Construir Resistência

18 de abril de 2021

O Rei faz 80. Viva o Rei ?

Sonia Castro Lopes   Lembro da primeira vez que ouvi o Rei. “Quero que você me aqueça nesse inverno e que tudo mais vá pro inferno.” Achei a letra meio bobinha, mas parei para escutar. Foi um sucesso estrondoso. Mesmo criança eu me encantava com as canções de Dolores Duran, Elizete Cardoso, as preferidas de mamãe. Gostava menos das de Nelson Gonçalves que papai cantava com voz de tenor desafinado embaixo do chuveiro. Com o tempo me tornei eclética. Passei a curtir Sarah Vaughan e Ângela Maria, Rolling Stones e The Fevers.  Pode? Eu era assim, eu sou assim. A música me fisga e eu não tô nem aí, se é brega, se é cult, se é de protesto, se é alienada. Abertamente declarava minhas preferências por Elis e Chico, Caetano, Betânia, Gil e Gal. Com meus botões, curtia Detalhes.   De fato, havia uma paixão mal resolvida com Bebeto. Torcia o nariz pras músicas dele, mas na hora da fossa, de chorar o namoro terminado, de sonhar com a nova paixão que se insinuava era com ele que eu me virava. Nunca comprei um disco de Roberto Carlos, mas o ouvia no rádio do carro, no rádio-despertador (oh, coisa antiga), bem escondida, assim meio que envergonhada. Achava o estilo yê yê yê coisa de alienados, até  saber da música que ele fez para Caetano no exílio. “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos…” Fiquei sem entender, Caetano não fizera passeata contra as guitarras? Não era preciso entender, só sentir. Roberto fora carinhoso, solidário e por isso passei a olhá-lo com mais simpatia. Aliás, Caetano me ensinou a não ter preconceito com estilos musicais. Hoje, sou capaz de curtir tudo, com exceção de sertanejo, porque ninguém é de ferro e manifestações de sadomasoquismo, nem como fetiche. Deus me livre!   Mas Roberto me ganhou mesmo quando fez aquela série de músicas românticas, sensuais, tempos de paixão com Myriam Rios. Nossa, aquilo era de arrepiar. Cavalgada, Côncavo e Convexo, só pra citar duas delas. Houve uma dessa safra que me marcou. Brega toda vida, mas que eu cantava despudoradamente. “Os botões da blusa que você usava/ e meio confusa desabotoava/iam pouco a pouco me deixando ver/ no meio de tudo um pouco de você.” Nunca confessei a ninguém, mas essa música embalou um momento especial da minha vida.   A fase das mulheres gordinhas, baixinhas, totalmente fora do “shape ideal” não me agradaram, não me via representada. Mais uma vez, o preconceito. Também não me interessou a fase mística, a veia carola do Roberto. Mas me comovi com suas dores e lhe fui solidária nas perdas que sofreu. Por Nice, Lady Laura, Maria Rita. Admito que mesmo com altos e baixos, minha relação com o Rei sempre foi forte. Nunca me interessei por assistir a um show, mas confesso que não perdia um Especial de final de ano.   Hoje o Rei faz 80. Não é pouca coisa. Quantos artistas passaram 60 anos de carreira no topo do pódio musical? Poucos. Não é meu favorito, mas pelo conjunto da obra, eu o aprovo com quase louvor. Apesar do layout forçadamente jovial, dos cabelos escovados, da franja; apesar dos tocs, das manias, da carolice, das pieguices, Bebeto é nosso Sinatra, nosso Aznavour, nosso Julio Iglesias. É o galã da menopausa, o eterno romântico das balzaquianas que se estapeiam nos shows atrás das rosas vermelhas que ele lança à plateia.  Vida longa, saúde e alegrias ao nosso Rei.  “Como é grande o meu (nosso) amor por você…”

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Guerra infinita

Por Tião Nicomedes Pela milionésima vez assisti o filme Vingadores: Guerra Infinita.  Ou simplesmente Thanos Guerra Infinita. A sensação é de estar dentro da história. O plano do super vilão Thanos é  destruir metade dos habitantes do universo como forma de resolver o problema da escassez de alimentos, prover e combater a fome, Reestabelecendo o equilíbrio.  É nesse ponto que a arte imita á vida, nessa época em que a Terra enfrenta um inimigo invisível e atualmente perigoso: o #coronavirus. Exatamente  a #Covid-19, se comparado as joias do infinito, as quais reunidas numa manobra do infinito, tem alto poder de destruição. A saga do super-humano Thanos em busca de reunir todas as joias e o preço que pagou. Por fim, ele atinge o seu objetivo e, no seu modo, como sendo justa. A morte de pobres e ricos.  De todas raças e cor. Assusta a semelhança da ficção com a realidade. Como os vingadores lutaram contra Thanos tentando, inclusive, prevenir que ele concluísse seu plano. Assim, também hoje fazem as autoridades do mundo inteiro, tentando conter o avanço de contágio e deter a  mortalidade altíssima em todo planeta. Até agora as vacinas lideram a corrida, a disputa pelos insumos IPHA. Obter essas armas poderosas como se o poder fosse. A seringa como o martelo de Thor. As máscaras como a armadura do Homem de Ferro. O kit intubação, as doses fracionadas, como as habilidades de cada super-herói envolvido na trama. As concórdias e discórdias. Colocam no cenário a ciência, a medicina e a política. E tome truques e golpes e contragolpes. Quanto tempo  (vai) durar essa pandemia? Equivalem ás vidas sendo ceifadas durante o filme a quantidade de baixas diárias nos cinco continentes. Ágora, quase ia escrevendo Amora, dois líderes mundiais se assemelham mais diretamente ao super vilão: o ex-presidente norte americano, Donald Trump, e o presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Não se sabe se da interpretação original ou se adaptações da dublagem, mas vemos coincidências até nas frases. A “tags” mais empregadas nos dias atuais, #elenao e #genocida.  A segunda repetida por mais vezes em Thanos – Guerra Infinita. Afinal, a forma adotada como programa de governo, num genocídio para combater a miséria, tornando a nova ordem mundial ideia de reorganizar o planeta. Tanto mais cruel que a própria motivação justificada. Seria Thanos um ditador? Seriam os governantes, tiranos? E seguem as semelhanças no tocante às missões na corrida pela conquista do espaço. Projeto Marte. Lua, Júpiter, Saturno, Vênus. A busca por planetas habitáveis e vidas em tais planetas. As constantes aparições e ajustamentos de “óvnis”.  Autoridades mundiais, a exemplo do Pentágono,  abrindo documentos e soltando novas revelações, além de confirmar veracidade de filmagens capturadas, inclusive, por cinegrafistas amadores. A quantidade de imagens e riqueza de detalhes faz a gente até acreditar na existência da Federação Intergaláctica. Seria o vírus parte de um pacote de maldades, visando o controle da humanidade? Limito-me aqui pelo cuidado no externar o pensamento prá não ser banido das redes sociais ou ter artigo bloqueado. Em julgado, questões de ofensas e ou negacionismos. Não estou afirmando nem tomando partido, pois, como dizem, na versão brasileira: “Qualquer semelhança é  mera coincidência”. E, longe de mim ser crítico de cinema. Eu “malemale” entendo de comida. Agora, de fome eu entendo. Oh, se entendo! Da fartura ao zero absoluto. Pelas terríveis batalhas que  já passei. A sensação de ser  forjado no fogo. A cada dia…   Sebastião Nicomedes de Oliveira é “poeta das ruas”. Autor da peça teatral Diário de um Carroceiro e do livro As Marvadas é artista popular. Ex-catador e ex-morador em situação de rua, integra o MIPR (Movimento Internacional de População em Situação de Rua).    

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CAPES sob nova direção

Sonia Castro Lopes   A CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nivel Superior – tem papel fundamental  na consolidação dos cursos de pós-graduação no Brasil. Criada no início do segundo governo Vargas pelo Decreto 29.741 de 11/07/1951, seu primeiro presidente foi o então ministro da educação, Ernesto Simões Filho, tendo como primeiro secretário o professor Anísio Teixeira. Tinha por  objetivo   aperfeiçoar quadros para exercer o magistério superior e oferecer bolsas-auxílio a “indivíduos capazes, sem recursos próprios, acesso a todas as oportunidades de aperfeiçoamento.” Empenhava-se em contratar diversos professores visitantes estrangeiros, estimular atividades de intercâmbio e cooperação entre instituições e conceder apoio a eventos científicos.   Entre 2009 e 2010 tive a oportunidade de  realizar missões de estudo e estágio pós-doutoral no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. No âmbito da história da educação, sob a supervisão do professor doutor Jorge Ramos do Ó, pude realizar pesquisas e estudos comparados sobre a formação e a profissionalização de professores no Brasil e em Portugal em finais do século XIX. Foram seis meses de trabalho financiados pela CAPES através de convênio estabelecido  com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) do Ministério da Educação de Portugal.   Atualmente, a CAPES é o órgão responsável por avaliar cursos de pós-graduação, atuar na formação de professores da educação básica,  divulgar informações científicas e promover a cooperação internacional de pesquisadores. Na última segunda-feira (12) foi anunciada a exoneração do presidente da CAPES, Benedito Guimarães Aguiar Neto, ocasião em que o ministro da educação, Milton Ribeiro,  declarou que seu substituto seria “um profissional de perfil técnico e acadêmico.”   Qual não foi a surpresa ao ser anunciado na última quinta-feira (15) que a nova responsável pelo órgão seria a advogada e reitora do Centro Universitário de Bauru (CUB), Cláudia Mansani Queda de Toledo. O CUB  teve um curso de pós-graduação descredenciado pela propria CAPES em 2017, por ter sido avaliado com nota 2.  Antes denominado Instituto Toledo de Ensino (ITE), o atual CUB  foi fundado pela família da reitora nos anos 50 no interior de São Paulo. Foi nesse curso que se formaram o ministro da educação, Milton Ribeiro, e o ex-ministro da justiça e atual advogado geral da União, André Mendonça. Nesse mesmo curso a reitora obteve doutoramento em Direito Constitucional no ano de 2012.   As razões alegadas para o descredenciamento do curso de mestrado “Sistema Constitucional de Garantias de Direitos” foram baseadas em fatos. Cerca de 35% dos docentes não lecionavam – presume-se que talvez  ali estivessem para emprestar seu nome ao curso -, 20% dos professores não se encontravam engajados em projetos de pesquisa e 23% não orientava alunos. Realidade bastante comum em instituições de ensino superior privadas onde o professor é auleiro, prescinde-se  de seu envolvimento em pesquisas, além de não receber por orientação de alunos. A precarização do trabalho docente há muito vem atingindo o ensino superior no país, especialmente, as instituições privadas.  Alguns professores de renome são contratados para “dar nome ao curso” mas pouco se envolvem com o ensino, tampouco com a pesquisa. No máximo, oferecem uma disciplina anual ou semestral, às vezes nem isso.   O curso em questão foi avaliado com nota 2 em 2017, portanto, reprovado e descredenciado. Mesmo após diversos recursos, a nota foi mantida. Pois bem, no ano passado (2020), sob a batuta do ministro Weintraub, esse mesmo curso obteve um novo parecer e recebeu nota 4. O desempenho com avaliação 3 ou 4 é considerado regular ou médio e o curso pode funcionar, levando-se em consideração que a nota máxima emitida pela CAPES é 7 para cursos de  excelência. Para funcionamento de cursos de mestrado as universidades devem obter no mínimo 3 pontos, já para doutorado exige-se 4 pontos.   O PPGD (Programa de Pós-Graduação em Direito) do Centro Universitário Bauru  iniciou seu mestrado em 1998 e o doutorado em 2007. Agora, com o novo conceito obtido, não só recupera o credenciamento do mestrado mas também pode iniciar o processo de revitalização do doutorado.   Em carta aberta à comunidade acadêmica, várias entidades manifestaram-se contra a posse da nova presidente, conforme trecho extraído do documento: “A presidente nomeada não possui uma carreira acadêmica compatível com a missão desempenhada pela CAPES ao longo da existência desta tão conceituada agência de fomento. A análise do seu currículo Lattes mostra incongruências inaceitáveis aos padrões estabelecidos pela própria CAPES para o funcionamento dos Programas de Pós-Graduação no país, em todas as áreas do conhecimento.”   Apesar do movimento contrário à nomeação da reitora ao cargo mais alto da CAPES, creio que dificilmente se obterá o resultado desejado. A escolha faz parte de um projeto de governo que desconsidera o desenvolvimento científico, privilegia a educação cívico-militar, apoia o ensino domiciliar, a ‘escola sem partido’ e outros tantos retrocessos sobre os quais já falamos à exaustão em  matérias aqui publicadas. Mais do que nunca podemos aplicar a este episódio a célebre frase de Darcy Ribeiro: “A crise da educação no Brasil é, na verdade, um projeto.”  

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#paratodosverem: Em fundo branco, arte te, escrito a palavra Célula, na cor preto e no alto, com a tradução em libras, No centro, detalhes de imagens de órgãos humanos desenhados dentro de cículos, num fundo azul claro e no lado esquerdo detalhe de mãos desenhadas na cor vermelha segurando o círculo contendo um feto humano. Finalizando, do lado esqeurdo a logomarca da Edufpi e do lado direito está listado os nomes dos autores do manual

Manual de Libras para surdo estudar Ciências e Biologia

A acessibilidade nas escolas é condição básica para o estudante progredir no aprendizado. Pensando nisso, foi criado o Manual  de Libras – Língua Brasileira de Sinais: a Célula e o Corpo Humano, voltado ao ensino das disciplinas de Ciências e Biologia.   Para que possamos iniciar a leitura do manual de Ciências, temos que saber o que é a surdez. Surdez é a perda parcial ou total da audição, causada pela má-formação (causa genética), por lesão na orelha ou na composição do aparelho auditivo. A pessoa surda, é aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, e que, principalmente, manifesta sua cultura por meio da Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS. … Portanto, você que tem contato direto ou indireto com pessoas surdas ou que tem curiosidade sobre o assunto, leia esse manual e adquira novos conhecimentos e, principalmente, entenda que a pessoa surda pensa e interage como você, mudando somente a forma que isso ocorre. Liana Maria Menezes Galeno fonte: Editora da Universidade Federal do Piauí – #EDUFPI É grátis, basta baixar o pdf  selecionando o link abaixo e clique com o lado direito do cursor: https://www.ufpi.br/arquivos_download/arquivos/EBOOK_-_MANUAL_DE_LIBRAS_PARA_CIENCIA-_A_C%C3%ABLULA_E_O_CORPO_HUMANO20200727155142.pdf    

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Sua assinatura fortalece a CAPES

Construir Resistência indica a petição: Pela demissão da nova presidente da CAPES, Cláudia Mansani Queda de Toledo Na quinta-feira, 15 de abril, foi nomeada a Dra. Cláudia Mansani Queda de Toledo como nova presidente da CAPES. Uma de suas principais funções será implementar o novo sistema de avaliação da pós-graduação no Brasil… A comunidade acadêmica brasileira, que se destaca por sua produção científica na América Latina e internacionalmente, não pode aceitar que a CAPES, órgão dedicado à promoção e manutenção da qualidade do ensino superior e da pesquisa no Brasil, seja presidida por uma profissional ligada a programas de baixíssima qualidade e instituições com suspeitas de irregularidades… Exigimos a demissão imediata da Dra. Cláudia Mansani Queda de Toledo da presidência da CAPES e a entrada de um(a) presidente que represente a qualidade em pesquisa e ensino na educação superior brasileira e com experiência e qualidade técnica para liderar a avaliação da pós-graduação no Brasil.   Para assinar basta selecionar o link abaixo e clicar com o lado direito do cursor: https://www.change.org/p/ministro-da-ci%C3%AAncia-tecnologia-e-inova%C3%A7%C3%B5es-pela-demiss%C3%A3o-da-nova-presidente-da-capes-cl%C3%A1udia-mansani-queda-de-toledo?recruiter=902822804&utm_source=share_petition&utm_campaign=psf_combo_share_abi&utm_medium=whatsapp&utm_content=washarecopy_28407485_pt-BR%3A2&recruited_by_id=725434d0-c4c6-11e8-98d9-49330c917c55    

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