Construir Resistência

22 de março de 2021

Quem tem medo de Lula?

Há pouco mais de uma semana (dia 13/3) publicamos neste site a matéria “Sem medo de ser feliz de novo” (www.construirresistencia.com.br/sem-medo-de-ser-feliz-de-novo) na qual analisamos os receios de alguns segmentos da sociedade sobre a possível candidatura de Lula às eleições presidenciais de 2022. Tornado elegível pelas decisões do Ministro Edson Fachin, que anulou alguns processos nos quais havia sido condenado, Lula vem sendo atacado em manchetes veiculadas pela ‘grande imprensa’ com intenção de minimizar seu protagonismo no cenário político do país. Quem tem medo de Lula? Construir Resistência recomenda a leitura da entrevista de Dilma Roussef publicada nessa segunda (22) no #Brasil 247 https://www.brasil247.com/poder/a-folha-tem-medo-de-lula-diz-dilma    

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Terceirizando o problema ou admitindo a omissão

#ConstruirResistência recomenda uma leitura crítica:   para visualizar o texto original selecione o link e clique com o lado direito do mouse:   https://www.brasil247.com/brasil/65-senadores-lancam-carta-pedindo-socorro-a-comunidade-internacional?amp=&utm_source=onesignal&utm_medium=notification&utm_campaign=push-notification

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Sob o signo da unidade e da esperança

Um olhar sobre Amarelo/Emicida Victor Melo   “Elégbára réwà, a sé awo (O Senhor da Força é bonito, vamos cultua-lo) Bará Olóònòn àwa fún àgò (Exu do corpo, senhor dos caminhos, dê licença) Elégbára Elégbára Èsú Aláyé (Senhor da Força, Senhor do Poder, cumprimentamos o rei do mundo)”   “A pàdé olóònòn e mo juba Òjísè (Vamos encontrar o Senhor dos caminhos,  meus respeitos àquele que é o mensageiro) Àwa sé awo, àwa sé awo, àwa sé awo (Vamos cultuar, vamos cultuar, vamos cultuar) Mo júbà Òjisè (Meus respeitos àquele que é o mensageiro)”   “Escrever para mim é ter a benção de passear pelo tempo”   Amarelo é definitivo. Um contundente álbum e filme para consagrar uma das vozes mais originais, criativas e inteligentes da música brasileira, da arte brasileira, da cultura brasileira, do Brasil dos últimos tempos. Sua performance pública me remete a dois outros líderes musicais recentes: Chico Science e Marcelo Yuka. Há, contudo, uma diferença. Emicida é negro da periferia de São Paulo, de uma cidade de nervos muitos expostos, e a força de sua mensagem guarda uma contundência talvez somente possível naquela experiência citadina (e forçoso é lembrar da vanguarda paulistana de Itamar Assunção e do movimento punk de Clemente, entre tantos). Dura, mas poética. A dura poesia concreta de suas esquinas, como já disse o poeta Caetano.   Ao traçar uma “linha evolutiva” (termo horrível, mas não encontro outro melhor) da musicalidade (e da luta) negra no Brasil, o filme é bastante generoso e deferente com o samba e o Rio de Janeiro (relação não estabelecida de forma linear, mas muito enfatizada). Todavia, ao mesmo tempo desconfia e não deixa de considerar que a experiência paulistana oportuniza (a duras penas, diga-se) um caráter simultâneo e dúbio de ruptura e síntese que somente as grandes metrópoles oferecem.   Esse frenesi de ocorrências talvez ajude a também entender porque, para além de sua incrível leitura de mundo, Emicida não se considere como inaugural, se vendo como parte de um continuum que tem antigas e longas raízes. Um grão no universo. Mas não qualquer grão. Emicida “bate cabeça” para seus “mais antigos”, seus antepassados, mas, a despeito de seu respeito aos velhos mestres, deixa claro que também tem o seu papel de recriação. Se as novas gerações devem aprender com as antigas, devem elas assumir suas responsabilidades, não podem prescindir de interferir. Emicida se vê com a função de pôr mais um tijolo no muro. E que tijolo. Uma tijolada! Tijolada para destruir esse mundo, esse mundo que está sustentado em tantas desigualdades e desrespeitos. Construir um novo mundo.   A referência a Exu que abre e encerra o filme é assim um bálsamo a nos preparar e concluir a descarga de poesia que nos acomete em 1h30 de película. Exu é o orixá do movimento, da transformação, da revolução, da comunicação. Oxalá moldou o ser humano, mas foi Exu que lhe deu o impulso vital. A propósito, vale lembrar que na cosmogonia yorubá, o ori é tão importante quanto o orixá: o livre arbítrio, a possibilidade de escolha, o mais íntimo de cada indivíduo que deve mesmo receber a oferenda antes dos orixás.   E quando a oferenda for feita, primeiro se faz a Exu, pois ele é o elo de ligação entre os seres humanos e os deuses. Assim, mais do que uma referência fundamental ao orixá, ele mesmo, Emicida, assume uma função de Exu, promovendo elos de ligação entre as mais diferentes gerações e correntes com a proposta fundamental de recuperar os fluxos – entre os seres humanos que devem se respeitar e combater qualquer forma de preconceito (a mensagem antirracista é clara, explícita, urgente e necessária), entre os seres humanos e a natureza (o respeito ao entorno e aos diversos tempos que compõe a vida em sociedade), entre as diversas formas de religiosidade, que devem ser mobilizadas para cumprir sua função central – religare, a mobilização das infinitas forças do universo que se manifestam nos mais diferentes espaços – inclusive, mas não só, na ciência e na arte.   Emicida assume também uma função de Exu quando bagunça tudo, mistura, é inquieto. O orixá é conhecido por ser zombeteiro, tumultuador, aqui o tumulto entendido não em seu aspecto negativo, mas sim naquilo que desestabiliza, desconstrói dando possibilidade de uma nova criação.   Há que se lembrar ainda que Exu, dos orixás mais incompreendidos e vilipendiados pela cultura cristã, que o relacionou ao diabo numa dinâmica maniqueísta que não cabe no mundo yorubá, rege a rua, a festa, os espaços de exagero, mas também protege o povo que na cena pública vive – mendigos, malandros, putas, daí também ser relacionado ao sexo. Simultaneamente, Exu é o orixá dos desejos, do tesão, e da defesa daqueles que são excluídos, vítimas de um mundo de injustiça e desigualdade. Mas esses têm a proteção de Exu, e Exu é também a expressão da vítima que não se vitimiza, reage, luta, é também protagonista.   Para sustentar/apresentar suas hipóteses, o filme dá uma aula de história. Alguns poderão reclamar do caráter didático de algumas passagens. Para esses, valerá ponderar. Se fosse tão claro, não estaríamos passando pelo que estamos passando nesse país. Por vezes, é preciso explicar minuciosamente para que se entenda. Pode-se até desenhar, como diz a troça. Amarelo – o álbum e o filme – deveriam ser adotados como obrigatórios nas escolas nacionais.   Aliás, a não ser que você seja um avestruz, Amarelo não é opcional, é obrigatório, é peremptório, é necessário, é urgente se desejarmos deixar de ser um aglomerado de gente e passarmos a ser verdadeiramente um país e uma nação. E isso não será possível quando ainda estiver excluída das benesses do suposto projeto coletivo parte significativa do seu povo.   Assim sendo, a luta contra a exclusão – contra todos os tipos de exclusão – de raça, de gênero, de orientação sexual, de classe – é responsabilidade de todos. Porque essa luta só cabe mesmo aos seres humanos. Lembremos outro dito:

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Por que não usas máscara?

– Porque eu não pego essa porra aí… Quem é jovem num pega. Cresci do lado de um esgoto. – Tá, mas e os outros? Você pode passar, mesmo não apresentando sintomas. – Tô ligado… – Então… – Olha, mano, senhor, tô pouco me fudendo… – Como assim? E na sua casa? Sua mãe… – Minha mãe morreu eu tinha 16 anos… Tá com Deus… – E não tem mais ninguém? – Tem… Tenho né? – E? – Olha, meu avô, Deus me perdoe, mas quero que se foda nessa parada aí. Sério, mano, me queimava o lombo com a cinta. Até o dia em que eu desci uma porrada nele. Aí, sossegou… – E seu pai? – Esse aí tá fazendo hora extra já, coitado. Pinguço do caralho, só serve pra dá trabalho. – Mas tem outras pessoas mais idosas por perto… – Qué sabê, parceiro? Quero mais é que esses véio vão tudo pra casa do caralho. Limpá a área, tá ligado? – Por quê? – Porque foram eles que deixaram o mundo assim, mano, na bagaça. Deixaram tudo zuado pra nóis. – Mas a doença tá pegando em gente mais jovem agora… – Cada um, cada um, eu não vô tretá com quem não quer usar essa porra aí. Se vier um gambé enchê o saco eu ponho. Tenho aqui no bolso da berma, ó! – Mas e você? – Aqui é Ferraz, véio, república federativa de Ferraz de Vasconcelos. Aqui é pros fortes, entendeu? Quem mora nessas quebradas aqui já é rei sobrevivente. – Mas tá morrendo muita gente de Covid nas quebradas… – Morreu? Descansô. Cada um precisa fazê seu corre pra comprá comida. O cara pega busão lotado todo dia e não pode fazê um rolê no sábado? – Mas diminuiu com o isolamento… – Mano, só de estar respirando já é um puta milagre… Já tirei uns dias, tá ligado? Chave! Como que o truta sobrevive lá no sistema, dez em dois por dois? – Tá certo… – Podexá que eu fico longe do senhor, seu pneu tá quase pronto. Nota da redação – este diálogo foi travado com um jovem borracheiro, na Zona Leste de São Paulo Walter Falceta é jornalista, dirigente da torcida Democracia Corintiana. Trabalhou como repórter da revista Veja e editor nos  jornais O Estado de São Paulo e O Globo

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Roda mundo

  Na roda dos sem teto de rua   Por Tião Nicomedes   Já não podeis, da pátria, filhos ver contente a mãe gentil. Já raiou, o lockdown, no horizonte do Brasil… Que sacrilégio, deturpando o Hino da bandeira! Vocês repetem, igual papagaio. Mas, sabem mesmo, o que significa essa palavra? Com certeza não sabem. Lockdown: confinados. Confinados tipo albergue. Um monte de gente confinada dentro do mesmo espaço. Cheio de regras chatas. Por que acham que a gente corre “prá” praça? Isolamento social? Sempre vivemos isso, bem antes da #Covid-19. Inclusive, essa #pandemia, dizem, da nova era, coisas da nova ordem mundial. Inventam doenças e vem com a cura. Criam o problema e depois a solução. A preços bem salgados. Tipo esse amendoins, de saquinho: bom demais e alteia a pressão. Sal, que para hipertenso, é uma bomba. ‘Tá’ falando sério? Mais bobagem do que falam os governantes? Cada hora dizem uma coisa. Depois desdizem. Usa máscara. Tira máscara. Toma vacina, não tem vacina. Kit #covid-19:  cloroquina, vermicina. Tubaína. Até que de álcool a gente entende. Brincam com coisa séria. #Coronavírus matando centenas de milhares de pessoas. Todo dia. A cada segundo morre alguém. Vocês, que moram na rua, têm que evitar aglomerações:  lavar as mãos sempre, com sabão, álcool em gel, tomar banho, trocar de roupa. “Quem mora na rua é poste. A gente tá na calçada. Sim. Estamos em situação de rua. Pudesse, estava no conforto de um lar, agora, tomando cerveja em caneca de alumínio… Comendo torresmo frito. Tomar banho de chuveiro, deitar a cabeça no travesseiro ou assistindo filme no sofá da sala, comendo pipocas.” “Vocês no fundo tem família. Tem parentes, desesperados, procurando cada um de vocês. Sempre tem alguém sofrendo. Mas vocês preferem encher o rabo de cachaça.” ¨Ow cidadão! Sem ofensas. Agora, eu te pergunto: O toque de recolher significa alguma coisa pra você? Então, o que vossa senhoria está fazendo na rua uma hora dessas? Essa máscara no queixo? Procurando o vírus prá levar pra dentro de casa? Quer matar quem? seus pais ou tá morando com a sogra?” Acabou de jogar o latão de ‘breja’ no chão , olha ‘prá’ baixo. ‘E daí? Tá pisando na bosta.” Sebastião Nicomedes de Oliveira é “poeta das ruas”. Autor da peça teatral Diário de um Carroceiro e do livro As Marvadas é artista popular. Ex-catador e ex-morador em situação de rua, integra o MIPR (Movimento Internacional de População em Situação de Rua). crédito da foto: Tião Nicomedes

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Diga-me com quem andas…

Roberto Garcia   Não sei o que o Huck pensa da vida. O pouco que dele sei indica sucesso. Parece que entrou cedo na televisão. Manobrou nesse meio com habilidade. Ficou cada vez mais conhecido, prestigiado pelos colegas e pelos que o veem. Ficou rico, comprou barco, avião. Anda com gente rica e bonita. É astro da TV Globo. Virou celebridade. Nunca vi um programa dele. Nem sequer um minuto de suas apresentações. Por que então pensar nele? Gastar os meus dedos e umas linhas, onerar os olhos do pessoal que vai ler, escrever sobre a figura, com tão poucos sinais? Pergunta simples. Merece resposta, é claro: o rapazinho encasquetou, decidiu que quer ser presidente do Brasil. Ué, por que não? Se você entra para a televisão, chama umas pessoas interessantes pra mostrar e conversar, edita direito as imagens, bota no ar, atrai atenção, não comete nenhum erro grosseiro, projeta simpatia, pode perfeitamente usar isso como trampolim para chegar ao parlatório do Palácio do Planalto. Opa,  vamos com calma. Será que não é um pulo alto demais? Não, minha cara amiga. É perfeitamente possível. Imagine as nulidades que chegaram até lá. Esta seria apenas outra. Já pensou no professor de português mato-grossense que dava aula em escola de rico em São Paulo, o Dante Alighieri, tinha umas manias estranhas, convenceu até o Mino Carta, naquela época um moleque ainda impressionável, que o ajudou na campanha e fez dele prefeito de São Paulo? Ele teve carreira meteórica, virou governador e logo em seguida virou presidente. O Jânio Quadros não usava as redes sociais. Ele escrevia bilhetinhos. Umas besteiras. Mandava funcionário público chegar no horário certo, atender direito o público, dava uma ou outra orientação óbvia, fazia exigência austera. Jânio era moralista, criticava a corrupção. Não tinha a menor ideia sobre os dilemas da boa governança, para onde levar o Brasil. Mas usava sobretudo escuro, cheio de caspa nas costas. Usava quépi da CMTC, a companhia de ônibus e bondes da capital paulista, comia sanduíche de bife na Vila Maria, um bairro de pobre nos arredores. Com esses elementos ele convenceu os ricaços da elite, os sisudos proprietários do jornal conservador, o Estadão. Endossado pela UDN, o partido das classes produtivas Foi apoiado pelo Carlos Lacerda. Financiado pela Embaixada Americana. Virou presidente. E quando chegou lá em cima não sabia o que fazer. Descobriu que era uma chatice. Tinha uns assessores jovens, com imaginação, vivos mas que também não sabiam nada. O Carlos Castello Branco, o Evandro Carlos de Andrade, que mais tarde criaram juízo, viraram colunistas famosos, mas aí era tarde demais. O Jânio tomou posse em janeiro, mas renunciou em agosto, estava bêbado, não conseguia parar de pé. Foi presidente da república. Quer outro exemplo? O general Costa e Silva. Esse tinha sido o primeiro da classe na escola militar. Virou ditador e também não sabia para que diabo de lugar iria levar o país. Tinha algumas manias. A mais importante era ser duro, escolher sempre a opção mais radical, baixar o pau na esquerda, fazer o que a direita queria, obedecer ao embaixador americano. Inventaram prá ele um lema, integrar para não entregar (supostamente para os estrangeiros, que queriam abocanhar a Amazônia). Gostava de uísque. Teve um avc, foi para o além. Que Deus o tenha em boa conta. Posso até contar outras mas você vai achar que estou exagerando, brincando, sendo simplista demais. Está correto. Não consigo levar a sério. Devia. Voltando ao centro da história, continuemos com o Huck. Ele preenche o requisito mais importante, o que é fundamental: ele quer ser presidente. Vai achar engraçado, mas tem outra figura venerada que chegou a escrever um livro (não sei se escreveu tudo, ele tem ghost writer, os rapazinhos é que escrevem e ele bota o nome) chamado ‘The Accidental President.’ Ali disse que não tinha planejado. Era verdade. Mas que queria, queria. Era ambicioso, achava até que tinha direito, vinha de boa família, dos guardiães do império, lisonjeiro, era e é mentiroso, dizia que a Miriam Leitão era bonita e inteligente. E ela sempre acreditou. É grata até hoje. O Huck preenche outro requisito essencial. Nestas épocas, está acima de todas as outras. É a ideia que pode até colocá-lo no Planalto. Ele acha que a corrupção é o principal problema do país. Aí tem um problema. Ele tem a mania de colocar fotos com outras figuras importantes que, com o passar dos dias, se revelam grandes picaretas. E aí o pobre Huck corre nos arquivos, nas redes sociais, para apagar as imagens dele com as más companhias. Mas isso revela algo importante. Diga-me com quem andas…. E não adianta apontar o dedo pro meu lado. Estou mais limpo que bunda de bebê. Minha companheira constante é a gata branca mofada, a Esmeralda. Essa é rabugenta. Mas não é corrupta. Não, amiguinhas. Corrupção é um problema sério. Mas nem de longe é o mais importante. Vamos parar de brincar. Abram os olhos. Estão brincando com fogo. O povaréu está com fome, desesperado com o vírus, sem saúde nem educação. Chega de enganação com posto Ipiranga, com esse cabeça desmiolado que fica fingindo dar tiro e cuja preocupação máxima é proteger filho enrolado. Fiquem nessas bobageiras e depois podem acordar. Aí, sim, é que a coisa fica feia. E pode ser tarde demais. O FHC, o acidental, é o grande promotor do Huck. Eles se merecem. Francamente, acho que o resto, nós, não merecemos Pergunta rápida: sucesso na televisão, no futebol, na cozinha, qualifica a pessoa para a presidência da república? E a beleza, qualifica? Se a resposta é positiva, estou eleito.   Roberto Garcia é jornalista. 

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