Construir Resistência

12 de março de 2021

Quando o jornalismo vira risco de vida

Judicialização ameça o profissional de jornalismo e a liberdade de imprensa Por Adriana do Amaral   Os dezenas de milhares de seguidores do #BlogdoPaulinho,  especializado em esporte,  conhecem bem o seu estilo e o caráter investigativo e de denúncia. Paulinho (Paulo Cezar de Andrade Prado) frequentemente “fura” a mídia especializada, criando ao mesmo tempo fãs e desafetos. Neste momento, o jornalista vivencia o drama de ter sido condenado à prisão e ser preso a qualquer momento. Por interpretação judicial, as informações jornalísticas divulgadas viraram crime. E o pior, residente na capital paulista, São Paulo, ele terá de submeter-se ao cárcere no município de Tremembé, no interior, em presídio de segurança máxima onde estão os encarcerados os mais famosos ou de maior grau de periculosidade criminosos do Estado de São Paulo. Nesta entrevista, Paulinho, conta e explica o seu drama.  No final da reportagem resumiremos o caso que envolve poderosos do esporte, mecenato e Justiça.   ConstruirResistência: Você acredita que está sendo vítima de perseguição? Além disso, que a decisão judicial implica num atentado a sua liberdade de jornalista e liberdade de imprensa? Paulinho: Eu me sinto perseguido. Exatamente isso. Creio que eu sou vítima da vingança das pessoas que são expostas no meu Blog, através das reportagens. Onde eu publico fatos jornalísticos e conto histórias baseadas em depoimento de fontes e apuração de dados. Principalmente aquelas que eles não querem que sejam contadas, como casos de desvios de conduta diversos. Eu creio que a Justiça, lamentavelmente, está fazendo parte disso tudo ao mandar prender um jornalista que realiza o seu trabalho.  Mesmo porque não há xingamento, nem injúria nem difamação no #BlogdoPaulinho. A matéria pela qual eu estou sendo preso, especificamente, é absolutamente conclusiva. As provas foram publicadas demonstrando que houve uma doação de campanha de um sujeito muito rico, empresário, para uma pessoa que ele apresentava como desafeto. Eu mostro planilhas das doações.  Qualquer pessoa minimamente inteligente e de boa fé, quando lê o texto, percebe que não é uma matéria difamatória, mas informativa. Na sentença o meu trabalho é desqualificado Sequer toca no objeto em si, no fato que estava sendo julgado. É agressiva. Eu acho isso um grande absurdo!   Construir Resistência: É a terceira vez que acontece isso com você, não é mesmo? Paulinho: Estou sendo preso pela terceira vez, o que é lamentável. Em todos os processos fui condenado pelos chamados crimes de opinião. Precisamos refletir, pois o que está acontecendo comigo pode afetar toda a profissão, gerar prejuízos a todos os jornalistas. Afinal, vivemos tempos complicados… Num período democrático, como um jornalista pode ser preso por publicar o que quer que seja, dar a sua opinião ou expor fatos? É um grande absurdo, e isso precisa acabar. Desde 2019 tramita um projeto no Congresso Nacional, ironicamente em caráter de urgência, que pretende descriminalizar o tal crime de opinião, injúria e difamação. Caso aprovado, esses “crimes” seriam julgados pela esfera cível e não criminal. Eu defendo que a pessoa não pode ser impedida de falar ou publicar o que quer. Sobretudo um jornalista. Mas, é claro que devemos arcar com a s consequências do que publicamos. Publicar uma denúncia não é crime, mas liberdade de expressão e de imprensa. Em caso de excessos, caberiam processos na esfera judicial civil. Por tudo isso, eu considero a minha condenação totalmente absurda.   Construir Resistência: Como você está lidando com o fato de poder ser preso a qualquer momento e ficar recluso num presídio, em tempos de #pandemia, justamente onde os índices de letalidade pela #Covid-19 têm aumentado entre as pessoas em situação de cárcere? Paulinho: Sentimento de quem está sofrendo uma repressão oriunda de gente poderosa. Por que a condenação, com pena de reclusão (regime semi-aberto, impossibilitado por estar fora da região residencial)? Por que não conceder o benefício de eu cumprir a prisão dentro de casa, num período de agravamento da #pandemia? Fui condenado a uma pena de cinco meses e tenho de cumpriu mais ou menos 27 dias, o que significa um sexto da pena. Por que me jogar num presídio, com um monte de gente? As estatísticas mostram um crescimento de 190% dos casos de mortes nas cadeiras em consequência da #Covid-19. Um juiz arrisca a vida de um jornalista condenado por crime de opinião nesse momento?  Um cidadão e trabalhador brasileiro foi sentenciado a dormir num presídio em condições insalubres, exposto à infecção e morte pela #Covid-19.   ConstruirResistência: Você não é um criminoso, você é um jornalista que está sendo perseguido? Qual é o seu principal medo? Paulinho: Sinto-me como quem sofrendo uma represália muito grande oriunda de gente poderosa.  Não faz sentido. Não  só a condenação como a pena de prisão e não me concederem  o beneficio de cumpri-la dentro de casa, num período de agravamento  da #pandemia.  Nitidamente há algo contra o jornalista.   Entendendo o Processo Digital No. 1000799-17.2016.8.0050 O Juiz justifica, na sentença, que não há “razão de defesa”. Também, que “não houve prova suficiente no sentido que o sentenciado está no grupo de risco, seja pela idade ou porque apresenta problemas de saúde que podem ser potencializados pela Covid-19.”   Para ouvir o Paulinho, sobre a condenação, acesse o link: https://youtu.be/QzHvWzk7P74    

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A morte e as mortes de Anísio Teixeira (12/7/1900 – 12/3/1971)

Por Sonia de Castro Lopes   Anísio Teixeira, um dos maiores educadores que o país já conheceu, foi visto pela última vez com vida no dia 11 de março de 1971. Saiu de uma conferencia na Fundação Getúlio Vargas (FGV) na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, e encaminhou-se à residência do amigo Aurélio Buarque de Holanda. Em campanha para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), combinara de almoçar com o amigo para pedir-lhe o voto, tradição de todos os que se candidatam à ABL.   No dia seguinte, seu corpo foi encontrado no poço do elevador do prédio do imortal. A versão oficial foi a que ele caíra acidentalmente, mas amigos e familiares sempre suspeitaram de assassinato. No Auto de Exame Cadavérico,  dois médicos legistas atestaram que a morte se deu em 12 de março, mas não concluíram sobre a causa ter sido acidental. Em 2012, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) começou a investigar o caso e as suspeitas sobre as circunstâncias da morte de Anísio aumentaram. Seu filho, Carlos Teixeira, entregou documentos à CNV e a investigação avançou, mas infelizmente não chegou a ser concluída.   A impressão que temos ao nos debruçar sobre a trajetória de Anísio Teixeira é a de alguém que apostou na democracia liberal e no poder da educação como força capaz de operar transformações sociais. Sob a mira do reacionarismo católico e de governos autoritários (o governo de Vargas na década de 1930 e a ditadura civil-militar instalada a partir do golpe de 1964), sua obra educacional foi desmontada por duas vezes e a sensação que fica é a de uma obra inconclusa, uma missão que não se cumpriu.   Paradoxalmente, o liberalismo de Anísio alimentou tanto o rancor das forças conservadoras quanto as críticas dos que se declaravam progressistas. Acusado pelos primeiros de comunista, recebeu também o rótulo de tecnicista e americanista ou, sob forma mais amena, utópico e iluminista. A verdade é que, como nos lembra Clarice Nunes, Anísio escapa, foge a qualquer classificação, “espalha-se numa simultaneidade de rostos inventados a cada decisão que o acolhe.” (1)   A perspectiva filosófica de John Dewey (1859-1952) parece ter modulado o liberalismo democrático de Anísio Teixeira, postulante da idéia de que uma sociedade verdadeiramente democrática só seria alcançada garantindo-se o direito de todos à educação. Identificando-se com a vertente norte-americana da Escola Nova, encampando os princípios de liberdade de pensamento e expressão, respeito e incentivo aos talentos individuais, Anísio compreendia a educação como o instrumento mais perfeito para promover mudanças visando inserir o país nos padrões da modernização econômica e social já atingida pelos países industrializados. Em seu entender, esse objetivo só seria alcançado se fossem oferecidas oportunidades para a inclusão de crianças e jovens na esfera da cidadania por meio do desenvolvimento de uma rede escolar de qualidade. Um desafio que somente poderia ser superado pela ação do Estado.   Outra chave para se entender o pensamento de Anísio encontra-se na concepção de Hannah Arendt sobre os regimes totalitários. Democrata radical, ela defende a tese, segundo a qual “a vitória totalitária pode coincidir com a destruição da humanidade, pois, onde quer que tenha imperado, minou a essência do homem. (2) Esse humanismo tão professado por Anísio faz falta nesses tempos de retrocesso que parecem nos devolver à barbárie.   É preciso compreendê-lo historicamente, como um homem inserido no seu tempo. Signatário do Manifesto da Escola Nova (1932), Secretário de Educação do Distrito Federal entre 1931 e 1935, à frente da Capes e do INEP na década de 1950 e primeiro Reitor da Universidade de Brasília, por ele criada em 1962 em parceria com Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira dedicou sua vida à luta por uma escola pública de qualidade, universal, laica e gratuita.   Hoje, quando a educação enfrenta dificuldades aparentemente insuperáveis, ao mesmo tempo em que as pesquisas de opinião constatam a sua importância, é preciso revisitar essa tradição pedagógica democrática da qual Anísio faz parte. Num momento em que setores antifascistas tendem a dialogar para defender respeito e tolerância face à pluralidade, será preciso renovar energias e somar forças para combater o mal que se avizinha no horizonte. Hoje, mais do que nunca o pensamento de Anísio Teixeira constitui um solo de reflexão e ação do qual não se pode prescindir.   Notas da autora (1) NUNES, C. Anísio Teixeira entre nós: A defesa da educação como direito de todos. Educação & Sociedade. n. 73, p. 9-40, dez./2000. (2) ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.        

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As Ayméenas

Anabelle Loivos Considera e Aymée Loivos Considera Conde Sangenis, mãe e filha estão juntas em descobertas do mundo e aventuras que só o contato maternal e o amadurecimento de uma criança podem apresentar. Curiosidades, invenções, construções de frases e palavras… A mente é fértil e a literatura é vida. “As Ayméenas” é o retrato de uma menina no caminho de descobrimento e criação de seu mundo.   Pré-Venda: https://www.editoraoutramargem.com.br/product-page/pré-venda-as-ayméeanas-anabelle-e-aymée-loivos            

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O pior lugar do mundo para se estar neste momento

Por Simão Zygband   Ilustração do Duke No começo da pandemia, que agora completa um ano quando foi detectada no Brasil (mas há versões de que ela já estava em solo pátrio durante o Carnaval de 2020), muito empresários bolsonaristas desdenharam da doença que está matando perto de 2.500 pessoas por dia. Estavam seguindo a lógica de seu “mito”, o controverso presidente (sic), Jair Bolsonaro, que disse se tratar de uma “gripezinha” e também de suas cartilhas de pensamento neoliberal de que o mundo dos negócios está acima da vida (desde que não seja a deles, claro). Três empresários, apoiadores incondicionais de Bolsonaro, inclusive com recursos que foram injetados ilegalmente na campanha do capitão reformado (como revelou o jornal Folha de S. Paulo), não foram felizes em seus palpites e erraram longe os seus prognósticos. Junior Durski, dono da rede de restaurantes Madero, fez um vídeo postado nas redes sociais dizendo: “Não podemos parar por conta de 5 mil pessoas ou 7 mil pessoas que vão morrer. Tava melhorando muito, o Brasil tem que continuar trabalhando. Não podem simplesmente os infectologistas decidirem que tem que todo mundo parar.” Roberto Justus, empresário conhecido pelo programa “O Aprendiz”, deveria ter sido demitido sumariamente se dele dependesse salvar vidas. Ele achava que a economia se sobrepõe à luta contra a Covid-19. Justus enviou um áudio em um grupo de WhatsApp e classificando a Covid-19 como uma “gripezinha” e classificou os alertas como “histeria”: “Vai custar muito caro. Você está preocupado com os pobres? Você vai ver a vida devastada da humanidade na hora do colapso econômico, da recessão mundial, dos pobres não ter o que comer, das empresas fecharem, do desemprego em massa, não dá pra comparar com um virusinho, que é uma gripezinha leve para 90% das pessoas”. Depois, o empresário faz uma análise dos pobres nas favelas, uma “molecada” que nem doente fica . “Não tem nenhuma pessoa que morreu que não tivesse outras doenças. Na pessoa saudável, zero, e na favela não tem só gente doente, não. Não vai acontecer porra nenhuma se o vírus entrar na favela, pelo contrário. Essa molecada que tá na favela nem pegam a doença.”, diz o empresário. Já Luciano Hang, dono da rede de lojas varejistas Havan, o mais notório defensor do capitão reformado, que em vídeo reconheceu ter bancado junto com outros empresários disparos ilegais de whatsapp na campanha presidencial, não apenas foi contaminado pelo vírus que ele desprezava (e entrou na Justiça pela manutenção de suas lojas abertas durante a pandemia), como perdeu sua mãe Regina Modesti Hang, de 82 anos. O “Véio da Havan”, como é conhecido nas redes sociais, costuma contestar o isolamento social e usar as redes sociais para defender o uso de hidroxicloroquina. Lula pega pesado Na contramão dos bolsonaristas, o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em recente discurso, não deixou de abordar o assunto: “Eu tenho 75 anos de idade e na semana que vem, se Deus quiser, eu vou tomar a minha vacina. Não me importa de que país, não me importa se é duas ou uma só; vou tomar minha vacina e quero fazer propaganda pro povo brasileiro”. “Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde. Tome vacina. Tome vacina porque a vacina é uma das coisas que pode livrar você do Covid. Esse vírus, essa noite, matou quase 2 mil pessoas. É que as mortes estão sendo naturalizadas, mas eram mortes que, muitas delas, poderiam ser evitadas. Evitadas se a gente tivesse um governo que tivesse feito o elementar”, disse o ex-presidente. “Você sabe que a arte de governar não é fácil; é a arte de saber tomar decisão”, continuou ele. “Então, o presidente da República que se respeitasse e que respeitasse o povo brasileiro, a primeira coisa que ele teria feito em março do ano passado, era criar um comitê de crise envolvendo o seu ministro da Saúde, envolvendo secretários da Saúde dos estados, envolvendo cientistas da Fiocruz, cientistas do Butantan e outros cientistas. E toda semana orientar a sociedade brasileira sobre o que fazer”. Lula disse ainda que era preciso priorizar o dinheiro e comprar as vacinas que pudesse comprar em qualquer lugar do planeta Terra. “Nós tivemos momentos que teve vacina que a gente sequer aceitou. A própria Pfizer tentou oferecer vacina, e a gente não quis seguir a Organização Mundial da Saúde”. O ex-presidente diz ainda que Bolsonaro preferiu inventar uma tal de cloroquina. “Nós tínhamos um presidente que falava que quem tem medo do Covid é “maricas”, que o Covid era uma gripezinha, que o Covid era coisa de covarde, que ele era ex-atleta, e que portanto ele não ia pegar. Esse não é o papel, no mundo civilizado, de um presidente da República”. Negacionismo Lógico que o negacionismo (esta característica de tentar negar o óbvio), encontra eco entre os seguidores do capitão reformado e não é só uma condição dos grandes empresários bolsonaristas. Também o lojista, o pequeno empresário, também se rebela contra ações restritivas contra o fechamento de seus estabelecimentos. Não é raro, em São Paulo, aqueles que rosnam contra o governador João Doria, também um ex-apoiador arrependido de Bolsonaro, por que ele determina restrições que já deveriam ter sido tomadas há muito tempo. Mas a epidemia parece estar em total descontrole e os números mostram que os brasileiros poderão enfrentar ainda este grande pesadelo por muitos meses, sobretudo pela falta de vacinas para todos e pela falta de empenho dos governantes para exigir que as pessoas fiquem em casa, mantenham o isolamento, realizem o distanciamento social e utilizem máscaras e álcool gel e lavem as mãos com frequência. Os números da doença Como disse o jornalista Walter Falceta, uma das lideranças da torcida Democracia Corinthiana, o Brasil se tornou “o pior lugar do mundo para se estar neste momento”. E os números não mentem: o país tem 11 milhões e 207 mil casos de Covid, um aumento de 81% de novos casos, com um total de 272.889

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Desafios Diários na #Quarentena

Por Beatriz Herkenhoff   Em tempos de pandemia, sou convidada a expandir a minha energia de luz em todas as áreas da minha vida. O meu adulto é convidado a ser mais generoso, a dividir o que tem com aqueles que nada têm. Vivo o luto com tantas mortes, ao mesmo tempo engajo-me em campanhas de solidariedade, de luta pela vida. Para cuidar da minha luz interior, viro criança, brinco na areia, jogo bola no mar, lambuzo meu corpo com um barro que me integra à natureza, vou para a praia brincar em noite de lua cheia. Deixo-me banhar pelo sol e pela lua. Viro adolescente, faço ensaios fotográficos nas pedras de Guarapari. Disfarçadamente, filmo uns gatos sarados que caminham em horários de distanciamento. Pura diversão e um colírio para os olhos. Danço, ouço música, vejo bons filmes, como comidas deliciosas que despertam para novos sabores. Sentada na varanda, dialogo com a imensidão do mar, mergulho em seus mistérios. Ocupo minha mente com pensamentos positivos, para que eu possa tocar o outro com a minha alegria, já que não posso tocá-lo com meu corpo. E para que nada disso se perca em pensamentos que geram angústia, medo e dúvidas, reservo um tempo sagrado para as orações, quando dialogo com um Deus de amor e misericórdia. Nesses momentos, costuro minhas vivências com gratidão, esperança e certeza de que os tempos difíceis irão passar. E vocês? Como estão cuidando do equilíbrio físico, psíquico, emocional e espiritual? E do comprometimento com o outro?   Nota da Autora: Estou em #isolamentosocial uma praia deserta após dez meses reclusa em casa.   Doutora em serviço social pela PUC São Paulo. Professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo  

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