadas que o cara não deu as minhas custas. Cheguei em casa, arranquei a roupa fui em frente ao espelho e pensei: fortão de academia?! Depois falei, pra ouvir, em tom de pergunta o que havia dito só em pensamento. Liguei o chuveiro rindo da minha vaidade patética e um tanto saudosista daquele eu fortão… Nelson, que dificilmente me abandona, disse com sua voz grave e abafada, e eu ouvi:Toda vaidade será castigada!   *P.S.: agradeço a Nelson o empréstimo e a liberdade de adaptação à minha conveniência, para “Toda Nudez Será Castigada.”   Luis Otavio Barroso é músico pianista e professor de Língua Portuguesa.

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