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Lula não teme a polêmica

Entrevista coletiva de Lula abala a grande imprensa   Por Sonia Castro Lopes   Assistiram a entrevista de Lula? Em que canal? Se foi pela Globo News e congêneres, sorry, mas você faz parte do grupo daqueles que não param de indagar se Lula vai se candidatar, de lembrar o quanto é perigosa a polarização político-ideológica para as eleições presidenciais de 2022, que não podemos correr o risco de deixar que Bolsonaro vença novamente porque o sentimento antipetista ainda é muito forte. E por aí vai.   O editorial do jornal O Globo desta quarta feira (10) garante aos leitores que a suspeição de Moro não tornará Lula inocente e reforça que ele terá direito aos recursos que “a generosa legislação brasileira oferece aos réus.” Admite que  poderá sair ileso e candidatar-se em 2022, mas “a nódoa do maior esquema de corrupção já desmascarado no país continuará a manchar sua biografia.” Acorda Rede Globo! Ou vão querer se retratar mais tarde como o fizeram em relação à ditadura civil-militar a quem tanto apoiaram?   Na modesta opinião desta que lhes escreve, Lula foi cirúrgico, sensacional, fodástico. Agradeceu a todos que o apoiaram, elogiou e apoiou a imprensa pedindo que jornalistas fossem fiéis aos fatos e não se deixassem levar por editores que, em sua maioria, defendem os interesses da empresa. Em seguida tocou nos problemas graves vividos pela sociedade brasileira, falou de economia com propriedade e criticou vigorosamente o governo Bolsonaro. Em quase três horas de pronunciamento e respostas aos jornalistas o que se viu foi um político experiente, equilibrado, disposto ao diálogo. Inegavelmente, estamos diante de um verdadeiro líder, dos mais carismáticos que o país já conheceu.   Aberto à formação de uma frente ampla com os demais partidos de esquerda, admitiu a inclusão de setores mais conservadores. Afirmou que precisamos ter um projeto para o Brasil e para isso será preciso conversar com todos os partidos, mesmo os de centro. Esse diálogo seria motivado pela necessidade de se encontrar soluções para enfrentar os grandes problemas do país: contornar a grave crise epidemiológica por meio da compra e aplicação de vacinas que nos livrarão desse pesadelo, combater o desemprego e aumentar o valor do auxílio emergencial que fará a economia circular evitando não só a miséria dos mais pobres, mas também a quebra das indústrias e dos pequenos empresários.   A articulação entre capital e trabalho foi a tônica de seu discurso. Tarefa difícil, não resta dúvida, mas nada impossível. A proposta não fica no plano da retórica, pois é preciso lembrar que durante seus dois mandatos (2002-2010) tivemos um vice-presidente filiado ao PL, José Alencar, que foi fiel ao governo até o fim, mesmo bastante doente. Ao contrário, Michel Temer (MDB), o vice de Dilma, a traiu vergonhosamente, sendo um dos principais protagonistas do golpe que ajudou a apeá-la do poder.   Lula acenou aos políticos de centro-direita, procurou acalmar o mercado, mas foi enfático ao afirmar que as privatizações nocivas à soberania do país não fazem parte de seu projeto. Prudente, apesar da insistência dos jornalistas, não confirmou sua candidatura afirmando ser cedo para tratar de tal assunto.   Voltando à questão inicial que motivou o presente artigo pergunto: Quem tem medo da polarização na política brasileira? De que o mercado tem tanto receio? Por que a imprensa hegemônica continua atemorizando seus leitores com o “perigo’ que representa a volta do PT? Infelizmente, senhores, não tem jeito. Lula está na pista. ‘Bozolinos’,  ‘liberais’ e ‘tucanos enrustidos’ que lutem. Foto: Reprodução GazetaViews

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