Construir Resistência

1 de abril de 2021

Bolsonaro sairá atirando a esmo contra a população?

Por Simão Zygband Havia uma lenda entre os conservadores, quando retiraram do poder através de um golpe a presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff e colocaram em seu lugar o traíra Michel Temer, de que se o próximo presidente da República não fosse eficiente, eles também o retirariam do poder. “Se ele (Bolsonaro)não for bom, a gente tira”, diziam os falastrões. Pois novamente estamos esperando que a tosca promessa desta gente, que ajudou a arruinar o país, se cumpra. O governo em decomposição de Bolsonaro já não convence mais ninguém, a não ser a uma parcela da população que continua a acreditar em coelhinho da Páscoa e de que os bebês são trazidos pelas cegonhas. Óbvio que há muita gente sem moral e escrúpulos que ainda apoia o (des)governo do capitão reformado, apesar de tanto desserviço e sofrimento que ocasiona à nação. Pela falta de total planejamento, já morrem cerca de 4 mil brasileiros por dia por Covid-19, a mais alta taxa de mortalidade do mundo, nunca dantes alcançada. O país, por absoluta falta de vontade política do governante de plantão, vacinou apenas 8% de sua população. Faltam leitos em hospitais, há filas para a utilização de UTIs, brasileiros morrem sufocados por falta de medicamentos elementares como sedativos e anestésicos, fundamentais para a intubação de pacientes com os pulmões comprometidos e, pasmem, até a Venezuela, país vizinho desqualificado pela direita brasileira e por Bolsonaro e seus filhotes, teve que suprir de oxigênio o norte do Brasil. Simplesmente construíram o caos. Não se sabe se, efetivamente, se trata de uma política deliberada do governo genocida ou se, de fato, a incompetência tem falado mais alto que a razão. A verdade é que o (des)governo desintegra e não é para menos. Talvez não na velocidade que os graves problemas ocasionados pelo total descontrole deveria ocasionar. Pesquisa nacional PoderData, ligado ao site Poder 360, realizada entre os dias 29 e 31 de março com 3.500 pessoas, em 541 municípios das 27 unidades da Federação, revela que as taxas de desaprovação do (des)governo do capitão reformado atinge um recorde de 59%. Incríveis 33% ainda mantém o apoio ao ser (des) humano que ajudaram a colocar no poder. Delírios golpistas

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Manifesto chapa-branca

Sonia Castro Lopes   A terceira via está em polvorosa. Os autodenominados presidenciáveis atordoados com a escalada autoritária do presidente e, por outro lado, ameaçados pelo retorno de Lula ao cenário político, correm como baratas tontas para se unir em torno de um manifesto pela consciência democrática.  Publicado nos principais jornais do país, o documento, divulgado e elogiado pela imprensa hegemônica, não chega a causar perplexidade. O que causa espanto é que praticamente todos os signatários foram, de algum modo, responsáveis por eleger o inimigo comum contra quem agora se declaram indignados.   Há muito que os representantes da centro-direita vêm articulando uma chapa para enfrentar Bolsonaro nas próximas eleições. Surgiram desde cedo nomes como Mandetta (DEM) Moro e Amoedo (Novo). Desse trio, um  já desidratou, principalmente após as últimas decisões do Supremo Tribunal Federal.  Moro não será escalado para o jogo e sabe disso. Dizem os colunistas da grande mídia que o ex-juiz foi convidado a assinar o Manifesto e teria recusado alegando impedimentos contratuais em razão de seu novo emprego. Pode até ser, mas nem se apropriando do título da canção imortalizada por Edith Piaf ele consegue convencer alguém de suas boas intenções. Carta fora do baralho.   Por sua vez,  Mandetta acredita que possui capital político por ter se posicionado contra o governo ao qual servia até um ano atrás quando possuía um fã clube que o julgava articulado, coerente e competente para debelar a pandemia que então se iniciava. Ledo engano. Mandetta não tem projeção nacional e muito menos força política para bancar uma candidatura e enfrentar a gana de vencer de Bolsonaro que dispõe de um eleitorado fiel (embora cada vez menor) e de uma potente máquina eleitoral. Quanto a Amoedo, discípulo dileto do ultraliberal Paulo Guedes – a sumidade de Chicago que lê no original todos os grandes clássicos da economia – talvez seja um dos raros representantes do empresariado que ainda acredita na retomada em V tão propalada por seu ídolo. Sem chances.   Paralelamente à dupla que restou do trio, surgem os tucanos desesperados com a possibilidade de Lula concorrer ao próximo pleito. Dória (PSDB) imaginava ser o candidato ideal do tucanato, até entrar em litígio com outro político forte dentro da legenda: Aécio Neves. Com interesses distintos, os dois hoje travam uma disputa por maior controle de poder e espaço no partido. Apesar dos desgastes sofridos, o mineirinho provou que ainda tem força, se não para concorrer à presidência, ao menos para minar o capital político de Bolsodória que se apoiou no atual inimigo público número um para alcançar o cargo de governador de São Paulo.   Luciano Huck (s/ partido) é um caso à parte. Animador populista das tardes de sábado, parece que seu maior trunfo é ter como padrinho um dos próceres do tucanato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Rico, herdeiro, famoso, mas completamente inexperiente nos ardis da política, será que levará a sério a aposta em seu nome? Já andou dizendo que não concorreria. Talvez mude de idéia, vai saber.   Ciro Gomes (PDT) talvez seja o nome que cause maior impacto nessa lista. Político considerado ‘progressista’ com uma carreira relativamente bem sucedida, infelizmente não poderá apagar seu passado nebuloso nas fileiras do Partido Democrático Social (PDS), formado por sobreviventes da antiga ARENA, de triste memória. Além disso, ao se lançar na disputa presidencial de 2018 não ultrapassou a marca de 12% de votos e sequer sentiu o cheirinho do segundo turno. Finda a primeira etapa, resolveu dar um giro em Paris para não se comprometer a apoiar a candidatura verdadeiramente progressista de Fernando Haddad. O fato é que a ‘terceira via’ precisa desesperadamente de um representante nas próximas eleições e os ‘moderados’ chegam ao ponto de atrair até mesmo um destemperado para sua órbita. Está valendo tudo pelo pavor de uma possível candidatura de Lula.   Quanto a Eduardo Leite, quem é mesmo Eduardo Leite?   Leia, a seguir, a íntegra do Manifesto.   MANIFESTO PELA CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA Muitos brasileiros foram às ruas e lutaram pela reconquista da Democracia na década de 1980. O movimento “Diretas Já”, uniu diferentes forças políticas no mesmo palanque, possibilitou a eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República, a volta das eleições diretas para o Executivo e o Legislativo e promulgação da Constituição Cidadã de 1988. Três décadas depois, a Democracia brasileira é ameaçada. A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores. Não há Democracia sem Constituição. Não há liberdade sem justiça. Não há igualdade sem respeito. Não há prosperidade sem solidariedade. A Democracia é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar. Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da Democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, o intimidamento, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado. Exemplos não faltam para nos mostrar que o autoritarismo pode emergir das sombras, sempre que as sociedades se descuidam e silenciam na defesa dos valores democráticos. Homens e mulheres desse país que apreciam a LIBERDADE, sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, devem estar unidos pela defesa da CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA. Vamos defender o Brasil. CIRO GOMES, EDUARDO LEITE,  JOÃO AMOEDO,  JOÃO DORIA,     LUIZ HENRIQUE MANDETTA,  LUCIANO HUCK.  

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História de um Brasil trágico

  Por Adriana do Amaral   Minha crônica sobre as mortes anunciadas…   A #pandemia nos faz buscar alguns escapes na tentativa de manter a sanidade. O meu é a literatura. É onde eu busco limpar a mente, pois a realidade está difícil de ser vivida. Além de leituras inéditas, eu recorro às releituras que me proporcionam prazer certeiro. Principalmente a obra completa do Prêmio Nobel de Literatura 1982, Gabriel Garcia Marques.   A literatura fantástica de #Gabo só tem concorrente à altura no Brasil atual. Acredito que sequer o autor, com a genialidade que lhe foi peculiar, poderia conceber um personagem como o atual presidente do Brasil e desenvolver o enredo das desventuras vividas pela sociedade brasileira em tempos de #pandemia.   Ao lançar Crônica de Uma morte Anunciada, em 1981, o escritor colombiano não fez mistério sobre o seu argumento. Logo na primeira página explicitou a trama: o assassinato do jovem Santiago Nassar. Ao longo das 122 páginas, o leitor deixa-se envolver pela desventura onde valores se invertem, com a cumplicidade de todos os personagens. Alguma semelhança com a realidade nacional?   No último dia de março, aproximadamente um ano de convivência diária e cruel pela ameaça de morte pela #Covid-19, vivemos tal aqueles que sabem quem é o algoz, o #coronavírus, e também aqueles que parecem ter feito um pacto letal que o deixou dominar o país com inverdades, injustiças, morte. Podemos dizer que todos nos tornamos cúmplices ou testemunhas da mortandade que fez do Brasil o epicentro da #pandemia mundial. Quem matou mais de 320 mil brasileiros? Quem permitiu que eles fossem mortos?   Na ficção, mocinhos e bandidos se confundem. Afinal, em defesa da honra pode-se matar. À vítima, nem um velório decente foi permitido, devido à crueldade do crime. Assim como acontece com os parentes das mortos pela #Covid-19, que não podem chorar os próprios parentes, inclusive pelo temor de se contaminar.   Leitura que me remete à outra, o livro 1984, de George Orwell. A história começa num dia de abril. Hoje é primeiro de abril de 2021, dia da mentira no país da pós-verdade.   O autor mostra um mundo ficcional onde o totalitarismo distorce a realidade, numa guerra de retórica sem fim. Pensar é proibido, pois a “polícia do pensamento” pode intervir com as torturas que remetem ao passado recente do Brasil, como o golpe de 1964, celebrado por parte dos brasileiros ontem, uma minoria ruidosa.   No livro, a história é reescrita pelos próprios cidadãos para servir a “ordem” do governo autoritário. Para isso, memórias não devem ser preservadas nem as individualidades. Um universo onde amar é proibido. Relacionar-se é proibido,   O #isolamentosocial nos faz vítimas, reféns e cúmplices ao mesmo tempo. Tornamo-nos um país de mascarados onde de longe ninguém se reconhece e de perto ninguém é normal.   A literatura liberta, pois ela expande a intelectualidade. Infelizmente, muitas vezes mostra que a realidade pode ser muito pior do que a ficção.   Legenda: trecho da obra Crônica de uma morte anunciada.      

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EUA sabiam da tortura na ditadura brasileira e poderiam intervir se quisessem

Recomendamos uma leitura atenta da matéria publicada no El País,  reproduzida aqui com autorização do jornalista Eduardo Reina.   (para acessar basta selecionar o link e clicar com o lado direito do cursor):   https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-31/eua-sabiam-da-tortura-na-ditadura-brasileira-e-poderiam-intervir-se-quisessem.html      

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Universidades Públicas em cheque

  Governo interfere na democracia institucional   Por Adriana do Amaral e Sonia Castro Lopes   A autonomia das universidades federais está ameaçada. Contrariando a tradição, muitos candidatos a reitores que encabeçam as listas tríplices têm sido preteridos em detrimento de outros mais alinhados ao pensamento e ideologia do atual governo. Desde que assumiu o mandato, o presidente do Brasil já nomeou 39 novos reitores, dentre os quais 14 não eram os primeiros indicados pela lista tríplice montada a partir da reunião dos colegiados universitários.  Ameaçada, também, por um modelo de gestão federal que não prioriza a educação, a ciência e a transferência de tecnologia. Para entender melhor a realidade e suas implicações no ensino e ciência nacional, conversamos com o Reitor da Universidade Federal de Pelotas (#UPEL) no período entre 2017 e 2020, o Professor-Doutor Pedro Hallal. Ele denuncia que nunca viu “tamanha ingerência nas universidades”. Doutor em Epidemiologia pela UPEL e pós-doutorado pelo Instituto de Saúde da Criança da Universidade de Londres, Pedro Rodrigues Curi Hallal é professor-associado na graduação em Educação Física e nos programas de pós-graduação em Educação Física e Epidemiologia da universidade de Pelotas. Sócio fundador da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde e editor-chefe do Journal of Physical Activity and Health, coordena o principal estudo brasileiro sobre #coronavíus, o EPICOVID-19.   Construir Resistência: Recentemente, o processo eleitoral nas universidades federais, para escolha de reitores, tem acontecido maneira arbitrária, comprometendo a democracia em algumas instituições. Em sua opinião, quais as consequências imediatas dessas decisões?   Pedro Hallal: Precisamos lembrar que diversos governos federais, com diferentes posições ideológicas, mantinham uma tradição de respeitar a decisão das comunidades, expressa através do voto. Incluindo os governos Fernando Henrique Cardoso, oito anos; Lula (Luis Inácio Lula da Silva), oito anos; Dilma (Rousseff), seis anos mais ou menos e governo Temer (Michel) dois anos mais ou menos. Em todos esses momentos era respeitada a decisão da comunidade. Infelizmente, a partir da entrada do Bolsonaro (Jair) ele começou a desrespeitar o resultado das listas tríplices e esse desrespeito acabou ferindo de morte a autonomia universitária. Isso, sem dúvida nenhuma, porque um dos preceitos básicos da autonomia é ‘tu’ poder escolher os seus representantes. Depois disso, a  consequência mais óbvia é popular os cargos de gestão com um apoiador do governo. Pessoas que não são escolhidas por suas qualidades de gestão, mas por terem simpatia com uma determinada ideologia dominantes, do governo Federal.   Construir Resistência: Em sua carreira acadêmica, o senhor já havia visto tamanha interferência nas universidades? Seja em termos de patrulhamento ideológico, seja em termos de contingenciamento de recursos e/ ou controle de pensamento e ideias?   Pedro Hallal: Não. Em nenhum momento da minha carreira cientifica eu vi tamanha ingerência nas universidades, tamanho ataque ao conhecimento, tamanha queda de na autonomia e invasão na autonomia das universidades.  É um momento único com relação a esses aspectos.   Construir Resistência: Quanto ao fomento e liberdade de linhas de pesquisas e ensino, os recursos diminuíram? Como isso vem afetando o avanço científico, em especial a produção de vacinas?   Pedro Hallal: Nota-se certa preferência por algumas áreas do conhecimento. Sistematicamente, alguns cortes de recursos, por exemplos nas Ciências Sociais Humanas e ataques diretos ou indiretos às pesquisas dessa natureza, que são realizadas nas universidades. Nada sutis, para falar bem a verdade. Também, corte de bolsas etc.. Quando eu era reitor, houve uma corte de bolsas nas áreas de Ciências Sociais e Humanas. Eu acabei tendo que organizar, junto com a gestão, um edital especifico para a área, mantendo o número de bolsas necessário.   Construir Resistência: Pessoalmente, durante o processo eleitoral na sua universidade, o senhor foi coagido/ intimidado de alguma forma, pessoal e profissionalmente falando? Seja a se calar, assinar algum documento ou sofreu/ sofre alguma retaliação?   Pedro Hallal: Não. Durante o processo eleitoral no ano passado, na universidade, eu optei por não concorrer. Porque eu já estava vendo esse movimento e seria um prato cheio para o presidente não nomear. Então, não sofri nada durante o processo eleitoral. Foi normal em relação a isso, mas as coisas principais e piores vieram depois do processo eleitoral. Começou com a não nomeação do candidato eleito.   Construir Resistência: Como epidemiologista, o senhor pode nos falar um pouco sobre suas pesquisas na UFPEL?   Pedro Hallal: A pesquisa principal é o EPICOVID-19 (o maior estudo epidemiológico sobre o coronavírus no Brasil). Buscamos entender o percentual da população brasileira com anticorpos para #Covid-19. Os resultados têm sido amplamente divulgados pela mídia.   Notas das autoras: A lei que rege o assunto (Lei 9192 de 21/12/95) prevê que quem escolhe reitores para as universidades federais é o Presidente da República, a partir de uma lista com três nomes enviada pelo Colégio Eleitoral das universidades. O presidente não é obrigado a escolher o mais votado, mas pela tradição, tem sido indicado o nome mais votado nas ‘eleições informais’ feitas na comunidade. Raríssimas vezes o chefe do Executivo deixou de nomear o primeiro da lista aprovado pela maioria.   No caso da UFPEL, o presidente da República nomeou a professora Isabela Fernandes Andrade para reitora no dia 6 de janeiro deste ano. A decisão, endossada pelo ministro da educação, Milton Ribeiro, ignorou o nome mais votado na comunidade acadêmica, o professor Paulo Ferreira Junior.

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Gentileza gera mais amor por favor

Por Carlos Monteiro   O Profeta  Gentileza e sua delicadeza em flores astrais, físicas e espirituais, distribuídas e semeadas, ao longo de anos, pela Cidade Maravilhosa e em terras de Araribóia, foi telúrico, metafórico e visceral. Mostrou ao Rio de Janeiro que, se quisermos “Celacanto não provoca maremoto”, não provoca sismos, não provoca guerras. Muito pelo contrário, a gentileza é agente provocadora de paz e gratidão… era José Agradecido e enobrecido, pura ternura. Vivemos um momento conturbado em que o coletivo tem tomado muito mais as formas ‘eu’ e ‘meu’, em que as almas têm se trancado em feudos, murados de egos, aflorados em ids, desequilibrados em superegos. Momentos de um ‘venha a nós, deixando ao vosso reino absolutamente nada’. Encimamentos e egocentrismos, os ególatras estão à postos! Afasta-nos desses ó Pai! Ímpar em sua singularidade, o “eu maior” rege esse império, mesmo que esta monarquia seja protegida por exércitos brancaleônicos fardados em utopias e quimeras. Farrapos existenciais de idolatrias soberbas. As chamas das fogueiras da vaidade, mais que nunca, são lume do egoísmo, atiçadas pelo mal querer, pelo mal poder e, principalmente, pela má vontade. A soberba toma formas inusitadas, encimadas pela falta de humanidade. Das cinzas brotam fanatismos, antes brotassem Phoenixs! “…El amor es torbellino de pureza original…/…El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño/Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero…” é a mais pura tradução da alquimia do amor nos versos de Violeta Parra ou quem sabe nas trombetas angelicais. “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine”. O amor “Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”. O amor “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. [1 Coríntios 13: 1; 6,7]. A vaidade vem tentando fincar raízes, mas, o terreno é pantanoso, instável e perigoso; porque “…O homem que diz sou/Não é!/Porque quem é mesmo é/Não sou!/O homem que diz: Tô/Não tá!/ Porque ninguém tá/Quando quer…”. Saravá Baden! Saravá Vininha! Saravá Ossanha! Os tentáculos ardilosos da veleidade, fazem imergir ufanismos perversos capazes de afastar, sobremaneira, o que há de melhor em cada um. Apaga o logos. Aforismos. O amor deve ser pago com amor? Gentileza gera gentileza? Nome-do-pai…? Adágios de realidade em sociedade. Mero apotegma existencial. Dias difíceis em que a solicitude e prestatividade ficaram em baixa. O lugar comum, “novo normal” suscitou sentimentos divergentes, pintou cenários plúmbeos, deixou a psique à deriva. Generosidade não é mais a palavra de ordem… Talvez Freud explique, quem sabe? Ou não… A velha esperança de tudo se ajeitar deve  brotar no amor sublime e na partição do pão nosso de cada dia. Por mais tapumes Lerfá-Mur em chão de giz! Por mais ‘Gentilezas’, por mais rosas vermelhas do bem querer, por mais loucos de amor e malucos-beleza. Que brotem sementes, frutificando todo sentimento nas metáforas mais sutis e belas, delicadas e deferentes. É dia, eu já escuto os teus sinais. É a bruma leve. Zéfiro em lufadas, límpido páramo. “Solidários, seremos união. Separados, uns dos outros, seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.” – Bezerra de Menezes. Solidários, serenos, sagrados, sinceros, sóbrios, salutares. Deixa fluir o amor e o sal da Terra! Seremos um Rio de amor!   Carlos Monteiro é jornalista e fotógrafo.

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