Construir Resistência

22 de abril de 2021

A morte do imprescindível Alípio Freire

A equipe do Construir Resistência se une às homenagens ao jornalista Alípio Freire, mais uma das milhares de vítimas da política do genocida Jair Bolsonaro.   Alípio Freire, Presente!   Quem foi Alípio Freire  Alipio Raimundo Viana Freire, baiano de Salvador, militante, poeta, jornalista, editor, escritor e artista plástico. Foi militante da Ala Vermelha,  que combateu a ditadura empresarial-militar. Preso ainda jovem, aos 23 anos pela Operação Bandeirantes (Oban), sofreu toda a violência do Estado e seus agentes. Depois de três meses de torturas e interrogatórios, foi transferido para o Presídio Tiradentes, onde ficou preso entre 1969 e 1974. Sobreviveu e voltou, incansável, às batalhas da luta de classes. Foi anistiado pelo Ministério da Justiça desde 2005. Seguiu sua militância no jornalismo e nas artes,e na vida partidária.  Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Atuou em diversas frentes do Movimento Sindical, Movimentos Sociais e Populares. No MST, Alipio contribuiu ativamente com sua militância: foi o criador e o primeiro editor-chefe da Revista Sem Terra (1997), foi um dos fundadores e membro do Conselho Político do Jornal Brasil de Fato, onde contribuiu com vários artigos e análises. E atuou junto à Expressão Popular, editora que viu nascer. Alipio Freire escreveu muito. Lançou “Estação Paraíso” (Expressão Popular, 2007) e “Tiradentes – Um presídio da ditadura” (Scipione, 1997), organizado por ele junto com Granville Ponce e Izaías Almada. Em 2013, lançou seu primeiro longa metragem, o documentário “1964 – Um golpe contra o Brasil”, no Memorial da Resistência de São Paulo, região da Luz, onde funcionava o antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops).   Veja algumas das milhares de homenagens:    Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)   O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) lamenta profundamente a morte do companheiro Alipio Freire, ocorrida hoje (22/4), em São Paulo, aos 75 anos. Ele estava hospitalizado desde o dia 21 de março, e veio falecer hoje, vítima da covid-19. Toda a nossa solidariedade aos familiares – companheira Rita Sipahi, as filhas Camila e Maiana, o filho Paulo e netos –, seus muitos amigos e companheiros de luta. A militância e as lutas de Alipio Freire  estiveram sempre presentes como parte da esquerda brasileira.  Ele dedicou toda sua vida às causas do povo brasileiro e pela transformação radical de nossa sociedade. Nos deixa um legado de compromisso com o povo, de coerencia e de sabedoria em usar as letras e as artes na conscientização de nosso povo. Os que lutaram a vida toda, como fez Alipio, são imprescindíveis! Putabraço, camarada, até sempre! Alipio Freire, presente!   Grupo Tortura Nunca Mais SP   Nota de pesar O Grupo Tortura Nunca Mais de Sao Paulo lamenta profundamente a perda do seu amigo e companheiro ALÍPIO VIANA FREIRE, ocorrido hoje, 22 de abril de 2021, devido à Covid-19. Jornalista, escritor, artista plástico, ativista cultural, Alípio foi um militante das causas populares desde muito cedo. Combateu a ditadura pela organização Ala Vermelha do PCdoB, e foi preso junto com vários companheiros em 1969. Padeceu muito tempo  submetido às piores torturas na Operação Bandeirantes (Doi-Codi) e no Dops, e depois permaneceu preso até 1974 no Presídio Tiradentes. Depois da prisão trabalhou em vários meios de Comunicação, como Folha de São Paulo, TV Cultura e TV Bandeirantes, sempre na editoria de Internacional. Fez inúmeros documentários, incluindo o “64, um Golpe contra o Brasil”, pela TVT – TV dos Trabalhadores. Entre seus livros, destacam-se “Estação Paraíso” e “Estação Liberdade”, além da organização de “Tiradentes, um Presídio da Ditadura”, com o relato de 35 pessoas que passaram por aquele lugar. Foi também diretor da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Alípio era dono de uma vasta cultura, e encantava a todos com seu humor fabuloso. Tinha inúmeros amigos, que hoje choram inconformados sua partida. Saberemos honrar sua amizade, dedicação e companheirismo, seguindo firme na defesa dos Direitos Humanos e na luta por um mundo melhor e mais justo, onde a Felicidade seja um desses direitos.   Pio Redondo – jornalista No coração, na consciência e na história mais recente do Brasil. Três companheiros de militância desde a ditadura militar, então jovens e já clandestinos, fraternos, que foram extremamente importantes na luta pela redemocratização, pela liberdade de imprensa e aos movimentos populares. Alípio Freire, Marcelo Antônio e Júlio de Grammont deram contribuição decisiva à formação dos metalúrgicos do ABC, o que incluiu o próprio Lula. E na fundação do PT. Presentes para sempre! Alípio, que pena Walter Falceta – jornalista e coordenador do Coletivo Democracia Corintiana  Posso dizer, sem receio, que Alípio Freire detinha uma das memórias mais cristalinas, críticas e sensatas do período da Ditadura Militar, entre 1964 e 1985. Bom baiano, de Salvador, Alípio chegou a São Paulo cheio de sonhos, aos 16 anos de idade, em 1961. Foi estudar Jornalismo na Cásper Líbero. Lá se agregou ao movimento estudantil. Depois do Golpe de 1964, aproximou-se do PCdoB e, depois, juntou-se à famosa e combativa Ala Vermelha, militando da resistência armada ao regime opressor. Acabou detido em 1969, antes de completar 24 anos. Passou por vários centros de detenção, sofrendo as mais terríveis torturas, sem jamais revelar os segredos estratégicos das organizações da resistência. Esteve no Presídio Tiradentes e na Penitenciária do Estado. Mesmo com todas as dores do cativeiro, nunca baixou a cabeça e tratava de animar os companheiros combalidos que cogitavam desistir da luta e até da vida. Permaneceu detido até 1974. Saiu para fazer de tudo. Figura de múltiplos talentos, de rara inteligência, foi jornalista, escritor, artista plástico, investigador histórico, palestrante, educador popular e curador de exposições. Lembro que perambulou pelas ruas do amado Bom Retiro, com uma turma de jovens, contando para eles das raízes operárias do bairro e do centro de detenção de presos políticos na divisa com o bairro da Luz. Teve o zelo de reunir e catalogar valiosas obras artísticas da lavra de presos políticos, de objetos artesanais a desenhos e pinturas. Em 2013, no Memorial da Resistência de São Paulo, realizou a magnífica exposição “Insurreições:

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O que nos une e o que nos separa

Construir Resistência  recomenda a leitura do texto “O que nos une e o que nos separa” de José Dirceu publicado ontem (21/4) no PORTAL 360.  No artigo, Dirceu afirma que “a questão democrática pode e deve ser um ponto de união entre os líderes que participaram do debate virtual dos presidenciáveis num debate para estudantes da Universidade de Harvard e MIT: Ciro Gomes, João Doria, Eduardo Leite, Fernando Haddad e Luciano Huck.” Enquanto Ciro e Haddad destacaram o papel necessário do Estado nos investimentos públicos, os demais sustentaram a política econômica de Paulo Guedes. O que pode unir os pré-candidatos é a agenda democrática, mas  o que os divide é como retomar o desenvolvimento, como financiar as políticas públicas e atacar os principais problemas do Brasil: a desigualdade social, a pobreza e a miséria, lembra José Dirceu. Para ler o artigo completo acessem o LINK: https://www.poder360.com.br/opiniao/governo/o-que-nos-une-e-o-que-nos-separa-opina-jose-dirceu/ Crédito da foto: Sérgio Lima/Poder 360

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Enterra de cego quem tem um olho errei

Por Carlos Monteiro  O pior cego é aquele que não quer ver e ler, não quer ouvir a voz da razão. Nem todo aforismo se faz visível nas bandas de cá. O senhor da razão parece viver uma certa magia entorpecedora do “Senhor dos Anéis” que se foram. E os dedos? Talvez não seja o melhor momento para filosofar, mas parece que estamos, atualmente, vivendo mergulhados em uma miscelânea literário-filosófica. Um misto de Gabriel García Márquez em “Cem anos de Solidão”, Milan Kundera em “A Insustentável Leveza do Ser”, “Ensaio Sobre a Cegueira” de José Saramago e “A República” de Platão com toques de Jean-Paul Sartre e Friedrich Nietzsche. Parece loucura? Talvez seja.  A sensação é que estamos tomados, já há algum tempo, por um “realismo fantástico”, em um filme ‘steampunk’, cujos personagens se misturam com a realidade nua e crua e devaneios utópicos. O Brasil se transformou em ‘Macondo’ e parece estar dominado por ‘Buendías’ com ‘Macunaímas’ por todos os lados. Estamos ilhados! Tudo indica um ciclo vicioso em que estamos, nesse moto-contínuo, dedicados em fabricar peixinhos de ouro, derretendo-os, voltando a fundi-los novamente, começando absolutamente do zero, numa sequência infinda, perfeito buraco negro espacial om intensa ação gravitacional. Nada escapa! A nossa ‘Macondo’ é um país abandonado, banhado em água ardente, rodeado por formigueiros, prestes a ser arrasado pelos ventos sudoeste e apagado da memória humana. Vivemos pandemias de sono, amnésia permanente, de cegueira incurável. Achamos que não dormimos no ponto, que não há cansaço, mas, o fato é que os ônibus têm passado batidos. Estamos, cada dia mais, ficando para trás. Perdendo o bonde da história, caminhamos em direção contrária ao progresso. Com o tempo, as memórias das terras tupiniquins vão se tornado leves lembranças, quase uma epidemia de Alzheimer coletiva. Um ‘Primeiro Cego’ vem contaminando, outro cidadão que contamina mais um e mais outro, em efeito cascata. Um sanatório geral quarentenado, uma caverna alegórica, em que a discordância e a insensatez, mais cedo ou mais tarde, se farão mais ativas e altivas. Uma única águia não fará verão. Quando a fogueira, inclusive, das vaidades, se apagará? Onde andará o conhecimento pleno da verdade? Sócrates e Glauco; quem terá razão? Ou, o coração tem razões que ela própria desconhece? Será que todo amor pelo país é platônico? “…Estirpes condenadas a cem anos de solidão não têm uma segunda oportunidade sobre a terra”, porque “somos inteiramente responsáveis por nosso passado, nosso presente e nosso futuro”, assim nos colocam García e Sartre. Tudo é insustentável, nada parece real… talvez porque “aquilo que não é consequência de uma escolha, não pode ser considerado nem mérito nem fracasso”, mas, o contrário sim. Kundera vai além: “só é grave aquilo que é necessário, só tem valor aquilo que pesa.”. Fica a pergunta que, feita por Nietzsche, não quer calar: “você viveria sua vida mais uma vez e outra, e assim eternamente? Se fosse condenado a viver a mesma existência infinitas vezes, e nada além disso, como se sentiria? “A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente”. puro Bruxo do Cosme Velho em “O Alienista”.   De perto ninguém é normal? Nem de longe… Filosofei.   Carlos Monteiro é jornalista e fotógrafo

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Projeto “Escola sem mordaça” aprovado com placar apertado na ALERJ

Dos 63 parlamentares presentes à sessão, 25 votaram contra a proposta que reafirma princípios já garantidos na Constituição Federal de 1988  Sonia Castro Lopes Na última quarta feira (21) foi votado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ – um projeto que garante liberdade de opinião no ambiente escolar. Na verdade, o projeto de lei (PL) 4496/2018, de autoria dos deputados Carlos Minc (PSB) e Andre Ceciliano (PT), reitera princípios constitucionais em relação à livre expressão de idéias nas escolas. O placar apertado causou espanto: 37 votos favoráveis, 25 contrários e uma abstenção. Os que se opuseram à proposta qualificaram o projeto como uma “aberração”, o que demonstra falta de conhecimento da lei máxima do país e total alinhamento aos interesses do governo federal.   O projeto veio à pauta pela segunda vez, pois já havia sido votado anteriormente e recebido emendas. Volta agora para que essas emendas sejam discutidas. O relator da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça da Alerj – deputado Marcio Pacheco (PSC), um conservador moderado, afirma que defendeu a constitucionalidade do texto, embora tenha sido  criticado pelos radicais que apóiam a ‘escola sem partido’ uma das pautas prioritárias dos bolsonaristas na área educacional.   O relator da CCJ fez uma seleção das emendas cabíveis sempre tendo como foco a Constituição Federal e, após acordo com os autores do projeto elaborou um substitutivo, ou seja, um texto acrescido das emendas selecionadas. O substitutivo foi aprovado, mas os autores das emendas não acolhidas pela CCJ apresentaram os chamados ‘destaques’ – emendas que não foram aceitas pela CCJ e que serão votadas em separado. Se aprovadas, na semana que vem, serão incorporadas ao texto,  que pode mudar completamente.   O projeto garante a liberdade de expressão nas escolas. Professores só poderão ser filmados mediante autorização expressa dos mesmos e  todos os sujeitos – alunos, docentes e funcionários – das escolas sediadas no Rio de Janeiro serão livres para expressar seus pensamentos e opiniões. O texto também proíbe que opiniões sejam cerceadas mediante violência ou ameaça, que haja manifestações com calúnia, difamação e injúria, além de qualquer violação aos princípios constitucionais e normas que regem a educação nacional. Garante-se, ainda, liberdade para os grêmios estudantis promoverem debates nas escolas públicas estaduais, desde que sejam divulgados e abertos a todos os membros da comunidade escolar a fim de garantir pluralidade de idéias e concepções. Apesar de defender a garantia dos direitos acima mencionados, o substitutivo inclui a proibição de atividades político-partidárias em repartições públicas, medida já prevista em lei.   De acordo com os autores do projeto “nos tempos atuais, em que escolas e professores têm sido acusados de partidarização e interferência em assuntos que deveriam ser restritos às famílias, não se podem confundir a defesa da liberdade e o pluralismo das idéias e concepções pedagógicas, princípios constitucionais que regem o ensino no Brasil, com a visão de que, em nome da liberdade, tudo é permitido. A defesa das liberdades de expressão e concepções pedagógicas, evidentemente, não significa estar livre para disseminar preconceitos e intimidar professores.”   A votação não terminou, pois a apreciação dos ‘destaques’ ocorrerá na próxima semana. Dentre os mais bizarros, sobressai a modificativa n. 18 que pretende alterar o artigo 4º da lei ao preconizar que os estudantes têm o direito de gravar as aulas “a fim de permitir melhor absorção do conteúdo ministrado e de viabilizar o direito dos pais ou responsáveis de ter ciência do processo pedagógico e avaliar a qualidade dos serviços prestados pela escola.”   Convém ressaltar também a modificativa n. 10 de autoria da deputada Alana Passos (PSL) ao argumentar que o Poder Público “não deve se imiscuir na orientação sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer ou direcionar o natural desenvolvimento de sua personalidade, em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada a aplicação dos postulados da ‘ideologia de gênero.’”   Percebe-se claramente que os defensores de tais ‘destaques’ são deputados vinculados ao projeto da ‘escola sem partido’, dentre eles Charlles Batista (Republicanos), Rodrigo Amorim, Marcio Gualberto e Charlles Batista, estes filiados ao PSL. Representam, em sua maioria, segmentos que pregam o ensino religioso e princípios morais defendidos pelas famílias, pautas tradicionais alinhadas ao setor evangélico.   Mesmo após as derrotas sofridas no STF, o movimento ‘escola sem partido’ ainda faz barulho. Parece que a ‘guerra cultural’ travada por segmentos reacionários e movida pela retórica do ódio continua a agir no campo educacional. Os autores do projeto “Escola sem mordaça” estão otimistas e só nos resta torcer para que esses ‘destaques’ não sejam aprovados e incorporados ao texto do projeto, o que terminaria por descaracterizá-lo completamente.  É necessário combater a ‘guerra cultural’ movida por parlamentares de extrema direita que almejam o retrocesso da educação no país. Depois de aprovada, inicia-se uma nova batalha: a proposta segue para apreciação do governador em exercício Claudio Castro, que pode sancionar ou vetar o texto.  

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