Construir Resistência

15 de março de 2021

Trabalho Docente Sob Fogo Cruzado

(Segundo volume) Iniciativa do grupo de pesquisa Trabalho, Práxis e Formação Docente, o livro é fruto do esforço coletivo de docentes e pesquisadores envolvidos com a discussão crítica sobre os rumos da educação e do trabalho docente no Brasil. No livro, além dos organizadores, assinam artigos, dentre outros: Amanda Moreira da Silva, Acácia Kuenzer, Dalila Oliveira, Rodrigo Lamosa, Selma G. Pimenta, Maria Isabel de Almeida e José Fusari, Vitor Fernandes. Apresenta ainda entrevistas com Luiz Carlos de Freitas e Gaudêncio Frigotto. O texto de orelha coube ao professor Ricardo Antunes, a contra-capa da nossa estimada s querida colega Vânia Motta (Ufrj/Colemarx) e o prefácio foi coletiva e generosamente escrito por coordenadoras do grupo THESE. O livro estará disponível em formato digital e, em breve, poderá ser baixado gratuitamente no site do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ.  

Trabalho Docente Sob Fogo Cruzado Read More »

Volkswagen reconhece violação dos direitos humanos contra ex-funcionários

Nota pública da Associação Henrich Plagge Neste especial e trágico momento político da vida nacional, nós, os trabalhadores e trabalhadoras que vivemos o período da ditadura civil-militar no Brasil entre 1964/85, vimos à público, através da Associação Heinrich Plagge, que reúne os ex-empregados da Volkswagen, vitimados pela perseguição política na empresa entre 1964 e 1985, manifestar nosso sentimento a respeito da nota emitida pela Volkswagen, na imprensa nacional, no dia de hoje (14/03/2021). O primeiro fato importante nesta nota é que uma empresa do porte da Volkswagen reconhece que houve violação de direitos humanos contra seus ex-empregados naquele sombrio momento vivido no Brasil. Segundo, cabe registrar que esse reconhecimento se deu dentro das investigações empreendidas pelos Ministérios Públicos após denúncia formulado perante esses órgãos por 3 ex-empregados da VW (Lucio Antônio Bellentani, Expedito Soares Batista e Tarcísio Tadeu Garcia Pereira) juntamente com representações da sociedade civil, em busca de Memória, Justiça e Reparação, o que levou ao entendimentos da empresa com os MPs Federal, Estadual e do Trabalho mediante a assinatura de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta em 23/09/2020, no qual ela assumiu reparações coletivas em prol da sociedade e, individuais, para os trabalhadores vitimados por violações de seus direitos humanos, servindo como um início da virada da triste página vivida pelo povo brasileiro naquela triste época. Apesar disso, semana passada fomos vítimas, mais uma vez, de incompreensão por parte do Estado Brasileiro, diante de decisão relatada por um desembargador federal, reformando decisão de um juiz que reconheceu violações aos direitos humanos de vítima, ex-empregado da VW, que foi perseguido, torturado e punido em razão de sua insurgência contra o regime de ditadura militar de 64/85, afrontando, assim, a memória daqueles que resistiram ao arbítrio e, por isso, tiveram seus Direitos Humanos violados. Neste especial momento, onde se consolida mais um passo para promover a memória de nossas lutas, as reparações coletivas e individuais assumidas pela VW abrem caminho para se fazer Justiça aos que enfrentaram e mantiveram de cabeça erguida, por décadas, sua luta, sem se dobrar ao desânimo, mas sempre acreditando em reescrever essa história, tantos anos depois. Que neste momento da tragédia política em que vive o Brasil, a nota pública da VW, parte dos entendimentos realizados perante os MPs, acenda uma luz para se encontrar caminho em que o Estado Democrático de Direito jamais seja ameaçado e violado. Tarcísio Tadeu Garcia Pereira-Presidente Publicado originalmente no Facebook do jornalista Fernando Moraes  https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=4694677413882825&id=100000218394246

Volkswagen reconhece violação dos direitos humanos contra ex-funcionários Read More »

Sobre a crise socioambiental e aniquilação do outro

Por Rodrigo Borba*.   A última Semana do Meio Ambiente (5 a 9 de junho de 2020) foi repleta de lives e podcasts repercutindo discursos e práticas que enfatizam a importância de ser, ter, ver, experienciar e sentir tudo online. Foram colocadas nas redes belos registros da natureza que mostram praias, baías, lagoas e florestas. Agora, sem a ameaça da espécie que subjuga e domina as demais movida pela ânsia de colonizar territórios, mentes e corações, a biodiversidade sobrevive e transita mais aliviada. Imobilizada pelo pavor de ser extinta por um agente infeccioso que nem ser vivo de fato é, a humanidade se recolhe: fica de tocaia, aguardando o momento para retomar a ofensiva contra o outro, contra o diferente, incluindo aí o meio natural, em nome do desenvolvimento econômico e resguardado pela fé em um deus-dinheiro que abençoa quem segrega e mata em nome do lucro.   Reduzir, reutilizar, reciclar, recuperar, renovar, reflorestar… Mil e um “R”s mais uma vez povoaram a internet como palavras mágicas capazes de remediar hábitos de produção e consumo que exploram recursos naturais, enquanto retiram a dignidade de homens e mulheres, em um processo que leva à desumanização e ao extermínio daquele ou daquilo que não desfruta o status de “humano”. Porém, tantas outras letras, ainda mais significativas para a compressão da crise socioambiental ficaram de fora de debates sobre a semana do meio ambiente: “J” e “P” de João Pedro; “M” e “O” de Miguel Otávio; “Z” e “G” de Zezico Guajajara; “D” e “S” de “Dorothy Stang”; “I” e “T” de Itaberli Lozano são algumas das vogais e das consoantes que mostram que os “R”s sozinhos têm muito pouco a fazer diante do genocídio em curso.   Racismo, misoginia, machismo e LGBTfobia são algumas das chagas abertas e que sangram em nossa sociedade injusta e desigual, na qual vidas mais pobres e vulneráveis valem menos que outras – apesar da quantidade de pessoas que se intitulam religiosas e pró-vida. Se nas cidades a aniquilação dos excluídos ocorre em ações perpetradas pelo próprio Estado, no campo e terras de comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, é principalmente a omissão ou a conivência de gestores públicos eleitos ou indicados que condenam e ceifam sonhos, projetos e lutas.   Estamos sendo ensinados a nos “reinventar” para vivermos sob um “novo normal”. É isso que queremos? É nisso honestamente que acreditamos? Continuaremos assistindo a decolagem das mortes por COVID-19 acompanhadas do incentivo político e midiático ao retorno das pessoas às ruas como se isso fosse seguro e aceitável? Portanto, cabe mais do que nunca olhar criticamente para as questões ambientais. Primeiro para não esquecermos que as injustiças ambientais têm uma dimensão social e histórica a ser problematizada e corrigida. Mas também para não reforçarmos o “faz de conta” de que se “cada um fizer sua parte tudo ficará bem” que deposita sobre o indivíduo responsabilidades e fardos que são do Estado, servindo para culpabilizar as populações, notadamente as mais pobres, pela barbárie. Por que esse tipo de retórica tão prejudicial ainda é entoada e ecoa?Ou melhor: como elas ainda encontram interlocutores em nossos cotidianos? Precisamos pensar juntos nessas perguntas. Quais as possíveis respostas?   Nota do Autor Essa reflexão foi inicialmente publicada em junho de 2020, mas as discussões que a mesma traz se reacendem tendo em vista a censura prévia imposta à produção acadêmica do ICMBio noticiada nos últimos dias. _________________ *Rodrigo Borba é biólogo e professor de Ciências e Biologia. Doutorando em Educação na UFF. Mestre em Educação, licenciado e bacharel em Ciências Biológicas pela UFRJ.

Sobre a crise socioambiental e aniquilação do outro Read More »

Quem quer ser ministro da Saúde de Bolsonaro ?

Por Simão Zygband A médica cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar deve recusar o convite do (sic) presidente Jair Bolsonaro para assumir o ministério da Saúde no lugar do militar Eduardo Pazuello, que alegou problemas de saúde para se afastar do cargo. A Dra Ludhmila, que é coordenadora de Cardio-Oncologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo e de Cardiologia do Instituto do Câncer do estado de São Paulo, tem currículo suficiente para assumir o ministério (ao menos não é uma militar e sim uma médica). O Brasil, de fato, precisa de alguém que conheça minimamente do riscado. Qualquer brasileiro, sobretudo se for médico, ficaria extremamente lisonjeado com o convite de um presidente da República para assumir o ministério da Saúde, ainda mais em um momento tão dramático em termos sanitários para o país. O Brasil já acumula 280 mil mortes em um ano, com 11 milhões e meio de infectados e os óbitos diários chegando perto da casa dos 2 mil. Conter a disparada dos casos e mortes pelo Coronavírus se torna uma tarefa hercúlea, sobretudo pela falta de interesse do próprio Bolsonaro em conter a pandemia. Um.video mostra ele ridicularizando quem tinha contraído a doença. Independentemente de aceitar o cargo, esta será a quarta mudança no comando da Saúde no (sic) governo Bolsonaro em pouco mais de 2 anos. O ministro da pasta tem uma durabilidade de no máximo 6 meses no cargo. Mal chega a esquentar a cadeira. Nem um general forjado na dureza da vida nos quartéis, como Eduardo Pazuello, conseguiu suportar o empuxo do cargo. Ainda mais atendendo ao comando do capitão reformado. Não faltam médicos no Brasil simpatizantes do governo autoritário de Bolsonaro. Se de fato cumprissem com o juramento médico, que se baseia em quatro princípios fundamentais – jamais prejudicar o enfermo, não buscar aquilo que não é possível oferecer ao paciente, tipo milagres, lutar contra o que está provocando a enfermidade/acreditar no poder de cura da Natureza, – conceitos talhados por Hipócrates, na Grécia antiga, por volta de 460 a.C, jamais teriam votado em Bolsonaro. Ainda mais ser seu ministro da Saúde. O site Poder 360 adianta não somente que Ludhmila deverá declinar do cargo (indicada que foi pelo alto escalão do Congresso, inclusive pelo presidente Arthur Lira), como também não agradou ao mandatário na reunião que teve no último domingo, onde estava presente o filho do (sic) presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Houve, aparentemente, uma falta de sintonia entre os lados. Sua candidatura perdeu força depois que ela criticou nas redes sociais o uso de hidroxicloroquina e chamou Bolsonaro de “psicopata”, além de defendido a eleição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado à presidência da República. A pergunta que se faz é a seguinte: quem vai querer assumir o ministério da Saúde de um (des) governo que já está levando o país para o primeiro lugar no número de mortes por Covid no planeta, que em termos proporcionais já ultrapassou, inclusive, os Estados Unidos da América? Quem assumir o ministério da Saúde vai literalmente ter que tirar o país do caos sanitário, que já se faz presente com o gigantesco número de mortos, com a grandeza da propagação da infecção (onde a população não tem disponível informações de prevenção a doença), com a quase totalidade das UTIs completamente tomadas por doentes morrendo sufocados, com a falta de vacinas, que são disponibilizadas a conta-gotas para a população e, sobretudo, com um governo negacionista, que incentiva a população a não realizar o confinamento e sequer a utilizar máscaras que, apesar dos milhares de mortos, ainda desdenha da doença. Só Deus acima de todos. E salve-se quem puder.

Quem quer ser ministro da Saúde de Bolsonaro ? Read More »

Rolar para cima