Construir Resistência

30 de março de 2021

Bolsonarismo derrete e arma barricadas

Por Simão Zygband Anteriormente escrevi na minha coluna que o presidente em decomposição, Jair Bolsonaro, como todo bom psicopata, iria criar problemas maiores do que criou o seu amigo Donald Trump ao perder as eleições norte-americanas. O ex-presidente dos EUA demorou para reconhecer a derrota e quase teve que ser posto para fora da Casa Branca a pontapés. Bolsonaro, um admirador do torturador Brilhante Ustra – e só por isso jamais deveria ter sido eleito e sim preso por apologia à tortura, crime previsto no Código Penal, – vendo que sua popularidade despenca a cada dia, que México, Argentina, Bolívia, entre outros colocaram fim à era de governos de direita, decidiu armar uma “barricada” para tentar se perpetuar no poder. Como se diz no futebol, na frase cunhada pelo inesquecível atacante da seleção brasileira, Mané Garrincha, Bolsonaro só esqueceu de “combinar com os russos”. Realizou uma “reforma ministerial”, com a troca de seis ministros, dando mais poderes ao denominado Centrão do Congresso, para assim garantir conforto em votações de projetos que poderiam lhe ser problemáticos. Mas, para fazer esta acomodação, o presidente (sic) retirou um pouco do poder dos militares no governo. Conclusão: todos os comandantes das Forças Armadas colocaram os cargos à disposição, fato que nunca havia acontecido antes na história do país. Recentemente, centenas de economistas neoliberais, empresários, banqueiros divulgaram uma carta aberta criticando a “negligência” do capitão reformado no exercício da presidência, exigindo dele urgência na vacinação e políticas públicas “com base na ciência”. O documento defendeu lockdown geral e criticou o “falso dilema” entre salvar vidas e a economia, defendida por Bolsonaro. A carta tem 500 assinaturas. Traduzindo, Bolsonaro perde apoio popular, conforme revelam as últimas pesquisas, de parte das Forças Armadas e de um importante contingente do empresariado. Tenta fazer o que mais entende, que é o toma lá dá cá no Congresso, onde hibernou por longínquos 33 anos, se notabilizando apenas por cuspir estultices com viés racista, homofóbico, misógino, entre outros. Também não lhe agrada a ideia de ser considerado um pária na comunidade internacional onde é reconhecidamente o pior presidente do mundo no enfrentamento à pandemia de Covid-19, ocasionando fuga do capital estrangeiro do país e colocando qualquer brasileiro que queira ir ao exterior como um transmissor em potencial de coronavírus. Quem analisa mentes doentias como a de Bolsonaro, como o psiquiatra forense Guido Palomba, sabe perfeitamente que ele não entregará o poder de bandeja e que poderá até promover um derramamento de sangue, caso seja pressionado a deixar o poder. Talvez não haja clima para a realização de um golpe, pois falta unanimidade entre os militares, apoio popular (desgastado com o descontrole na economia) e de parte do empresariado para apoiá-lo em uma aventura golpista. Mas, cria-se uma atmosfera de insegurança e incertezas, já que o bolsonarismo também tem seus fanáticos, estúpidos suficientemente para lutar pelo seu capitão até a morte. O capitão reformado dará um golpe baseado então em pastores evangélicos de má índole, que exploram a fé do povo pobre, com um exército de milicianos, criminosos mercenários com quem a família presidencial tem notório envolvimento e com o que resta de pessoas que ainda acreditam no genocida? Parece que a barricada do extremista não resistirá por muito tempo.

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Ex-juiz da Lava-Jato faz mais uma vítima

Sonia Castro Lopes   Já sabemos pelas decisões do Supremo Tribunal Federal que o ex-juiz de Maringá violou a constituição e agiu com parcialidade no julgamento dos processos contra o ex-presidente Lula. Pela ação da Lava-Jato, sob seu comando, Lula foi impedido de concorrer às eleições de 2018. Indigente intelectual e despreparado do ponto de vista jurídico, Moro é a expressão do que existe de pior no poder judiciário. Aliou-se ao grupo fascista porque, na verdade, sempre quis ser presidente da república. Com o apoio de uma classe média que diz ter ‘horror à corrupção’ e das mídias hegemônicas,  ajudou a eleger o genocida que hoje ocupa o Palácio do Planalto. É, portanto, um criminoso. Mas como a Rede Globo sempre se presta a dar espaço para esses canalhas, o pulha teve o desplante de enaltecer os feitos da Lava-Jato e, para se defender, arriscou-se a citar num francês de primeira série ‘Non, je ne regrette rien”, título da canção belíssima imortalizada pela cantora Édith Piaf, a diva francesa. Édith Piaf, “la môme Piaf” (o pequeno pardal) nasceu em 1915 e foi uma das maiores vozes do século passado. Descoberta por Louis Leplée que a viu cantando nas ruas de Paris, Piaf consagrou-se como cantora internacional. Teve uma vida trágica, marcada por perdas, acidentes e doenças. Faleceu aos 47 anos em 1963 deixando em todo o mundo milhares de admiradores. Dentre suas canções mais ouvidas destacam-se “Ne me quite pas”,  “ Non, je ne regrette rien”, “ La vie em rose”, “Hymne à l’amour”, as duas últimas com intensa repercussão no Brasil nas décadas de 50-60. ‘Não me arrependo de nada’ quis dizer Moro ao tentar utilizar-se da poesia e do sentimento profundo que a canção de Piaf nos inspira. Verdadeiro desrespeito à memória da grande cantora ser evocada por um pilantra como Sérgio Moro, juizeco de quinta, vergonha dos juristas brasileiros. De fato, ele não deve se arrepender de nada porque sociopatas não possuem sentimentos, não têm humanidade. Nesse particular o ex-juix se identifica com outro criminoso, aquele de quem se tornou ministro. Seu lugar, Moro, é na lata de lixo da história, para onde você irá juntamente com a quadrilha lavajatista e o genocida que você se empenhou em colocar no poder. Com vocês, a verdadeira, a imortal, a genial Édith Piaf   Visualizar o vídeo Edith Piaf – Non, je ne regrette rien (Officiel) [Live Version] do YouTube Edith Piaf – Non, je ne regrette rien (Officiel) [Live Version] ResponderEncaminhar  

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A dança das cadeiras

Roberto Garcia   Fala-se em estabilidade quando as coisas ficam como estão. Instabilidade é quando não se sustentam e tem que mudar. Às vezes muda-se em busca da estabilidade. Mas aí tem que dar algum tempo, para ver se ficou diferente e melhor. Tem a troca de seis por meia dúzia e aí não melhorou nem piorou. Confirmaram-se as suspeitas. As coisas não estavam bem. Há um rebuliço em andamento. A insistência em manter as coisas como estavam, exigida por Jair e pela família, que já durava algum tempo, não emplacou. Eles queriam empurrar as coisas para um lado que a nação não queria ir. Mas a nação é constituída por muitos segmentos e nestas horas cada um está puxando para os seus interesses. Uns estão dispostos a ceder um pouco mas não querem a derrocada. Outros não querem dar nada. Acham que se der um pouco perdem tudo. Esse regime ainda representa muitos interesses. Quais? Quem andava segurando esse barco eram os militares. Eles se meteram nessa enrascada, estava bom, a patota lucrava. Tinha que engolir sapo, mas melhor engolir lucrando que ficar de fora. O problema é que os que estão no topo das forças não ficam na caserna, vão prá casa todo dia, enfrentam mulher, filhos, vizinhos, as amizades de fora, que já não cumprimentam com aquele entusiasmo de antes. Tem o pessoal dos negócios, que já não está tão contente. Eles tinham mergulhado de cabeça mas todos os ganhos desde então podem se revelar ilusórios. E tem muita gente perdendo dinheiro. As igrejas não têm cabeça. Só tem interesses. E esses estão bem servidos. Morrem alguns fiéis mas os dízimos deles são compensados pelas mamatas que o governo está dando. De perdão de dívida passada a isenção de impostos no futuro. Pastor de tv não é mais como os de antigamente. A língua deles agora é grana. Jesus anda muito ocupado com outras coisas. Tem a malta de raiz. Esses apóiam tudo. Aplaudem antes de saber do que se trata. Jair está certo sempre, não faz nenhum erro. Os críticos é que estão com o diabo. Eles estão sempre com o Senhor e com Jair.   Resta o resto, amigos, você e eu. Não sei o que falar de você, mas eu não estou gostando. Não são apenas os 320 mil mortos, opa, amanha já chega ao meio milhão. Os desempregados oficiais, os que já nem procuram emprego e ai deixa de constar da lista oficial. Mas estão lá. Esses andam mal. Não tem gente suficiente para comprar tanta pipoca e muamba que tanto desempregado tenta vender. Quase todo o resto incomoda, a educação, a saúde, a falta de perspectiva nos outros campos, a certeza de que só vai piorar. E as chamadas forças externas? A saída de Ernesto alivia mas não resolve. Poucos acreditam no Guedes, que já deu o que tinha que dar. As promessas dele de um trimestre melhor já não valem. Tudo o que ele tocou derreteu e quem ficar perto dele pode se queimar. Tem muita coisa ainda que não está definida e que por enquanto está no ar. O pessoal das finanças não gosta de instabilidade, ganha mesmo com ela, mas existe uma sensação de que vai piorar. O resto do ministério é ruim de bola, não tem um em quem confiar. Calcule embaixada estrangeira e uma em particular. As luzinhas dos modems deles não param de piscar. Mas calcule se Tio Biden apóia Jair Messias. E que tal Mourão? Ele pode ser mais confiável, mas também pode ser um vespeiro, só entra em esquema se for para ficar. Por menos de dois anos de governo vale a pena arriscar? Mas tome alguma distancia, veja o que se tem em mãos e qual a alternativa. Se fizer eleição agora o sapo barbudo é quem leva e ai precisa analisar. Nos governos dele mais se ganhou do que se perdeu. Mas se ele vem agora, em cima da derrota de Jair e de tudo o que ele representou, o jogo pode mudar.   Roberto Garcia é jornalista.

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A greve pela vida

Fernando Rodrigo dos Santos Silva   Há um ano o Brasil enfrenta uma guerra ambígua contra a pandemia do covid-19. Há setores da sociedade civil que defendem posições apoiadas na ciência e sugerem ações de isolamento social, uso de máscaras e socorro aos mais vulneráveis. Todavia, há ainda posições sustentadas pelo negacionismo, como a do governo federal que tem buscado sistematicamente desarticular as medidas sanitárias, econômicas e sociais que atenuariam os efeitos da pandemia no país, visíveis na crise econômica e humanitária. Estamos com mais de 300 mil mortes.   Há uma luz no fim do túnel, já há vacinas desenvolvidas sendo aplicadas no mundo todo. Porém, a marcha da vacinação segue lenta no país e os brasileiros cansados de um isolamento frouxo já dão sinais de esgotamentoao forçar o retorno à “normalidade” diante do caos.   No centro do debate sobre o que deve abrir em plena crise sanitária, há uma pressão internacional pelo retorno das aulas presenciais nas escolas. Sociedades de pediatria têm sido convidadas a apontar os efeitos negativos do isolamento em crianças e jovens, impedidos de se socializarem. Enfatiza-se que este público não seria afeito aos casos mais severos da covid-19, embora funcionem como vetores de transmissão para grupos prioritários.   Por aqui, os efeitos das desigualdades sociais ganharam relevância para sustentar o retorno das atividades presenciais escolares, enumera-se: parcela significativa dos estudantes brasileiros não tem acesso à internet (equipamentos, dados etc.) para as aulas remotas e depende da alimentação escolar para ter o número mínimo de refeições diárias, além da exposição a contexto de violência, sem o meio turno de atividade escolar, agravada pela ausência dos adultos da família que precisariam voltar ao trabalho.   Por trás da fala atenta à saúde psicossocial deste grupo em idade escolar está o papel central exercido pela escola em sociedades como a nossa: o lugar de guarda e proteção destes jovens, sobretudo para famílias que se ausentam dos lares para exercer alguma atividade remunerada. A escola é uma instituição central para o funcionamento das sociedades modernas, não só pela preparação dos jovens, mas porque ela organiza o tempo da produção nas cidades. Deste modo, justifica-se a pressão pelo retorno às atividades presenciais, apesar dos efeitos desta decisão.   Retirados do debate público, os professores têm se organizado para reagir à pressão que os ignora nesta polêmica. Assim, vimos surgir uma nova modalidade de luta: a greve pela vida. Se a greve tradicional é uma estratégia da classe trabalhadora baseada na suspensão total das atividades laborais. Esta nova tática se baseia na suspensão das atividades presenciais nas escolas, mas mantém as atividades remotas. O que derruba o argumento de que os professores se recusam a voltar ao trabalho.   O que se pretende nesta modalidade é a salvaguarda da vida dos profissionais da educação e da comunidade escolar, e o direito a exercer suas atividades de modo que lhes seja assegurada a sua vida e a de seus familiares. Na contramão deste pleito, os governos se mostram surdos e insistem em abrir as escolas com protocolos irreais, dada a estrutura da maioria das escolas públicas brasileiras, tanto no que se refere à metragem das salas, à circulação de ar, à carência de profissionais, entre outros fatores. Há greve pela vida estourando em várias cidades brasileiras.   Em Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense (RJ), o ano letivo iniciou em bandeira laranja no dia 8 de fevereiro e com a greve pela vida aprovada em assembleia online. Apesar do trabalho remoto destes professores, o prefeito Washington Reis (MDB) ordenou o corte de ponto dos grevistas, ignorando o decreto municipal de 2020, ainda em vigor, que regulamentou o trabalho remoto. O movimento grevista resiste a duras penas.   Na sexta-feira, dia 12 março, a Secretaria Municipal de Educação (SME) do município enviou e-mail às escolas suspendendo as atividades presenciais na cidade em razão da entrada do município na bandeira vermelha. No dia seguinte, o prefeito Washington Reis publicou um comunicado oficial informando à população que as aulas das Redes Municipal e Privada de ensino continuariam no formato presencial. O documento não apenas desautorizou a secretária de educação como gerou a sua queda.   Duque de Caxias está em bandeira roxa desde o dia 17 de março e apesar do decreto do governador Claudio Castro – considerado frouxo por autoridades sanitárias– suspender as aulas presenciais no estado no período entre 26 de março e 4 de abril, Washington Reis insiste nas aulas presenciais, graças a um decreto publicado na cidade,na noite do dia 25 de março, afrouxando mais as medidas de restrição estadual. Vale destacar que não há uma normativa para o afastamento dos professores com comorbidade no município.   No sábado, dia 27, a justiça concedeu uma liminar suspendendo o decreto municipal e obrigando a prefeitura a manter as escolas fechadas para aulas presenciais no município. Apesar da liminar, nesta segunda-feira, dia 28, algumas escolas abriram normalmente e em entrevista concedida à imprensa, o prefeito avisou que irá recorrer da decisão. A luta se anuncia longa entre um prefeito negacionista, que insiste na normalidade da situação apesar da bandeira roxa, e uma classe profissional que encarna o sentido público da sua atividade.   Em um contexto de intensa precarização das relações de trabalho, os professores públicos são uma das poucas categorias profissionais organizadas que conseguem fazer o mínimo enfrentamento de agendas comprometidas com o massacre da classe trabalhadora. Neste sentido, apoiar a luta dos professores é também defender os anseios de todos os trabalhadoresem um cenário hostil a estes agentes. À greve pela vida!!     *Fernando Rodrigo dos Santos Silva é professor da Educação Básica no município de Duque de Caxias/RJ, doutor em Educação pela PUC-Rio e grevista pela vida.

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