Construir Resistência

9 de abril de 2021

Acordar para viver um pesadelo

Por Simão Zygband Arte: Rede Brasil Atual Todos os dias, tenho certeza, milhões de brasileiros acordam para viver um pesadelo. Certamente preferiam continuar dormindo. E talvez sonhar o sonho dos justos. Sou jornalista, vi muitas coisas na minha vida que deveriam ter criado um calo em minha alma. Vivi, muitas vezes no mesmo dia, situações que iam da extrema pobreza a mais luxuosa riqueza. De manhã percorria favelas onde o esgoto corria farto pelas vielas e à noite, no mesmo dia, ia cobrir uma confraternização de gente graúda, sempre regada a bons vinhos, whisky e entradas com camarões. Assim era a minha vida de repórter. Fiz reportagem sobre frios assassinos ou sobre uma ilustre personalidade, geralmente amigas do dono do jornal. Também está marcado em mim o fato de ser filho de um sobrevivente do nazismo e ter convivido com meu pai, um homem reservado, de sorriso franco e que não gostava de falar sobre o fato de sua família praticamente ter sido dizimada pelo Holocausto. O que salvava um pouco é que minha mãe, mesmo sendo judia, era discípula de Alan Kardec e de seus fundamentos do espiritismo. Esta semana vou completar 62 anos. Apesar de todo este acúmulo, não me lembro ter vivido momentos tão angustiantes e complexos como o que estamos vivendo sob o governo da extrema direita. O presidente de plantão, um soldado raso que chegou a capitão reformado do Exército, conseguiu com sua verborragia estúpida se eleger deputado e, finalmente, tornou-se o principal mandatário do país. Notabilizou-se em cima de um discurso de ódio, atacando o principal partido de esquerda do Brasil, o PT, dizendo que iria “fuzilar a petralhada” e desrespeitando descaradamente as mulheres, os homossexuais, os negros. Bolsonaro é racista, misógino e homofóbico. Enfim é a síntese do politicamente incorreto, de tudo que uma pessoa não deve ser publicamente ( e nem na intimidade). E não é que esta fórmula deu certo? Encontrou eco em uma sociedade adoecida, intolerante, infeliz, que se sentiu representada por um apologista da tortura, uma pessoa que tecia elogios ao mais cruel chefe do aparelho de repressão do governo ditatorial militar, o coronel Brilhante Ustra, um sádico que utilizava ratos para adentrarem a vagina das presas políticas e delas conseguir alguma confissão. Hoje assistimos com uma certa passividade, possivelmente atônitos, uma cruel realidade, em parte criada pelo ambiente de Bolsonaro e seus seguidores. Esta sua forma estúpida de ser construiu monstros como o tal vereador Dr. Jaiminho e sua ex-esposa, Monique Medeiros, que são acusados pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, filho dela. O tal Dr. Jaiminho, vejam vocês, é um vereador eleito como defensor da família, contra a ideologia de gênero e a favor da Escola sem Partido. É destes rasteiros apoiadores do sanguinário Jair Bolsonaro. É mais ou menos da mesma laia que a deputada federal homicida, Flordelis dos Santos de Souza (PSD/RJ), acusada pelo assassinato do marido, Anderson do Carmo. Todos falam em nome de Deus. Também vemos um grupo de empresários  com Jair Bolsonaro, como se o país vivesse a calmaria dos seus dias e que sobre os ombros do tal presidente da República não pesassem cerca de 350 mil mortes, fruto de uma conduta desastrada de governo no combate à pandemia. Estiveram com o capitão, para lhe dar algum tipo de apoio e tapinhas nas costas, milionários que ajudaram junto com ele a construir esta crise. Foram beneficiários de projetos que surrupiaram direitos dos trabalhadores e de todos os brasileiros. Bolsonaro, com notórias ligações com as milícias cariocas, parece pouco se importar com a situação de calamidade que levou o país, junto com os seus amigos empresários. O Brasil vive o pesadelo do genocídio, fruto da conduta sádica de Bolsonaro, que se recusou a comprar vacinas que poderiam ter salvo milhares de vidas, por tratar com desprezo as famílias enlutadas e os seus entes queridos, por dizer se tratar de uma “gripezinha” uma doença que já ceifava milhões de vidas mundo afora. Isso sem contar a calamitosa política econômica sua e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes. O pesadelo brasileiro tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro, um genocida que se elegeu com a frase “O Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Deus agora que nos livre dele.  

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Protejam seus (nossos) filhos

Gisele Lemos   Nossa sociedade se esforça para educar mulheres para serem bonecas de luxo. Bonecas que não falam, não pensam. Verdadeiras Barbies. Brinquedos vendidos para homens poderosos, influenciadores e muitas vezes sociopatas de primeira qualidade. Muitas de nós nos safamos desta cruel sentença, porém foi diferente para a mãe do menino Henry. Ela recebeu o título de mulher Barbie perfeita: até agora em silêncio – conivente com o assassino para salvar-se de perder suas grandes conquistas: o status. O dinheiro. Moradora de bairro emergente, harmoniosamente na moda – acessórios combinados ao tom de pele, perfeição! Ela atingiu o topo, foi comprada como boneca e assim pôde circular pela desmoralizada alta sociedade carioca. Nós não sabemos, mas ela sabia muito bem quantas queriam o lugar dela. Todas buscando, por aí, fisgar homens ditos poderosos, por meio de suas investidas em cirurgias plásticas, academias, botox. Trata-se sempre de manter as aparências para expor-se em uma vitrine seletiva que visa vender-se para gente influente, de dinheiro. A vida de luxo em bares badalados, restaurantes caros, brindar em barcos e lanchas, assistir a vista da Baía pela janela de helicópteros, fazer um vôo para São Paulo… Tudo isso combinando perfeitamente com os sorrisos branqueados e harmonizados com botox e bichectomia. Se vale a pena?! Parece esperança de vida para uma infinidade de mulheres, que anulam suas vozes de denúncia ou qualquer sentimento de medo diante da conduta suspeita de seus parceiros. Homens que muitas vezes não se dão ao trabalho de disfarçar suas posturas violentas e desrespeitosas para com mulheres e crianças ou pessoas em posição social desprestigiadas. Em silêncio parece tudo perfeito como no Amor. Mas quem precisa do amor de fato, acompanhado de imprevisibilidades, se viver de aparências tem lá uma estética mais simpática para os tempos atuais? Não há quem diferencie um falso amor de um real através de uma fotografia de Instagram! Vida que segue… A mãe em questão conquistou coisas e, por elas, vendeu a sua voz, a sua capacidade de pensar e indignar-se pela condição de seu filho. Tornou-se a boneca perfeita nas mãos do homem poderoso. Ganhou o apartamento e o porta retrato para expor a self do casal na sala de estar – as aparências de amor! Mas o amor, amor mesmo, estava lá angustiado e pedindo socorro. Porque o Amor tinha muitas vezes cheiro de xixi na cama e som alto de choro de criança. A vida de Barbie conquistada nunca combinaria com um filho de quatro anos precisando de um banho, cheio de medos a respeito do que sentia, com sede e fome às quatro da manhã. Um filho de quatro anos muitas vezes não fica bem em foto romântica de casal recém formado. Um filho cansa e causa olheiras de preocupação. Algumas vezes chora e, sem saber reclamar os seus direitos, faz pirraça e rouba tempo. Precisa ser o centro e precisa de um centro, de um herói, de proteção, de mão, de colo e abraço. Um filho, e de outro homem: visita agendada de pai, manipulações, mágoas, ciúmes e saudades… muita coisa para um menino de quatro anos elaborar! Uma criança que só precisava ser o centro, de um centro, de um herói, de proteção, de mão, de colo e abraço. De fato um filho de quatro anos destoa da perfeita ilusão do que seria uma vida de luxo de um jovem casal recém formado. O filho não combinava mais com sua mãe e nem com o seu lar artificial. Logo, sofria de uma angústia indecifrável para sua idade. Só se tem quatro anos uma vez! Um filho é um filho! O filho, o amor. Não venceu a cobiça. Ela, mãe e mulher, querendo suportar tudo por dinheiro, por uma vida na alta sociedade carioca – de podres homens corruptos e assassinos. Diga-me com quem andas… perdeu a capacidade de pensar! Tornou-se um deles, num piscar de olhos! Ele, um menino gritando por socorro do seu jeito de criança. Ela, uma mãe, que minimizou o problema de seu filho, negligenciando o seu pedido de socorro. Apagando provas. Achando-se grande demais frente ao problema. Achando-se invencível. Fez merda, não pensou. Realmente ganhou o título de mulher-boneca. Perdeu o momento de salvá-lo. Perdeu o momento de salvar a si mesma… agora será julgada criminalmente e aprenderá que uma mulher não é julgada apenas criminalmente. Uma mulher é sentenciada à morte, ainda em vida. E, uma mulher que, para se salvar, omite o assassinato de seu próprio filho será justiçada também por sua própria consciência. Será julgada pelo céu, pela terra e pelo inferno. Quero saber como viverá o assassino psicopata da alta sociedade carioca… Misericórdia tenho da mãe, sim. Misericórdia tenho da criança, que se foi relutante, apavorada… em uma tragédia anunciada. Torço pela vida de todos que tiveram, e ainda terão, coragem de se expor neste caso. Cuidemos de nossas crianças, pelo amor de Deus! Cuidem do amor que ainda há no mundo! Cuidem das crianças! Mulheres, protejam-se! Protejam seus filhos!   Gisele Lemos é professora de educação infantil e diretora escolar na cidade do Rio de Janeiro. 

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Vacina para quem precisa no mundo todo

  Construir Resistência apoia esta petição: Una-se a premiados pelo Nobel, cientistas, figuras públicas e cidadãos de todos os cantos do mundo para pedir uma Vacina do Povo, disponível para todos, em todos os lugares: para escrever um novo capítulo para o futuro da humanidade, baseado na solidariedade humana acima de tudo.  Saiba mais: (para acessar os links selecione e click com o lado direito do cursor): https://secure.avaaz.org/campaign/po/peoples_vaccine_2021_loc/?zzYAneb https://www.vaccinecommongood.org/support#/    

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Amor Perfeito

Miriam Waidenfeld Chaves   Luar: solteira, 44 anos, morena, olhos verdes. Arquiteta, dois noivados desfeitos. Busca: amizade e/ou namoro. Sherlock: casado, 55 anos, moreno, olhos castanhos. Engenheiro. Busca: sexo. Apesar dos perfis incompatíveis, Sandra e Juca acabaram por se esbarrar na imensidão azul da tela do site de relacionamentos Amor Perfeito. Tudo começou num sábado chuvoso nos idos de 1999, quando esse tipo de iniciativa bombava entre os cariocas desejosos em sacudir sua vida amorosa. Sandra, com uma taça de vinho, confere na tela azul os possíveis pretendentes. Um deles, com um apelido sugestivo, chama sua atenção. Riu muito ao ler sua mensagem. Achou Sherlock espirituoso e inteligente. Mas quando acessou seu perfil, seu entusiasmo se esvaneceu em segundos: casado, queria saber apenas de sexo e, ainda por cima, era um pouco gordinho. Entretanto, instigada pelo texto do aspirante a amigo, resolveu ignorar as informações e respondeu a mensagem no mesmo tom. Imediatamente, Sherlock a convidou para um bate papo. Convite aceito, em instantes as teclas dos computadores dispararam numa sintonia total. E a conversa só foi acabar no dia seguinte, com o sol brilhando e já sem nenhum sinal da chuva. Ambos caíram na armadilha do acaso. Capturados pela rapidez de raciocínio, ironia fina e texto inteligente, carregado de ambiguidade, Sandra e Juca se tornaram dependentes desse jogo, cujas peças denominamos de “mensagens” e “tecladas noturnas”. Nenhum dos dois demonstrava pressa em passar para outro estágio da brincadeira: conversas ao telefone ou algum convite para jantar. Tinham todo o tempo do mundo! Rendidos por esse duelo virtual, após três meses, decidiram avançar no jogo: passaram a se falar ao telefone. Escutar a voz um do outro foi outra cartada certeira. Apenas confirmou o já sabido: a voz límpida e mansa de Sandra encantou Juca, e sua rouquidão doce  animou ainda mais Sandra, que daquele momento em diante esqueceu-se do estado civil e dos quilinhos a mais desse sujeito que estava se tornando um perigoso pretendente. Dos telefonemas ao primeiro encontro foi um pulo: assistiram “Le Bonheur”, de Agnès Varda, na sessão das 14 horas, no Paissandu. Ambos adoravam o cinema francês. Nessa mesma tarde, não mais que de repente, Juca e Sandra tornaram-se amantes. Amantes anticonvencionais. E como nos filmes da Nouvelle Vague, viveram uma paixão desenfreada. Sem culpas!  Como se uma febre terçã tivesse se alojado em seus corpos. Na entrada do ano 2000, fizeram malabarismos para fugir. Juca, de sua mulher e Sandra, de seu recentíssimo namorado, amigo de Claudia, sua prima. Escolheram como destino uma ilha ao sul do Chile, chamada Chiloé. Paradisíaca e sem turistas. Apenas o colorido das palafitas erguidas sobre o azul do mar, o verde dos carvalhos e o negro das pedras em Muelle de las Almas testemunharam aqueles dias de escancarada felicidade. Não eram infelizes com seus parceiros. Com eles apenas repetiam o sorriso pontual cotidiano. Divertiam-se de modo comportado. Previsível. No entanto, ao conhecerem o amor perfeito, não o descartaram. Ao contrário, passaram a vivê-lo sem constrangimentos. Sem cabresto, mas com um  prazo de  validade já pré-determinado. Após um ano e seis meses juntos, a fatalidade lhes prega uma cilada e proclama o fim desse caso de amor. Quando as obras dirigidas pela firma onde Juca trabalhava precisaram de sua expertise sobre solos argilosos, de um dia para o outro estava em Küste, à beira do rio Nilo, no Sudão. O que era para levar 20 dias durou quase três meses. E os horrores da guerra naquele país tornaram Juca triste e taciturno. Apenas sonhava com o  aconchego do lar e o carinho dos filhos. De volta ao Rio de Janeiro, Juca organiza um encontro quase perfeito. Reserva uma suíte no Copacabana Palace, com direito a champanhe Veuve Clicquot e jantar no quarto. Mas, já despidos, Sandra não reconhece Juca, agora mais magro e acabrunhado. Sem vida. Ela o toma nos braços e o deixa chorar copiosamente.  

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Tiros no pé

Sonia Castro Lopes   A disputa presidencial de 2022 e o retorno do ex-presidente Lula à cena política estão tirando o sono de alguns pré-candidatos. Já vimos como o ‘efeito Lula’ afetou o candidatíssimo à reeleição que, cedendo ao apetite do Centrão e sensível aos recados enviados pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), mudou de comportamento e de ministros num curto espaço de tempo. Outros pré-candidatos também vêm emitindo sinais de insegurança, como é o caso de Ciro Gomes. As últimas peripécias que tem protagonizado dão o tom de desconforto que habita seu espírito. Mas vamos aos fatos. Na última terça feira (6) toda a imprensa noticiou a sugestão feita por Ciro para que Lula aceitasse ser seu vice nas próximas eleições presidenciais em nome de uma ‘grande reconciliação’ para o país. Pediu-se ‘grandeza’ ao ex-presidente para que seguisse o exemplo de Cristina Kirchner cuja participação como vice na chapa de Alberto Fernández ajudou a conduzi-lo ao poder na Argentina. É isso mesmo? Ciro aposta na generosidade de Lula para abrir mão da candidatura em prol de sua liderança? Será que espera de Lula a mesma ‘generosidade’ que teve com Fernando Haddad quando viajou para Paris após o primeiro turno das eleições de 2018 deixando o circo pegar fogo? Seu apoio talvez não mudasse o rumo da disputa, pois a transferência de parte dos votos por ele obtidos (12%) não chegaria a alterar o resultado do pleito, mas, com certeza, daria suporte moral à candidatura de Haddad e mais força à união das esquerdas para combater o atual governo. É fato que as recentes atitudes de Ciro revelam seu incômodo diante de uma possível candidatura de Lula. Há pouco mais de uma semana foi signatário de um manifesto pela democracia ao lado de representantes de partidos de centro e centro-direita para espanto de muitos dos seus eleitores. Mais uma vez revelou-se oportunista, pois sabe da dificuldade desse grupo em achar um nome à altura para enfrentar tanto a extrema direita de Bolsonaro quanto as forças progressistas que poderão cerrar fileiras em torno da candidatura do PT. Colocou-se, assim, disponível para ser o candidato da ‘terceira via’ e evitar a tão temida e propalada polarização política. Acho Ciro um forte candidato. Acho mesmo. Desnecessário utilizar-se dessas estratégias para fortalecer sua candidatura. Isso deixa seus apoiadores e futuros eleitores constrangidos. Como explicar que um candidato que se apresenta como progressista, membro de um partido incluído no espectro político da ‘esquerda’, venha a público compactuar com elementos que declaradamente foram eleitores de Bolsonaro e excluir do manifesto uma das mais importantes lideranças políticas do país? Torço, sinceramente, por um diálogo entre os partidos progressistas para que se forme uma frente ampla a fim de enfrentar a extrema direita e livrar o país do pesadelo que nos assola há mais de dois anos. Lula já andou mencionando em   pronunciamentos e entrevistas sobre essa possibilidade, incluindo até mesmo alguns partidos de centro. Mas parece que a polarização ideológica interessa à maioria dos candidatos que se apresentam como ‘terceira via’ e Ciro não foge à regra. Se, de fato, não houver possibilidades de acordo e se Lula confirmar sua candidatura, que se faça uma campanha limpa no primeiro turno e que, à exemplo de Brizola em 89, no segundo turno possamos contar com todas as forças progressistas para somar esforços e eleger um candidato que possa derrotar o campo da direita ou extrema direita. Vamos aguardar os acontecimentos, mas aposto que a estratégia de Ciro será bater em Bolsonaro e em Lula com igual ferocidade. Faz parte do jogo. Só não vale é expor-se ao ridículo de ficar pedindo a Lula que não seja candidato ou que tenha a ‘generosidade’ de ficar em segundo plano para que ele possa brilhar. Isso demonstra insegurança, isso é passar recibo de fragilidade. Afugenta possíveis futuros eleitores. Foram dois tiros no pé num curto espaço de tempo que podem ter consequências desastrosas. Mas, enfim, como dizia minha avó, presunção e água benta, cada um toma a que quer.  

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